Arquivo mensal: junho 2012

O Sol entra em Câncer – Solstício de Inverno

Em sua trajetória zodiacal, o luminoso astro do dia adentra o signo de Câncer, dando início a um ciclo de recolhimento e introspecção, de resgate da memória.

A entrada do Sol em Câncer, neste dia 20 de Junho, às 20h08, estabelece o Solstício de Inverno para o Hemisfério Sul, marco inicial da estação invernal, que se estenderá até o Equinócio de Primavera, que ocorrerá em 22 de Setembro, com a entrada do Sol em Libra.

Primeiro signo do elemento água, segundo signo cardinal, Câncer está associado ao ponto cardeal norte, simbolicamente vinculado ao útero e à caverna, ambientes de transmutação alquímica. Em hebraico, a palavra “saphon”, que significa “norte”, possui também a acepção de “oculto”, “nebuloso” e Câncer está também associado à meia-noite, onde há ausência total de luz.

Mitologicamente, esse signo está associado à aventura do herói Hércules, quando teve de enfrentar a Hidra de Lerna, peçonhento monstro de nove cabeças que, se cortadas, faziam brotar duas em lugar de cada uma. Assim são as nossas emoções: se não forem bem resolvidas, sempre voltam com intensidade dobrada! A enorme serpente possuía ainda um hálito mortal que empestava o ambiente, envenenando homens e animais. Ajudado por seu sobrinho Iolau, o herói consegue destruir a fera, em uma batalha cheia de peripécias. Em meio à luta, antevendo a vitória do herói, a cruel Hera, esposa de Júpiter, faz surgir um enorme caranguejo, que aplica violenta pinçada no tornozelo de Hércules.

Apesar da dor, o herói destrói o bicho com uma impiedosa pisada, quebrando-o em mil pedaços. Reconstituído, o caranguejo é colocado no céu por Hera, na constelação de Câncer (Caranguejo). Também a monstruosa Hidra se transforma numa constelação.

A entrada do Sol em Câncer é um convite a um recolhimento, que nos faz olhar para o passado e, através do quebra-cabeças da Memória, reconstituir o conhecimento. Há uma “mordida” que nos desperta, justamente do caranguejo: é a memória, que nos ajuda a resgatar a Sabedoria Primordial.

Durante a estada do Sol no signo de Câncer, somos convidados a uma maior interiorização, como o caranguejo, que sempre vive recolhido à sua carapaça.

Aproveite a fase para recolher-se um pouco, mergulhar em seu útero, para, vencendo as emoções inferiores, transmutar-se num ser cada vez melhor, mais útil ao próximo, mais em comunhão com o Cosmos.

Hércules vivido nas telas por Steeve Reeves

Hércules vivido nas telas por Steeve Reeves

Um detalhe.

Hércules tinha a obrigação de cumprir dez trabalhos e não doze. Acabaram sendo doze no total pelo fato de que dois deles foram anulados, o que obrigou o herói a compensá-los. E um dos que foram anulados foi exatamente esse, da Hidra de Lerna.

E sabe por qual motivo?

Ao perceber que as cabeças da Hidra se duplicavam, quando eram cortadas, Hércules teve a idéia de cauterizar as feridas. E assim fez, usando um enorme tronco em brasa. Acontece que, para isso, contou com a ajuda de seu sobrinho Iolau, o que invalidou o trabalho.

Assim também com nossas emoções: essa é uma fera que você tem que encarar sozinho. Um bom amigo ou mesmo um terapeuta até podem ajudar, ouvir e se solidarizar. Mas é cada um de nós e mais ninguém o responsável por vencer esse nosso monstro interior

O nosso abraço de parabéns a todos os cancerianos, esses seres magníficos que, mais do qualquer outro, sabem viver as suas emoções.

E a todos os nosso amigos e leitores, um Feliz Inverno!!!

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Astros e Namorados

Neste dia 12 de Junho, o Brasil comemora o Dia dos Namorados.

De novo…

Esta é, na verdade, mais uma data sem o menor sentido simbólico, cuja única finalidade é de aumentar as vendas nos shoppings, perfumarias e floriculturas. Até mesmo Santo Antônio, inspirador da data (o Dia dos Namorados, no Brasil é comemorado na véspera de Santo Antônio, o santo casamenteiro), nem sequer é lembrado…

Santo Antônio, o santo casamenteiro

Santo Antônio, o santo casamenteiro

E a TV enche a cabeça dos incautos com imagens de casais sorridentes e sons de canções românticas, incitando todos a visitar o shopping center mais próximo.

Melhor seria que se fizesse uma ampla análise do significado do namoro e da importância desse tipo de relacionamento no processo de maturação da personalidade e da vivência amorosa em si.

É fácil perceber todo o conjunto de fatores que contribuem para a exaltação dessa que se tornou a maior força emocional do Ocidente: o amor romântico. A literatura, o cinema, a música, enfim, muito do que circula ao nosso redor nos repete, incessantemente, que “é impossível ser feliz sozinho”. Tomados por essa febre, saímos em busca de uma suposta “alma gêmea”. E quando acreditamos encontrar essa criatura, descarregamos nela, impiedosamente, todas as nossas expectativas e ansiedades, construindo uma imagem irreal, composta dos nossos próprios desejos e fantasias. Na maior parte das vezes, a “vítima” não consegue corresponder a essa imagem, o que nos frustra e decepciona, fazendo-nos concluir que “o amor é difícil” ou “amar é sofrer”.

Lastimável…

Bem o que os astros têm haver com isso?

Neste 12 de Junho, a Lua entra em Áries e faz aspectos com Urano, Plutão, Mercúrio e a própria Vênus, o que nos traz oportunidades importantes de reflexão.

São eventos astrológicos que nos convidam a repensar as questões relacionadas às estruturas de nossos relacionamentos e aos significados que atribuímos a eles. Hora, portanto, de se perguntar: sobre que bases repousa a minha relação? O que há de celestial nesse sentimento que me une ao meu parceiro afetivo? De que forma ele pode ser expresso, sinalizando algo para mim e para o mundo?

Essas reflexões talvez ajudem você a chegar mais perto de compreender e encontrar o amor verdadeiro. Afinal, ele existe sim. Mas lembre-se: o amor verdadeiro não é egoísta nem individualista; ele só se realiza à medida em que a felicidade do outro se realiza e à medida em que temos a coragem de abdicar de nossos próprios excessos egóicos a fim de contemplar, na face do outro, a Obra do Criador. E, claro, tem que ser conquistado todo dia.

Portanto, nesse Dia dos Namorados, celebre o romantismo, leve flores e presentes para seu namorado/namorada, esposa/marido, faça serenatas, juras de amor e escreva poemas. A nossa alma ainda precisa se alimentar de toda essa paixão. Mas lembre-se de que essa alegria poderá ser muito maior e duradoura, se você puder olhar o outro com os olhos e o coração despidos de quaisquer emocionalidades mal resolvidas e projeções fantasiosas.

E não tenha medo de encarar as crises e as lágrimas.

E se tiver que enfrentá-las, lembre-se do que dizia Gibran, o grande poeta do Líbano: a pérola é um templo que a beleza constrói em torno da dor.

Se tiver que haver lágrimas, que, depois de secadas, sejam fertilizadoras, propiciando o impulso para uma relação mais integral e mais bem sedimentada.

Como reflexão final, a proposta, de autoria de Antoine de Saint Exùpery, autor do

Saint-Exupéry

Saint-Exupéry

livro O Pequeno Príncipe:Amar não é olharem um para o outro, mas sim olharem ambos na mesma direção.

Um beijo bem especial no coração de todos aqueles que ainda ousam se aventurar no amor, apesar de seus perigos. E um beijo ainda mais especial, com a devida licença de todos os meus amigos, leitores e correspondentes, no coração da minha namorada, que me ensina sempre o verdadeiro significado celeste do verbo amar.

O Astronauta e o Astrólogo

Eis o registro de um encontro para mim memorável: o dia em que conheci Marcos Pontes!!!

Leia os detalhes de uma conversa prá lá de celestial no album do Facebook, no endereço abaixo.

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10150304233833443.331208.577623442&type=3&l=20471c7f8d

Marcos Pontes e Haroldo Barros: encontro entre o Astronauta e o Astrólogo

Marcos Pontes e Haroldo Barros: encontro entre o Astronauta e o Astrólogo

Clique nas fotos para ler o texto.

Trânsito de Vênus sobre o Sol

Um raro fenômeno astronômico embeleza os céus de nosso planeta: o encontro (conjunção) entre Vênus e o Sol, ocasionando um trânsito venusiano sobre o disco solar. Mudanças à vista!

 

Um trânsito planetário astronômico é a passagem de um planeta ou asteróide diante do disco solar. Olhando-se a partir da Terra, apenas os planetas interiores, Vênus e Mercúrio, realizam trânsitos.

Os trânsitos de Vênus são muito raros. Para que se tenha uma idéia, apenas seis deles ocorreram desde a invenção do telescópio (em 1631, 1639, 1761, 1769, 1874,  1882 e o mais recente em 2004).

Um trânsito de Vênus é como um eclipse do Sol, mas em vez de a Lua se interpor entre a Terra e o Sol, é o planeta Vênus quem o faz. A Lua, estando muito mais próxima de nós do que Vênus, pode nos ocultar inteiramente a visão do astro-rei. Vênus, ao contrário, aparecerá, durante o trânsito, como um pequeno ponto sobre a fotosfera, ou seja, a superfície do Sol. Nem por isso é um evento menos extraordinário – e é muito mais raro do que um eclipse do Sol.

Trânsitos de Vênus acontecem somente no início de dezembro e no início de junho, quando os nodos da órbita deste planeta passam pelo Sol. Se nesta ocasião Vênus estiver em conjunção inferior (interpondo-se entre a Terra e o Sol), um trânsito irá ocorrer.

No próximo dia 5 Junho, o planeta Vênus vai transitar pelo Sol . Todos os eventos do trânsito, do ingresso ao egresso externo, não poderão ser vistos do Brasil. Mas

Vênus transita pela fotosfera

Vênus transita pela fotosfera

poderemos acompanhar o fenômeno pela internet.

É importante lembrar que o planeta Vênus está associado, astrologicamente, aos conceitos do feminino, tais como harmonia, beleza, sensibilidade, arte, afetividade. Já o Sol, representante por excelência dos conceitos masculinos, está ligado à razão, ao conhecimento, ao poder.

Na Mitologia Grega, sempre uma boa fonte de referenciais simbólicos, há uma situação conflitiva entre Apolo (o Sol) e Aphrodite (Vênus). Preterido por Aphrodite, que escolhera o bruto Ares (Marte) como amante, Apolo se vinga, delatando o casal adúltero a Hefesto (Vulcano), deus do fogo, esposo de Aphrodite. Indignado, Hefesto prende os dois numa rede, finíssima, porém indestrutível, expondo-os à humilhação pública, flagrados em pleno adultério.

Lamentável. E imperdoável.

Aphrodite retaliará de forma terrível: decreta que Apolo jamais será feliz no amor. E

Vênus

Vênus

o luminoso deus, ainda que belíssimo em todos os sentidos, será sempre rejeitado por aquelas por quem se apaixona. Ou rejeitará aquelas que o amam.

E assim caminham essas duas partes de nossa alma: de um lado Vênus, que retrata o amor e a beleza; e do outro, o Sol, que espalha no universo a luz da consciência. E que, na maioria das vezes, não se entendem, não se misturam, não se reconhecem. Como se não pudessem nunca andar juntas razão e sensibilidade.

O fenômeno da conjunção, desencadeando o trânsito de Vênus, traz uma mensagem clara: a possibilidade de resgatar a união entre esses dois brigões, como se Apolo e Aphrodite resolvessem fazer as pazes, oferecendo-nos a junção de suas forças, para ajudar-nos no processo de crescimento interior. Poderemos testemunhar pessoas se valorizando mais, desenvolvendo sua auto-estima, mas ao mesmo tempo valorizando o outro, cultivando mais as relações saudáveis, maduras, estimulantes.

Apolo, o Deus Sol

Apolo, o Deus Sol

Uma outra forma de analisar o evento nos fala da indiscutível exaltação dos valores femininos, em detrimento dos valores do masculino. Talvez esse fenômeno possa trazer ao mundo um pouco mais de cor-de-rosa, que haverá de vencer o cinzento em que hoje nos perdemos.

Se você já tem o seu mapa astrológico, observe o que existe próximo aos quinze graus do signo de Gêmeos, ponto onde ocorre o fenômeno. Qualquer casa, planeta ou ponto próximo a essa região zodiacal tende a sofrer os positivos impactos da conjunção, gerando amplos benefícios. Sobretudo a casa astrológica onde se localizar o fenômeno, indicará a área da vida onde você poderá esperar por proveitosa ampliação de possibilidades e oportunidades.

Trânsitos de Vênus em geral acontecem aos pares, com cerca de oito anos separando cada um dos eventos. Contudo, mais de um século se passa entre cada par. E mais: existe um padrão de ocorrência dos pares de trânsitos de Vênus em intervalos sucessivos de 8 e 121,5 anos e 8 e 105,5 anos. O par atual ocorre em 08 de junho de 2004 e agora. O próximo par em 11 de dezembro de 2117 e 08 de dezembro de 2125.

Portanto, vamos aproveitar bem a contemplação desse fenômeno raro e belo. Assim como refletir muito sobre o seu significado.

Outro parecido… Só os netos dos nossos netos poderão ter a chance de ver.