Arquivo mensal: maio 2013

Conjunção tríplice entre Vênus,Mercúrio e Júpiter

Encontro entre os dois planetas interiores e Júpiter, tendo como cenário o signo de Gêmeos, indicando a sábia síntese entre o belo e o racional, a arte e a ciência, o sentimento e a mente.

No dia 28 deste Maio de 2013, uma verdadeira festa no Céu: Mercúrio e Vênus se encontram, o que por si só, já traduz um momento rico de significados. E, ainda por cima, Júpiter se junta à dupla, ampliando as possibilidades e trazendo sabedoria e compreensão.

E há uma belíssima página da a Mitologia Grega que tem muito a dizer sobre esse encontro: a história do belo Hermafrodito!

Conta-se que Mercúrio (Hermes) e Vênus (Afrodite) num dado momento se amaram e dessa união nasceu Hermafrodito (= filho de Hermes e Afrodite, nomes gregos dessas divindades), jovem de extraordinária beleza.

Ainda na adolescência, saiu a viajar pelo mundo e um dia chegou à fonte Sálmacis, onde vivia uma jovem e bela ninfa, igualmente chamada Sálmacis. Tão logo o viu, a ninfa perdeu-se de amores por ele que, não correspondendo a tal sentimento, manteve-a a distância, frustrando-lhe as pretensões.

Salmacis se enamora de Hermafrodito

Salmacis se enamora de Hermafrodito

A ninfa finge conformar-se e esconde-se nas proximidades. Hermafrodito, julgando-se só, despe-se e mergulha nas frescas e límpidas águas da fonte.

Num instante, Sálmacis já estava junto ao amado, cobrindo-o de beijos!

Enrosca-se a ele, enlaçando-o fortemente, e suplica aos deuses que jamais a separem de Hermafrodito. O pai e mais poderoso dos imortais, Júpiter, ouve a sua súplica: os dois corpos se fundiram num só e assim surgiu um novo ser, de dupla natureza.

A conjunção entre Mercúrio e Vênus convida-nos a um resgate, como simbolizado no mito de Hermafrodito, da união entre esses dois opostos ou contrastes: você pode unir sua inteligência, sua criatividade e capacidade comunicativa à sua sensibilidade, sua beleza interior e sua capacidade artística.

E a presença de Júpiter na conjunção traz a possibilidade de que esse resgate nos preencha de sabedoria e consciência.

Portanto, esse período é de aprendizado e reordenação de propósitos e princípios, especialmente no que diz respeito ao amor e aos relacionamentos afetivos.

Aproveite o momento para compreender melhor seus sentimentos e, sobretudo,  trocar um pouco de carinho.  Fale com simpatia e doçura, o seu charme estará em alta. E lembre-se: como diria Mary Poppins, duas colherinhas a mais de açúcar só farão bem a sua receita.

Nessas horas, porém, quando tudo parece estar bem, às vezes somos assaltados por nossas sombras, nossos ranços internos, medos e ressentimentos que teimam em querer estragar a nossa festa.

Portanto, fique atento: aproveite o charme que essa fase traz. E não permita que as sombras (suas sombras, lembre-se!) venham tirar o brilho de seu momento.

Dica de observação astronômica

Ao anoitecer, olhe para o poente e verá um belo espetáculo: os planetas Vênus, Mercúrio e Júpiter bem próximos.

Seja ágil, pois só poderá vê-los por pouco tempo, logo após o pôr do Sol.

Você terá a oportunidade de contemplar, nos céus, aquilo que estará cavando fundo mil significados, em sua alma.

E aproveite logo. Esse magnífico espetáculo celeste só será visível até o dia 29.

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O Sol entra em Gêmeos

Continuando sua caminhada pelo Zodíaco, o Sol adentra o signo de Gêmeos, neste 20 de Maio de 2013, às 18h09, dando início a um ciclo de expansão mental e de integração entre as diversas partes que formam um todo.

Castor & Pólux

Castor & Pólux

Mitologicamente, o signo de Gêmeos, primeiro do elemento ar, está associado ao mito de  Castor e Pólux, chamados “os Dióscuros”.

Enamorado da bela Leda, esposa do rei Tíndaro, Zeus (Júpiter), senhor dos homens e dos deuses, metamorfoseia-se em cisne para seduzi-la. Da insólita união nascem, da semente de Zeus (e portanto imortais), Pólux e Helena; e da semente de Tíndaro (e portanto mortais) Castor e Cliptemnestra.

Estranhamente, ainda sendo filhos de pais diferentes, Castor

Leda e o Cisne

Leda e o Cisne

e Pólux eram absolutamente idênticos e cresceram unidos por profundo amor. Foram educados nas artes da guerra pelo centauro Quíron e tornaram-se grandes heróis e valorosos guerreiros.

Um dia, numa peleja fatal, Castor é mortalmente ferido. Vendo o amado irmão perecer em seus braços, Pólux é tomado de desesperada dor: não pode viver sem o irmão e até pretende dar cabo da própria vida. Porém, imortal que é, sequer isso lhe é permitido. Implora, então, a Júpiter que divida sua imortalidade com Castor, fazendo-o voltar à vida. O soberano dos deuses atende ao pedido e, mais tarde, tocado por tal demonstração de amor fraternal, resolve premiar os irmãos, catasterizando-os, isto é, transformando-os em constelação, no caso, na constelação de Gêmeos, onde permanecerão amorosamente abraçados para sempre, servindo, inclusive, de exemplo para os mortais.

Constelação de Gêmeos

Constelação de Gêmeos

A entrada do Sol em Gêmeos vem assinalar o início de um ciclo onde podemos e devemos promover o abraço entre as coisas que aparentemente são as mais díspares e contrastantes, buscando a inspiração espiritual, divina (representada por Pólux, o imortal) que nos permitirá realizar o material, o concreto (simbolizado por Castor, o mortal), casando o transcendente com o imanente.

E como Gêmeos é o primeiro signo de ar, regido por Mercúrio, pode ser por meio da palavra que se dê esse abraço, essa comunhão entre os opostos. Portanto, cuide para que a sua palavra seja veículo dessa comunhão, nunca de divisão.

Interessante notar que, pouco antes da sua entrada em Gêmeos, o Sol faz trígono (ângulo de 120 graus) com a Lua, o que indica a possibilidade de um resgate da poética em nós. Hora, portanto, de desenterrar e desengavetar aqueles velhos poemas incompletos ou abandonados; ou iniciar a produção, se você nunca a havia começado. E não venha me dizer que não é “bom” em fazer ou escrever poesias: de médico, de poeta e de louco todos nós temos um pouco, não é verdade? Mais importante ainda do que escrever poesias é adotar uma poética na vida, colorindo-a com a aquarela da magia e do encantamento.

Essa será a importante arma com que enfrentaremos os grandes desafios que por aí virão.

Como reflexão geminiana, as palavras do filósofo Soren Kierkgaard:

As verdades superficiais têm opostos necessariamente falsos; as verdades profundas têm opostos tão verdadeiros quanto elas

Kierkgaard

Kierkgaard

próprias.

Um abraço de parabéns a todos os geminianos!!!

Vênus em quadratura com Netuno

O céu dessa semana indica a possibilidade de graves crises de fé no amor desencadeadas pela estremecedora quadratura
entre Vênus e Netuno, que ocorre neste dia
13 deste Maio de 2013.

No mito de Eros e Psique, uma das mais belas páginas da Mitologia mundial, há uma passagem em que Psique, contrariando o pacto feito com seu marido Eros, insiste em ver o seu rosto, que, até então, lhe era desconhecido.

Eros e Psique

Eros e Psique

Psique vivia, ao lado do marido, os mais doces e sublimes momentos de felicidade; e essa felicidade duraria, segundo Eros, enquanto ela não tentasse ver a sua face.

Porém, instigada pelas invejosas irmãs, que diziam ser o misterioso marido um horrível monstro, Psique age sorrateira, na calada da noite; munida de uma lâmpada de óleo, aproxima-se do leito nupcial e lança luz sobre o marido adormecido.

Que surpresa! Que encanto!

Seu marido era na verdade o próprio deus do amor!

Extasiada, Psique lhe acaricia as asas; afaga-lhe os dourados cachos que caem sobre a testa; beija-lhe suavemente os lábios.

Mas, azar dos azares, no afã da descoberta, Psique descuida-se e uma gota de fervente óleo escorre da lâmpada, indo cair sobre o ombro do deus, que acorda gritando de dor.

Ao ver-se traído pela esposa, Eros alça vôo e pousa no alto de uma árvore, longe do alcance de Psique que, desesperada, tenta alcançá-lo.

Pede desculpas, chora, implora, rola no chão, grita, chama-o de volta.

Psique contempla Eros em sono

Psique contempla Eros em sono

Tudo em vão.

Eros fala dos avisos que lhe dera, da imperdoável traição e arremata, dizendo que o amor não pode subsistir onde não há confiança. E parte.

Para reconquistar o amado, Psique terá que submeter-se aos caprichos de sua sogra, a vingativa Vênus e passar por quatro temíveis provas.

Da mesma forma que os heróis deste belo mito, nós, pobres mortais, também somos, freqüentemente, assaltados por acessos de desconfiança, de descrença.

A quadratura entre Vênus e Netuno é um indicativo de que, durante esta semana, o demônio da desconfiança pode querer armar das suas, em qualquer tipo de relacionamento, mas, sobretudo, nos afetivos.

Se “o Amor não pode sobreviver sem confiança”, não há nada que mais abale a solidez de um relacionamento do que a falta de fé nessa solidez. Tente serenizar-se e ponderar suas ações; você pode até tentar dar um novo impulso à relação, mas mantenha a tranqüilidade.

Não deixe de acreditar na capacidade de renovação desse sentimento. O que quer que esteja acontecendo, é só uma fase, uma crise que pode ser vencida. A contemplação artística (museus, exposições, concertos, etc.) ou mesmo a prática da arte pode ajudar a resgatar a sublimidade dos sentimentos. Lembre-se que, nesse dia, você estará predisposto a uma falta de fé generalizada. Cuidado, então, para não incorrer em julgamentos apressados.

Uma dica:

A peça Otelo, de William Shakespeare, onde você vai ver o “demônio de olhos verdes”, ou seja, o ciúme, instigado pelo perverso Iago, destruir uma linda história de amor, tendo a bela e doce Desdêmona como vítima.

OtheloInclusive, há uma interessante versão cinematográfica, de 1995, dirigida por Oliver Parker e estrelada por Irene Jacob, Kenneth Branagh e Laurence Fishburne que foi, por incrível que pareça, o primeiro negro a viver o papel no cinema; antes dele, as diversas produções foram realizadas com atores brancos caracterizados, inclusive Lawrence Olivier, em 1965.

Vênus entra em Gêmeos

Em seu caminhar pela roda zodiacal, o planeta Vênus adentra o signo de Gêmeos, neste dia 09 de Maio de 2013,  iniciando um ciclo em que, após o impulso ariano e a substância taurina, o amor se
volta à integração entre as partes que formam o todo.

Mola mestra da ação humana, amálgama do Universo, o amor, astrologicamente simbolizado pelo planeta Vênus, pode ser o veículo que nos leva a compreender a inexistência de diferenças entre o Princípio Divino e o plano da manifestação, entre o transcendente e o imanente, ou, como diriam os cabalistas, entre Ain Soph e Malkuth.

O Andrógino Platônico

O Andrógino Platônico

Vênus, em Gêmeos, convida-nos a ao resgate das duas metades do amor total, o que Platão chamou, alegoricamente, de “andrógino”. Segundo o filósofo, existiam inicialmente três sexos: o masculino, o feminino e um terceiro, composto dos dois anteriores. O homem primitivo seria, consoante a alegoria platônica, um ser bissexuado (em grego, “androguynos” é “o que participa de ambos os sexos”), de forma esférica, o que simboliza a perfeição e a totalidade.

Tão perfeitos seriam tais seres que os deuses, sentindo-se ameaçados, houveram por bem dividi-los em duas metades, tornando-os mais fracos e, conseqüentemente, carentes, uma vez que cada metade pôs-se a buscar incessantemente a outra metade oposta, numa ânsia de se “re-unir” para sempre.

Esta seria a origem do amor que as criaturas humanas sentem umas pelas outras. O amor seria, portanto, a recomposição da natureza primitiva, “fazendo de dois um só, restaurando a antiga perfeição”, a totalidade, a “concidentia oppositorum” (a simultaneidade dos opostos).

A passagem de Vênus, símbolo do amor, da sensibilidade, da beleza e da arte, em Gêmeos, signo do abraço entre os androginos divididos“opostos”, é um convite a buscar, em primeiro lugar, a suprema androginia (platônica) no interior de nossa própria alma.

Em segundo lugar, repensar a relação amorosa que vivemos: como o outro nos completa, como completamos o outro, o que precisamos re-unir para resgatar a beleza primordial da relação, do sentimento.

Durante a estada de Vênus em Gêmeos, pense nisto. E pense no que você precisa fazer / realizar para que a perfeita harmonia dos opostos esteja cada vez mais presente em seu mundo e em suas relações.

Dica cinematográfica

Cena de Asas do Desejo

Cena de Asas do Desejo

O filme Asas do Desejo (Der Himmel über Berlin, Alemanha/França, 1987, dirigido por Win Wenders), onde você vai ver um anjo (que, a princípio, nem sexo tem) apaixonar-se por uma trapezista. E precisar alquimizar a sua própria androginia para vivenciar esse amor.

Um dos mais belos e poéticos filmes da década de 80, Asas do Desejo serviu de inspiração para o hollywoodiano Cidade dos Anjos (City of Angels, USA/Alemanha, 1998, dirigido por Brad Siberling), estrelado por Nicholas Cage e Meg Ryan.

Obviamente, nem pense em assistir à versão hollywoodiana que, apesar de mais colorido e doce,  nada tem da delicadeza poética e do simbolismo do filme de Wenders.

Força centrípeta dos planetas X a validade da Astrologia

Recebo e-mail de um cliente e estudioso da Astrologia, o Bruno Jerônimo, trazendo um questionamento crítico à milenar ciência dos céus:

“(…)  uma crítica à Astrologia que gostaria que você comentasse, se é que não lhe roubo o tempo.

A pergunta lançada pelo crítico foi, em poucas palavras, a seguinte: se a aproximação da terra ao sol faz com que VELOCIDADE CENTRÍPETA DA TERRA OSCILE, isso não deveria ser considerado pelos astrólogos ao se estabelecer as datas limites entre um e outro signos?”

Minha resposta ao Bruno Jerônimo:

Na verdade, essa variação de velocidade É considerada nos cálculos astrológicos. Tanto que a velocidade dos astros não é linear, mas obedece a uma variação exponencial, ou seja, é uma função do tipo y = a elevado a log x.

O problema é que os detratores fazem suas críticas baseadas nessa infame caricatura que a imprensa divulga com o nome de Astrologia, mas que nada tem da verdadeira ciência cosmológica.

Por exemplo, a ideia de que todo mês, no dia 21, o Sol muda de signo. E que a imprensa divulga mais ou menos assim:

“Agora, as previsões para os nativos do signo de Áries, nascidos entre 21 de Março e 20 de Abril. Daqui a pouquinho, as previsões para os taurinos, nascidos entre 21 de Abril e 20 de Maio…”

Óribita elíptica dos planetas

Óribita elíptica dos planetas

E vai por aí afora…

Ora, esses períodos de trânsito do Sol nos signos não “do dia 21 de um mês ao dia 20 do mês seguinte”. Mas variam mais ou menos entre os dias 18 e 24 de cada mês. E variam exatamente por conta de uma série de fatores, dentre eles, a variação da velocidade centrípeta de todos os astros, em relação ao ponto de referência, que é a Terra, já que as órbitas planetárias não são circulares e sim elípticas, estando o Sol num dos focos da elipse.

Ou seja, não faz sentido a crítica. Ou faz, para a caricatura divulgada pela imprensa, mas não para a prática científica da Astrologia.

Agradecemos ao Bruno Jerônimo pelo repasse da questão e por sua autorização para que a publicássemos no nosso blog.