Marte entra em Escorpião

Neste dia 09 de Dezembro, o planeta Marte ingressa no signo de Escorpião, dando início a um ciclo de ativação das energias de transformação e auto-superação.

Transformar, mudar, regenerar é preciso! Mas, mesmo uma caminhada de dez mil quilômetros começa com o primeiro passo. A entrada de Marte no signo de Escorpião é um convite do Cosmos para darmos o primeiro passo em direção às transformações e auto-superação.

scorpioAfinal de contas, o ser humano não é pau, que nasce torto e morre torto: pode se regenerar e cada um de nós possui, dentro de si, todos os recursos necessários para qualquer mudança desejada. Portanto, mãos à obra.

Mas lembre-se: o requisito básico para qualquer mudança, cura ou aprendizado é querer que isso aconteça.

Desnecessário também dizer que a mudança é inevitável: acontece mais cedo ou mais tarde. Melhor, então, que aconteça agora, sob seu controle, do que acontecer depois, de forma desordenada e explosiva. Vá pensando nas coisas que, na sua vida, têm que ser transmutadas, redirecionadas, reordenadas. E aja nesse sentido, pois, se você não providenciar essas mudanças, o Cosmos, com sua sabedoria inefável, fará isso por você, desencadeando situações em sua vida que parecerão “caprichos do destino”, mas que nada mais são do que correções de rota. A sua rota pela vida!

É bom relembrar que ainda estamos sob os efeitos do Eclipse ocorrido no último dia 29 de Abril! E o eixo atingido foi exatamente Escorpião – Touro, o eixo das transformações. A entrada de Marte em Escorpião, ainda sob a vigência desse Eclipse, nos diz que o Céu não está para brincadeiras e mudanças ocorrerão.

Agora, algo que pode nos ajudar: durante sua passagem em Escorpião, Marte faz um trígonoMars (ângulo de 120º, altamente estimulante e positivo!) com o planeta Netuno, trazendo-nos grande visão sistêmica e serenidade, permitindo-nos unir a força combativa e o significado espiritual.

Melhor é impossível, não?

A ordem do dia é, portanto, mudar! Durante a estada de Marte em Escorpião, que se prolongará até o dia 26 de Janeiro de 2018, você terá a seu favor todas as possibilidades de quebrar velhas e arraigadas estruturas. E mudar comportamentos, crenças, velhos hábitos e idéias, substituindo-os por outros que lhes sejam mais úteis e lhe aproximem mais da felicidade que, por direito, lhe pertence.

Marte em Escorpião nos dará a coragem e força necessárias para isso.

Dica Cinematográfica

Vale lembrar que Marte rege os guerreiros. Representa a força combativa, a energia masculina e conquistadora dentro de nós. E no signo de Escorpião ele se encontra em sua regência, ou seja, tem sua expressão total e plena.

E há um belo filme que conta direitinho a história de um guerreiro que teve a coragem de optar viver um intenso processo de transformação, colocando a sua espada e sua força a serviço de uma causa mais nobre do que o dinheiro.

Trata-se do filme O Último Samurai (The Last Samurai), produção americana de 2003, dirigido e produzido por Edward Zwick e estrelado por Tom Cruise e Ken Watanabe, também co-produtores da obra, que tem uma trilha sonora arrebatadora, assinada por Hans Zimmer.

Você vai conhecer a história de Nathan Aldren, um mercenário com a alma atormentada por fantasmas do passado e que se entrega ao vício. E vai conhecer o profundo processo por meio do qual emerge, desse ser angustiado, um guerreiro pleno, nobre e justo, um ser humano único.

E como, no meio desse processo, Aldren encontrou a amizade e o amor. E sobretudo, encontrou a si mesmo, tornando-se aquilo que nasceu para ser.

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Saturno em trígono com Urano

O estruturador Saturno e o inovador Urano se colocam a cento e vinte graus de distância (trígono), criando a possibilidade de renovação e reinvenção de paradigmas e crenças.

Há uma interessante história que vale a pena conhecer.

Lyall Watson

Na década de 70, um grupo de pesquisadores liderado pelo biólogo Lyall Watson realizou uma interessante experiência, com resultados científicos, no mínimo, significativos. Em um pequeno arquipélago do Pacífico, habitavam inúmeras tribos de macacos espalhados por dezenas de ilhotas.

Esses primatas dispunham de dois alimentos: bananas, que colhiam nas bananeiras espalhadas pelas ilhas ou batatas doces, que não consumiam porque não sabiam como limpá-las da terra que as cobria, ao serem arrancadas do solo.

Os pesquisadores experimentaram ensinar alguns dos macacos a limpar as batatas doces, treinando-os a lavá-las nas águas de um riacho, o que fez com que passassem a consumir prazerosamente as batatas. Ao observar o comportamento dos companheiros, os outros macacos igualmente aprenderam a limpar as batatas e esse aprendizado foi sendo repassado de indivíduo para indivíduo do grupo.

Quando um determinado número de macacos (aproximadamente cem) conhecia a técnica de lavar as batatas, subitamente todos os outros macacos da ilha e, mais surpreendente, todos os macacos das outras ilhas passaram a fazer a mesma coisa.

De alguma maneira, até hoje não explicada, a informação foi transmitida para todos os indivíduos que tinham a mesma necessidade!

Esse fenômeno ficou conhecido como a Síndrome do Centésimo Macaco.

Lyall Watson relatou suas experiências no livro Lifetide: a Biology of the Unconscious, publicado em 1979.

Rupert Sheldrake

Há uma evidente relação entre as pesquisas de Watson com as proposições de Rupert Sheldrake, sobre os campos de ressonância mórfica, e talvez até com as teorias de Carl Jung, sobre inconsciente coletivo.

O conceito dos campos mórficos abriu espaço para diversos campos de pesquisa e para técnicas revolucionárias, como é o caso das constelações sistêmicas, propostas por Bert Hellinger.

Talvez isso tudo nos possa servir de reflexão, independentemente das possíveis explicações (científicas, místicas ou parapsicológicas) para o evento.

Muitas vezes desistimos de nossos sonhos e nossos objetivos, mesmo acreditando neles, por imaginar que outros não lhe darão o mesmo crédito; esquecemos que, assim como no caso dos cem macacos, a Verdade irá se impor às mentes e aos corações dos Homens, sempre que você estiver disposto a acreditar nisso.

Ao longo deste nosso ano de 2017, ocorre um importante evento astrológico: o trígono (ângulo de cento e vinte graus) entre os planetas Urano, aos vinte e cinco graus do signo de Áries, e Saturno (aos vinte e cinco graus do signo de Sagitário). E agora, em Novembro, os dois planetas formam o ângulo exato de cento e vinte graus pele última vez.

Este é um evento celeste raro e impactante, indicando a possibilidade de acionar a nossa própria capacidade de sonhar e acreditar, fazendo reativar idealismos adormecidos associados à possibilidade de realização.

O Cosmos nos diz que é possível o resgate da conexão entre os homens, de coração para coração, de mente para mente.

Jung

Jung

Se você tem um daqueles sonhos malucos, que parecem inverossímeis, impossíveis, o verdadeiro delírio de um visionário, mas que é aquilo em que você acredita, embora às vezes até finja não acreditar, aproveite o momento para expressá-lo para o mundo inteiro. Por incrível que pareça, toda a Humanidade vai estar interessada em ouvi-lo. E aí, de repente, você talvez venha a perceber que aquele sonho, tão maluco, não era exclusividade sua: outros loucos, ao redor do planeta, também o nutriam, secretamente, sem coragem para abrir o coração e revelá-lo.

Muitas vezes foi assim que as grandes idéias puderam se concretizar, ao longo da História, com a coragem de um doido que teve a visão mais ampla do que o comum dos mortais e, mesmo tachado de louco, sem juízo ou insano, teve a determinação de ir adiante, desencadeando forças em seu interior de cuja existência nem suspeitava, até perceber que outros loucos (outros macacos?) o seguiam.

E lembre-se: diante da realização de qualquer projeto, há sempre um preço a pagar e um trabalho árduo a ser

realizado.

E não tenha medo de frustrar suas esperanças, pois o frustrado não é aquele que não consegue, mas sim aquele que não esgotou as possibilidades para conseguir.

A revolução para a Consciência Planetária se dará em revoluções individuais que, aos poucos, irão contagiando as outras individualidades. Portanto, não fuja do campo antes do fim do jogo e lembre-se do que nos ensinou o grande cineasta Akira Kurosawa: “Num mundo louco, só os loucos podem ser considerados sãos”.

Vênus entra em Escorpião

A entrada do planeta Vênus no signo de Escorpião nos convoca a uma reflexão acerca dos aspectos não visíveis do Amor.

Em seu contínuo caminhar pela “roda dos animais” ( zoo = “animal” + diakos = “roda” ), o Zodíaco, o planeta Vênus adentra o signo de Escorpião, nesta terça-feira, dia 7 de Novembro de 2017, dando início a um ciclo de resgate dos mistérios do Amor.

VenusSímbolo da beleza, do sentimento de afetividade e do Amor, em todas as suas formas, o planeta Vênus está relacionado à deusa grega Afrodite, senhora dos amores, dos risos e das graças. Ao penetrar Escorpião, signo representativo do Mistério, da transformação e da regeneração, Vênus nos convoca a uma importante reflexão: a de que o Amor, amálgama do Universo, força “que move o Sol e as demais estrelas”, não pode ser compreendido, mensurado ou explicado racionalmente. Ele deve, isso sim, ser vivenciado, sentido, experienciado, pois é um Mistério.

Que o Amor transforma as pessoas, que tem um enorme poder de superação e regeneração, isso nós sabemos. O gancho é o “como”. Pois, assim como Moisés, ao fazer o pacto com o Senhor, não pôde ver a Sua face; assim como, nas páginas da Mitologia Grega, Psiqué não poderia ver o rosto de seu esposo, Eros; assim também existem segredos e mistérios no Universo que jamais poderão ser avaliados, analisados, compreendidos, mas sim vivenciados pela alma. Que não diga, então, aquele que ama: “Deus está no meu coração !” Mas que diga, antes, : “Eu estou no coração de Deus!”

Eis o Mistério!!!

E vem a ciência moderna, com a sua conhecida empáfia racionalista, desenvolver mil e uma teorias psíquicas, comportamentais e até (pasmem!) genéticas para explicar o Amor, como se sobre este pudéssemos colocar uma fita métrica ou um termômetro ou algo que o valha.

Impossible !

Pois não se pode enquadrar o Infinito ou apreender o Inefável. Portanto você pode (e deve) compreender a sua relação com a pessoa amada; mas nem sempre, ou quase nunca, poderá explicar o seu sentimento. A entrada de Vênus em Escorpião é um chamado do Cosmos para que se vivencie o Amor com mais paixão, mais mistério e mais emoção.

É interessante observar que, poucos dias após a sua entrada em Escorpião, Vênus faz conjunção com Júpiter, o que tenderá a expandir ainda mais o conceito da intensidade passional. Mas também traz sorte e possibilidades de resgate, alegria e pacificação.

Esse não é um momento bom para uma DR (= discutir a relação). Mas é um momento ótimo para, simplesmente, viver com força e intensidade tudo o que de melhor o amor possa trazer para você.

E lembre-se do que disse Roque Schneider: “passei a amar a vida e ela deixou de ser um mistério para mim”.

Dica Cinematográfica

Eternal SunshineO filme Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind), USA, 2004, estrelado por Jim Carrey e Kate Winslet, onde você descobrirá que os mecanismos do amor estão muito além do alcance da ciência e sua vã racionalidade. E que, nas relações, a total semelhança dos pares nem sempre é a melhor fórmula.

O Sol entra no signo de Escorpião

  Neste dia 23 de Outubro de 2017, o Sol entra no signo de Escorpião, inaugurando um ciclo de transmutação e regeneração.

O signo de  Escorpião está associado ao mito de Orion, um gigantesco caçador, filho de Netuno, que, de tão hábil, gabava-se de matar qualquer animal que na terra vivesse. A Mãe Terra (Gea ou Gaea) não se conforma em ouvir tal desaforo e envia-lhe um enorme escorpião, desafiando o caçador a matá-lo. Orion faz pouco do bicho e, com o pé, esmaga-lhe a cabeça; esquece, porém, que é na cauda que se situa o ferrão do perigoso animal; e é exatamente esse ferrão que o escorpião, apesar de ter a cabeça arrebentada, crava na perna de Orion, inoculando-lhe o seu letal veneno.

O soberbo caçador morre, padecendo de terríveis dores e será catasterizado (= “transformado em constelação”), formando o agrupamento de estrelas que leva o seu nome, a pedido da deusa Diana (= a Lua).

Simbolicamente, o signo de Escorpião representa esse veneno, capaz de matar (= transformar, transmutar), para fazer transcender para algo que está “mais além”.No livro O Pequeno Príncipe, de Exupèry, é o veneno de uma serpente do deserto que faz o jovem principezinho viajar de volta ao seu pequeno planeta; do mesmo modo, a borboleta “mata” a lagarta, ao transformar-se de uma para outra. Assim também o feto, dentro do útero, “morre” para renascer um ser vivo independente; assim também o adulto “mata” o jovem, quando atinge a maturidade

Viver, portanto, é sinônimo de nascer, evoluir, morrer e renascer, numa interminável seqüência, consoante os ciclos cósmicoscorpios.

Compreender Escorpião é compreender o Mistério da evolução, da regeneração e da morte; é compreender a liberação das energias necessárias à transformação.

E é, sobretudo, compreender o erro sobre o qual se construiu a nossa civilização: a ilusão de que o eu é a última realidade; de que o progresso contemporâneo e finito é mais importante do que os ciclos infinitos e sutis, muito mais sutis, que se mesclam com a realidade; de que podemos acender as luzes do inconsciente sem venerar o Incognoscível; e de que a realidade superficial das coisas é mais significativa do que a ordem oculta em que ela se baseia.

E lembre-se: já que o Universo é dinâmico e eternamente em estado de metamorfose, a mudança invariavelmente acontece, quer você goste disso ou não. É melhor que as transformações aconteçam sob seu controle e sua opção.

Shirley ValentineAproveite, portanto, a estada do Sol em Escorpião para detonar as mudanças de que você necessita e que, às vezes, fica adiando, por acomodação ou mesmo por (desculpe a franqueza!) covardia.


Dica cinematográfica
: o filme Shirley Valentine (Shirley Valentine, USA/Reino Unido, 1989), dirigido por  Lewis Gilbert e estrelado por Paulline Collins. Você vai conhecer a bela e improvável história de uma dona de casa que, após uma profunda conversa com as paredes de sua casa (??!!!?!) foi capaz de matar o que já estava morto.

Vênus e Marte em conjunção

Encontram-se neste dia 05 de Outubro, Vênus e Marte, indicando a possibilidade de união entre força e sensibilidade.

 

Há uma interessantíssima passagem da Mitologia Greco-Latina, eterna e inesgotável fonte de sabedoria, que vale a pena conhecer.

Conta-se que a belíssima deusa Vênus, chamada Afrodite pelos gregos, deusa do amor e da beleza, era dada, como não podia deixar de ser, a entregar-se aos jogos da conquista e da sedução. E linda e exuberante como era, não lhe faltavam pretendentes, que ela convertia em amantes, ao seu bel prazer. Mas, dentre todos esses pretendentes, dois se destacavam, pela fama, pela insistência e pela rivalidade que devotavam um ao outro, na disputa pela preferência da magnífica deusa.

O primeiro era Apolo, o deus Sol: belo, garboso, sedutor, poético, voltado às artes e à música.

O segundo era Marte, o deus da guerra: bruto, violento, agressivo, grosseirão, voltado às lutas e à pancadaria.

E qual dos dois ela vai preferir?

Errou quem pensou em Apolo!

Era o violento Marte o preferido da deusa.

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Vênus e Marte

Surpreendente? Talvez… Mas o fato é que só nos braços da doce Vênus é que o bravo Marte repousava. Dessa “complexio oppositorum” (= união dos opostos), nascem vários filhos, entre eles Phobos (o pavor), Deimos (o espanto) e Éris (a discórdia), que passaram a acompanhar o pai nos campos de batalha.

Da mesma forma que na Mitologia, devemos buscar a união de opostos dentro de nós. E só quando conseguimos equilibrar a força de vontade com a alegria, a firmeza de propósitos com a gentileza, a força com a sensibilidade, é que estaremos caminhando reto na construção de um saudável equilíbrio nas relações, na profissão, na vida.

Ao longo dos próximos dias, o Cosmos poderá colocar você diante de situações que lhe forcem a construir esse equilíbrio.

Pode ser um grande aprendizado!

Fique atento.

E a propósito, o quarto fruto da união entre Marte e Vênus é a doce Harmonia, símbolo do equilíbrio, síntese da virilidade combativa do pai e da fertilidade e beleza da mãe.

Luciano de CrescenzoComo reflexão, invocamos Luciano de Crescenzo, ex-presidente da IBM na Itália e que abandonou uma brilhante carreira corporativa para se tornar ator e filósofo:

Somos todos anjos com uma asa só; e só podemos voar quando abraçados uns aos outros.

Júpiter em oposição a Urano

Conflito entre esses dois planos da alma, ficando exato neste dia 28 de Setembro de 2017, indicando a necessidade de maior conscientização sobre as nossas idéias e seus respectivos alcances e significados.

“Nada é tão perigoso quanto uma ideia — quando você só tem uma.”

Ignacio de Loyola BrandãoEssa frase do escritor Ignácio de Loyola Brandão pode definir bem o risco que causa o excesso de centralização em uma ideia que consideramos correta. Ou, se quisermos usar uma outra linguagem, os riscos do fanatismo.

A oposição (ângulo de cento e oitenta graus) entre Júpiter  e Urano indica um momento em que talvez tenhamos que abrir mais os olhos em relação às ideias dos outros e, sobretudo, em relação aos limites de nossas próprias ideias.

Inflamados por um ideal ou uma concepção idealista, muitas vezes deixamos de observar o mais sagrado dos deveres: o de respeitar as concepções e ideais do outro. Em um nível mais agudo, essa situação poderá acarretar uma hiper-inflação dos significados em relação aos significantes, ou seja, do ego em relação à ideia defendida, o que pode desencadear o surgimento de mosntruosidades internas, que afloram à superfície da psique e tendem a ampliar-se desmesuradamente.

Essas monstruosidades têm sido comuns ao longo da História e, em alguns casos, tomaram dimensões tenebrosas. Exemplos: Nero, Napoleão, Hitler, que se sentiram mais significativos do que seus semelhantes, a ponto de se julgarem sócios de Deus.

É preciso, portanto, perceber que, do outro lado de uma idéia, há sempre uma contra-idéia e nosso dever será sempre o de respeitar os pensamentos alheios, propondo uma ação universal de restauração do sentido mais amplo das coisas humanas, saindo do ego para a essência transumana. Exemplos: Sócrates, Gandhi, Luther King, que se sentiram tão significativos quanto seus semelhantes, a ponto de se fazerem instrumentos de Deus.

Nesse momento, portanto, cuidado: lembre-se de que todos têm a sua versão da verdade e a sua versão não necessariamente é melhor do que a versão de seu vizinho. E busque conscientizar-se dos alcances, mas também dos limites de suas idéias, a fim de que toda a Humanidade, e não apenas você e seu ego, possa beneficiar-se dela.

Análise Cíclica

Independentemente da qualidade própria desse momento, sinalizada pela oposição Júpiter-Urano, do ponto de vista ciclológico cabe também uma observação.

Como já comentamos em outros artigos, nesta coluna, o ciclo sinódico entre dois planetas se dá da seguinte maneira: na conjunção (quando os dois planetas se encontram no mesmo grau do Zodíaco), inicia-se um ciclo, novas sementes são lançadas, algo novo começa. O planeta mais rápido continua avançando e, na oposição (quando os planetas estão a 180º), esse ciclo atinge o seu máximo. Nesse ponto, as sementes lançadas no momento da conjunção frutificam (para bem ou para mal) e rendem resultados. Mas, entre a conjunção e a oposição e vice-versa existem dois momentos em que os planetas se colocam em quadratura (a 90º um do outro). Os pontos de quadratura representam momentos de crise, de oportunidade. A quadratura crescente (entre a conjunção e a oposição) está relacionada a crescimento. Às vezes, nesta fase, faz-se necessário um ajuste ou reordenamento de metas, para que os projetos ou vivências iniciadas na conjunção continuem ou até mesmo se extingam de vez. Já a quadratura minguante (entre a oposição e a conjunção) está relacionada a uma crise que solicita novos ajustes, porém com vistas ao encerramento do processo.

E, na nova conjunção, o ciclo é definitivamente encerrado e um novo se inicia.

Alguns desses ciclos duram um mês, como é o caso dos ciclos envolvendo a Lua. Outros duram vinte anos, como é o caso do ciclo Júpiter-Saturno. E outros ainda duram em torno de quinze anos como é o caso deste ciclo Júpiter-Urano.

Quando observamos esse tipo de ciclo, percebemos que o tempo e seu desenrolar em nossa vida fica impregnado de significados. E vivemos em meio a uma infinidade desses ciclos, que se mesclam e se interpenetram entre si.

A vez mais recente em que Júpiter e Urano fizeram uma conjunção foi em Maio de 2010 a Janeiro de 2011. Avalie com cuidado: que sementes você lançou, nos entornos desse momento? Que projetos ou vivências você iniciou aí?

Júpiter e Urano fizeram uma quadratura crescente em Agosto de 2013 a Maio de 2014. Pergunte-se: que tipo de crise de ajustamento seu projeto ou vivência passou, durante esse momento?

A oposição Júpiter-Urano ocorre agora, de Dezembro de 2016 a Outubro de 2017. Aí acontece o apogeu do ciclo. Que frutos você está colhendo?

A quadratura minguante Júpiter-Urano ocorre em Janeiro de 2021. Eis aí o momento da crise final, o princípio do fim do ciclo.

E a conjunção Júpiter-Urano ocorrerá em Abril de 2024, encerrando esse ciclo e começando outro.

Um ciclo dessa magnitude, de tão larga amplitude de tempo, tem desdobramentos mais visíveis nas áreas da Política, da Ciência ou da Economia. Mas, se observarmos, poderemos perceber que as nossas vidas, enquanto indivíduos, recebem, também, impactos significativos, a partir de ciclos dessa natureza.

Fique atento. E aproveite para usar os momentos cíclicos a seu favor, em vez de nadar contra a correnteza cósmica.

 

O Sol entra em Libra. Equinócio de Primavera!!!

 

Às  17h02 desta sexta-feira, 22 de Setembro, o astro do dia, em seu eterno caminho ao
longo do Zodíaco, adentra o signo de Libra, dando início à Primavera.

Dentre os muitos e sutis ciclos sobre os quais se baseia a realidade, talvez o que mais sentimos seja o ciclo solar, ou seja, o período de um ano que o Sol leva para completar uma revolução ao redor do Zodíaco. Esse período é tão natural ao ser humano que a própria História é sempre medida em anos ou em seus múltiplos (décadas, séculos, etc.).

tulipasInteressante será notar que esse período tem, também, as suas divisões internas, podendo ser compreendido em quatro etapas distintas, exatamente aquilo a que chamamos de Quatro Estações do Ano.  Em cada uma delas, a Natureza se comporta de uma forma diferente, obedecendo a ciclos que regem o próprio ritmo universal. Obviamente, esses mesmos ciclos ocorrem no interior de nossa própria alma e corpo, uma vez que o Macrocosmos (o Universo) e o Microcosmos (o Homem) são sempre análogos, refletindo este o que aquele retrata.

Isso quer dizer que, também em nossos corações e mentes, existem e existirão sempre as quatro etapas do ano, assim como também as quatro etapas do mês, correspondentes às fases lunares, tudo reflexo do grande Ciclo do Cosmos.

Sendo, por excelência, a Ciência dos Ciclos, um Relógio Qualificador do tempo, a Astrologia estuda esses movimentos cósmicos e, evidentemente, a sua relação com o Homem.

A entrada do astro-rei nos signos cardinais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio) é o marco astronômico e simbólico do início de cada uma das estações, onde o Cosmo nos convida a uma vivência relativa ao período específico.

Ao entrar em Áries, o Sol dá início à estação do Outono (para o Hemisfério Sul;

Quando chega a Câncer, inicia-se o Inverno.

A Primavera chega quando o radioso astro-rei toca o signo de Libra.

E, finalmente, com a entrada do Sol em Capricórnio, inicia-se o Verão, a estação da plenitude da Natureza, dando seqüência ao interminável e inexorável movimento dos Céus.

Mitologicamente, as quatro estações estão relacionadas com a deusa Ceres e sua filha Core (Perséfone), raptada por Plutão (senhor dos mundosrapeofproserpina infernais) e forçada a tornar-se sua esposa.

Uma inflexível lei determinava que qualquer um que penetrasse nos reinos de Plutão e ali comesse algo estaria condenado a lá permanecer por toda a eternidade. A pobre criança, assediada por Plutão, acabou engolindo um pequeno caroço de romã, o suficiente para que o traiçoeiro Plutão reivindicasse a presença da jovem em seus domínios para todo o sempre.

Um acordo, porém, foi feito: a jovem passaria seis meses do ano com Plutão, nos subterrâneos infernais e os demais seis meses com a mãe, na superfície.

Os antigos gregos entendiam que essa era a representação mitográfica das quatro estações.

Interessante notar que Ceres (chamada de Deméter pelos romanos) era a deusa dos campos cultivados. Já a palavra “core” deriva diretamente do radical grego que significa “grão” (= “semente”).

E assim se desenrola, exatamente como retrata o mito, o ciclo inexorável das estações: nos meses de Outono e Inverno, Core se mantém sob a superfície (a semente, lançada à terra, se nutre e se prepara para o desabrochar), na companhia de seu esposo Plutão; por isso, nesse período, a Natureza, entristecida, murcha e se interioriza; no início da Primavera , a jovem retorna à superfície e aí permanece até o final Verão, e se encontra com a sua mãe, fazendo com que toda a Natureza desabroche (a semente germina e aflora) de pura felicidade e celebração.

Se ficarmos atentos, poremos notar o desenrolar das estações em nossa alma, nossos sentimentos, nossos projetos e mesmo em nossas atividades do cotidiano.

Obviamente, para quem mora muito próximo à linha do Equador, as estações do ano não são assim tão bem delineadas. É mais comum que se pense em duas estações: uma chuvosa e outra seca. Entretanto, qualquer um de nós poderá observar toda essa ciclologia, simplesmente prestando atenção aos nossos próprios ciclos internos.

primavera-despertaHá momentos ou fases de vida em que estamos mais invernais: recolhidos, introspectivos, meditativos. Em outros, estamos mais primaveris: desabrochando, crescendo. Em outros ainda, somos a própria encarnação do outono: descascamos, jogamos fora o que não presta, preparamos para a renovação. Ou podemos ser como um verão: festivos e alegres, celebrando a culminância.

Viver cada uma dessas fases com consciência e sincronicidade aos ritmos cósmicos pode ser um passo para a compreensão da realidade e uma ponte para o auto-conhecimento.

A entrada do Sol em Libra  marca o início da Primavera, ou seja o Equinócio de Primavera para o Hemisfério Sul, momento cosmicamente convidativo para o desabrochar de nossos projetos, de nossas idéias e de tudo aquilo que pretendemos transformar em realidade. Toda essa fase poderá estar permeada de uma serenidade e uma significativa fantasia que permitirá estabelecer nossos objetivos com equilíbrio e vivenciar a paz e a alegria de viver.

Aproveite, portanto, o momento, lembrando-se de que o desabrochar de sua beleza interna, seus potenciais e sua alegria só tem sentido se for para fora, para o mundo, pois com Libra se inicia o ciclo dos signos voltados para o social, para o que está além do eu individual, ciclo que vai até Peixes.

Afinal, não se fala em desabrochar para dentro, não é mesmo?

Aproveitamos para desejar a todos os nossos amigos e leitores uma Feliz Primavera!

E aos librianos, uma linda celebração de aniversário!!!

Um presente

Para celebrarmos adequadamente, oferecemos um presente poético.

A Canção da Primavera. de Mário Quintana, com quem aprendemos a renascer, a cada Primavera:

Um azul do céu mais alto,

Do vento a canção mais pura

Me acordou, num sobressalto,

Como a outra criatura…

 

Só conheci meus sapatos

Me esperando, amigos fiéis

Tão afastado me achava

Dos meus antigos papéis!

 

Dormi, cheio de cuidados

Como um barco soçobrando

Por entre uns sonhos pesados

Que nem morcegos voejando…

 

Quem foi que ao rezar por mim

Mudou o rumo da vela

Para que eu desperte, assim, como dentro de uma tela?

 

Um azul do céu mais alto,

Do vento a canção mais pura

E agora… este sobressalto…

Esta Nova Criatura!

mario-quintana1

Vênus entra em Virgem

Neste dia 19 de Setembro de 2017, o planeta Vênus adentra o signo de Virgem, inaugurando um ciclo de reflexão sobre a necessidade de resgatar a pureza e os princípios que regem o amor.

 

 “Eu não sou eu nem sou o outro

Sou qualquer coisa de intermédio

Pilar da ponte de tédio

Que vai de mim até o outro”

 

Os versos acima, do poeta português Mário de Sá-Carneiro, retratam uma realidade tanto comum como lamentável: o óbvio fato de que a maioria das relações afetivas fatalmente descamba para a mais penosa e tediosa das agonias. Depois de algum tempo, uma boa parte dos casais apenas “vai convivendo”, sem que isso traga qualquer coisa de significativo ou impactante para suas vidas.

Mário de Sá-Carneiro

Mário de Sá-Carneiro

A entrada do planeta Vênus, regente do amor e do afeto, no signo de Virgem é um convite do Cosmos para que você repense as formas possíveis de resgatar a pureza dos relacionamentos e revisitar os princípios que regem a sua forma de se relacionar.

Observe-se que, lingüisticamente falando, amar é um verbo. Ou seja, uma palavra que designa uma ação, não um sentimento. O amor, um sentimento, é fruto da ação amar. As pessoas, carentes de significado em suas vidas, é que transformam o verbo amar em um sentimento e acabam sendo levadas por esses sentimentalismos e emocionalidades. O glamour hollywoodiano, a literatura e as novelas de TV nos ensinam que nós não somos realmente responsáveis, pois nosso comportamento é fruto de nossos sentimentos. Mas os roteiros cinematográficos não refletem a realidade. Se nossos sentimentos controlarem nossas ações, estaremos abdicando de nossas responsabilidades e transferindo a apenas uma parte de nós o comando de tudo.

Portanto, amar, verbo, não significa sentir algo, mas fazer algo. Amar é cuidar, proteger, partilhar. Amar é considerar, doar-se, manifestar afeto.

As pessoas que amam de verdade fazem do amar um verbo, pois sabem que o amor é algo que se realiza e se cultiva: os cuidados, o desprendimento, o colocar os interesses do outro no centro das suas atenções. Amar, portanto, é um bem, um ativo patrimonial na contabilidade dos relacionamentos, um bem que se valoriza por meio de atos amorosos.

As pessoas que amam de verdade subordinam os sentimentos aos valores e aos princípios. Somente assim o amor, sentimento, poderá ser recapturado.

E como começamos com poesia, terminemos idem. Mas desta vez, para nos ajudar a refletir sobre o significado do amor em nossa vida, os versos do poeta pernambucano João Luís Martins:

 

Acende uma luz na cabana da clareira

E sai a mulher com o brocado de flores,

Ainda em molhadas contas

Cantarolando canções do campo e  desejando

Que seu homem fizesse um trabalho bom.

 

Não queria o ótimo

Queria tudo o que fosse simples

E para repartir o pão-da-mesa bastavam

Os olhos cheios de ternura um com o outro

O coração cheio de amor e a luz da vela

Brilhando as intenções de ambos

Tudo isso queria ela

E o seu desejo dava-lhe luz aos olhos,

Qual a vela, poderia ser.

 

Lá vem a mulher do brocado de amor

Flores buscadas numa manhã-de-calor

O cheiro do ar forte, como fortes são os dois

Quando se unem à noite ou à tardinha

Bem no cume da clareira.

 

E ela espera pela vinda dele

E ele espera onde está pela espera do rosto dela

Fitando as ilusões que eles criam:

O trabalho que os dois conspiram em criar

Sua casa arrumada por ele

E o jardim, bom amigo, por ele construído com amor

 

Sim, o mesmo amor de um beijo

Quando da vela não se apaga com um sopro,

Molha a mão dele na boca úmida dela

E pega na chama

E arde as emoções dos dois

Pois a luz chega ao fim de sua trajetória

Objetiva em iluminar,

Passando ao desafio objetivo em agora

Deixar, no escuro, que vivam um amor

Bem forte como o trabalho,

Cultivado como o jardim,

Querido por todos aqueles corações

Que se unem e deixam-se horas a gastar

A gostar do amor que, aos poucos, os toma aos dois.

Eclipse Solar Total

Um dos mais belos fenômenos da natureza – o eclipse solar total – ocorre nesse dia 21 de Agosto,

trazendo uma grande carga de significados para a Humanidade.

Sempre que ocorre um eclipse, mil e uma histórias são contadas e recontadas, evocadas de um passado distante, cujos conceitos teimam em assombrar o imaginário do homem moderno com prenúncios de catástrofes ou de espíritos agourentos.

total-solar-elipse-diamondring-1Folclores à parte, as grandes questões que se propõem são as seguintes: qual o significado de um eclipse e como se verificam os seus efeitos em nossa vida cotidiana?

A palavra eclipse vem do grego ekleipsis, que significa, em uma tradução livre, desmaio ou ainda desaparição. Do ponto de vista astronômico, um eclipse ocorre quando a luz de um astro é ocultada por outro ou pela sombra de outro. No caso presente, o Sol é ocultado, pois ficará, no momento da Lua Nova, “por detrás” do disco lunar. Ou seja, a Lua, entre o Sol e a Terra, impede que a luz solar chegue até nós, causando uma inesperada e momentânea noite, quando já é dia.

Do ponto de vista astrológico, um eclipse significa um desmaio, uma falência de uma das luzes celestes que compõem a totalidade da psique. Afinal, é isso o que os astros representam: partes da alma. E já que tudo está relacionado entre si, quando uma dessas luzes se apaga, no céu, apaga-se também a correspondente luz dentro de nós.

Um eclipse, portanto, representa um desmaio que ocorre dentro de nossa psique, um apagão emocional que desencadeia uma espécie de black-out daquela parcela de nossa alma.

Um detalhe: após a escuridão, a luz ressurge, após o desmaio, retorna a consciência. Ao retornar a luz, porém, não somos mais os mesmos. Algo foi reformulado, inapelável e inevitavelmente, pela escuridão do eclipse.

Ou seja, o pós-eclipse enseja um renascimento e uma transformação.

O eclipse ocorre aos vinte e nove graus do signo de Leão, signo que associamos ao poder, à individualidade, ao brilho pessoal, à conquista. Se você já tem o seu mapa astrológico, poderá avaliar que área da vida (que casa astrológica) ou que planetas serão mais afetados pelo fenômeno., observando em que casa do seu mapa está o ponto do grau vinte e nove do signo de Leão

Lembramos que Leão está associado ao conceito de nobreza humana e de renúncia ao ego. O axioma máximo de Leão é “Quando me elevo, brilho. Mas quando alcanço o Centro, não brilho. o Espírito brilha através de mim”. O eclipse é um convite a uma reflexão acerca daquilo a que precisamos renunciar em nossa vida, para resgatar a nobreza a que somos destinados a alcançar; assim como, aquilo que precisamos dissolver, destruir, desconstruir em nossa vida e nossos comportamentos, para que o Espírito brilhe em nós.

Ao ressurgir do black-out, o Sol nos traz a possibilidade de ir além da forma de nossa própria estrutura egóica, a fim de redefinir a nossa identidade, especialmente no que diz respeito aos nossos desejos e nossas paixões.

Como disse Chaplin, “aquilo que é mais profundo em teu ser, daí emergem os teus mais verdadeiros desejos; e dos teus mais verdadeiros desejos, daí charlie-chaplinemerge a tua mais inabalável vontade”.

E essa vontade será capaz de construir o seu destino.

Porém, às vezes é preciso demolir para depois reconstruir. E se não demolimos o que precisa der demolido, o destino se encarrega de ajustar as coisas para nós, mesmo que de maneiras nem sempre suaves.

Nós, seres humanos vivemos ofuscados pelo nosso próprio brilho e exuberância ou pela iridiscência da insana sociedade que construímos. Às vezes, é preciso que um pouco dessa luz se apague para que, na suave penumbra de nossa alma, possamos contemplar a inteireza de nossa essência.

Durante os dias seguintes ao fenômeno, sob impacto do eclipse, você pode aproveitar a oportunidade para refletir sobre a sua necessidade de renúncia egóica e entrega espiritual. E começar a agir de acordo.

Uma sugestão: o eclipse terá seu ponto máximo às 17h15 (hora de Brasília).

Procure acompanhá-lo. Se você não reside na zona que será sombreada ou se porventura prefere não se expor ao eclipse, pode assistir a alguma transmissão ao vivo pela internet.

Além de ser um belíssimo espetáculo celeste (e inteiramente gratuito, diga-se de passagem), o fato de contemplar, do lado de fora, o apagar da luz do Sol, poderá ajudar a compreender, do lado de dentro, o desmaio de nosso Sol interno.

O fenômeno poderá ser visto em uma parte do território brasileiro, mas apenas parcialmente. Ou seja, para os brasileiros, o eclipse será parcial e não total.

Para maiores informações de caráter astronômico, consulte o site Astronomia no Zênite (www.zenite.nu) ou o Momento Astronômico do site Climatempo (www.momentoastronomico.com.br).

Dica Cinematográfica

Cena de Eclipse Mortal

O filme Eclipse Mortal (Pitch Black, USA, 2000), dirigido por David Twohy e estrelado pelo fortão Vin Diesel. Aparentemente, um filme de ficção científica de aventura, com um toque de terror, sem maiores pretensões. Mas ilustra muito bem o conceito do que acontece com a alma humana após o “desmaio”.

Vale a pena conferir.

Mas só para quem estiver a fim de olhar bem de perto a cara de seus demoninhos interiores, que o apagar das luzes às vezes mostra!

Conflito envolvendo Vênus, Júpiter e Plutão

Vênus, Júpiter e Plutão formam a configuração conhecida como “Quadratura T”, indicando a possibilidade de crises e conflitos afetivos de grande intensidade.

 

Alguns leitores desta coluna por diversas vezes já questionaram este autor, no que diz respeito a uma suposta predileção pelos eventos astrológicos envolvendo o planeta Vênus.

Vênus rege a beleza, a arte, a sensibilidade e, sobretudo, o amor, o afeto e todas as suas formas de expressão. E poucas coisas são tão presentes em nossa vida quanto o amor, considerado por muitos a maior força emocional do Ocidente.

Sendo assim, é natural que os eventos astrológicos envolvendo Vênus nos mobilizem de uma forma especial. Não que haja nenhuma “predileção”. Mas, se Vênus está formando configurações significativas com outros astros, provavelmente isso causará algum tipo de impacto sobre todas as pessoas, em todo o mundo, em maior ou menor escala.

Nesta semana, um desses eventos significativos ocorre: Vênus se posiciona, dentro da roda zodiacal, a 180 graus de distância de Plutão, o que chamamos de oposição. Por sua vez, Júpiter e Plutão se colocam a 90 graus, ou seja, uma quadratura. E Júpiter fecha o cerco, também a 90 graus de Vênus. Isso perfaz a configuração, extremamente tensa, que se chama em Astrologia de “Quadratura T”.

Isso pode desencadear crises e conflitos de grande intensidade.

Porém, é sempre importante lembrar, uma crise pode traduzir algum tipo de perigo, mas sempre trará, igualmente, oportunidades.

No caso da Quadratura T entre Vênus, Júpiter e Plutão, a oportunidade se dá quando a crise faz emergir ranços e emocionalidades não resolvidas, por vezes muito antigas, mas nem por isso menos desagregadoras. Isso pode desencadear situações que exigirão de nós coragem e humildade.

A esse respeito, há um interessante mito, uma das mais belas páginas da mitografia grega, que conta a história de Admeto e sua esposa Alceste.

Admeto, rei da Tessália, havia conseguido de Apolo, o deus-sol, a dádiva de, chegando a hora de sua morte, ter seu tempo de vida prorrogado, desde que alguém se dispusesse a morrer em seu lugar. Quando Tânatos, o deus da Morte, veio buscá-lo, Admeto procurou entre os seus súditos alguém que se dispusesse a morrer por ele. Mas, apesar de ser um rei muito amado por seu povo, ninguém se habilitou a tal sacrifício. Nenhum de seus irmãos, primos ou parentes se ofereceu. E até mesmo seus pais, apesar de muito velhinhos, se dispuseram a abandonar a vida, em favor do filho.

Diante disso, a bela rainha Alceste prontifica-se ao sacrifício e voluntariamente decide acompanhar Tânatos ao Hades, o reino dos mortos (domínio do deus Plutão!), para que seu amado esposo pudesse viver.

E assim é!

Em meio às lágrimas do povo, Alceste se despede de suas irmãs, de seus filhos, de seus pais e de seu marido, entregando-se de bom grado ao abraço da morte, por consenso de que seria mais útil aos filhos a presença do pai do que da mãe.

Em meio ao luto do país e da família, chega ao Palácio de Admeto o poderoso Hércules, filho de Júpiter e o maior herói da Mitologia. Sem nada saber da tristeza que assolava aquela casa, Hércules pede pousada por uma noite, no que é prontamente atendido, mesmo porque a hospedagem era um ato sagrado, na Grécia daqueles tempos.

Enquanto se banhava, Hércules bebe o vinho oferecido pelos servos de Admeto, canta e faz gracejos e se espanta que as pessoas não o acompanhem em sua alegria. Descobre, então, pasmado, o luto que se abate sobre a família que o hospeda e, tomado de vergonha pelo barulho que fizera, pergunta a uma serva há quanto tempo a morte levou sua senhora. “Há pouco mais de duas horas”, responde a chorosa criada. E conta toda a história da escolha voluntária da rainha.

Num ímpeto de comoção e entusiasmo, o herói toma uma decisão: vai partir em busca de Tânatos e trará Alceste de volta à vida, ou morrerá tentando. E assim parte Hércules, em meio ao espanto entremeado de esperança que se espalha pela casa e pelo país.

A corrida agora é contra o tempo: se Hércules alcançar Tânatos antes que este chegue às margens do Rio Estige (o rio que circunda o Hades), terá uma chance de sucesso. Em caso contrário, será tarde demais.

Hércules, porém, corre com a velocidade do pensamento e, enfrentando mil perigos, alcança Tânatos em tempo e, desafiando-o a um combate, exige que lhe devolva a psique de Alceste, para que possa restituir-lhe a vida ao corpo. O anjo da morte quase não acredita na ousadia de Hércules. Mas nem por isso se furta ao combate. E a terra treme ante a fúria dos dois titãs, que se envolvem em luta encarniçada.

Hércules triunfa!

E retorna ao palácio de Admeto e restitui o alento vital a Alceste, que desperta para a vida, para a felicidade e gratidão de todos os súditos, familiares e, especialmente, do esposo.

E o casal real vive feliz por muitos e muitos anos mais.

Não é uma bela história?

Agora, vejamos que significados podemos extrair dela. Observe que cada personagem do mito é parte de nossa própria alma, um pedaço de psique.

Admeto representa os padrões emocionais, conscientes ou inconscientes, que trazemos do passado. Assim como Admeto, muitas vezes fazemos pactos, que, sem que possamos perceber, pautam nossas escolhas e nosso destino. Repetimos padrões, muitas vezes aprendidos desde a infância, outras vezes criados por nós mesmos, como mecanismos de defesa. E criamos situações que possam confirmar nossas crenças e padrões. O ciúme é um exemplo clássico de um desses padrões; o controle excessivo sobre o outro, a possessividade que sufoca, é outro exemplo.

Alceste é a representação do amor, do afeto. A qualidade da relação, que será sacrificada para que nós possamos cumprir com os nossos pactos, mantendo os padrões emocionais desagregadores.

Tânatos, o anjo da morte, significa a reciclagem, a possibilidade de transformação. A morte de Alceste, ainda que rapidamente revertida pela intervenção de Hércules, representa a transmutação alquímica necessária ao processo de crescimento e desenvolvimento. A dissolução dos padrões desagregadores e a abertura a novos comportamentos.

Hércules é o herói interno, a parte de nossa alma que decide e se lança, buscando romper os padrões. Carrega em si a coragem e a iniciativa para mudar.

Durante esta semana, com a Quadratura T entre Vênus, Júpiter e Plutão, você terá a oportunidade de resgatar a sua Alceste interna das garras da morte. Isso pode se dar por meio de uma crise ou por meio de um processo de conscientização.

Se for pela consciência, ótimo!

E se for pela crise, saiba transformá-la em oportunidade de crescimento.

E lembre-se: um amor vivo é um amor em conflito, na eterna dinâmica do morrer e renascer.

Dica Cinematográfica

O filme Álbum de Família  (August: Osage County, USA, 2013), dirigido por John Wells e estrelado por um 

 

super elenco que inclui Julia Roberts, Merryl Streep, Chris Cooper, Sam Shepard e Ewan McGregor, entre outros…

Você vai conhecer a história de uma família cujos membros são prisioneiros de pactos secretos do passado. E que se transformam em amargura para as relações.

Alceste precisa ser resgatada urgentemente…