O Sol entra em Libra. Equinócio de Primavera!!!

 

Às  17h02 desta sexta-feira, 22 de Setembro, o astro do dia, em seu eterno caminho ao
longo do Zodíaco, adentra o signo de Libra, dando início à Primavera.

Dentre os muitos e sutis ciclos sobre os quais se baseia a realidade, talvez o que mais sentimos seja o ciclo solar, ou seja, o período de um ano que o Sol leva para completar uma revolução ao redor do Zodíaco. Esse período é tão natural ao ser humano que a própria História é sempre medida em anos ou em seus múltiplos (décadas, séculos, etc.).

tulipasInteressante será notar que esse período tem, também, as suas divisões internas, podendo ser compreendido em quatro etapas distintas, exatamente aquilo a que chamamos de Quatro Estações do Ano.  Em cada uma delas, a Natureza se comporta de uma forma diferente, obedecendo a ciclos que regem o próprio ritmo universal. Obviamente, esses mesmos ciclos ocorrem no interior de nossa própria alma e corpo, uma vez que o Macrocosmos (o Universo) e o Microcosmos (o Homem) são sempre análogos, refletindo este o que aquele retrata.

Isso quer dizer que, também em nossos corações e mentes, existem e existirão sempre as quatro etapas do ano, assim como também as quatro etapas do mês, correspondentes às fases lunares, tudo reflexo do grande Ciclo do Cosmos.

Sendo, por excelência, a Ciência dos Ciclos, um Relógio Qualificador do tempo, a Astrologia estuda esses movimentos cósmicos e, evidentemente, a sua relação com o Homem.

A entrada do astro-rei nos signos cardinais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio) é o marco astronômico e simbólico do início de cada uma das estações, onde o Cosmo nos convida a uma vivência relativa ao período específico.

Ao entrar em Áries, o Sol dá início à estação do Outono (para o Hemisfério Sul;

Quando chega a Câncer, inicia-se o Inverno.

A Primavera chega quando o radioso astro-rei toca o signo de Libra.

E, finalmente, com a entrada do Sol em Capricórnio, inicia-se o Verão, a estação da plenitude da Natureza, dando seqüência ao interminável e inexorável movimento dos Céus.

Mitologicamente, as quatro estações estão relacionadas com a deusa Ceres e sua filha Core (Perséfone), raptada por Plutão (senhor dos mundosrapeofproserpina infernais) e forçada a tornar-se sua esposa.

Uma inflexível lei determinava que qualquer um que penetrasse nos reinos de Plutão e ali comesse algo estaria condenado a lá permanecer por toda a eternidade. A pobre criança, assediada por Plutão, acabou engolindo um pequeno caroço de romã, o suficiente para que o traiçoeiro Plutão reivindicasse a presença da jovem em seus domínios para todo o sempre.

Um acordo, porém, foi feito: a jovem passaria seis meses do ano com Plutão, nos subterrâneos infernais e os demais seis meses com a mãe, na superfície.

Os antigos gregos entendiam que essa era a representação mitográfica das quatro estações.

Interessante notar que Ceres (chamada de Deméter pelos romanos) era a deusa dos campos cultivados. Já a palavra “core” deriva diretamente do radical grego que significa “grão” (= “semente”).

E assim se desenrola, exatamente como retrata o mito, o ciclo inexorável das estações: nos meses de Outono e Inverno, Core se mantém sob a superfície (a semente, lançada à terra, se nutre e se prepara para o desabrochar), na companhia de seu esposo Plutão; por isso, nesse período, a Natureza, entristecida, murcha e se interioriza; no início da Primavera , a jovem retorna à superfície e aí permanece até o final Verão, e se encontra com a sua mãe, fazendo com que toda a Natureza desabroche (a semente germina e aflora) de pura felicidade e celebração.

Se ficarmos atentos, poremos notar o desenrolar das estações em nossa alma, nossos sentimentos, nossos projetos e mesmo em nossas atividades do cotidiano.

Obviamente, para quem mora muito próximo à linha do Equador, as estações do ano não são assim tão bem delineadas. É mais comum que se pense em duas estações: uma chuvosa e outra seca. Entretanto, qualquer um de nós poderá observar toda essa ciclologia, simplesmente prestando atenção aos nossos próprios ciclos internos.

primavera-despertaHá momentos ou fases de vida em que estamos mais invernais: recolhidos, introspectivos, meditativos. Em outros, estamos mais primaveris: desabrochando, crescendo. Em outros ainda, somos a própria encarnação do outono: descascamos, jogamos fora o que não presta, preparamos para a renovação. Ou podemos ser como um verão: festivos e alegres, celebrando a culminância.

Viver cada uma dessas fases com consciência e sincronicidade aos ritmos cósmicos pode ser um passo para a compreensão da realidade e uma ponte para o auto-conhecimento.

A entrada do Sol em Libra  marca o início da Primavera, ou seja o Equinócio de Primavera para o Hemisfério Sul, momento cosmicamente convidativo para o desabrochar de nossos projetos, de nossas idéias e de tudo aquilo que pretendemos transformar em realidade. Toda essa fase poderá estar permeada de uma serenidade e uma significativa fantasia que permitirá estabelecer nossos objetivos com equilíbrio e vivenciar a paz e a alegria de viver.

Aproveite, portanto, o momento, lembrando-se de que o desabrochar de sua beleza interna, seus potenciais e sua alegria só tem sentido se for para fora, para o mundo, pois com Libra se inicia o ciclo dos signos voltados para o social, para o que está além do eu individual, ciclo que vai até Peixes.

Afinal, não se fala em desabrochar para dentro, não é mesmo?

Aproveitamos para desejar a todos os nossos amigos e leitores uma Feliz Primavera!

E aos librianos, uma linda celebração de aniversário!!!

Um presente

Para celebrarmos adequadamente, oferecemos um presente poético.

A Canção da Primavera. de Mário Quintana, com quem aprendemos a renascer, a cada Primavera:

Um azul do céu mais alto,

Do vento a canção mais pura

Me acordou, num sobressalto,

Como a outra criatura…

 

Só conheci meus sapatos

Me esperando, amigos fiéis

Tão afastado me achava

Dos meus antigos papéis!

 

Dormi, cheio de cuidados

Como um barco soçobrando

Por entre uns sonhos pesados

Que nem morcegos voejando…

 

Quem foi que ao rezar por mim

Mudou o rumo da vela

Para que eu desperte, assim, como dentro de uma tela?

 

Um azul do céu mais alto,

Do vento a canção mais pura

E agora… este sobressalto…

Esta Nova Criatura!

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Vênus entra em Virgem

Neste dia 19 de Setembro de 2017, o planeta Vênus adentra o signo de Virgem, inaugurando um ciclo de reflexão sobre a necessidade de resgatar a pureza e os princípios que regem o amor.

 

 “Eu não sou eu nem sou o outro

Sou qualquer coisa de intermédio

Pilar da ponte de tédio

Que vai de mim até o outro”

 

Os versos acima, do poeta português Mário de Sá-Carneiro, retratam uma realidade tanto comum como lamentável: o óbvio fato de que a maioria das relações afetivas fatalmente descamba para a mais penosa e tediosa das agonias. Depois de algum tempo, uma boa parte dos casais apenas “vai convivendo”, sem que isso traga qualquer coisa de significativo ou impactante para suas vidas.

Mário de Sá-Carneiro

Mário de Sá-Carneiro

A entrada do planeta Vênus, regente do amor e do afeto, no signo de Virgem é um convite do Cosmos para que você repense as formas possíveis de resgatar a pureza dos relacionamentos e revisitar os princípios que regem a sua forma de se relacionar.

Observe-se que, lingüisticamente falando, amar é um verbo. Ou seja, uma palavra que designa uma ação, não um sentimento. O amor, um sentimento, é fruto da ação amar. As pessoas, carentes de significado em suas vidas, é que transformam o verbo amar em um sentimento e acabam sendo levadas por esses sentimentalismos e emocionalidades. O glamour hollywoodiano, a literatura e as novelas de TV nos ensinam que nós não somos realmente responsáveis, pois nosso comportamento é fruto de nossos sentimentos. Mas os roteiros cinematográficos não refletem a realidade. Se nossos sentimentos controlarem nossas ações, estaremos abdicando de nossas responsabilidades e transferindo a apenas uma parte de nós o comando de tudo.

Portanto, amar, verbo, não significa sentir algo, mas fazer algo. Amar é cuidar, proteger, partilhar. Amar é considerar, doar-se, manifestar afeto.

As pessoas que amam de verdade fazem do amar um verbo, pois sabem que o amor é algo que se realiza e se cultiva: os cuidados, o desprendimento, o colocar os interesses do outro no centro das suas atenções. Amar, portanto, é um bem, um ativo patrimonial na contabilidade dos relacionamentos, um bem que se valoriza por meio de atos amorosos.

As pessoas que amam de verdade subordinam os sentimentos aos valores e aos princípios. Somente assim o amor, sentimento, poderá ser recapturado.

E como começamos com poesia, terminemos idem. Mas desta vez, para nos ajudar a refletir sobre o significado do amor em nossa vida, os versos do poeta pernambucano João Luís Martins:

 

Acende uma luz na cabana da clareira

E sai a mulher com o brocado de flores,

Ainda em molhadas contas

Cantarolando canções do campo e  desejando

Que seu homem fizesse um trabalho bom.

 

Não queria o ótimo

Queria tudo o que fosse simples

E para repartir o pão-da-mesa bastavam

Os olhos cheios de ternura um com o outro

O coração cheio de amor e a luz da vela

Brilhando as intenções de ambos

Tudo isso queria ela

E o seu desejo dava-lhe luz aos olhos,

Qual a vela, poderia ser.

 

Lá vem a mulher do brocado de amor

Flores buscadas numa manhã-de-calor

O cheiro do ar forte, como fortes são os dois

Quando se unem à noite ou à tardinha

Bem no cume da clareira.

 

E ela espera pela vinda dele

E ele espera onde está pela espera do rosto dela

Fitando as ilusões que eles criam:

O trabalho que os dois conspiram em criar

Sua casa arrumada por ele

E o jardim, bom amigo, por ele construído com amor

 

Sim, o mesmo amor de um beijo

Quando da vela não se apaga com um sopro,

Molha a mão dele na boca úmida dela

E pega na chama

E arde as emoções dos dois

Pois a luz chega ao fim de sua trajetória

Objetiva em iluminar,

Passando ao desafio objetivo em agora

Deixar, no escuro, que vivam um amor

Bem forte como o trabalho,

Cultivado como o jardim,

Querido por todos aqueles corações

Que se unem e deixam-se horas a gastar

A gostar do amor que, aos poucos, os toma aos dois.

Eclipse Solar Total

Um dos mais belos fenômenos da natureza – o eclipse solar total – ocorre nesse dia 21 de Agosto,

trazendo uma grande carga de significados para a Humanidade.

Sempre que ocorre um eclipse, mil e uma histórias são contadas e recontadas, evocadas de um passado distante, cujos conceitos teimam em assombrar o imaginário do homem moderno com prenúncios de catástrofes ou de espíritos agourentos.

total-solar-elipse-diamondring-1Folclores à parte, as grandes questões que se propõem são as seguintes: qual o significado de um eclipse e como se verificam os seus efeitos em nossa vida cotidiana?

A palavra eclipse vem do grego ekleipsis, que significa, em uma tradução livre, desmaio ou ainda desaparição. Do ponto de vista astronômico, um eclipse ocorre quando a luz de um astro é ocultada por outro ou pela sombra de outro. No caso presente, o Sol é ocultado, pois ficará, no momento da Lua Nova, “por detrás” do disco lunar. Ou seja, a Lua, entre o Sol e a Terra, impede que a luz solar chegue até nós, causando uma inesperada e momentânea noite, quando já é dia.

Do ponto de vista astrológico, um eclipse significa um desmaio, uma falência de uma das luzes celestes que compõem a totalidade da psique. Afinal, é isso o que os astros representam: partes da alma. E já que tudo está relacionado entre si, quando uma dessas luzes se apaga, no céu, apaga-se também a correspondente luz dentro de nós.

Um eclipse, portanto, representa um desmaio que ocorre dentro de nossa psique, um apagão emocional que desencadeia uma espécie de black-out daquela parcela de nossa alma.

Um detalhe: após a escuridão, a luz ressurge, após o desmaio, retorna a consciência. Ao retornar a luz, porém, não somos mais os mesmos. Algo foi reformulado, inapelável e inevitavelmente, pela escuridão do eclipse.

Ou seja, o pós-eclipse enseja um renascimento e uma transformação.

O eclipse ocorre aos vinte e nove graus do signo de Leão, signo que associamos ao poder, à individualidade, ao brilho pessoal, à conquista. Se você já tem o seu mapa astrológico, poderá avaliar que área da vida (que casa astrológica) ou que planetas serão mais afetados pelo fenômeno., observando em que casa do seu mapa está o ponto do grau vinte e nove do signo de Leão

Lembramos que Leão está associado ao conceito de nobreza humana e de renúncia ao ego. O axioma máximo de Leão é “Quando me elevo, brilho. Mas quando alcanço o Centro, não brilho. o Espírito brilha através de mim”. O eclipse é um convite a uma reflexão acerca daquilo a que precisamos renunciar em nossa vida, para resgatar a nobreza a que somos destinados a alcançar; assim como, aquilo que precisamos dissolver, destruir, desconstruir em nossa vida e nossos comportamentos, para que o Espírito brilhe em nós.

Ao ressurgir do black-out, o Sol nos traz a possibilidade de ir além da forma de nossa própria estrutura egóica, a fim de redefinir a nossa identidade, especialmente no que diz respeito aos nossos desejos e nossas paixões.

Como disse Chaplin, “aquilo que é mais profundo em teu ser, daí emergem os teus mais verdadeiros desejos; e dos teus mais verdadeiros desejos, daí charlie-chaplinemerge a tua mais inabalável vontade”.

E essa vontade será capaz de construir o seu destino.

Porém, às vezes é preciso demolir para depois reconstruir. E se não demolimos o que precisa der demolido, o destino se encarrega de ajustar as coisas para nós, mesmo que de maneiras nem sempre suaves.

Nós, seres humanos vivemos ofuscados pelo nosso próprio brilho e exuberância ou pela iridiscência da insana sociedade que construímos. Às vezes, é preciso que um pouco dessa luz se apague para que, na suave penumbra de nossa alma, possamos contemplar a inteireza de nossa essência.

Durante os dias seguintes ao fenômeno, sob impacto do eclipse, você pode aproveitar a oportunidade para refletir sobre a sua necessidade de renúncia egóica e entrega espiritual. E começar a agir de acordo.

Uma sugestão: o eclipse terá seu ponto máximo às 17h15 (hora de Brasília).

Procure acompanhá-lo. Se você não reside na zona que será sombreada ou se porventura prefere não se expor ao eclipse, pode assistir a alguma transmissão ao vivo pela internet.

Além de ser um belíssimo espetáculo celeste (e inteiramente gratuito, diga-se de passagem), o fato de contemplar, do lado de fora, o apagar da luz do Sol, poderá ajudar a compreender, do lado de dentro, o desmaio de nosso Sol interno.

O fenômeno poderá ser visto em uma parte do território brasileiro, mas apenas parcialmente. Ou seja, para os brasileiros, o eclipse será parcial e não total.

Para maiores informações de caráter astronômico, consulte o site Astronomia no Zênite (www.zenite.nu) ou o Momento Astronômico do site Climatempo (www.momentoastronomico.com.br).

Dica Cinematográfica

Cena de Eclipse Mortal

O filme Eclipse Mortal (Pitch Black, USA, 2000), dirigido por David Twohy e estrelado pelo fortão Vin Diesel. Aparentemente, um filme de ficção científica de aventura, com um toque de terror, sem maiores pretensões. Mas ilustra muito bem o conceito do que acontece com a alma humana após o “desmaio”.

Vale a pena conferir.

Mas só para quem estiver a fim de olhar bem de perto a cara de seus demoninhos interiores, que o apagar das luzes às vezes mostra!

Conflito envolvendo Vênus, Júpiter e Plutão

Vênus, Júpiter e Plutão formam a configuração conhecida como “Quadratura T”, indicando a possibilidade de crises e conflitos afetivos de grande intensidade.

 

Alguns leitores desta coluna por diversas vezes já questionaram este autor, no que diz respeito a uma suposta predileção pelos eventos astrológicos envolvendo o planeta Vênus.

Vênus rege a beleza, a arte, a sensibilidade e, sobretudo, o amor, o afeto e todas as suas formas de expressão. E poucas coisas são tão presentes em nossa vida quanto o amor, considerado por muitos a maior força emocional do Ocidente.

Sendo assim, é natural que os eventos astrológicos envolvendo Vênus nos mobilizem de uma forma especial. Não que haja nenhuma “predileção”. Mas, se Vênus está formando configurações significativas com outros astros, provavelmente isso causará algum tipo de impacto sobre todas as pessoas, em todo o mundo, em maior ou menor escala.

Nesta semana, um desses eventos significativos ocorre: Vênus se posiciona, dentro da roda zodiacal, a 180 graus de distância de Plutão, o que chamamos de oposição. Por sua vez, Júpiter e Plutão se colocam a 90 graus, ou seja, uma quadratura. E Júpiter fecha o cerco, também a 90 graus de Vênus. Isso perfaz a configuração, extremamente tensa, que se chama em Astrologia de “Quadratura T”.

Isso pode desencadear crises e conflitos de grande intensidade.

Porém, é sempre importante lembrar, uma crise pode traduzir algum tipo de perigo, mas sempre trará, igualmente, oportunidades.

No caso da Quadratura T entre Vênus, Júpiter e Plutão, a oportunidade se dá quando a crise faz emergir ranços e emocionalidades não resolvidas, por vezes muito antigas, mas nem por isso menos desagregadoras. Isso pode desencadear situações que exigirão de nós coragem e humildade.

A esse respeito, há um interessante mito, uma das mais belas páginas da mitografia grega, que conta a história de Admeto e sua esposa Alceste.

Admeto, rei da Tessália, havia conseguido de Apolo, o deus-sol, a dádiva de, chegando a hora de sua morte, ter seu tempo de vida prorrogado, desde que alguém se dispusesse a morrer em seu lugar. Quando Tânatos, o deus da Morte, veio buscá-lo, Admeto procurou entre os seus súditos alguém que se dispusesse a morrer por ele. Mas, apesar de ser um rei muito amado por seu povo, ninguém se habilitou a tal sacrifício. Nenhum de seus irmãos, primos ou parentes se ofereceu. E até mesmo seus pais, apesar de muito velhinhos, se dispuseram a abandonar a vida, em favor do filho.

Diante disso, a bela rainha Alceste prontifica-se ao sacrifício e voluntariamente decide acompanhar Tânatos ao Hades, o reino dos mortos (domínio do deus Plutão!), para que seu amado esposo pudesse viver.

E assim é!

Em meio às lágrimas do povo, Alceste se despede de suas irmãs, de seus filhos, de seus pais e de seu marido, entregando-se de bom grado ao abraço da morte, por consenso de que seria mais útil aos filhos a presença do pai do que da mãe.

Em meio ao luto do país e da família, chega ao Palácio de Admeto o poderoso Hércules, filho de Júpiter e o maior herói da Mitologia. Sem nada saber da tristeza que assolava aquela casa, Hércules pede pousada por uma noite, no que é prontamente atendido, mesmo porque a hospedagem era um ato sagrado, na Grécia daqueles tempos.

Enquanto se banhava, Hércules bebe o vinho oferecido pelos servos de Admeto, canta e faz gracejos e se espanta que as pessoas não o acompanhem em sua alegria. Descobre, então, pasmado, o luto que se abate sobre a família que o hospeda e, tomado de vergonha pelo barulho que fizera, pergunta a uma serva há quanto tempo a morte levou sua senhora. “Há pouco mais de duas horas”, responde a chorosa criada. E conta toda a história da escolha voluntária da rainha.

Num ímpeto de comoção e entusiasmo, o herói toma uma decisão: vai partir em busca de Tânatos e trará Alceste de volta à vida, ou morrerá tentando. E assim parte Hércules, em meio ao espanto entremeado de esperança que se espalha pela casa e pelo país.

A corrida agora é contra o tempo: se Hércules alcançar Tânatos antes que este chegue às margens do Rio Estige (o rio que circunda o Hades), terá uma chance de sucesso. Em caso contrário, será tarde demais.

Hércules, porém, corre com a velocidade do pensamento e, enfrentando mil perigos, alcança Tânatos em tempo e, desafiando-o a um combate, exige que lhe devolva a psique de Alceste, para que possa restituir-lhe a vida ao corpo. O anjo da morte quase não acredita na ousadia de Hércules. Mas nem por isso se furta ao combate. E a terra treme ante a fúria dos dois titãs, que se envolvem em luta encarniçada.

Hércules triunfa!

E retorna ao palácio de Admeto e restitui o alento vital a Alceste, que desperta para a vida, para a felicidade e gratidão de todos os súditos, familiares e, especialmente, do esposo.

E o casal real vive feliz por muitos e muitos anos mais.

Não é uma bela história?

Agora, vejamos que significados podemos extrair dela. Observe que cada personagem do mito é parte de nossa própria alma, um pedaço de psique.

Admeto representa os padrões emocionais, conscientes ou inconscientes, que trazemos do passado. Assim como Admeto, muitas vezes fazemos pactos, que, sem que possamos perceber, pautam nossas escolhas e nosso destino. Repetimos padrões, muitas vezes aprendidos desde a infância, outras vezes criados por nós mesmos, como mecanismos de defesa. E criamos situações que possam confirmar nossas crenças e padrões. O ciúme é um exemplo clássico de um desses padrões; o controle excessivo sobre o outro, a possessividade que sufoca, é outro exemplo.

Alceste é a representação do amor, do afeto. A qualidade da relação, que será sacrificada para que nós possamos cumprir com os nossos pactos, mantendo os padrões emocionais desagregadores.

Tânatos, o anjo da morte, significa a reciclagem, a possibilidade de transformação. A morte de Alceste, ainda que rapidamente revertida pela intervenção de Hércules, representa a transmutação alquímica necessária ao processo de crescimento e desenvolvimento. A dissolução dos padrões desagregadores e a abertura a novos comportamentos.

Hércules é o herói interno, a parte de nossa alma que decide e se lança, buscando romper os padrões. Carrega em si a coragem e a iniciativa para mudar.

Durante esta semana, com a Quadratura T entre Vênus, Júpiter e Plutão, você terá a oportunidade de resgatar a sua Alceste interna das garras da morte. Isso pode se dar por meio de uma crise ou por meio de um processo de conscientização.

Se for pela consciência, ótimo!

E se for pela crise, saiba transformá-la em oportunidade de crescimento.

E lembre-se: um amor vivo é um amor em conflito, na eterna dinâmica do morrer e renascer.

Dica Cinematográfica

O filme Álbum de Família  (August: Osage County, USA, 2013), dirigido por John Wells e estrelado por um 

 

super elenco que inclui Julia Roberts, Merryl Streep, Chris Cooper, Sam Shepard e Ewan McGregor, entre outros…

Você vai conhecer a história de uma família cujos membros são prisioneiros de pactos secretos do passado. E que se transformam em amargura para as relações.

Alceste precisa ser resgatada urgentemente…

Nesta madrugada, o máximo da chuva de meteoros Perseidas!!!

Espetáculo nos Céus: os Perseidas atingem seu máximo, em torno das quatro horas da madrugada de 13 de Agosto de 2017.

As Lágrimas de São Lourenço nos abençoam!!!

Uma chuva de meteoros acontece quando o planeta Terra passa pelo rastro de algum meteoro.

Ao longo do ano, há vários momentos em que podemos observar esse belo fenômeno celeste.

A chuva de meteoros dos Perseidas já vem acontecendo desde Julho e poderá ser observada até o dia 24 de agosto. Neste 13 de Agosto, os Perseidas atingem seu máximo, chegando a um gradiente de 100 bólidos por hora, o que dá mais de um por minuto.

Esses meteoritos são chamados Perseidas porque o seu radiante (a região do céu de onde parecem se originar) está localizado na constelação de Perseus.

Ou seja, é da constelação de Perseus que os meteoros Perseidas se lançam à Terra, trazendo-nos uma linda mensagem de superação e força. Afinal, foi o grande herói Perseu que matou a Medusa, o pavoroso monstro que era mulher da cintura para cima, serpente da cintura para baixo, tinha serpentes no lugar dos cabelos e transformava em pedra qualquer ser vivo que olhasse para ela. E por conta desse e de muitos outros atos heróicos, Perseu teve a honra de ser transformado em uma constelação. E de lá do alto, arremessa-nos esses belos meteoros Perseidas, como sinais de que precisamos ter coragem, a cada dia, de vencer os monstros do medo, da violência, da ignorância…

Por sorte, este ano a Lua não irá atrapalhar a observação dos Perseidas, apesar de estar com 69% do seu disco iluminado. E você poderá observar os Perseidas em sua fase de maior incidência até três dias após esta madrugada do dia 13, quando a Lua estará ainda menos brilhante.

O mapa mostra a posição da constelação de Perseus, às 4h00 do dia 14, vista do Nordeste do Brasil, que será a posição mais favorável para a observação.

Em outras regiões, pode haver algumas pequenas variações, mas deve ser suficiente para um referência.

Se você estiver acordado ou estiver voltando da balada, vale a pena dar uma olhadinha na direção norte do céu e procurar Perseus.

E embora o melhor momento seja a partir das 4h, vale a pena começar a observar a partir das 2h. Talvez você tenha a sorte de ver algumas das estrelas cadentes (como também são chamados os meteoros).

E vale até fazer um pedido!

Detalhe

Os Perseidas também são chamados de “Lágrimas de São Lourenço“, porque, segundo a lenda sobre esse grande santo, no dia da sua morte, em 10 de Agosto de do ano de 258, houve uma linda chuva de meteoros.

O planeta Vênus entra no signo de Câncer

Em seu contínuo caminhar pelo círculo zodiacal, o planeta Vênus ingressou, neste dia 31 de Julho, no signo de Câncer, dando início a um ciclo de interiorização em busca do sentimento e da afetividade.

Assim como a ostra se recolhe e, em seu interior, elabora a pérola de magnífica beleza, assim como a semente lançada ao solo se recolhe ao interior da mãe terra a fim de fazer brotar a futura plantinha, da mesma forma, o ser humano precisa, por vezes, interiorizar-se, recolher-se, a fim de resgatar a dimensão do belo existente dentro de si.

CâncerA entrada de Vênus em Câncer indica que é hora de fazer esse mergulho. E isso não quer dizer que você vá se privar do prazer de estar com quem você ama para ficar paparicando-se a si mesmo, narcisicamente, diante do espelho. Contudo, como dizia Emerson, você pode viajar o mundo inteiro à procura do belo, mas só o encontrará se levá-lo dentro de você.

É esse belo que precisamos o tempo todo resgatar e revitalizar.

Esse processo de interiorização, proposto pela passagem do planeta Vênus em Câncer, irá nos ajudar a entender melhor duas coisas: primeira, a poética que podemos conferir ao amor, fazendo da relação uma verdadeira fonte de encanto;segunda, a compreensão da nossa capacidade de receber amor. Sim, porque sempre se fala em dar e saber dar amor, mas também é importante saber recebê-lo de forma simples e boa.

Saber receber, portanto, é arte. É a capacidade de fazer belo e importante o que se tenha. É a arte de bastar-se com o real em vez de chorar o impossível. E é, sobretudo, saber fazer feliz quem dá o amor, pois este se sentirá capaz de dar muito.

Reflita…

Importante notar que, ao longo do seu trajeto pelo signo de Câncer, Vênus faz um ângulo altamente favorável e estimulante com Netuno, Vênustrazendo ao momento ainda mais sensibilidade e afetividade. Então, aproveite: um certo clima de gostosa e nostálgica melancolia paira no ar, durante a estada de Vênus em Câncer.

Portanto, ponha para fora o seu seresteiro interior, acorde o seu poeta adormecido, resgate o apaixonado estudante que você foi um dia, pois o romance à antiga ainda tem muito o que nos encantar.  

Dica Cinematográfica O filme Só Precisamos de Amor (Den skaldede frisør ou Love Is All You Need, Dinamarca, França, Itália, 2012), da diretora Dinamarquesa Susanne Bier, que se tornou mundialmente conhecida pelo filme Em Um Mundo Melhor (Hævnen, Dinamarca, 2010).

Love-Is-All-You-NeedUma bela produção, com uma fotografia de tirar o fôlego, em que você vai ver esse mesmo clima melancólico ser o terreno fértil para o cultivo do amor, com todo o seu poder de transformação e renovação.

Você vai ver o ator Pierce Brosnan, famoso por interpretar o James Bond, o agente 007, fazer um improvável e acidentado par romântico com a bela atriz Trine Dyrholm e aprender sobre o poder das escolhas calcadas no amor e respeito próprios, associados a uma justa e saudável valorização do outro.

O Sol entra em Leão

Continuando o seu caminhar pela roda do Zodíaco, o luminoso astro do dia ingressa, neste dia 22 de Julho, no signo de Leão, seu signo de regência, dando início a um ciclo de valorização da consciência e celebração da vida e da Luz.

Quinto signo do Zodíaco, segundo do elemento fogo e segundo do ritmo fixo, regido pelo Sol, Leão simboliza o poder em estado absoluto, emanado diretamente das Potências celestiais. Do ponto de vista simbólico-cosmológico, portanto, Leão representa a hierarquia universal que aponta o centro, ao redor do qual tudo circula, como o ponto central de uma circunferência, que, segundo a Geometria, define a própria existência da circunferência.

AristotelesEsse conceito talvez possa ser relacionado com a ideia aristotélica do motor imóvel. Segundo Aristóteles, tudo que existe tem uma causa imediata que se conecta com outra, até chegar à Causa de todas as causas. Por exemplo, a lâmpada se acende porque alguém acionou o interruptor, ativando a corrente elétrica; a corrente elétrica circula pelos fios porque há uma usina hidrelétrica que a gerou; a usina gera a eletricidade graças ao movimento de uma grande quantidade de água, em queda; essa água, por sua vez é alimentada pelo ciclo hídrico do planeta; e assim por diante, até que nós cheguemos à Causa sem causas de todas as causas, ou aquilo que Aristóteles chamou de motor imóvel: algo que movimenta tudo mas não é movimentado por nada.

Nas monarquias, a figura do soberano é o receptáculo desse poder divino, representativa do Princípio que regula todas as coisas (tanto que a palavra Príncipe deriva de Princípio).

Esse grande Princípio regulador, Poder pleno do Universo, é simbolizado pelo signo de Leão. Não é à toa que o leão é o rei dos animais.

Do ponto de vista humano, Leão representa a vitória do Espírito sobre o Ego, ou seja, a fagulha mais divina em nós vencendo os excessos egóicos que nos inflam de desmedido orgulho e centralizadora tirania.

Portanto, durante a estada do Sol no signo de Leão, o Cosmos nos convida a uma maior conscientização do que devemos fazer para encontrar o nosso caminho rumo à Luz; e, por outro lado, nos convida à conscientização de que somos meramente portadores e não possuidores dessa Luz. Mais ainda: essa Luz, quando em nós, enquanto portadores, só tem sentido se servir para iluminar os nossos irmãos.

E, sendo o signo de regência do Sol, propõe-nos celebrar a Vida, comemorando, de todas as formas possíveis, a vida que nos é oferecida e que, como bem disse Gonzaguinha, é bonita, é bonita e é bonita.

Um abraço apertado a todos os leoninos e votos de mil felicidades!!!!

Marte entra em Leão

Neste dia 20 de Julho, O planeta Marte entra no signo de Leão,
iniciando um ciclo de resgate da Virtude e da ação nobre.

Do ponto de vista mitológico grego, Marte representa um verdadeiro estranho no ninho: completamente diferente, em suas características, dos demais deuses do Olimpo, que representavam grandes modelos de harmonia e perfeição, Marte era o deus da guerra bruta, da selvageria e da pancadaria.

MarteJá em Roma, Marte foi cultuado como um dos maiores e mais importantes deuses. Diferentemente dos gregos, os romanos o retratavam sempre acompanhado de dois escudeiros chamados Honor (a Honra) e Virtus (a Força). Era considerado uma divindade heroica e nobre e era um dos patronos da cidade e do Império.

Essa diferença de significação é bem representativa do que pode acontecer com o Planeta Marte, dentro de nós.

Em sua essência, Marte está associado, astrologicamente, ao conceito de força. Representa o nosso lado guerreiro, aquele que vai à luta, marchando a passos largos para nos conduzir ao nosso objetivo.

Quando nos lançamos em direção de algo que desejamos, é Marte dentro de nós que nos propicia isso. Quando, revoltados diante de algo, erguemos a clava forte da Justiça, na defesa de alguém, é Marte dentro de nós que nos faz despertar o herói interior.

O signo de Leão, por sua vez representa a vitória do espírito sobre o ego, por meio do Princípio Divino, diretamente emanado das Potências Celestes, que inflama, com sua chama transcendente, a fagulha Divina em nós.

A passagem de Marte em Leão representa, portanto, um convite que o Cosmos nos faz ao resgate da Virtude. E ao longo desse período, que se estende até o dia 5 de Setembro, é chegado o momento de concentrarmo-nos na revalorização e restauração da nobreza e da seriedade em nossas ações.

Por outro lado, é importante lembrar que a palavra virtude provém do latim -vir, -viris, o mesmo radical de onde se origina viril, virilidade. Portanto, a Etimologia nos ensina que a Virtude é um conceito originariamente masculino, ou seja, é preciso lutar por ela, brigar com equilíbrio e inteligência para restaurá-la e fazê-la brilhar.

Como dizia Platão, os vícios são inerentes à Natureza do Homem. Dominá-los, Platãoporém, substituindo-os pelas virtudes opostas, é próprio do homem cuja retidão aponta para o Céu.

E por falar nisso, talvez seja bom relembrar as sete virtudes principais: a três teologais (Fé, Esperança e Caridade) e as quatro cardeais (Temperança, Prudência, Justiça e Força). Também não custa lembrar o dogma ditado pela tradição cristã, que decreta que nos perdemos por atos, palavras, pensamentos e omissões. Ou seja, não é suficiente apenas “fazer a nossa parte”. A omissão também é uma falta grave.

É preciso lutar!

Portanto, devemos sempre aventurar-nos a combater o bom combate: o de restaurar e defender a Virtude, em todas as suas formas, raiz de nossa divindade e sem a qual o homem é nada.

Uma Dica Cinematográfica

CruzadaO filme Cruzada (Kingdom Of Heaven, Reino Unido, 2005), dirigido por Ridley Scott. Um belíssimo épico, estrelado por Orlando Bloom e Liam Neeson, onde você conhecer a história de um homem em busca dele mesmo e do que ele nasceu para ser.

E, nesse caminho, encontrou a Virtude.

E se tornou o salvador de uma cidade.

Marte em quadratura com Urano

A tensa configuração entre Marte e Urano, indica a necessidade de compreensão e ordenação dos potenciais, possibilitando as reformulações e revoluções que pretendemos.

Há um personagem de Monteiro Lobato, chamado Américo Pisca-Pisca, que resolveu tomar para si o cargo de reformador do mundo. Américo não se conformava com elementos que considerava inúteis na Natureza: a existência de sapos, de

Monteiro Lobato

Monteiro Lobato

chuva e, o cúmulo de sua insana revolta, como podiam jabuticabas, tão pequeninos frutos, nascer em árvores colossais, enquanto que enormes abóboras cresciam rentes ao chão, num paradoxo aparentemente irracional e ilógico. Sentado à sombra de uma enorme jabuticabeira, contemplava enfezado, os frutinhos. Até que dormiu.

Dormiu e sonhou com um mundo novo, inteiramente reformulado por ele. Um mundo, porém, muito quente, pois não havia chuvas para alimentar o ciclo da água; um mundo cheio de mosquitos e marimbondos, pois não havia sapos para comê-los… Até que despertou, pois uma jabuticaba lhe caíra bem sobre o nariz.

E se fosse uma abóbora?

A tensa configuração entre Marte e Urano é um indicativo de que o Américo Pisca-Pisca em nós pode querer armar das suas. Portanto, esteja alerta. Você pode e deve tentar ordenar o seu mundo. Mas não tente impor suas idéias a ninguém, na marra. Cultive os seus pensamentos e procure perceber o sentido que há em tudo o que existe, inclusive aquilo que é objetoPisca-Pisca de seus interesses revolucionários. A sua revolta pode estar acontecendo por pura ignorância dos verdadeiros significados das coisas, como no caso do nosso bom amigo Américo Pisca-Pisca.

Cuidado, portanto.

E, evidentemente, você preferirá ser conhecido como um idealista, um louco visionário até, antes de ser tachado de birrento e revoltado, que, de tão enjoado, não consegue convencer ninguém de suas idéias.

E lembre-se: os maiores reformadores do mundo foram aqueles que começaram por reformar-se a si próprios.

Por outro lado, o caráter explosivo da conjunção Marte-Urano deve ser zelosamente observado: durante estes dias, devemos tomar cuidado com acidentes de qualquer espécie, mas principalmente acidentes envolvendo eletricidade ou aparelhos elétricos.

Mas sobretudo lembre-se de que Marte e Urano nos falam de força e ativação, sobretudo no que diz respeito a encarar e a desencadear o novo, o diferente, em nossas vidas e em nossas ações. E nos tempos em que vivemos, quem não faz o novo é atropelado por ele.

Análise ciclológica

Independentemente da qualidade própria desse momento, sinalizada pela quadratura Marte-Urano, do ponto de vista ciclológico cabe também uma observação.

Ciclo Sinódico ConjunçãoO ciclo sinoidal entre dois planetas se dá da seguinte maneira: na conjunção (quando os dois planetas se encontram no mesmo grau do Zodíaco), inicia-se um ciclo novo, novas sementes são lançadas, algo novo começa. O planeta mais rápido continua avançando e, na oposição (quando os planetas estão a 180º), esse ciclo atinge o seu máximo. Nesse ponto, as sementes lançadas no momento da conjunção frutificam (para bem ou para mal) e rendem resultados. Mas, entre a conjunção e a oposição e vice-versa existem dois momentos em que os planetas se colocam em quadratura (a 90º um do outro). Os pontos de quadratura representam momentos de crise, de oportunidade. A quadratura crescente (entre a conjunção e a oposição) está relacionada a crescimento. Às vezes, nesta fase, faz-se necessário um ajuste ou reordenamento de metas, para que os projetos ou vivências iniciados na conjunção continuem ou até mesmo se extingam de vez. Já a quadratura minguante (entre a oposição e a conjunção) está relacionada a uma crise que solicita novos ajustes, porém com vistas ao encerramento do processo.

E, na nova conjunção, o ciclo é definitivamente encerrado e um novo se inicia.Ciclo Sinódico Quadratura Crescente

Alguns desses ciclos duram um mês, como é o caso dos ciclos envolvendo a Lua. Outros duram vinte anos, como é o caso do ciclo Júpiter-Saturno. E outros ainda duram entre dois anos e dois anos e meio, como é o caso deste ciclo Marte-Urano.

Quando observamos esse tipo de ciclo, percebemos que o tempo e seu desenrolar em nossa vida fica impregnado de significados. E vivemos em meio a uma infinidade desses ciclos, que se mesclam e se interpenetram entre si.

A vez mais recente em que Marte e Urano fizeram uma conjunção foi em Fevereiro de 2017. Avalie com cuidado: que sementes você lançou, nos entornos desse momento? Que projetos ou vivências você iniciou aí?

Ciclo Sinódico OposiçãoMarte e Urano fazem uma quadratura crescente agora, em Julho de 2017. Pergunte-se: que tipo de crise de ajustamento seu projeto ou vivência passa, durante esse momento?

A oposição Marte-Urano ocorrerá em Novembro/Dezembro de 2017. Aí acontecerá o apogeu do ciclo. Fique atento aos frutos que você colherá.

A quadratura minguante Marte-Urano ocorrerá em Maio a Setembro de 2018. Eis aí o momento da crise final, o princípio do fim do ciclo.

E a próxima conjunção Marte-Urano ocorrerá em Fevereiro de 2019, encerrando este ciclo e iniciando outro.

Fique atento. E aproveite para usar os momentos cíclicos a seu favor, em vez de nadar contra a correnteza cósmica.Ciclo Sinódico Quadratura Minguante

 Dica Cinematográfica

The Mosquito Coast, um filme surpreendente, onde você vai conhecer uma versão moderna de Américo Pisca-Pisca, interpretada por Harrison Ford.

Mosquito Coast

Mercúrio entra em Leão

Em seu contínuo caminhar pelo círculo zodiacal, o planeta Mercúrio ingressa o signo de Leão, dando início a um ciclo de valorização da palavra e dos processos de comunicação.

No princípio era o Verbo, e o Verbo era Deus e o Verbo estava com Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele e sem ele nada do que foi feito se fez …

As palavras de abertura do Santo Evangelho de São João, acima transcritas, nos dão conta de que o Verbo (ou seja, a palavra) é o instrumento da Criação. Por meio do Verbo, o Deus criador manifesta a Vida e o Universo.

Na condição de co-criadores do Universo (afinal, somos feitos à imagem e semelhança do Criador, trazendo, portanto, o mesmo poder de geração) precisamos ter consciência do imenso poder de nossa palavra.

A palavra tem a possibilidade de criar Universos, de expandir as possibilidades humanas ou mesmo de realizar alquimias. Basta lembrar do que dizia Hipócrates, cognominado o Pai da Medicina: “…o que o alimento não cura, a palavra cura…”

Ao ingressar o signo de Leão, o planeta Mercúrio, regente da comunicação, nos remete à necessidade de valorização da palavra e do seu significado. Se a palavra é instrumento de criação e geração, devemos usá-la com muito cuidado e discernimento. A fase inaugurada com a entrada de Mercúrio em Leão convida-nos à prática do verbo calar, um dos verbos sagrados das antigas tradições iniciáticas. O verbo calar, contudo, não significa não falar, mas sim falar a coisa certa, para a pessoa certa, no momento certo!

Com a nossa palavra, criamos e destruímos universos; erguemos e demolimos catedrais; conquistamos inimigos e amigos. Usando o poder da palavra, podemos adormecer os mortais ou despertá-los de seu sono de inconsciência; podemos apaziguar o coração dos homens ou insuflar-lhes a flama da discórdia.

Portanto, fique atento para usar esse dom de Deus com sabedoria e generosidade, como verdadeiro instrumento da Paz e da Harmonia, pois, durante a estada de Mercúrio em Leão, a palavra ganha força e majestade, imprimindo aos processos de interação humana um brilho e um impacto incomuns.

E nunca é demais lembrar um dos axiomas da ciência da maestria interpessoal humana: a responsabilidade da comunicação é do emissor da mensagem e não do receptor. Ou seja, se eu falo e você não entende, é minha (e não sua) a responsabilidade pela qualidade do processo comunicativo.

Sob esse aspecto, vale lembrar a frase atribuída a Franklin D. Roosevelt: o maior sábio é aquele que fala usando a linguagem de seu interlocutor.

Como reflexão, segue o poema Polígono Dourado, de autoria de um obscuro poeta pernambucano, que retrata bem o conceito da majestade da palavra humana.

 

Polígono Dourado

 

Contou-me um dia sábio asceta

Que usaria da palavra o poder

Para alcançar genial meta:

Num polígono traçado a linha reta

Com a tinta da voz escrever

Permitindo à alma humana alcançar

Da vida significativa o segredo

E vencendo a dor e o medo

Todo o Cosmos espelhar.

 

Trêmulo, ousei lançar o olhar marejado

Para a mensagem do nobre asceta

E li nas linhas do polígono dourado

As palavras do homem iluminado

Que inflamaram meu coração de poeta:

 

“Faze de ti terreno fecundo

Semeando palavras de verdade

Junta o adubo da humanidade

E se tu queres, enfim, mudar o mundo

Possa em tua voz manifestar-se a divindade.”