Arquivo mensal: junho 2015

Vênus em conjunção com Júpiter

 

Aos vinte e um graus do signo de Leão, encontram-se Vênus e Júpiter, indicando expansão da afetividade.

Conta uma das mais belas páginas da mitografia grega que o poderoso Júpiter, pai dos deuses e dos homens, soberano do Olimpo, passeava pela Terra, acompanhado de seu filho e mensageiro, o solerte Mercúrio.

Disfarçados, caminhavam por um vale habitado por diversas famílias de agricultores e pediram pousada em uma dessas casas.

Irritado, o fazendeiro alegou não ter alimento suficiente para receber nenhum viajante e mandou embora os peregrinos. Em outra casa, a dona disse não ter acomodações; e a cada casa em que chegavam, novo pedido e nova recusa. Furioso, Júpiter já pensava em punir toda aquela gente, por negar-se a prestar o sagrado serviço da acolhida e da hospitalidade, prática, aliás, determinada por ele próprio aos deuses e aos homens (por isso mesmo, Júpiter tinha o epíteto de Xenios, o “protetor dos estrangeiros”).

Na última das casas, tiveram sorte diferente: foram recebidos pelo velho Filemo e sua Esposa Báucis, um empobrecido casal, já no fim da vida, que abrem as portas para o que acreditavam ser viajantes em busca de pouso por uma noite.

Júpiter e Mercúrio em casa de Filêmon e BáucisAconchegados diante da lareira, Júpiter e Mercúrio observam Filemo colocar pétalas de rosas na água, para que os visitantes possam se lavar, enquanto Báucis tira-lhes as pesadas botas de viagem. Depois disso, os dois idosos desdobraram-se em preparar, com os parcos mantimentos de que dispõem, uma refeição decente para os viajantes, composta de figos e uvas secas, queijo e pão de cevada. Insatisfeito com a pobreza da refeição, Filemo, com um cutelo na mão, põe-se a perseguir o único pato da propriedade, uma velha ave que servia de vigia, a fim de levá-lo para a panela. Mercúrio ria-se com as infrutíferas tentativas do velho que, mal podendo andar, tropeçava e claudicava atrás do pato. Este, percebendo o perigo, esconde-se entre as pernas de Júpiter. O poderoso deus declara que o pato está sob sua proteção e deve ser poupado.

Após a refeição, Báucis prepara a cama para os viajantes, com palha fresca e lençóis de tecido velho e grosseiro, porém limpos.

Na manhã seguinte, Júpiter e Mercúrio revelam suas verdadeiras identidades e dizem que, como prêmio por sua caridosa hospitalidade para dois desconhecidos, Filemo e Báucis podem pedir qualquer coisa que desejarem. O velho casal se entreolha e pede apenas a graça de não sobreviver um ao outro: quando um deles morrer, que o outro o acompanhe imediatamente.

Profundamente tocado por aquela prova de amor conjugal, Júpiter sente saudades de sua esposa Hera e retorna com Mercúrio ao Olimpo, após abençoar o casal. Naquele instante, uma terrível inundação se abate sobre o vale, que fica inteiramente submerso, com exceção da propriedade de Filemo e Báucis. Sua casa se transforma num luxuoso templo em honra a Júpiter Xenios e eles são alçados à condição de sacerdote e sacerdotisa daquele templo.

Filemo e Báucis viveram ainda muitos anos em plena felicidade, chegando a uma idade avançadíssima, que mortal algum jamais alcançou.

Um dia, percebendo que havia chegado o momento, caminharam para a frente do templo, trocaram as últimas palavras e olhares, deram-se as mãos e prepararam-se para a última viagem. E sentiram, um no outro, a estranha transformação: uma grossa casca tomou o lugar da pele, o corpo de avolumou, os cabelos encanecidos se transformaram em lindas folhas verdes… Haviam se transformado em duas árvores, dois exuberantes loureiros, cujas ramagens se entrelaçam.

E dizem que até hoje, entre as ruínas do templo, os dois loureiros permanecemHugging Trees abraçados, um testemunho vivo de amor profundo e verdadeiro.

O grande trígono que estará nos céus nessa semana é um indicativo de um momento particularmente propício aos processos de aprofundamento e expansão dos relacionamentos.

Ótimo momento, portanto, para aquela conversa séria, para aquele grande projeto a dois, para o estabelecimento de grandes parcerias, pois as sementes lançadas ao solo neste momento terão as possibilidades de expansão e profundidade, a longo prazo.

Aproveite o momento. Reflita que, muito mais do que simplesmente romantismo, o amor é feito de companheirismo, cumplicidade e, claro, sacrifícios. Aliás, o amor se mede, sobretudo pelos sacrifícios.

O momento favorece a maturidade, a sensibilidade e generosidade para com o outro.

Uma sugestão.

Se você vivencia, neste momento, uma relação, fique atento: esse lindo encontro entre Vênus e Júpiter é na verdade um grande convite a que vivenciemos com toda a intensidade a beleza de momentos mágicos, encantados. Toda relação deve ser encarada com seriedade e objetividade. Mas deve haver o momento para o sonho e o encanto.

Bem, este é um momento para encanto.

Mais: como os astros envolvidos são os considerados os mais facilitadores e “benéficos” do Zodíaco, podemos imaginar que essa conjunção tem impactos positivos para todos nós.

O evento ocorre aos vinte e um graus de Leão. Se você já tem o seu Mapa Natal, observe em que Casa Astrológica ocorre a conjunção entre Vênus e Júpiter. E você saberá em que área da vida pode esperar esse impacto positivo.

Uma dica.

Nos próximos dias, olhe para o poente, ao crepúsculo. E você vai ver a gradativa aproximação desses dois planetas, até o abraço exato, no dia 01 de Julho. Podemos nos preparar para contemplá-lo e, assim, abastecer a nossa alma com uma parcela dessa infinitude.

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O Sol entra em Câncer – Solstício de Inverno

Em sua trajetória zodiacal, o luminoso astro do dia adentra o signo de Câncer, dando início a um ciclo de recolhimento e introspecção, de resgate da memória.

A entrada do Sol em Câncer, neste dia 21 de Junho, às 13h38, hora de Brasília, estabelece o Solstício de Inverno para o Hemisfério Sul, marco inicial da estação invernal, que se estenderá até o Equinócio de Primavera, que ocorrerá em 23 de Setembro, com a entrada do Sol em Libra.

Primeiro signo do elemento água, segundo signo cardinal, Câncer está associado ao ponto cardeal norte, simbolicamente vinculado ao útero e à caverna, ambientes de transmutação alquímica. Em hebraico, a palavra “saphon”, que significa “norte”, possui também a acepção de “oculto”, “nebuloso” e Câncer está também associado à meia-noite, onde há ausência total de luz.

Mitologicamente, esse signo está associado à aventura do herói Hércules, quando teve de enfrentar a Hidra de Lerna, peçonhento monstro de nove cabeças que, se cortadas, faziam brotar duas em lugar de cada uma. Assim são as nossas emoções: se não forem bem resolvidas, sempre voltam com intensidade dobrada! A enorme serpente possuía ainda um hálito mortal que empestava o ambiente, envenenando homens e animais. Ajudado por seu sobrinho Iolau, o herói consegue destruir a fera, em uma batalha cheia de peripécias. Em meio à luta, antevendo a vitória do herói, a cruel Hera, esposa de Júpiter, faz surgir um enorme caranguejo, que aplica violenta pinçada no tornozelo de Hércules.

Apesar da dor, o herói destrói o bicho com uma impiedosa pisada, quebrando-o em mil pedaços. Reconstituído, o caranguejo é colocado no céu por Hera, na constelação de Câncer (Caranguejo). Também a monstruosa Hidra se transforma numa constelação.

A entrada do Sol em Câncer é um convite a um recolhimento, que nos faz olhar para o passado e, através do quebra-cabeças da Memória, reconstituir o conhecimento. Há uma “mordida” que nos desperta, justamente do caranguejo: é a memória, que nos ajuda a resgatar a Sabedoria Primordial.

Durante a estada do Sol no signo de Câncer, somos convidados a uma maior interiorização, como o caranguejo, que sempre vive recolhido à sua carapaça.

Aproveite a fase para recolher-se um pouco, mergulhar em seu útero, para, vencendo as emoções inferiores, transmutar-se num ser cada vez melhor, mais útil ao próximo, mais em comunhão com o Cosmos.

Hércules vivido nas telas por Steeve Reeves

Hércules vivido nas telas por Steeve Reeves

Um detalhe.

Hércules tinha a obrigação de cumprir dez trabalhos e não doze. Acabaram sendo doze no total pelo fato de que dois deles foram anulados, o que obrigou o herói a compensá-los. E um dos que foram anulados foi exatamente esse, da Hidra de Lerna.

E sabe por qual motivo?

Ao perceber que as cabeças da Hidra se duplicavam, quando eram cortadas, Hércules teve a ideia de cauterizar as feridas. E assim fez, usando um enorme tronco em brasa. Acontece que, para isso, contou com a ajuda de seu sobrinho Iolau, o que invalidou o trabalho.

Assim também com nossas emoções: essa é uma fera que você tem que encarar sozinho. Um bom amigo ou mesmo um terapeuta até podem ajudar, ouvir e se solidarizar. Mas é cada um de nós e mais ninguém o responsável por vencer esse nosso monstro interior.

Outro detalhe.

Na hora exata do Solstício, o Sol está em sêxtil (ângulo de sessenta graus) com a Lua. Uma configuração bastante auspiciosa, se considerarmos que a a Lua, regente do signo de Câncer, é quem comanda os processos de interiorização e ilumina a alma, acendendo a luz interior.

O Inverno começa com um toque poético, uma leve tom de gostosa melancolia, capaz de capaz de estimular o encantamento com o qual nos nutrimos e que deverá se estender por toda a estação.

É… Esse Inverno promete…

O nosso abraço de parabéns a todos os cancerianos, esses seres magníficos que, mais do qualquer outro, sabem viver as suas emoções.

E a todos os nosso amigos e leitores, um Feliz Inverno!!!

Vênus entra no signo de Leão

Continuando o seu passeio pelo Círculo da Vida (o Zodíaco), o planeta Vênus entra, neste dia 05 de Junho, no signo de Leão, convidando-nos a reflexões acerca do
amor e dos relacionamentos.

Normalmente se associa simbolicamente o signo de Leão a conceitos que tenham relação com individualidade, centralização ou mesmo autoridade. Porém, regido pelo Sol, o signo de Leão pode (e deve!) ser também associado aos processos de conscientização e visão ampliada. Ou seja, quando um planeta entra em Leão, fica iluminado pela potente luz leonina e ganha um tipo de valorização que nenhum outro signo oferece, possibilitando reflexões e conscientização acerca daquele conceito que esse planeta representa.

Com o planeta Vênus não poderia ser diferente.

Ao entrar em Leão, Vênus ganha a possibilidade de trazer às pessoas mais consciência e clareza, no que diz respeito às questões afetivas e emocionais.

É hora, portanto, de parar e refletir sobre os princípios e pressupostos sob que baseamos nossos comportamentos afetivos e nossas reações às pessoas que amamos.

Sob essa ótica, há o excelente livro O bem, o mal e mais além, de autoria do psicoterapeuta brasileiro

Flávio Gikovate

Flávio Gikovate

Flávio Gikovate, um dos maiores e mais importantes pesquisadores do comportamento afetivo e sexual.

Nesse livro, o Dr. Gikovate nos explica que uma boa parte dos pares afetivos é constituída de opostos, um generoso e um egoísta que, ao menos aparentemente, se completam. Porém, é óbvio que um relacionamento calcado em tal antagonismo não pode funcionar bem e, a longo prazo tende a se deteriorar.

Normalmente, a coisa funciona assim: o egoísta é mais estourado, por vezes ciumento, agressivo e exigente. Não tolera frustrações nem solidão. O generoso, por sua vez é dócil e aceita tudo do egoísta, nunca reage e não consegue dizer não.

É importante que se esclareça que o generoso não é o “representante do bem”. Seu comportamento é tão doentio quanto o do egoísta. Provavelmente, age motivado por um dos mais paralisantes e desagregadores sentimentos humanos: a culpa.

E o que é pior: o generoso acaba se sentindo envaidecido e superior, por ser tão “nobre”, a ponto de suportar tudo o que o egoísta faz ou exige. Pode ficar irritado e chateado, mas se sente superior.

Ou seja, o egoísta precisa do generoso para dar vazão às suas frustrações não satisfeitas. E o generoso precisa do egoísta para dar vazão ao seu sentimento de culpa.

Há um clima de inveja recíproca, que explica essa estranha atração: o egoísta inveja o generoso, pois sente que ele tem mais a dar, é mais rico, é um ser humano melhor. O generoso inveja o egoísta, pois ele sabe dizer “não” sem medos ou culpas, faz coisas ótimas para si mesmo.

Dessa forma, o generoso estimula o comportamento do egoísta e vice-versa, num lamentável círculo vicioso que se traduz em uma verdadeira armadilha emocional, capaz de arrastá-los por uma vida de insatisfações.

Terrível, não?

Ambos temem a mudança, pois ambos temem a possibilidade de deixarem de ser admirados e amados: o generoso dá cada vez mais, com a idéia de que vai (Tadinho…!) satisfazer o outro. E o egoísta cada vez exige mais, não se satisfazendo nunca. Resultado: os parceiros vão se afastando e distanciando, reforçando as diferenças antagônicas, até que não haverá outra possibilidade senão a ruptura definitiva.

terapia-de-casal-_-amor-_-relacionamento-335x200Observe um detalhe: tanto o egoísta quanto o generoso podem se apresentar para o mundo como estando muito bem, obrigado. De forma que esses comportamentos, acima descritos, podem ser mascarados e disfarçados. E, é claro, estamos falando de comportamentos e atitudes inconscientes.

Portanto, com a entrada de Vênus em Leão, é uma boa hora para que você busque um autodiagnóstico. Você se orgulha em dar mais do que receber, em seu relacionamento? Tem dificuldade de dizer não? Sente-se nobre e superior, por sua paciência e virtude? Bem, talvez você esteja mesmo encarnando o arquétipo do generoso.  Por outro lado, se você não tolera nenhum tipo de frustração ou crítica, é impaciente e exigente, talvez esteja vestindo a roupa do egoísta. E, pode apostar, o seu parceiro, no outro lado da relação, apresentará o comportamento do arquétipo oposto.

E a tendência de uma relação desse tipo não é das melhores, como vimos acima.

Mas há solução: devemos buscar o arquétipo do justo.

Segundo o Dr. Gikovate, o justo é alguém que “não quer se vangloriar e se destacar por ser melhor dando mais do que recebe, nem receber mais do que dá. Quer uma troca equilibrada. Não inveja o oposto, fica contente com o próprio jeito de ser e passa a valorizar as pessoas parecidas, estabelecendo relações afetivas de qualidade. O generoso aprende a dizer `não´ aos pedidos indevidos e deixa de ser objeto de chantagem, conquistando auto-estima e liberdade pessoal. O egoísta, por sua vez, sem o generoso por perto, também poderá progredir e amadurecer.”

Do ponto de vista do simbolismo astrológico, essa verdade é perfeitamente verificável.

É o próprio signo de Leão, regido pelo Sol e que rege o individualismo (e o egoísmo, quando em excesso). O próximo signo do elemento fogo, Sagitário, regido por Júpiter, rege o altruísmo (e doentia generosidade, quando em excesso). Note que o signo que está na posição zodiacal eqüidistante entre Leão e Sagitário é o signo de Libra, o signo do equilíbrio e, conseqüentemente, do justo.

Entre Leão e Libra está o signo de Virgem. Podemos dizer que o caminho do egoísta ao justo passa pela purificação dos excessos e pela autocrítica sadia.

Já entre Sagitário e Libra está o signo de Escorpião, o que nos autoriza a dizer que o caminho do generoso ao justo passa pela morte (transformação) dos ranços emocionais e culpas.

O caminho para essa mudança pode ser longo e penoso. Ou rápido e fácil. Mas certamente começa com a consciência.

E não há outra saída a não ser trilhar esse caminho, se quisermos pessoas mais justas, relacionamentos mais justos e, conseqüentemente, uma sociedade mais justa.

Nossos parabéns ao Dr. Gikovate, pela sua lucidez e sabedoria. E a todos os nossos leitores a sugestão de que leiam o livro.

E, neste Junho dos namorados, a esperança de que a Vênus transitando em Leão possa nos trazer a oportunidade para conscientizar e mudar.