Arquivo mensal: março 2013

Os Astros e a Páscoa

“Timing” Celestial das Festas Cristãs

Pouca gente conhece, inclusive dentro da própria Cristandade,  a fórmula pela qual se calculam as festas móveis, no calendário cristão. E a maioria das pessoas se mostra muito surpresa, para não dizer estupefacta, ao descobrir que a marcação desse calendário, ou seja, que o “timing” das festas cristãs está absolutamente impregnado de símbolos astrológicos.

E o ponto de partida é a Pascoa, a Festum Festorum, ou seja, a maior, a festa das festas da tradição cristã.

O Domingo de Páscoa é o primeiro Domingo após a primeira Lua Cheia depois da entrada do Sol no signo de Áries, ou seja, do Equinócio de Outono (para o Hemisfério Sul; para o Hemisfério Norte, essa data corresponde ao Equinócio de Primavera).

Debulhando: após o Equinócio, que ocorre em torno do dia 2o ou 21 de Março, espere a primeira Lua Cheia; após essa Lua Cheia, o primeiro Domingo será o Domingo de Páscoa.

Ora, o Equinócio ocorreu no dia 20 de Março. A Lua Cheia aconteceu no dia 27, quarta-feira passada. Portanto, amanhã, é o Domingo de Páscoa.

E quando acontece o Carnaval?

Quarenta dias antes!

E esses quarenta dias são chamados de Quaresma, época de reflexão, meditação e penitência, que preparam para a Páscoa.

Astros e Símbolos na Páscoa

Observe-se que, do ponto de vista astrológico, o signo de Áries é o primeiro do Zodíaco e representa a ressurreição do ano que se encerrou, a partir da aurora de um novo ciclo. Com a entrada do Sol em Áries se celebra, portanto, a Primavera cósmica. Note-se que a palavra primavera vem do latim “primus” + “veritas”, a “primeira verdade” demonstrada pelo Zodíaco, círculo de grandes e universais verdades.

Além disso, a correspondência simbólica do signo de Áries com o carneiro é uma referência direta ao Cristo, o “Cordeiro”, Aquele que tira o pecado do mundo.

Já a Lua Cheia que antecede o Domingo de Páscoa, a primeira do novo ano solar, pode ser analisada, simbolicamente, de três modos: primeiro, a Lua Cheia indica que o modo da inteligência propriamente humana alcança o seu máximo, poisLua Cheia cumpre integralmente sua função, que é refletir o conhecimento espiritual, simbolizado pelo Sol. Numa mesma linha interpretativa, em segundo, a Lua Cheia representa os Apóstolos, cuja função, igualmente, era refletir e reverberar a Luz do Cristo, simbolizado pelo Sol; em terceiro lugar, a Lua Cheia representa também a plenitude do materno, sua fecundidade e fertilidade, geração e nascimento.

Esse é o conjunto de significados astrológicos, simbólicos e religiosos que entremeia os atributos cristãos da Páscoa, a festa principal, primeira e central da Igreja Cristã: de modo análogo ao triunfo do Sol em Áries sobre a noite, a vitória do Cristo, sobre a morte e sobre o tempo, renova e regenera o antigo mundo e, como a Lua Cheia, engendra e inaugura uma nova vida.

A posteriori, vários outros símbolos foram se compondo simbolicamente ao redor desse significado central da festa e, dentre eles, um dos mais tradicionais é o ovo da Páscoa. Como restrição alimentar da Quaresma proibia comer ovos, eles só voltavam a ser consumidos na refeição do Domingo de Páscoa.

Nesse dia, pintados de cores vivas e alegres, simbolizavam a possibilidade de ressurreição da Humanidade, ofertada a todos desde que Jesus ressurgiu dos mortos.

Ovos de PáscoaO simbolismo do Ovo Cósmico é amplamente aceito por diversas tradições. Na Cosmogênese segundo a Mitologia Grega, por exemplo, a união da Noite (Nix) e do Caos, deuses primordiais, engendra um Ovo que, quando se rompe, faz surgir, da metade superior da casca, o céu e da metade inferior, a Terra. E do seu âmago, surge Eros, o deus do Amor, o “desejo incoercível dos sentidos”, o amálgama do Universo.

O ovo é, portanto, considerado como o receptáculo dos germes a partir dos quais se desenvolverá a manifestação, impregnado do Princípio Universal, além de aparecer freqüentemente como um dos símbolos mais evidentes da renovação periódica da natureza.

Por isso, muitos povos antigos o viam como o melhor emblema da vida que germina no começo da Primavera. O simbolismo do ovo reafirma, portanto, de modo muito claro e completo, as principais características da Páscoa, enquanto celebração da Vida e da Luz.

Desejamos a todos os nossos amigos, clientes e leitores uma feliz celebração de Páscoa.

E  que a chama da consciência crística possa arder eternamente nos corações dos homens.

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Conjunção entre Sol, Vênus e Urano

Um estimulante encontro entre o astro-rei, a deusa do amor e o celestial Urano, no ígneo signo de Áries, indicando a possibilidade de intensas ressignificações, sobretudo no campo
afetivo-emocional. 

 É interessante citar as últimas frases do filme “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”, do cineasta Woody Allen:

Annie Hall“Eu acho que relacionamentos são como aquela piada do cara que chegou para o psiquiatra e disse:

Doutor, o meu irmão é maluco: ele pensa que é uma galinha!’

‘Por quê você não o interna?’, perguntou o médico, ao que o outro respondeu:

‘É que eu preciso dos ovos .’

Relacionamentos são coisas absurdas, irracionais, malucas, mas a grande maioria de nós permanece neles por que precisa dos ovos…”

 O filme de Allen, uma interessante metáfora sobre a necessidade humana de completude romântica, nos permite uma reflexão crítica sobre a forma como conduzimos os nossos relacionamentos afetivos.

E às vezes é importante que você analise o seu comportamento: será que você não anda precisando dos ovos?  E é claro que, nesse caso, estamos falando exatamente das nossas necessidades de projetar, na pobre vítima que é o outro, as nossas fantasias e desejos. Fazemos do outro uma tela em branco, como num cinema, e projetamos nele o filme que queremos ou necessitamos ver.

E, o que é pior, esse filme que projetamos só serve para disfarçarmos as nossas próprias limitações, nossas muitas emocionalidades, ranços e traumas que nos entravam o caminho do amor maduro e da realização interpessoal.

Com essa tríplice conjunção entre Sol, Vênus e Urano, que acontecerá no próximo dia 28 de Março de 2013, no oitavo grau do signo de Áries, o Cosmos agora nos convida a uma busca intensa dos significados mais elevados de nossos sentimentos, o que pode nos capacitar a colocar as coisas em seu devido lugar, dentro das relações, renovando-as e recarregando suas baterias.

Aproveite o momento, portanto, para perceber o alcance de seus sentimentos,Eros dos mais simples aos mais complexos, e, a partir dessa compreensão, assenhorear-se de todos os infinitos potenciais de realização que seu amor e sua beleza interior conferem a você, tanto na relação a dois como naquilo que você oferta ao mundo.

Isso talvez possa permitir a você buscar a compreensão dos verdadeiros significados de seus sentimentos afetivos, o que talvez lhe traga uma outra visão acerca dos seus relacionamentos.

Busque entender o porquê de Cupido usar o seu coração como alvo. E corresponda à altura.

Dica Cinematográfica:

Alguém tem que cederAlém do “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (Annie Hall, USA, 1977), de Allen, assista ao excelente “Alguém Tem Que Ceder” (Something’s Gotta Give, USA, 2003), dirigido por Nancy Meyers, onde você vai ver alguém ressignificar sentimentos e atitudes em relação ao amor.

Coincidentemente, ou talvez devêssemos dizer, sincronicamente, ambos os filmes são estrelados pela bela Diane Keaton, com vinte e cinco anos de distância entree os dois papéis.

O Sol Entra em Áries: Equinócio!

Equinócio de Outono, assinalado pela entrada do Sol no signo de Áries, primeiro do Zodíaco.

 

A escolha do dia 1º de Janeiro como data inicial do ano civil e primeiro dia do calendário nada mais é do que uma mera convenção social. A Astrologia, como “relógio qualificador do tempo” e ciência que estuda os ciclos cósmicos, indica-nos de forma diferente o início do ano, apontando-o para o momento em que o Sol entra no signo de Áries, primeiro do Zodíaco, símbolo do início e do impulso, da aventura do começar.

EquinócioPrecisamente às 08h02, neste dia 20 de Março, ocorre o Equinócio de Outono (para o Hemisfério Sul; de Primavera para o Hemisfério Norte), coincidindo com o momento em que o Sol chega a 0º (zero graus) de Áries. Esse momento marcante caracteriza-se por um interessante fenômeno astronômico (e simbólico): o dia e a noite têm exatamente a mesma duração (a palavra “equinócio” é oriunda de “aeque nocte” =  “noite igual” ao dia).

O signo de Áries, simboliza o fogo inicial da Criação, o impulso da Aventura.

Mitologicamente, Áries está associado ao mito da busca do Velocino de Ouro, em que o herói grego Jasão organiza uma expedição composta por mais de cinqüenta dos maiores e melhores heróis da Grécia, entre eles, Hércules, Castor e Pólux, Peleu, Orfeu. A bordo da nau Argo, os aventureiros, cognominados “Argonautas”, viajam até a Cólquida, na Ásia Menor, passando por mil peripécias para conquistar a pele de ouro do carneiro Crisômalos, filho de Netuno, que tinha poderes miraculosos. O leme da nau fora construído com madeira do bosque sagrado de Dodona, consagrado a Palas Athena, que lhe conferiu a capacidade de falar, guiando os navegadores.

A entrada do Sol em Áries inaugura, portanto, um ciclo em que o Cosmos nos convoca à aventura, ao arriscar-se, ao lançar-se.

Com a entrada do Sol em Áries comemoramos a Primavera Cósmica, mesmo que o equinócio seja de Primavera apenas para o Hemisfério Norte, enquanto que, no Hemisfério Sul, inicia-se o Outono.

É que o signo de Áries está associado ao conceito do grande impulso e por isso Carneiroà Primavera. Importante ressaltar que a palavra “primavera” vem do latim “primus + veritas” (= primeira verdade).

Áries é, portanto, a primeira verdade expressa pelo sagrado círculo do Zodíaco. E, durante a estada do Sol neste signo, temos a mais propícia época para iniciar novos projetos, lançar novas sementes ou mesmo reativar velhos projetos que andavam meio adormecidos.

Observe-se que os planetas Marte e Urano já estão no signo de Áries, aguardando a chegada do Sol. Ou seja, esse Equinócio e consequentemente o Ano Novo que se inicia, chega impregnado de energia impulsionadora e inovadora. No dia 22, Vênus também adentra em Áries, preparando a segunda Doriforia (concentração planetária) do ano, que se completará quando Mercúrio também entrar em Áries, no dia 14 de Abril. A primeira foi no signo de Peixes e sob essa configuração, foi eleito o Papa Francisco (talvez não tenha sido à-toa que ele tenha escolhido o nome do santo católico que melhor representa a humildade, atributo pisciano por excelência).

Ou seja, com toda essa força concentrada em Áries, o Ano Novo promete…

Aproveitamos para desejar a todos um Feliz Outono e um Ano Novo Solar pleno de crescimento e prosperidade!!!

E aos arianos, feliz aniversário!!!

Marte entra em Áries

No próximo dia 12 de Março, o planeta Marte adentra o signo de Áries, seu signo de regência, estabelecendo uma fase de
inciativa e energia.

Do ponto de vista mitológico grego, Marte representa um verdadeiro estranho no ninho: completamente diferente, em suas características, dos demais deuses do Olimpo, que representavam grandes modelos de harmonia e perfeição, Marte (Ares, em grego) era o deus da guerra bruta, da selvageria e da pancadaria. Seu único prazer eram as guerras e lutas e ele não perdia chance de fazer jorrar sangue, não se importando com a justiça ou injustiça da luta.

AresOs gregos o retratavam sempre acompanhado de um séqüito temível: eram seus escudeiros Phobos e Deimos, seus filhos, representando o Pavor e o Medo; era acompanhado de Éris (a Discórdia) e por um bando de divindades guereiras sempre sedentas de sangue, chamadas Queres.

Já em Roma, Marte foi cultuado como um dos maiores e mais importantes deuses. Diferentemente dos gregos, os romanos o retratavam sempre acompanhado de dois escudeiros chamados Honor (a Honra) e Virtus (a Força). Era considerado uma divindade heróica e nobre e era um dos patronos da cidade e do Império.

Essa diferença de significação é bem representativa do que pode acontecer com o Planeta Marte, dentro de nós.

Em sua essência, Marte está associado, astrologicamente, ao conceito de força. Representa o nosso lado guerreiro, aquele que vai à luta, marchando a passos largos para nos conduzir ao nosso objetivo.

Quando nos lançamos em direção de algo que desejamos, é Marte dentro de nós que nos propicia isso. Quando, revoltados diante de algo, erguemos a clava forte da Justiça, na defesa de alguém, é Marte dentro de nós que nos faz despertar o herói interior.

Por outro lado, se agredimos alguém desnecessariamente, é Marte dentro de nós quem no faz perder o controle. Se provocamos e brigamos, sem nenhum motivo válido, é também Marte dentro de nós que nos leva a isso.

Ou seja, se o Marte dentro de você será um herói combativo e forte, um aguerrido defensor da Virtude ou, por outro lado, um grandalhão agressivo, destruidor e violento, será sempre uma opção sua.

Fique atento.

Sim, pois, ao entrar em seu signo de regência, Áries, o poderoso Marte nos ativará todo essa potencialidade e capacidade combativa.

Porém, vale a pena lembrar que o planeta Urano está no signo de Áries e deve aí permanecer por mais alguns anos, trazendo a essas características combativas os mais nobres e elevados ideais.

Portanto, o Cosmos nos diz que é chegado o momento de dar o melhor de nós pela restauração da Ética e da seriedade em nossas ações. Por outro lado, é importante lembrar que a palavra virtude provém do latim –vir, –viris, o mesmo radical de onde se origina a palavra virtus (força), como visto acima e também viril, virilidade. Portanto, a Etimologia nos ensina que a virtude é originariamente um conceito masculino, ou seja, é preciso lutar por ela, brigar com equilíbrio e inteligência para restaurá-la e fazê-la perene. Como dizia Platão, os vícios são inerentes à natureza do Homem. Dominá-los, porém, substituindo-os pelas virtudes opostas, é próprio do Homem cuja retidão aponta para o Céu.

E por falar nisso, talvez seja bom relembrar as sete virtudes principais: as três teologais (fé, esperança e caridade), e as quatro cardeais (temperança, prudência, justiça e fortaleza). Também não custa lembrar o preceito ditado pela tradição cristã que decreta que pecamos por atos, palavras, pensamentos e omissões. Ou seja, não é suficiente apenas “fazer a nossa parte”. A omissão também é uma falta grave!

É preciso lutar!

Portanto, devemos sempre aventurar-nos a combater o Bom Combateo  de restaurar e defender a Virtude, em todas as suas formas, raiz da nossa divindade e sem a qual o Homem é nada.

Dica cinematográfica

Clã das Adagas VoadorasO filme “O Clã das Adagas Voadoras” (Shi Mian Mai Fu, China, 2003), dirigido por Zhang Yimou e estrelado pela bela atriz Zhang Ziyi, onde você vai descobrir, entre uma fotografia deslumbrante e uma estética visual apuradíssima, como o conflito entre amor e honra pode ser catalizador de uma das mais belas virtudes: a Coragem.