Arquivo mensal: agosto 2014

O Sol entra em Virgem

Em seu contínuo caminhar pela roda zodiacal, o astro-rei adentra no signo de Virgem, neste dia 23 de Agosto de 2014, iniciando um ciclo de purificação e simplificação das coisas.

Sexto signo do Zodíaco, Virgem está mitologicamente associado a Astréia, deusa da Pureza e da Harmonia, que, durante a Idade do Ouro (a idade da perfeição) habitava a Terra, entre os mortais. Ao iniciar-se a Idade da Prata e o correspondente declínio da civilização, a deusa retira-se para as montanhas, passando a habitar entre os pastores, onde ainda havia maior pureza e

Constelacao da Virgem

Constelação da Virgem

harmonia.

Quando se inicia a Idade de Bronze e as desavenças entre os homens se tornam cada vez mais freqüentes, Astréia, por não suportar tal desarmonia e temendo macular-se, abandona definitivamente a Terra e vai para o Céu, transformando-se na constelação da Virgem.

Desde então, o signo de Virgem, simbolizado por essa constelação, tem sido o ícone da Pureza, símbolo da harmonia, como um sinal nos céus a nos alertar e lembrar de que os homens podem (e devem!) limpar-se da carga de suas impurezas (físicas e emocionais), alcançando uma vida mais harmônica e mais saudável.

Durante a estada do Sol no signo de Virgem, o Cosmos nos convida a um resgate da Pureza e da Simplicidade, por meio da análise crítica e da tomada de consciência de nossas próprias impurezas e excessos interiores. E nada melhor do que o trabalho para purgar as toxinas físicas e emocionais que nos adoecem e sobrecarregam.

O signo de Virgem também está associado à colheita dos cereais (o alimento puro, não poluído). Tanto que a Virgem, na constelação tem em sua mão uma espiga de trigo. Inclusive, a estrela Spica (“espiga” em latim), alfa da constelação da Virgem (ou seja, a mais brilhante da constelação), simboliza fertilidade e prosperidade.

Gandhi

Gandhi

Dante ensinou que na Natureza não existem supérfluos. Portanto, todo supérfluo é contra a Natureza e, conseqüentemente, contra Deus. E como dizia Gandhi, o Mahatma, a grande virada de qualidade da raça humana está associada a um retorno, urgente, a uma vida mais simples. Sem tantas falsas necessidades criadas por uma mídia mistificadora e inconseqüente. Sem a busca incessante de uma suposta liberdade, que, de tão ansiosa, já constitui um grilhão. E, sobretudo com a intenção firme de viver e conviver em paz. Talvez isso seja mais fácil do que imaginamos. E talvez nos requeira menos renúncias do que pensamos.

Aproveite a passagem do Sol em Virgem e procure conscientizar-se acerca de

Dante

Dante

todos os supérfluos em sua vida. Essa será uma boa forma de eliminar as impurezas que impedem o seu sucesso e sua felicidade.

Nesse ciclo, que precede ao início da Primavera (que ocorrerá com a entrada do Sol em Libra, em 22 de Setembro), estamos cosmicamente intimados a uma grande limpeza de ordem física (e, portanto, médica), emocional e espiritual, a fim de nos prepararmos para a celebração do Equinócio, onde ultrapassamos o umbral do “eu” para adentrarmos os domínios do Todo, em núpcias cósmicas.

Khalil Gibran

Khalil Gibran

E já que Virgem é o signo do trabalho, convidemos o inesquecível e indispensável Gibran, o poeta do Líbano, num trecho de “O Profeta”:

“Quando trabalhais, sois como uma flauta através da qual o murmúrio das horas se transforma em melodia. Quem de vós aceitaria ser um caniço mudo e surdo quando tudo o mais canta em uníssono?

(…)

Disseram-vos que a vida é escuridão; e no vosso cansaço, repetis o que os cansados vos disseram.

E eu vos digo que a vida é realmente escuridão, exceto quando há um impulso.

E todo impulso é cego, exceto quando há saber.

E todo saber é vão, exceto quando há trabalho.

E todo trabalho é vazio, exceto quando há amor.

E quando trabalhais com amor, vós vos unis a vós próprios e uns aos outros e a Deus.”

 

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Espetáculo nos Céus: a chuva de meteoros Perseidas!!!

Os Perseidas atingem seu máximo, entre duas e quatro horas na madrugada de 12 de Agosto de 2014.

As Lágrimas de São Lourenço nos abençoam!!!

O céu nos reserva segredos e espetáculos os mais belos. No céu há cores, formas, e até movimento.

Esse é o caso de uma chuva de meteoros, um dos mais belos espetáculos da natureza.

Uma chuva de meteoros acontece quando o planeta Terra passa pelo rastro de algum cometa, ou seja, uma região do espaço cheia de partículas que, ao entrarem na atmosfera terrestre, inflamam-se e povoam o céu com movimento e beleza.

Ao longo do ano, há vários momentos em que podemos observar esse belo fenômeno celeste.

A chuva de meteoros Perseidas já vem acontecendo desde meados de Julho e ainda poderá ser observado a té o dia 10 de Setembro. Entre 12 e 15 de Agosto, os Perseidas atingem seu máximo, chegando a um gradiente de 100 bólidos por hora, o que dá mais de um por minuto.

Esses meteoros são chamados Perseidas porque o seu radiante (a região do céu de onde parecem se originar) está localizado na constelação de Perseus.

Ou seja, é da constelação de Perseus que os meteoros Perseidas se lançam à Terra, trazendo-nos uma linda mensagem de superação e força. Afinal, foi o grande herói Perseu que matou a Medusa, o pavoroso monstro que era mulher da cintura para cima, serpente da cintura para baixo, tinha serpentes no lugar dos cabelos e transformava em pedra qualquer ser vivo que olhasse para ela. E por conta desse e de muitos outros atos heróicos, Perseu teve a honra de ser transformado em uma constelação. E de lá do alto, arremessa-nos esses belos meteoros Perseidas, como sinais de que precisamos ter coragem, a cada dia, de vencer os monstros do medo, da violência, da ignorância…

PerseidasO mapa mostra a posição da constelação de Perseus, às 2h00, vista do Nordeste do Brasil, que será a posição mais favorável para a observação.

Em outras regiões, pode haver algumas pequenas variações, mas deve ser suficiente para uma referência.

Se você estiver acordado ou estiver voltando da balada, vale a pena dar uma olhadinha na direção do horizonte norte do céu e procurar Perseus.

Talvez você tenha a sorte de ver algumas das estrelas cadentes (como também são chamados os meteoros). E vale até fazer um pedido!

 

 

 

Detalhe

Os Perseidas também são chamados de “Lágrimas de São Lourenço“, porque, segundo a lenda sobre esse grande santo, no dia da sua morte, em 10 de Agosto de do ano de 258, houve uma linda chuva de meteoros.

Superlua ao anoitecer deste Domingo, dia 10 de Agosto de 2014!!!

A Lua Cheia acontece às 15h09 do Domingo, dia 10 de Agosto de 2014. Pouco antes, às 14h42 acontece o Perigeu, ou seja, o momento em que a Lua se coloca na posição de máxima aproximação da Terra.

Quando esses dois fenômenos (a Lua Cheia e o Perigeu) acontecem tão próximos um do outro (com diferença de apenas alguns minutos, nesse caso), temos um singular aumento do disco lunar, que se tornará entre 14% maior e 30% mais brilhante.  O melhor momento para a observação é o nascer da Lua neste dia 10. Quando o Sol se puser, no horizonte oeste, você verá a Lua nascer, no horizonte leste, maior e mais brilhante do que o habitual.

Um belo espetáculo!!!

E obviamente esse fenômeno traz significados simbólicos ricos e dignos de atenção.

SuperluaRegente do sino de Câncer,  astro mais próximo da Terra, a sedutora Lua, também chamada de “o luminar das noites”, sempre esteve associada à magia , aos encantamentos e à poesia.

Diana, a deusa caçadora (chamada Ártemis pelos gregos), é irmã gêmea de Apolo (o Sol) e associada à Lua. O templo erigido em seu culto, em Éfeso, era considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo.

Ainda criança, recebeu do pai, o poderoso Júpiter (Zeus), a graça de permanecer sempre virgem, intocável e intocada por qualquer deus ou mortal. Diana representa, portanto, o papel da fêmea indevassável, a donzela arisca, inconquistável, formando, juntamente com Palas Athena e Héstia, o grupo das chamadas “virgens brancas” do Olimpo. E aquele que ousasse ir de encontro a essa castidade era severamente punido. Assim foi com Actéon, o caçador (=buscador; simbolicamente, caçador é sempre representativo do homem, em busca do autoconhecimento, da iluminação, do Sagrado, etc.) que, escondido, pôs-se a contemplar encantado a bela Diana, enquanto esta se banhava nas frescas águas de um regato. O olhar da deusa, treinado pelas caçadas, pode perceber a presença do intruso, que sofreu terrível destino : com um gesto, Diana o transforma em cervo e Actéon é despedaçado e devorado pelos seus próprios cães de caça, que não mais o reconheciam.

Com o arco e as flechas recebidos de presente dos temíveis Ciclopes (gigantes de um só olho), Diana corria pelos

Diana (Ártemis)

Diana (Ártemis)

campos, entretendo-se em movimentadas caçadas, sempre acompanhada de sua matilha de cães de caça e de oitenta ninfas, que lhe faziam as vezes de damas de companhia, todas absolutamente castas como sua senhora. Regente da arte da caça, impunha normas rígidas aos caçadores. Por exemplo, a fêmea prenhe não poderia ser abatida. Quem quer que descumprisse tal lei seria rigorosamente punido.

Tendo nascido antes de seu irmão gêmeo Apolo, Diana ajudou sua mãe quando do parto dele. Por isso, era sempre invocada pelas parturientes  gregas quando do nascimento de uma criança. Além disso, Diana era chamada de Paidotróphos, que quer dizer aquela que alimenta a criança. Por tais motivos, as crianças eram suas protegidas, sobretudo as meninas, que, até os oito anos, lhes eram consagradas, sendo chamadas arktoi (= ursinhas; o urso era um animal consagrado a Diana).

Astrologicamente, a Lua representa a parcela mágica da nossa psiquê, que é capaz de se encantar com as imagens internas e externas, capazes de alimentar e educar a nossa criança interior. Com suas quatro fases distintas, dividindo o seu ciclo zodiacal (de vinte e oito dias, o mais rápido dentre todos os astros), a Lua nos convida a refletir acerca da ciclologia da nossa própria vida e de nossas emoções: ora estamos em pleno processo de inspiração e desenvolvimento, como se fôssemos a Lua Crescente; e então ficamos plenos e inflados, como a própria Lua Cheia; depois, tendemos a minguar e murchar, como a Lua Minguante; e em seguida nos sentimos renovados e prontos a iniciar um novo ciclo, como a Lua Nova.

poesia3Retratando a Poesia e, mais até do que isso, a poética dentro de nossas vidas, a Lua, considerada o astro dos namorados, nos fala, através de sua luz suave, de sutileza e encantamento. Enquanto o Sol, com sua luz forte, é símbolo da consciência, da razão, da objetividade, do masculino, a Lua é símbolo do subconsciente, da magia, da subjetividade, do feminino.

Com a ocorrência dessa Superlua, que testemunhamos neste dia 10 de Agosto de 2014, estamos sendo convidados pelo Cosmos a sentir a mágica e a poética dentro de nós, que nos animam a mirar o alvo dos sonhos que buscamos realizar, retesando o arco da Poesia para disparar a flecha encantada da Magia, em direção ao Infinito, recuperando nossa capacidade de transformar abóboras em carruagens, sapos em príncipes, pererecas em princesas, resgatando o nosso dom de voar, buscar, sonhar e de se encantar com a realidade, que sempre pode ser bela.

Uma poça d’água no meio da rua pode ser motivo de queixa para os desanimados e insensíveis. Mas, para quem quer lançar o pó de pirlimpimpim, a mesma poça pode ser o espelho encantado que reflete, no chão, o brilho iridiscente das estrelas, no céu.

E se é assim, com poesia terminemos! Afinal de contas, a Poesia é mais verdadeira do que a História. Portanto, quanto mais poético, mais verdadeiro.

E, em se tratando de Lua e consequentemente de Memória (atributo também ligado à Lua), nada melhor do que  o poema abaixo, de autoria do poeta e pensador pernambucano (e canceriano) João Luiz Martins, para estimular, nessa Lua Cheia de Câncer, o resgate da memória imagética dentro de nós.

O Baú de Mim

I

Abro silenciosamente meu baú,

Retiro de lá a fantasia do meu desejo,

E sua fragrância contida faz com que eu comungue

Aquele saudosismo espelhado em mim,

Nos velhos arlequins passados.

II

Do Arlequim tomo-lhe a audácia,

De mim refaço a alquimia do sonho:

Nesta fusão-de-calores, os amores perfazem,

Com (a) exatidão absurda de um sonho,

Todo o seu desabrochar de ilusões…

III

Com meu baú ainda aberto

Absorvo-me no devaneio de existir

Àqueles que sonham em primeiro serem reais

Para os seus eus,  mas que, por pura

Delinqüência consciente e boa,

Deixam-se levar nas águas das quimeras

Que tanto edificam os momentos felizes;

IV

E por mim tomo-me real,

Visto a máscara alegre a denunciar-me

Faço-me de odores de pierrots:

Lanço o meu brilho a vagar

Inda que seja no simples quarto onde,

Estando,

Escuta calado essa magia dos desejos…

V

Entro então no meu baú,

E caibo dentro dessa imensidão de mim que lá está,

E fico e sinto, por longo tempo,

Todo um romper daquilo que me fazia tímido

Para abrir um baú-de-sonho:

A suave impressão de que me perderia para

Poder-me achar,

Como fiz,

Pois estava dentro do baú de mim mesmo.

João Luiz Martins

Fevereiro de 1990