Arquivo mensal: novembro 2015

Saturno em quadratura com Netuno

No dia 26 de Novembro deste 2015, os planetas Saturno (no signo de Sagitário) e Netuno (no signo de Peixes) se posicionaram a noventa graus de distância (quadratura), indicando forte crise entre a
razão e a fé, a construção e o sonho.

 

Existe, em Astrologia, um pressuposto que diz que um evento celeste é impactante na medida direta em que é raro. Ou seja, quanto mais raro o evento, mais impacto ele nos causa.

NeptuneEstamos vivendo hoje um evento raro, que só costuma acontecer, em média, a cada quinze ou vinte anos: a quadratura Saturno – Netuno.

E, sendo assim, quais os impactos de semelhante configuração celeste sobre nós?

Netuno tem inclinação para o espiritual e o místico e facilmente nos deixa levar por vôos da imaginação; Saturno tem seus pés bem fincados no chão, nos domínios da praticidade e do bom senso. Netuno dissolve nossa separatividade e nos torna conscientes de nosso lado universal e sem fronteiras; Saturno define nossa individualidade: onde terminamos e onde os outros começam.

Essas duas energias, obviamente, não são duas grandes amigas.

Ao se colocarem em quadratura, no Céu, Saturno e Netuno vão indicar o conflito, dentro de nós, entre essas duas partes de nossa alma. De um lado, a precisão analítica, o cientificismo, o pragmatismo; de outro, a inspiração idealística, a fé, a entrega.

Enquanto Saturno, com sua natureza edificadora e restritora, representa o princípioSaturn da realidade, Netuno representa o princípio da fé e do idealismo. E esse talvez seja o grande conflito que temos enfrentado, ao longo de 2015 e deveremos continuar enfrentando, ao longo de 2016: o conflito entre aquilo que sonhamos e aquilo que podemos realizar. Nossa fé, mais que tudo, poderá também ser testada, assim como nossa capacidade de abdicar, de auto-restringir-se e, a partir daí, estabelecer um maior contato com a realidade. A quadratura entre Saturno e Netuno nos ensinará (não necessariamente de maneira fácil) que é melhor uma construção pequena, modesta, mas sólida do que uma construção monumental, repousada sobre pés de barro.

O conflito entre a razão e a fé, tão antigo quanto o surgimento do pensamento racional, ganha novos campos de batalha. A esse respeito nos chama a atenção, por exemplo, a recente divulgação  de um pergaminho do Século II de nossa era, que está sendo chamado de “O Evangelho de Judas”. Esse documento faz significativas revelações, que poderão trazer novas fórmulas de se ver o Cristo e o Cristianismo.

Enquanto o Vaticano prefere o silêncio, fiéis cristãos, cientistas, pesquisadores e até ateus do mundo inteiro se debruçam sobre a revelação de que Judas não apenas não traiu Jesus como pode ter sido o seu mais importante apóstolo.

Em paralelo, uma equipe de cientistas da Universidade da Flórida, liderados pelo oceanógrafo Doron Nof, apresenta pesquisa segundo a qual, Jesus não teria, numa das mais famosas e significativas passagens do Evangelho, caminhado sobre as águas, mas sim sobre (pasmem!) um bloco de gelo!

E ainda podemos citar a polêmica causada por filmes como “O Código Da Vinci”, que reacende a antiga (e até agora pouco conhecida) questão sobre o suposto casamento de Cristo com Maria Madalena, sua descendência e o Sangreal.

Se formos refletir sobre essas questões, o Saturno em nós dirá, com o olhar duro: “Esses são fatos inquestionáveis!” ou ainda “Apresente-me provas arqueológicas!”. Já o Netuno em nós dirá, com a fala mansa e um sorriso redentor: “Com tudo isso, o que muda na mensagem do Cristo? Nada!”

O conflito em nós poderá se agravar, a depender dos processos internos de cada um.

Também do ponto de vista emocional, a quadratura Saturno – Netuno pode causar significativos impactos.

Saturno, o construtor de fronteiras, serve para barrar à nossa consciência o acesso àquelas partes de nós mesmos das quais não gostamos e que nos incomodam. Netuno, o destruidor de fronteiras, solapa as defesas de Saturno e expõe o que mantivemos oculto. Essa nunca é uma experiência fácil, sobretudo para o nosso ego. Porém, se tivermos a maturidade e a força para permitir que a nossa auto-imagem se desfaça e para restabelecer a ligação com aquilo que excluímos de nossa identidade, poderemos mudar e crescer.

Lembremo-nos também de que não reprimimos ou negamos apenas os nossos aspectos ditos “negativos”, mas também podemos reprimir muito de nossos potenciais, especialmente recursos criativos e talentos que foram sufocados no decorrer de nosso desenvolvimento. A oposição Saturno – Netuno pode indicar a remoção das barreiras que se interpõem no caminho do desenvolvimento desses nossos dons e talentos.

Análise Cíclica

Independentemente da qualidade própria desse momento, sinalizada pela oposição Saturno – Netuno, do ponto de vista ciclológico cabe também uma observação.

Como já comentamos em outros artigos, nesta coluna, o ciclo sinódico entre dois planetas se dá da seguinte maneira: na conjunção (quando os dois planetas se encontram no mesmo grau do Zodíaco), inicia-se um ciclo, novas sementes são lançadas, algo novo começa. O planeta mais rápido continua avançando e, na oposição (quando os planetas estão a 180º), esse ciclo atinge o seu máximo. Nesse ponto, as sementes lançadas no momento da conjunção frutificam (para bem ou para mal) e rendem resultados. Mas, entre a conjunção e a oposição e vice-versa existem dois momentos em que os planetas se colocam em quadratura (a 90º um do outro). Os pontos de quadratura representam momentos de crise, de oportunidade. A quadratura crescente (entre a conjunção e a oposição) está relacionada a crescimento. Às vezes, nesta fase, faz-se necessário um ajuste ou reordenamento de metas, para que os projetos ou vivências iniciadas na conjunção continuem ou até mesmo se extingam de vez. Já a quadratura minguante (entre a oposição e a conjunção) está relacionada a uma crise que solicita novos ajustes, porém com vistas ao encerramento do processo.

Ciclo Sinódico

E, na nova conjunção, o ciclo é definitivamente encerrado e um novo se inicia.

Alguns desses ciclos duram um mês, como é o caso dos ciclos envolvendo a Lua. Outros duram vinte anos, como é o caso do ciclo Júpiter-Saturno. E outros ainda duram mais ou menos trinta e cinco anos, como é o caso deste ciclo Saturno – Netuno.

Quando observamos esse tipo de ciclo, percebemos que o tempo e seu desenrolar em nossa vida fica impregnado de significados. E vivemos em meio a uma infinidade desses ciclos, que se mesclam e se interpenetram entre si.

A vez mais recente em que Saturno e Netuno fizeram uma conjunção foi entre 1989 e 1990. Avalie com cuidado: que sementes você lançou, nos entornos desse momento? Que projetos ou vivências você iniciou aí?

Saturno e Netuno fizeram uma quadratura crescente entre 1998 e 1999. Pergunte-se: que tipo de crise de ajustamento seu projeto ou vivência passou, durante esse momento?

A oposição Saturno – Netuno ocorreu entre Agosto de 2006 e Setembro de 2007. Aqui acontece o apogeu do ciclo. Que frutos você colheu?

A quadratura minguante Saturno – Netuno ocorre agora, entre Novembro de 2015 e Setembro de 2016. Eis aí o momento da crise final, o princípio do fim do ciclo.

E a conjunção Saturno – Netuno ocorrerá em 2026. Somente aí se encerrará o ciclo iniciado em 1989 – 1990 e se iniciará outro.

Obviamente, um ciclo de tal amplitude cronológica afeta muito mais gerações inteiras e mesmo empresas e organizações de longo prazo do que indivíduos. Basta lembrar, por exemplo, que o atentado de 11 de Setembro de 2001, que destruiu as torres gêmeas do World Trade Center, em New York, ocorreu no apogeu de um ciclo sinódico semelhante a este, desta feita entre Saturno e Plutão.

Porém, se estivermos atentos, poderemos identificar, também em nossas cronologias individuais, circunstâncias ciclológicas as mais variadas, coincidentes com essa movimentação sinódica entre Saturno e Netuno.

E assim caminha a Humanidade, na ignorância de que está sempre mergulhada num mar de ciclos infindáveis, que se mesclam e se interpenetram.

A propósito, se você nasceu nos seguintes períodos (datas aproximadas, só sendo possível confirmá-las exatamente por meio do cálculo do mapa astrológico individual):

Entre Junho de 1944 e Maio de 1945;

Entre Março de 1962 e Fevereiro de 1964;

Entre Agosto de 1979 e Julho de 1980;

Entre Agosto de 1979 e Agosto de 1980;

Entre Maio de 1988 e Abril de 1999,

é bem possível que você tenha essa quadratura Saturno – Netuno em seu mapa astrológico individual, de sorte que a configuração, no Céu, tem rebatimento em sua alma, reforçando e ativando a configuração que você carrega.

Grande e especial oportunidade para você!

Um Presente

FrancescoComo presente, oferecemos a Oração da Manhã, também chamada de Prece da Boa Vontade, de São Francisco de Assis, talvez os maior dos santos cristãos, que tinha uma oposição entre Saturno e Netuno em seu mapa astrológico e que, mais do que ninguém, soube vencer esse conflito, sabendo erigir e estruturar (Saturno) os ideais de fé e compaixão (Netuno), tornando-se uma inspiração para toda a Humanidade.

Era um homem de uma extrema ternura (Netuno), mas que sabia ser duro (Saturno). E assim, pôde nos ensinar, e até hoje continua ensinando, como equilibrar o rigor e a disciplina de Saturno, de um lado, com a misericórdia e a suavidade de Netuno, do outro.

Senhor,

No silêncio deste dia que amanhece,

Venho pedir-Te a Paz, a sabedoria, a força.

Quero hoje olhar o mundo com os olhos cheios de Amor.

Quero ser paciente, compreensivo, prudente.

Quero ver, além das aparências, Teus filhos como

Tu mesmo os vês, e assim, Senhor, não ver senão o Bem em cada um deles.

Fecha meus ouvidos a toda calúnia, guarda minha língua de toda a maldade.

Que só de bênçãos se encha a minha Alma.

Que eu seja tão bom e tão alegre que todos aqueles que se aproximem de mim sintam

 a Tua presença.

Reveste-me de Tua beleza, Senhor, e que no decurso deste dia eu Te revele a todos.

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O Sol entra em Sagitário

Continuando o seu inexorável caminhar pelo círculo zodiacal, o astro-rei adentra o signo de Sagitário, neste dia 22 de Novembro, dando início a um ciclo de busca da transcendência e da expansão consciencial, onde, após o mergulho nos mistérios da transmutação (em Escorpião), a consciência busca vôos mais elevados.

Mitologicamente, o signo de Sagitário, último dos signos do elemento fogo, está associado ao mito do centauro Quíron, o grande sábio e médico, que habitava uma gruta na Tessália. As mais importantes famílias da Grécia enviavam-lhe seus filhos para que os educasse. Assim, os maiores heróis da Mitologia passaram por suas mãos, recebendo ensinamentos em Medicina, Matemáticas, Música, Astrologia, Dança e também nas artes da equitação e caça.

Seu mais famoso discípulo foi o grande Hércules, que se tornou também seu maior amigo.

Um dia, num conflito com os outros centauros, Hércules dispara uma de suas temíveis flechas, envenenadas com o mefítico sangue da Hidra de Lerna, um monstro tão peçonhento que qualquer criatura, ao ser contaminada com seu sangue, morreria instantaneamente. Isso se o ser em questão fosse mortal. Mas, se fosse imortal, seria acometido de uma ferida atroz, incurável, que o acompanharia por toda a eternidade.

Acidentalmente, a flecha resvala e vai se cravar na coxa de Quíron que se torna vítima da mais terrível ferida.

E o grande cirurgião, que a todos curava, não pode curar a si próprio.

O arqueiro dispara a flecha na direção do Infinito!

Quíron abdica de sua imortalidade, para encontrar a paz entre os mortos, no reino de Plutão. Mas, percebendo que aquele não é o lugar para um ser tão divinal, Plutão o reenvia para Zeus, o soberano dos deuses, que resolve catasterizá-lo, ou seja, transformá-lo em constelação, para que os homens sempre tivessem um exemplo, no Céu, de que a eterna sabedoria não morre jamais.

E assim surge a constelação de Sagitário, o arqueiro.

O centauro, animal mítico metade homem, metade cavalo, utilizado para representar o signo de Sagitário, simboliza três níveis evolutivos: em primeiro lugar, a bestialidade, representada pelas patas do cavalo; depois, a racionalidade, que vence a animalidade e é representada pela metade humana; e, finalmente, a busca da transcendentalidade, simbolizada pela flecha que o centauro dispara em direção ao Infinito e que está para além da própria razão. A flecha (palavra oriunda do vocábulo frâncico “fliugika” = aquilo que voa”) é o veículo simbólico através do qual a consciência se aparta do indivíduo a fim de unir-se ao seu Alvo, o Céu, em cuja direção viaja, lançada pelo arco certeiro do Centauro.

A entrada do Sol em Sagitário é um convite do Cosmos a que lancemos nossa consciência em direção ao Infinito, buscando o conhecimento que nos permite desapegar-nos das contingências da realidade e transcender aos verdadeiros valores do Sagrado. Mas lembre-se de que a vivência do Sagrado não é necessariamente uma vivência religiosa, pois a religião não detém o monopólio do Sagrado.

Aproveite. Pois há uma dimensão de sua alma que só pode ser preenchida e plenificada através desse sentimento de busca do Eterno.

Aproveitamos para desejar a todos os nossos amigos e leitores sagitarianos uma feliz celebração de aniversário. E muitas felicidades no novo ciclo que se inicia!!!

Vênus e Marte em conjunção

Encontram-se neste dia 03 de Novembro, Vênus e Marte, indicando a possibilidade de união entre força e sensibilidade.

 

Há uma interessantíssima passagem da Mitologia Greco-Latina, eterna e inesgotável fonte de sabedoria, que vale a pena conhecer.

Conta-se que a belíssima deusa Vênus, chamada Afrodite pelos gregos, deusa do amor e da beleza, era dada, como não podia deixar de ser, a entregar-se aos jogos da conquista e da sedução. E linda e exuberante como era, não lhe faltavam pretendentes, que ela convertia em amantes, ao seu bel prazer. Mas, dentre todos esses pretendentes, dois se destacavam, pela fama, pela insistência e pela rivalidade que devotavam um ao outro, na disputa pela preferência da magnífica deusa.

O primeiro era Apolo, o deus Sol: belo, garboso, sedutor, poético, voltado às artes e à música.

O segundo era Marte, o deus da guerra: bruto, violento, agressivo, grosseirão, voltado às lutas e à pancadaria.

E qual dos dois ela vai preferir?

Errou quem pensou em Apolo!

Era o violento Marte o preferido da deusa.

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Vênus e Marte

Surpreendente? Talvez… Mas o fato é que só nos braços da doce Vênus é que o bravo Marte repousava. Dessa “complexio oppositorum” (= união dos opostos), nascem vários filhos, entre eles Phobos (o pavor), Deimos (o espanto) e Éris (a discórdia), que passaram a acompanhar o pai nos campos de batalha.

Da mesma forma que na Mitologia, devemos buscar a união de opostos dentro de nós. E só quando conseguimos equilibrar a força de vontade com a alegria, a firmeza de propósitos com a gentileza, a força com a sensibilidade, é que estaremos caminhando reto na construção de um saudável equilíbrio nas relações, na profissão, na vida.

Ao longo dos próximos dias, o Cosmos poderá colocar você diante de situações que lhe forcem a construir esse equilíbrio.

Pode ser um grande aprendizado!

Fique atento.

E a propósito, o quarto fruto da união entre Marte e Vênus é a doce Harmonia, símbolo do equilíbrio, síntese da virilidade combativa do pai e da fertilidade e beleza da mãe.

Luciano de CrescenzoComo reflexão, invocamos Luciano de Crescenzo, ex-presidente da IBM na Itália e que abandonou uma brilhante carreira corporativa para se tornar ator e filósofo:

Somos todos anjos com uma asa só; e só podemos voar quando abraçados uns aos outros.