Arquivo mensal: dezembro 2015

O Sol entra no Signo de Capricórnio – Solstício de Verão

Neste 22 de Dezembro, precisamente à 01h48 (desconsiderado o Horário de Verão), o radioso astro do dia, em seu contínuo e inexorável caminho através do Zodíaco, adentrou o signo de Capricórnio, iniciando um novo ciclo cósmico e uma nova estação.

Esse fenômeno cósmico-astronômico anual coincide com a ocorrência do Solstício de Verão, para o Hemisfério Sul, e de Inverno, para o Hemisfério Norte.

Fecha-se, portanto, o ciclo anual, com a última das estações, período de abundância e plenitude da Natureza.

Mitologicamente, o signo de Capricórnio é associado ao Deus , símbolo da natureza e da Totalidade. Irmão adotivo de Júpiter, Pã tinha aspecto antropozoomorfo, ou seja tinha forma mista de homem e animal:  patas e chifres de bode e corpo peludo, assemelhando-se, no restante, ao humano. Era dotado de prodigiosa agilidade e força fecundante, envolvendo-se sempre em orgiásticas festividades com as ninfas dos bosques; dava-se prazer, inclusive, se não pudesse obtê-lo com alguma companheira. Teve uma importante participação na luta dos olímpicos contra os Titãs: em meio à batalha, tira uma concha em forma de caracol que trazia presa à cauda e sopra-a com força, fazendo ecoar tão poderoso e tonitruante som que os Titãs (símbolos das forças cegas da Natureza) se põem em desabalada fuga.

Simbolicamente, o signo de Capricórnio relaciona-se com a montanha, símbolo da estabilidade e sedimentação, mas também da elevação ascética e da iniciação. É relevante ressaltar que todas as tradições apresentam mitos concernentes à revelação feita numa elevação: é o caso do Monte Fuji-Yama, sagrado para os xintoístas; ou do Monte Sinai, onde Moisés recebeu as Tábuas dos Mandamentos; ou ainda do Monte Ararat, o único ponto poupado das águas do Dilúvio, onde pousou a Arca de Noé. O próprio Cristo foi crucificado no alto de um monte, o Calvário, símbolo de sua proximidade com os céus. Esse é um motivo pelo qual comemoramos o seu nascimento no período em que o astro-rei transita por Capricórnio: o Sol, símbolo do Salvador, o que tira os pecados do mundo, brilhando no ponto “mais alto” do Zodíaco, Capricórnio, símbolo por excelência das elevações e montanhas.

Uma outra associação simbólica que comumente é feita a Capricórnio e a seu planeta regente, Saturno, é a do joelho, que permite fazer as escaladas (que, invariavelmente, oferecem obstáculos), mas, atingido o cume da montanha, permite-nos, também, fazer a genuflexão diante do Sagrado, para receber, do Criador, as bênçãos e a Iniciação.

Durante a estada do Sol em Capricórnio, portanto, o Cosmos nos convida a reconhecimento da plenitude e integralidade da Natureza (inclusive a Natureza humana), a mesma plenitude que traz, em seu bojo, a sonoridade primordial que expulsa as forças cegas que nos enchem de pânico. Mas que nós possamos, também, ter a humildade e a disposição para escalar as montanhas, tanto as da existência cotidiana como também aquelas que nos elevam a maiores realidades. E que possamos celebrar a estação do Verão com alegria e plenitude, mas que, sobretudo, essa plenitude esteja também presente em nossas almas.

Aproveite também o momento para conscientizar-se acerca de tudo aquilo que, em sua vida, precisa ser melhor sedimentado, realizado e cristalizado. Os impulsos que você der agora aos seus projetos tenderão a tornar-se em efetividade consistente e estável, especialmente porque, além do Sol, os planetas pessoais interiores, Vênus e Mercúrio, também ingressaram recentemente em Capricórnio, reforçando esse conceito.

Aproveitamos o momento para desejar aos capricornianos uma linda celebração de aniversário.

E a todos os amigos e leitores um Feliz Verão!

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Triangulação entre Vênus, Saturno e Netuno

Significativa triangulação entre Netuno, Vênus e Saturno, indicando a possibilidade de resgate da magia e fé no sentido do amor.

“Como é pobre o coração que não sabe amar, incapaz de se embriagar de amor! Se tu não amas, que explicação te dás da ofuscante luz do Sol e da mais leve claridade da Lua?”

Omar Khayyan

Omar Khayyan

Com esses versos, o poeta árabe Omar Khayyan sintetiza bem o sentimento de ebriedade apaixonada que nos domina, quando somos tomados pela grande centelha de eternidade, o amor, amálgama do Universo, força capaz de transformar impossíveis em possíveis, morte em vida e trevas em luz.

Estamos falando, sem dúvida, da maior força emocional do Ocidente.

Vivemos do amor e pelo amor e em seu nome cometemos as mais desvairadas loucuras, assim como os mais sublimes sacrifícios. A maioria de nós acostumou-se a pensar que a vida só tem sentido se estivermos apaixonados, vivendo uma linda história de amor. Preferimos, é claro, um final feliz, mas antes uma história de amor com final infeliz do que história de amor nenhuma.

Assim somos nós.

Assim construímos uma civilização que suspira, chora e se emociona, ante a simples possibilidade (ou a impossibilidade!) desse encontro. Procuramos almas gêmeas, consultamos astrólogos, cartomantes e videntes, sonhamos e esperamos, enquanto o mundo gira ao redor de nosso coração, centro imutável e quase sempre insatisfeito desse róseo universo.

Os produtores hollywoodianos, modernos menestréis, aproveitam bem essa característica e nos vendem (a peso de ouro) todas essas emoções, embrulhadas em lindos pacotes. E cada vez que compramos um desses pacotes, ficamos ainda mais expectantes, ansiosos pela nossa vez de receber as visita da fada-madrinha e encontrar o príncipe (ou princesa!).

E nem é preciso repetir aquilo que todos já sabemos de cor: que o amor é como uma flor, que tem que ser regada todos os dias; que o amor transforma as pessoas; que o amor só pode ser medido pelo grau de sacrifício que ele exige; que o amor é a maior coisa que existe ou que é a “coisa mais esplendorosa”.

Mas o fato de que sabemos tudo isso não é garantia de que o coloquemos em prática. Na maioria das vezes, as pessoas esperam que o outro regue a flor que nos conquistará, dia a dia; que o outro se transforme em holocausto de amor por nós; que o outro mostre, por meio de seus sacrifícios, o quanto nos ama; e assim nos sentiremos esplendorosos.

E, quando não somos atendidos nessas expectativas, nosso universo desmorona, sentimo-nos a última das criaturas e acabamos perdendo a fé no poder e nos efeitos do amor.

Insana raça humana!

A triangulação entre Vênus, Netuno e Saturno é um convite a que voltemos a acreditar no poder desse sentimento, embriagando-nos e encantando-nos com ele! Se você ama, acredite nisso, dê uma nova chance, permita-se envolver, perdoar, aceitar de novo, recomeçar, reconciliar, ajudar, entregar-se, etc.

Isso pode significar um sentido mais amplo para a sua visão de mundo e a sua ação.

Mas entenda que o primeiro movimento é de fé! Reconheça que o ser humano não nasceu para permanecer só e o afeto, acompanhado por uma saudável crença positiva, é o cimento que nos une. Aproveite, portanto, o momento e deixe-se levar pelo sentimento, que é o que constrói.

E lembre-se: se você crê em alguma coisa, você a vê. Com o amor (sobretudo) não é diferente.

Dica Cinematográfica

O filme Tróia (Troy, USA, 2004), dirigido por Wolfganf Petersen e estrelado por uma verdadeira constelação, incluindo Brad Pitt, Orlando Bloom, TroyDiane Kriger e Eric Bana.

Você vai conhecer a história de um homem (O Príncipe Páris) que com sua insanidade destruiu uma cidade inteira, em nome do amor. E de outro homem (Aquiles, um os mais famosos guerreiros da Mitologia Clássica), que apenas sabia destruir, mas que optou aprender a amar.

P.S.

Muito embora o filme Tróia tenha deturpado e mutilado de forma lamentável o mito original, o romance entre os personagens Páris e Helena e Aquiles e Briseida pode ilustrar os conceitos acima.

Mercúrio em quadratura com Júpiter

Crise entre esses dois planos da alma, indicando desarmonia entre a mente racional e a capacidade comunicativa, de um lado e a sabedoria e a autoridade, de outro.

Segundo a Mitologia Grega, Mercúrio (ou Hermes) era o filho dileto de Júpiter (ou Zeus) e seu “secretário”, arauto ou mensageiro. Para tanto, Mercúrio era investido de uma capacidade especial: conhecia todos os caminhos, vias e estradas; além disso, penetrava em todos os reinos divinos (níveis de consciência), indo desde as profundezas dos abismos infernais (inconsciente) até as majestosas alturas olímpicas  (supraconsciente).

MercúrioA nossa mente racional, portanto, deve estar a serviço da mente transcendente, da Sabedoria, simbolizada por Júpiter. A mente nada mais é do que uma serva obediente dessa Sabedoria. Isso quer dizer que ela pode ser “programada”, como um computador, para atingir determinados objetivos. Se não fizermos isso (com Sabedoria), o meio sócio-cultural, a realidade negativista o fará por nós, impregnando-nos de falsas crenças limitantes que nos impedem de aproveitar todas as nossas potencialidades.

A quadratura de Júpiter com Mercúrio indica a possibilidade de uma “programação” errônea de nossa mente ativa. Fique atento, portanto, para fazer o devido processamento das informações que você receber nesse período (ideias, palavras, sentimentos, emoções, etc.).

Por outro lado, pode haver excessos na tentativa de uma boa comunicação. Lembre-se: comunicar-se bem não é falar “difícil”, muito menos falar “muito”. Ao contrário, a abundância de palavras inúteis, como diz Gustave Le Bon, é sintoma certo de inferioridade mental. Portanto, fale com objetividade e clareza, usando o mais possível o próprio padrão de linguagem do seu interlocutor, ou seja, falando em sua própria língua; e não tente impressionar os outros com uma verborréia prepotente e grandiloqüente que nãoZeus_arte levará a nada.

Você pode ser elegante e refinado, mas mantendo a simplicidade e, com certeza, alcançará resultados bem mais interessantes.

Sobretudo, faça o melhor uso possível de sua palavra: que ela seja o veículo por meio do qual a paz e a harmonia se façam presentes no mundo.

E lembre-se do que dizia Shakespeare: “a ignorância é a praga de Deus; o conhecimento é a asa com a qual voamos para o Céu.”.

Dica Bibliográfica

A dica é o famoso discurso que ficou conhecido como “Eu Tenho Um Sonho“. proferido por Martin Luther King Jr., no dia 28 de Agosto de 1963, em Washington.

Vale a pena conhecê-lo!

Você vai ouvir um homem que soube usar a força das palavras, orientado por uma sabedoria superior, que foi capaz de criar um marco significativo na história da luta pela liberdade, pela igualdade e pelos direitos universais do homem.

Alguns trechos:

 

(…)

Tenho um sonho que um dia esta nação levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado da sua crença: “Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais”.

Tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu caráter.

(…)

Tenho um sonho, hoje.

Tenho um sonho que um dia todo os vales serão elevados, todas as montanhas e encostas serão  niveladas, os lugares ásperos serão polidos, e os lugares tortuosos serão endireitados, e a glória do Senhor será revelada, e todos os seres a verão, conjuntamente.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com a qual regresso ao Sul. Com esta fé seremos capazes de retirar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé poderemos transformar as dissonantes discórdias de nossa nação numa bonita e harmoniosa sinfonia de fraternidade. Com esta fé poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, ir para a prisão juntos, ficarmos juntos em posição de sentido pela liberdade, sabendo que um dia seremos livres.

Esse será o dia quando todos os filhos de Deus poderão cantar com um novo significado: “O meu país é teu, doce terra de liberdade, de ti eu canto. Terra onde morreram os meus pais, terra do orgulho dos peregrinos, que de cada localidade ressoe a liberdade”.

(…)

Que de cada localidade, a liberdade ressoe.

 

Detalhe:

No dia em que King proferiu esse famoso discurso, Mercúrio acabara de ingressar em Libra, o signo dos direitos sociais, da justiça e do equilíbrio. E Júpiter estava em Áries, formando uma configuração de extrema força com Marte e o Nodo Norte da Lua. Não é à-toa que, até hoje, aquelas palavras causam tanto impacto!

Um link para um vídeo do discurso, na íntegra (clique na imagem):

King I have a dream