Arquivo mensal: fevereiro 2015

O Sol entra no signo de Peixes

Dando continuidade ao seu eterno caminhar pela roda do Zodíaco, o Sol adentra o signo de Peixes, iniciando uma fase de
contemplatividade e busca espiritual.

Terceiro signo do elemento água, do ritmo mutável, o último signo do Zodíaco, Peixes representa o final de um ciclo, o momento em que, ao fim de uma jornada, alcançamos o resultado esperado e quedamos a contemplar a Obra da criação.Pisces

Mitologicamente, o signo de Peixes está associado aos dois delfins que, penalizados com o sofrimento de Netuno, o deus dos mares, ajudaram-no a conquistar a bela Amphritite, filha do titã Oceano. Os dois dedicados animais cruzaram os sete mares, vencendo a fome, os perigos e o cansaço, até conseguirem trazer Amphritite para os braços do amado.

Agradecido pelo sacrifício feito pelos delfins, Netuno houve por bem premiá-los, imortalizando-os nos céus, como um exemplo de doação e altruísmo, transformando-os na constelação de Pisces (os Peixes).

Trata-se de uma bela constelação, de visualização difícil, dividida em duas constelações menores, o Peixe Austral e o Peixe Boreal, unidas por uma estrela chamada Al Rischa, que, em árabe, significa o nó.

PiscesArquetipicamente, Peixes está associado ao Mar, o Grande Mar, berço de toda a Vida, de onde a Vida vem e para onde a Vida retornará.

Como gotinhas no caudal de um rio, vamos trilhando o curso que nos leva a esse Grande Mar. E quando lá chegamos, deixamos de ser gotinhas para, dissolvendo-nos no Oceano, confundirmo-nos com ele.

A entrada do Sol no signo de Peixes, neste dia 18 de Fevereiro de 2015, nos convoca, portanto, para observarmos a Vida e natureza com os olhos do contemplador, a fim de preparar-nos para a grande aventura que se começará quando o Sol entrar em Áries, o Iniciador. E nos convida a uma maior e mais efetiva busca espiritual, lembrando-nos que o eu não é a última instância do real; e que a realidade superficial das coisas é muito menos importante do que a Ordem superior em que ela se baseia.

Importante lembrar que, logo após a sua entrada em Peixes, o Sol faz conjunção com o planeta Netuno, regente do signo de Peixes, num encontro que propiciará multiplicar, em nossa alma, os fatores de percepção ampliada da realidade.

Isso nos traz uma outra possibilidade: a de tomarmos consciência do significado transcendente das coisas que nos cercam.

A esse respeito, conta-se uma linda história sobre uma aventura vivida pelo grande poeta Olavo Bilac.

Conta-se que o dono de um pequeno estabelecimento comercial, amigo do poeta, abordou-o na rua, dizendo:

“Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o Senhor conhece muito bem. olavo_bilacSerá que o Senhor poderia ajudar-me a redigir o anúncio?”

Bilac pegou o papel e escreveu:

“Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeirão. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranqüila das tardes na varanda”.

Meses depois, o poeta encontra novamente o homem e pergunta-lhe se já havia vendido o sítio.

“Desisti dessa ideia”, respondeu o homem. “Depois que li o anúncio que o Senhor redigiu, é que percebi o grande tesouro que tinha”.

Assim como o personagem dessa história, às vezes ficamos apartados de uma visão mais profunda e ampla da realidade que nos cerca. E perdemos muitas oportunidades por isso. Com a conjunção entre o Sol e Netuno, em Peixes, talvez possamos ter mais clareza acerca daquilo que, verdadeiramente, importa. E nos conduzir a mais perto de Deus.

Nossos parabéns e votos de uma feliz celebração de aniversário
a todos os piscianos.

 

Dica cinematográfica

O filme Irmão Sol, Irmã Lua (Fratello Sole, Sorella Luna, Itália/Reino Unido, fratello_sole_sorella_luna_1971_vhs-it1972), dirigido por Franco Zefirelli.

Um belo filme, onde você vai conhecer a história de um homem que sabia direitinho o que era mais importante e tinha uma visão claríssima do nosso papel no Universo e do trabalho que devemos realizar em prol de nossos irmãos. E inspirou e continua inspirando milhões de pessoas até hoje.

O nome desse homem: Giovanni di Pietro di Bernardone. Mais conhecido com São Francisco de Assis.

Franco Zefirelli

Franco Zefirelli

Detalhe: o diretor Franco Zefirelli tem, no seu mapa natal astrológico, o planeta Urano no signo de Peixes, recebendo excelentes influxos de Plutão e Júpiter. Talvez por isso tenha sabido usar tão bem uma arte pisciana por natureza (o cinema) para retratar uma personalidade tão lindamente pisciana como a de Francisco.

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Lua em quadratura com Vênus

Ângulo duro entre esses dois astros, indicando um conflito entre nossa dimensão sonhadora e nossa dimensão sensual.

Talvez você já tenha ouvido falar da história que conta o famoso triângulo amoroso entre o Arlequim, o Pierrot e a Colombina. Essa bela e clássica história foi imortalizada através do famoso poema “As Máscaras”, de Menotti del Picchia.

A bela Colombina

Conta essa linda história que o Arlequim e o Pierrot se apaixonaram, sem o saber, pela mesma mulher, uma linda e loira Colombina, sedutora e romântica. Puseram-se a contar, um ao outro, as venturas e desventuras de seus respectivos amores. O Arlequim, ousado e sensual, falava do ardente beijo que, uma noite, por entre rubras tulipas e brancos lírios, trocara com a misteriosa Colombina, que desaparecera logo após, deixando atrás de si um rastro de volúpia.

Já o Pierrot, melancólico e sonhador, contou ao Arlequim do olhar profundo e apaixonado, silencioso e sutil, que arrancara suspiros de sua Colombina, em um banco de jardim. E ambos se queixavam do destino, que lhes afastara de suas amadas, sem que nunca mais as vissem.

Nem sequer desconfiavam que falavam da mesma mulher…

A Colombina, por sua vez, tinha o seu coração dividido: seu corpo ansiava pelo toque ousado e quente do Arlequim; sua alma sonhava como o olhar meigo e triste do Pierrot. Lamentava não ver reunidas, em um só ser, a sensualidade das carícias de um e a profundidade do olhar do outro.

Quando finalmente os três se encontram, num fatal acaso, e fica desnudada toda a inebriante trama, a Colombina se diz apaixonada por ambos e declara que encontraria a paz se pudesse ofertar ao Arlequim o seu corpo e ao Pierrot a sua alma.

Pierrot

Essa fascinante história ocorre constantemente, no carnaval de nossas almas. O nosso Arlequim interior, que nos liga à terra, ao prazer e à beleza, nos convoca à concretude e ao  pé-no-chão; por sua vez, o nosso Pierrot interior, que nos liga ao Céu, à magia e ao encantamento, nos chama ao sonho e à poesia.

E sabemos que nem sempre os dois se entendem lá muito bem, não é verdade?

Neste Sábado de Carnaval, teremos um momento em que os dois personagens interiores poderão estar mais em evidência. Vênus (que podemos associar ao nosso Arlequim interior) e Lua (que podemos relacionar ao nosso lado Pierrot) se colocam em posição de noventa graus entre si, gerando uma crise: o terra-a-terra do Arlequim e o sonho do Pierrot se conflitam, o que se complica ainda mais pela presença de Marte junto a Vênus.  O Cosmos nos convida, portanto, a fazer trabalhar em conjunto esses dois pedaços de nossa alma, a fim de aproveitar o melhor de cada um.

Os destemperos emocionais, porém, colocarão em teste essa harmonia, fazendo aflorar em nós as partes mais obscuras de ambos os personagens.

Arlequim

Fique atento, portanto.

Realize, mas com o coração e os olhos voltados para o seu sonho; sonhe, mas com as mãos voltadas para a realização desse sonho. E assim, seu Arlequim e seu Pierrot estarão em paz.

De quebra, um trecho do poema Máscaras do Céu e da Terra, os versos de um desconhecido poeta pernambucano, que bem retratam esse conceito:

 

( … )

Como Deus e o Diabo em meu peito,

Sinto a presença de Pierrot e Arlequim

Um chama ao Céu e o outro chama à Terra

Duelando por você dentro de mim.

 

Meu Arlequim dentro de mim é só desejo

Meu Pierrot a tua luz quer contemplar

No carnaval das emoções em que eu me vejo

Como fazer para esses dois apaziguar?

 

Mas, nos astros descobri esse segredo

Que permitiu a mais completa alquimia

E foi assim que conquistei teu coração

Me colorindo das cores da alegria

 

Pois, minha linda Colombina, te ofereço,

Unificados pelos fluidos do Amor,

A volúpia do meu beijo de Arlequim

E a magia de meu olhar de Pierrot.

 

P.S.:

Este poema é uma breve rapsódia sobre a famosa obra poética de Menotti del Picchia, citada acima, no artigo. E retrata esse eterno e fascinante triângulo amoroso que acontece, no cenário que é a nossa alma e o Carnaval que lá se desenrola.

Se você quiser conhecer todo o poema Máscaras do Céu e da Terra, clique no link abaixo:

As Máscaras do Céu e da Terra