Arquivo mensal: outubro 2015

O Sol entra no signo de Escorpião

  Neste dia 24 de Outubro de 2015, o Sol entra no signo de Escorpião, inaugurando um ciclo de transmutação e regeneração.

O signo de  Escorpião está associado ao mito de Orion, um gigantesco caçador, filho de Netuno, que, de tão hábil, gabava-se de matar qualquer animal que na terra vivesse. A Mãe Terra (Gea ou Gaea) não se conforma em ouvir tal desaforo e envia-lhe um enorme escorpião, desafiando o caçador a matá-lo. Orion faz pouco do bicho e, com o pé, esmaga-lhe a cabeça; esquece, porém, que é na cauda que se situa o ferrão do perigoso animal; e é exatamente esse ferrão que o escorpião, apesar de ter a cabeça arrebentada, crava na perna de Orion, inoculando-lhe o seu letal veneno.

 

scorpioO soberbo caçador morre, padecendo de terríveis dores e será catasterizado (= “transformado em constelação”), formando o agrupamento de estrelas que leva o seu nome, a pedido da deusa Diana (= a Lua).

Simbolicamente, o signo de Escorpião representa esse veneno, capaz de matar (= transformar, transmutar), para fazer transcender para algo que está “mais além”.No livro O Pequeno Príncipe, de Exupèry, é o veneno de uma serpente do deserto que faz o jovem principezinho viajar de volta ao seu pequeno planeta; do mesmo modo, a borboleta “mata” a lagarta, ao transformar-se de uma para outra. Assim também o feto, dentro do útero, “morre” para renascer um ser vivo independente; assim também o adulto “mata” o jovem, quando atinge a maturidade

Viver, portanto, é sinônimo de nascer, evoluir, morrer e renascer, numa interminável seqüência, consoante os ciclos cósmicos.

Compreender Escorpião é compreender o Mistério da evolução, da regeneração e da morte; é compreender a liberação das energias necessárias à transformação.

E é, sobretudo, compreender o erro sobre o qual se construiu a nossa civilização: a ilusão de que o eu é a última realidade; de que o progresso contemporâneo e finito é mais importante do que os ciclos infinitos e sutis, muito mais sutis, que se mesclam com a realidade; de que podemos acender as luzes do inconsciente sem venerar o Incognoscível; e de que a realidade superficial das coisas é mais significativa do que a ordem oculta em que ela se baseia.

E lembre-se: já que o Universo é dinâmico e eternamente em estado de metamorfose, a mudança invariavelmente acontece, quer você goste disso ou não. É melhor que as transformações aconteçam sob seu controle e sua opção.

Shirley ValentineAproveite, portanto, a estada do Sol em Escorpião para detonar as mudanças de que você necessita e que, às vezes, fica adiando, por acomodação ou mesmo por (desculpe a franqueza!) covardia.


Dica cinematográfica
: o filme Shirley Valentine (Shirley Valentine, USA/Reino Unido, 1989), dirigido por  Lewis Gilbert e estrelado por Paulline Collins. Você vai conhecer a bela e improvável história de uma dona de casa que, após uma profunda conversa com as paredes de sua casa (??!!!?!) foi capaz de matar o que já estava morto.

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O Sol em quadratura com Plutão

Inquietante crise entre estes dois planos da alma, indicando momentos de desafiadora tensão, tanto interna quanto externa.

“Luz e sombra são nossas irmãs. Devemos aprender as lições de uma e os ensinamentos de outra.”

leonardo-boff-2013Esse pensamento do teólogo Leonardo Boff retrata bem o conceito da quadratura entre Sol e Plutão: o Sol, o radioso astro do dia, representa o nosso lado mais luminoso, lúcido, alegre. Já o planeta Plutão, representa a parcela de nossa alma mais obscura, sombria, infernal (e não adianta negar que cada um de nós tem essa parte em sua alma, não é mesmo?).

A quadratura entre esses dois planos da alma fica exata neste dia 06 de Outubro e indica um momento em que o mais conflituoso e paradoxal dos seres vivos, o homem, vive uma crise que põe, de um lado, o que se deve ocultar e de outro, o que se deve revelar. Sob este aspecto, lembre-se: há segredos que merecem ser desvelados e há segredos que merecem ser velados.

Por outro lado, fique atento: a quadratura entre o Sol e Plutão poderá indicar, inclusive a revelação de certos sentimentos desagregadores, muito profundos e até mesmo muito assustadores, pois, ao aflorar à superfície, podem traduzir mágoas antigas ou medos ancestrais, frutos de velhas feridas de caráter emocional.

joaquim_nabucoMas lembre-se de que, como dizia Joaquim Nabuco, as almas mais ricas não são aquelas onde há mais sementes de coisas por nascer, mas sim aquelas onde há maiores resquícios de coisas mortas.

Na realidade, são apenas alguns fantasmas que podem ressurgir das sombras (suas sombras, lembre-se) para assustar você um pouco. E, como dizia Virgínia Woolf, às vezes é mais difícil matar um fantasma do que uma realidade. Portanto, se você for assaltado por sentimentos estranhos, de caráter destrutivo ou desagregador, procure mergulhar um pouco mais fundo na origem ou no significado deles, a fim de exorcizar as suas famigeradas assombrações. Sobretudo no campo afetivo, onde a razão é, via de regra, escanteada,  esse caso se complica ainda mais, podendo desencadear processos dolorosos e destruidores.

Por outro lado, o momento se torna bastante propício para a investigação de tais sentimentos, de suas raízes emocionais.

Então, se algum de seus demoninhos resolver dar o ar de sua graça, passeando aqui pela superfície, aproveite para dar-lhe uma bela rasteira, amarre bem o danado e não o deixe escapar.

Aí você poderá conhecê-lo e, conseqüentemente, controlá-lo, reintegrando-o à Psiquê consciente. 

Dica Cinematográfica

E por falar em Virgínia Woolf, a nossa dica é o filme As Horas (The Hours, 000B1B34-CA95-1E4C-A3B180C328EC0000USA, 2002), dirigido por Stephen Daldry e estrelado por um super elenco: Nicole Kidman (na foto ao lado, em cena do filme, no papel de Virgínia Woolf), Julianne Moore, Merryl Streep e Ed Harris. Trata-se de um drama psicológico de primeira linha, baseado no livro homônimo de Michael Cunningham.

Você vai conhecer as histórias de três mulheres que, em três momentos diferentes da História, lutam, cada uma à sua maneira, para equacionar e equilibrar a luz e as trevas dentro de si.