Arquivo mensal: outubro 2014

Sol em conjunção com Vênus

No dia 25 de Outubro, Sol e Vênus se encontraram no grau um do signo de Escorpião, de onde fazem sêxtil com Marte, convidando-nos a uma
reflexão acerca dos nossos relacionamentos e dos
papéis que neles desempenhamos.

Conta uma bela passagem da mitologia grega que Zeus, o senhor do Olimpo, discutia com sua esposa Hera (ou Juno) sobre quem tinha mais prazer no ato sexual: o homem ou a mulher.

Zeus e Hera

Zeus e Hera

Resolveram pedir ajuda a Tirésias, o sábio.

Tirésias, que é mais conhecido por sua participação no mito de Édipo, havia testemunhado, na sua juventude, à cópula de um par de serpentes encantadas e foi agraciado, por conta disso, com a possibilidade de viver como mulher durante sete anos.

Era Tirésias, portanto, a pessoa mais indicada para dirimir a pungente questão que atormentava os soberanos dos deuses e dos homens.

Tirésias, o Sábio

Tirésias, o Sábio

Trazido à presença do real casal divino e instado a expressar o seu conhecimento, Tirésias respondeu que a mulher tem mais prazer do que o homem, no ato sexual, na proporção de dez para um.

Zeus delirou de felicidade com aquela resposta, pois essa informação criava para ele um caminho para justificar as suas muitas estrepolias amorosas: “Já que a minha mulher tem dez vezes mais prazer, eu posso ter pelo menos dez amantes!”

Irritada com a resposta, Hera impõe a Tirésias um castigo terrível: cega-o para sempre.

Para os mais desavisados, essa pode ser uma história de final triste para Tirésias. Mas, no sentido simbólico e mitológico, cegueira externa significa iluminação interior! E assim, o nosso herói Tirésias, por ter harmonizado as duas polaridades (o macho e a fêmea), alcança a suprema iluminação e conhecimento da Verdade.

Ficou conhecido como o mais sábio dentre os sábios e não havia segredo que ele não desvendasse. Graças a essa sabedoria, Tirésias pode ajudar Édipo a conhecer a verdade sobre si mesmo e sobre as terríveis verdades que se escondiam em Tebas. Essas verdades, no final da história, acabaram por levar Édipo também à cegueira, mas não a cegueira do castigo auto-impingido que pretende redimir as culpas, como quis Freud, mas sim a cegueira da suprema iluminação.

O encontro, no primeiro grau do signo de Escorpião, entre Vênus e Sol, é um sinal do Cosmos para que busquemos cada vez mais essa harmonia entre as polaridades. Cono se precisássemos ativar o Tirésias dentro de nós, aquele que conhece ambas as faces do Ser.

Marte ajuda, enviando influxos positivos, lembrando-nos que, sejamos homens ou mulheres, todos temos o macho e fêmea dentro de nós. E sobretudo nos relacionamentos afetivos e no mundo profissional, onde as polaridades se acentuam, temos que ser homens que sabem ser suaves; e mulheres que sabem lutar. Sem perder o poder de se encantar e se maravilhar diante da vida e sem perder a possibilidade de realizar os nossos sonhos e metas.

Um cuidado.

Se você vivencia, neste momento, uma relação, fique atento: a conjunção entre Vênus e Sol poderá trazer à superfície o que há de mais profundo em seu relacionamento, sacudindo as estruturas para ver até que ponto elas estão bem firmadas e sólidas.

Portanto, não seja avaro de carinho, não poupe palavras gentis e gestos doces. Não permita que a dificuldade de observar as necessidades do outro venha a restringir seus sentimentos. E sobretudo espante o egoísmo que pode abalar as bases de seu afeto.

E lembre-se: qualquer crise é uma oportunidade para o fortalecimento e renovação, desde que saibamos lidar com ela.

Anúncios

O Sol entra em Escorpião

Continuando seu eterno caminhar pela roda zodiacal, o astro-rei adentra o signo de Escorpião, no próximo dia 23 de Outubro, às 8h57, dando início a um ciclo de resgate do mistério e da transformação.

 

Escorpião está associado ao mito de Órion, o gigantesco caçador, filho de Netuno, que, de tão hábil, gabava-se de matar qualquer animal que na terra vivesse. A Mãe Terra (Gea ou Gaea) não se conforma em ouvir tal desaforo e envia-lhe um enorme escorpião, desafiando o caçador a matá-lo. Órion faz pouco do bicho e, com o pé, esmaga-lhe a cabeça; esquece, porém, que é na cauda que se situa o ferrão do perigoso animal; e é exatamente esse ferrão que o escorpião, apesar de ter a cabeça arrebentada, crava na perna de Orion, inoculando-lhe o seu letal veneno. O soberbo caçador morre, padecendo de terríveis dores e será catasterizado (= transformado em constelação) no agrupamento de estrelas que leva o seu nome, a pedido da deusa Diana (= a Lua).

Um detalhe interessante do mito é que também o Escorpião foi catasterizado. E os dois contendores, mesmo depois de se transformarem em constelação, continuam inimigos: quando uma das constelações nasce, nos céus, a outra se põe. E assim, o Escorpião e Órion nunca estão visíveis no firmamento, ao mesmo tempo.

Simbolicamente, o signo de Escorpião representa esse veneno, capaz de matar (= transformar, transmutar), para fazer transcender para algo que está “mais além”. No livro O Pequeno Príncipe, de Exupèry, é o veneno de uma serpente do deserto que faz o jovem principezinho viajar de volta ao seu pequeno planeta; do mesmo modo, a borboleta “mata” a lagarta, ao transformar-se de uma para outra. Assim também o feto, dentro do útero, “morre” para renascer um ser vivo independente; assim também o adulto “mata” o jovem, quando atinge a maturidade.Viver, portanto, é sinônimo de nascer, evoluir, morrer e renascer, numa interminável seqüência, consoante os ciclos cósmicos.

Compreender Escorpião é compreender o Mistério da evolução, da regeneração e da morte; é compreender a liberação das energias necessárias à transformação. E é, sobretudo, compreender o erro sobre o qual se construiu a nossa civilização: a ilusão de que o eu é a última realidade; de que o progresso contemporâneo e finito é mais importante do que os ciclos infinitos e sutis, muito mais sutis, que se mesclam com a realidade; de que podemos acender as luzes do inconsciente sem venerar o Incognoscível; e de que a realidade superficial das coisas é mais significativa do que a ordem oculta em que ela se baseia.

E lembre-se: já que o Universo é dinâmico e eternamente em estado de metamorfose, a mudança invariavelmente acontece, quer você goste disso ou não. É melhor que as transformações aconteçam sob seu controle e sua opção. Aproveite, portanto, a estada do Sol em Escorpião para detonar as mudanças de que você necessita e que, às vezes, fica adiando, por acomodação ou mesmo por (desculpe a franqueza!) covardia.

Duas dicas.

Primeira dica:

Pode valer a pena contemplar o Escorpião e Orion, nos céus. São duas das mais belas constelações e facilmente identificáveis.

A partir do dia em que o Sol entrar em Escorpião, você poderá contemplar ambas as constelações, seguindo esse esqueminha simples:

Logo após o pôr do Sol, você poderá avistar Escorpião, na direção do poente. Lá perto, estarão o planeta Marte e a Lua.

 Orion 01

A partir das 22h30, mais ou menos, você avistará Orion, na direção do nascente e poderá acompanhar a trajetória do caçador pelos céus, até o amanhecer.

 Orion 02

Orion 03

 

Orion 04

Observe que os horários indicados são para a hora de Brasília, sem considerar o Horário de Verão.

Durante os dias que se seguirem ao dia da entrada do Sol em Escorpião, você poderá acompanhar essa mesma movimentação, em horários muito parecidos aos que estão sendo indicados.

Vale a pena! Contemplar os céus e perseguir as constelações é um exercício de infinitude e eternidade. Abastece a nossa alma e faz um contraponto à finitude terrena onde estamos aprisionados.

Segunda dica:

O eterno livro “O Pequeno Príncipe”e, de onde extraímos o conceito do veneno da transmutação, acima indicado e de onde podemos colher a pérola abaixo, grande e imorredoura lição de senso de mistério:

“O essencial é invisível aos olhos!”

Vênus em oposição a Urano

Transitando em Libra, seu signo de regência, o planeta Vênus faz oposição a Urano, indicando a possibilidade de crises e conflitos afetivos.

 

Ao ingressar no signo de Libra, o que ocorreu no dia 29 de Setembro, o planeta Vênus deu início a uma fase de equilíbrio e ponderação emocional, convidando-nos a julgar adequadamente, no que tange ao afeto e às questões relacionais.

Agora, no meio dessa fase, Vênus faz oposição com Urano, neste dia 11 de Outubro, trazendo à baila uma possibilidade de conflitos e surpresas, pois Urano tem o caráter do revolucionário, do renovador, daquele que cria e recria a realidade.

Nunca é demais lembrar o mito do nascimento de Vênus.

Conta Hesíodo que Urano (o Céu) era o soberano do Universo e sempre fecundava a sua esposa

O Nascimento de Vênus (Boticelli)

O Nascimento de Vênus (Boticelli)

Gaia (a Terra), gerando vários descendentes. Insatisfeito com os filhos, que considerava feios, porquanto excessivamente grosseiros, materiais (o Céu é incorpóreo, imaterial), Urano, assim que os rebentos nasciam, aprisionava-os novamente no ventre da mãe. Aprisionados, os filhos devotavam ao pai um ódio mortal. Até que um deles, instigado pela mãe, se prepara para combater o pai. Era Saturno, associado a Cronos, o tempo, que, armado de uma foice, ataca de surpresa e decepa a genitália do pai, quando este, em plena cópula, fecundava mais uma vez a Terra.

Castrado, perdido seu poder de fecundar, gerar e criar, Urano é exilado e Saturno sobe ao trono.

Mas o que mais nos interessa da história é o seguinte: o sangue de Urano cai sobre a Terra e faz brotar as Fúrias e os Gigantes. E o esperma de Urano cai no mar e, em contato com a espuma do mar (“aphrós”, em grego), fecunda-a e faz surgir uma belíssima concha de madrepérola, que se ergue das águas. De dentro dessa concha, nasce Aphrodite (Vênus), linda e deslumbrante.

Assim, temos que o Amor (e a beleza e a arte) é filho da última semente do Céu, sob a intervenção do Tempo. Mas se eleva acima das águas do mar (as emoções).

Nossa! Quanta sabedoria há nos mitos, não é mesmo?

Não é à-toa que Jung diz que o Mito é uma ponte para os significados mais profundos do inconsciente coletivo; e Malinowsky diz que o Mito é a pré-história da Filosofia!

Bem, o que nos diz respeito, nesse momento, é que o pai Urano e sua filha Vênus resolvem se opor, trazendo-nos essa possibilidade de recriação.

Note que a oposição Urano-Vênus se integra com o Grande Trígono entre Marte, Urano e Júpiter (sobre o qual escrevemos há alguns dias. Mais informações aqui), formando uma nova configuração chamada de pipa ou papagaio, onde Marte e Júpiter se ligam a Vênus por sêxtil (ângulo de sessenta graus). Essa configuração (ver figura) pode ser significativa de duas possibilidades:

Primeira: a de que a sabedoria e a consciência podem ajudar no nosso processo de recriação. Mais capacitados ficamos para operar as mudanças necessárias e os ajustes em nossos relacionamentos.

Ou,

Segunda: anestesiar a possível crise, escondendo os significados mais profundos que ela traz, o que impedirá o aproveitamento que uma crise (vivida conscientemente) traz.

Portanto, fique atento.

Se pintar a crise, não esconda a cabeça na areia. Encare-a de frente e procure descobrir, junto com o parceiro, o que há do outro lado dessa história. Assim, será fácil descobrir os significados e, se for o caso, redesenhar a relação, em seus papéis e em sua significância.

Schiller

Schiller

Também as nossas tendências artísticas, nossa criatividade deverá se exaltar, durante os próximos dias. Aproveitemos! Nesse sentido, é válido lembrar a ideia do dramaturgo, poeta e escritor alemão Friedrich Schiller, quando diz que “fazendo o Bem, nutrimos a planta da Humanidade; produzindo o Belo, espalhamos as sementes do que é divino”.

Para concluir, se o assunto é Vênus, nada melhor do que poesia!

Assim sendo, convocamos o poeta pernambucano Carlos Penna Filho, o “Poeta do Azul”, com o seu “Soneto do Desmantelo Azul”. E nele vemos o que é “uranizar”, dar significados à relação.

 

Então pintei de azul os meus sapatos

Por não poder de azul pintar as ruas

Depois, vesti meus gestos insensatos

E colori as minhas mãos e as tuas.

 

Para extinguir em nós o azul ausente

E aprisionar no azul as coisas gratas

Enfim nós derramamos simplesmente

Azul sobre os vestidos e as gravatas.

 

E afogados em nós nem nos lembramos

Que no excesso que havia em nosso espaço

Pudesse haver de azul também cansaço.

 

E perdidos de azul nos contemplamos

E vimos que entre nós nascia um Sul

Vertiginosamente azul. Azul.

 

Dica cinematográfica

Alguém tem que cederO excelente Alguém tem que ceder (Something’s Gotta Give, USA, 2003) dirigido por Nancy Meyers e estrelado por Jack Nicholson e Diane Keaton  (com Amanda Peat e Keanu Reeves no elenco).

Uma bela comédia romântica, engraçada, porém reflexiva, onde você vai ver direitinho como se recria o significado de amar e relacionar-se.

Grande trígono entre Marte, Júpiter e Urano

Rara, raríssima configuração envolve esses três planetas, desenhando no céu um belo triângulo azul, indicativo de grandes possibilidades de inovação, de decisão e de ação.

 

Johann Wolfgang von Goethe

Johann Wolfgang von Goethe

Segundo o grande poeta-filósofo Goethe, talvez o maior dentre os grandes nomes do pensamento e da cultura germânica, existe uma fundamental verdade, relativa a todos os atos de iniciativa e de criação, cuja ignorância destrói incontáveis idéias e magníficos planos. Podemos enunciá-la da seguinte forma: desde o momento em que uma pessoa assume um compromisso de forma definitiva, a Providência também o assume. Dessa maneira, todos os seres que existem no Universo contribuem para concretizar o que, de outra forma, jamais teria ocorrido. Equivale dizer que a maioria de nossos planos, idéias e projetos fracassam simplesmente por falta de compromisso de nossa parte.

A configuração formada por Júpiter (em Leão), Marte (em Sagitário) e Urano (em Áries) é símbolo de um significativo convite que nos faz o Cosmos para que você venha a assumir efetivamente esse compromisso: compromisso com a sua felicidade e realização; compromisso com o seu crescimento pessoal e profissional; compromisso com o seu desenvolvimento espiritual; compromisso com a felicidade e o bem-estar das pessoas a quem você ama e das pessoas que estão próximas a você; compromisso, enfim, com tudo aquilo que lhe é importante e valioso.

Essa rara configuração, chamada Grande Trígono, traz consigo poder e possibilidades de realização. Talvez por envolver os últimos signos do Zodíaco, símbolos das coisas últimas e finalísticas da vida; ou talvez por envolver, simultaneamente, os três planetas do elemento fogo; ou ainda por ativar Urano, o mais irreverente e inovador dos astros. De uma forma ou de outra, o momento é de decisão. E decisão + ação = prosperidade.

A configuração começou a formar-se no final de Setembro, atinge seu ápice no dia 05 de Outubro e perdura atéGrande Trígono aproximadamente o dia 12. Irá mobilizar nossas paixões e mais intensas emoções para aquilo que queremos, como que a nos convidar ao impulso de realizar o que idealizamos.

Ou seja, o Cosmos abre as portas para as nossas maiores possibilidades criativas e inventivas!

Aproveite!

Um lembrete de Júpiter, porém, talvez seja válido: é essencial usar a sabedoria para discernir aquilo que realmente, verdadeiramente é digno de um compromisso. Sim, pois muitas vezes empenhamos nossas energias e nossos esforços em idéias ou projetos que não possuem outra função a não ser a satisfação momentânea de nosso ego ou de nossa auto-imagem egóica.

É importantíssimo, portanto, que, diante de uma ideia ou projeto, você sempre se pergunte: “Para quê desejo isto?” Essa pergunta irá fazer você refletir nos motivos que estão levando você à frente. Quando se der a resposta, pergunte-se novamente: “E para quê desejo também isso?” E, diante de cada resposta que você se der, continue perguntando-se: “Para quê?”, “Para quê?”, “Para quê?” até que você chegue à intenção da intenção ou à intenção final, ou seja, a um grande e excelente motivo para que você entre em ação. Isso permitirá a você discernir, com sabedoria, o sentido de suas ações e, seguramente, irá deixá-lo mais motivado para alcançar seus (verdadeiros) objetivos, assim como desistir ou descartar aqueles que não valem a pena.

Mas, lembre-se: a felicidade ou seus objetivos ou seus projetos não caem do céu. É preciso agir! A fortuna depende da ação e sorri aos que ousam.Portanto, depois de assumir o compromisso com esse objetivo, trace um plano de ação e vá à luta!!! Sim, pois lutar pelos seus objetivos e pela sua felicidade é uma das melhores formas de contribuir para a grande obra da Criação.

Lute e lute bem. Pela sua Vitória. Se não pela Vitória, pelo Amor, que sempre movimentou e movimentará o Sol e as demais estrelas. Se não pelo Amor, para a maior glória de Deus.

Dica Cinematográfica

O filme Homens de Honra (Men Of Honor – USA, 2001), dirigido por George Tillman Jr, estrelado por Cuba Gooding Jr, Robert de Niro e Charlize Theron, onde você vai conhecer a história (verdadeira!) de Carl Brashear, o primeiro mergulhador negro da marinha americana. Um homem que tinha algo a realizar. E soube criar uma visão e pagar o preço para edificá-la.Homens de Honra

E que preço!

Vale a lição!

Detalhe 1: Carl Brashear tem em seu mapa astrológico uma forte configuração envolvendo os planetas Urano e Júpiter, além de Saturno.

Além de harmonizar o fatores de expansão com os de contração, ainda precisou fazer uma revolução, vencer desafios que geraram uma reinvenção da realidade, para alcançar o que estabeleceu para si.

Detalhe 2: Cuba Gooding Jr, o ator que viveu o papel no cinema, tem em seu mapa astrológico o Sol em posição de ativação dessa configuração do mapa de Brashear. Talvez por isso o papel tenha lhe servido tão bem.