Arquivo mensal: julho 2016

O Sol entra em Leão

Continuando o seu caminhar pela roda do Zodíaco, o luminoso astro do dia ingressa, neste dia 22 de Julho, no signo de Leão, seu signo de regência, dando início a um ciclo de valorização da consciência e celebração da vida e da Luz.

Quinto signo do Zodíaco, segundo do elemento fogo e segundo do ritmo fixo, regido pelo Sol, Leão simboliza o poder em estado absoluto, emanado diretamente das Potências celestiais. Do ponto de vista simbólico-cosmológico, portanto, Leão representa a hierarquia universal que aponta o centro, ao redor do qual tudo circula, como o ponto central de uma circunferência, que, segundo a Geometria, define a própria existência da circunferência.

AristotelesEsse conceito talvez possa ser relacionado com a ideia aristotélica do motor imóvel. Segundo Aristóteles, tudo que existe tem uma causa imediata que se conecta com outra, até chegar à Causa de todas as causas. Por exemplo, a lâmpada se acende porque alguém acionou o interruptor, ativando a corrente elétrica; a corrente elétrica circula pelos fios porque há uma usina hidrelétrica que a gerou; a usina gera a eletricidade graças ao movimento de uma grande quantidade de água, em queda; essa água, por sua vez é alimentada pelo ciclo hídrico do planeta; e assim por diante, até que nós cheguemos à Causa sem causas de todas as causas, ou aquilo que Aristóteles chamou de motor imóvel: algo que movimenta tudo mas não é movimentado por nada.

Nas monarquias, a figura do soberano é o receptáculo desse Poder Divino, representativa do Princípio que regula todas as coisas (tanto que a palavra Príncipe deriva de Princípio).

Esse grande Princípio regulador, Poder pleno do Universo, é simbolizado pelo signo de Leão. Não é à toa que o leão é o rei dos animais.

Do ponto de vista humano, Leão representa a vitória do Espírito sobre o Ego, ou seja, a fagulha mais divina em nós vencendo os excessos egóicos que nos inflam de desmedido orgulho e centralizadora tirania.

Portanto, durante a estada do Sol no signo de Leão, o Cosmos nos convida a uma maior conscientização do que devemos fazer para encontrar o nosso caminho rumo à Luz; e, por outro lado, nos convida à conscientização de que somos meramente portadores e não possuidores dessa Luz. Mais ainda: essa Luz, quando em nós, enquanto portadores, só tem sentido se servir para iluminar os nossos irmãos.

E, sendo o signo de regência do Sol, propõe-nos celebrar a Vida, comemorando, de todas as formas possíveis, a vida que nos é oferecida e que, como bem disse Gonzaguinha, é bonita, é bonita e é bonita.

Um abraço apertado a todos os leoninos e votos de mil felicidades!!!!

Anúncios

Vênus entra no signo de Leão

Continuando o seu passeio pelo Círculo da Vida (o Zodíaco), o planeta Vênus entra, neste dia 12 de Julho, no signo de Leão, convidando-nos a reflexões acerca do
amor e dos relacionamentos.

Normalmente se associa simbolicamente o signo de Leão a conceitos que tenham relação com individualidade, centralização ou mesmo autoridade. Porém, regido pelo Sol, o signo de Leão pode (e deve!) ser também associado aos processos de conscientização e visão ampliada. Ou seja, quando um planeta entra em Leão, fica iluminado pela potente luz leonina e ganha um tipo de valorização que nenhum outro signo oferece, possibilitando reflexões e conscientização acerca daquele conceito que esse planeta representa.

Com o planeta Vênus não poderia ser diferente.

Ao entrar em Leão, Vênus ganha a possibilidade de trazer às pessoas mais consciência e clareza, no que diz respeito às questões afetivas e emocionais.

É hora, portanto, de parar e refletir sobre os princípios e pressupostos sob que baseamos nossos comportamentos afetivos e nossas reações às pessoas que amamos.

Sob essa ótica, há o excelente livro O bem, o mal e mais além, de autoria do psicoterapeuta brasileiro

Flávio Gikovate

Flávio Gikovate

Flávio Gikovate, um dos maiores e mais importantes pesquisadores do comportamento afetivo e sexual.

Nesse livro, o Dr. Gikovate nos explica que uma boa parte dos pares afetivos é constituída de opostos, um generoso e um egoísta que, ao menos aparentemente, se completam. Porém, é óbvio que um relacionamento calcado em tal antagonismo não pode funcionar bem e, a longo prazo tende a se deteriorar.

Normalmente, a coisa funciona assim: o egoísta é mais estourado, por vezes ciumento, agressivo e exigente. Não tolera frustrações nem solidão. O generoso, por sua vez é dócil e aceita tudo do egoísta, nunca reage e não consegue dizer não.

É importante que se esclareça que o generoso não é o “representante do bem”. Seu comportamento é tão doentio quanto o do egoísta. Provavelmente, age motivado por um dos mais paralisantes e desagregadores sentimentos humanos: a culpa.

E o que é pior: o generoso acaba se sentindo envaidecido e superior, por ser tão “nobre”, a ponto de suportar tudo o que o egoísta faz ou exige. Pode ficar irritado e chateado, mas se sente superior.

Ou seja, o egoísta precisa do generoso para dar vazão às suas frustrações não satisfeitas. E o generoso precisa do egoísta para dar vazão ao seu sentimento de culpa.

Há um clima de inveja recíproca, que explica essa estranha atração: o egoísta inveja o generoso, pois sente que ele tem mais a dar, é mais rico, é um ser humano melhor. O generoso inveja o egoísta, pois ele sabe dizer “não” sem medos ou culpas, faz coisas ótimas para si mesmo.

Dessa forma, o generoso estimula o comportamento do egoísta e vice-versa, num lamentável círculo vicioso que se traduz em uma verdadeira armadilha emocional, capaz de arrastá-los por uma vida de insatisfações.

Terrível, não?

Ambos temem a mudança, pois ambos temem a possibilidade de deixarem de ser admirados e amados: o generoso dá cada vez mais, com a idéia de que vai (Tadinho…!) satisfazer o outro. E o egoísta cada vez exige mais, não se satisfazendo nunca. Resultado: os parceiros vão se afastando e distanciando, reforçando as diferenças antagônicas, até que não haverá outra possibilidade senão a ruptura definitiva.

terapia-de-casal-_-amor-_-relacionamento-335x200Observe um detalhe: tanto o egoísta quanto o generoso podem se apresentar para o mundo como estando muito bem, obrigado. De forma que esses comportamentos, acima descritos, podem ser mascarados e disfarçados. E, é claro, estamos falando de comportamentos e atitudes inconscientes.

Portanto, com a entrada de Vênus em Leão, é uma boa hora para que você busque um autodiagnóstico. Você se orgulha em dar mais do que receber, em seu relacionamento? Tem dificuldade de dizer não? Sente-se nobre e superior, por sua paciência e virtude? Bem, talvez você esteja mesmo encarnando o arquétipo do generoso.  Por outro lado, se você não tolera nenhum tipo de frustração ou crítica, é impaciente e exigente, talvez esteja vestindo a roupa do egoísta. E, pode apostar, o seu parceiro, no outro lado da relação, apresentará o comportamento do arquétipo oposto.

E a tendência de uma relação desse tipo não é das melhores, como vimos acima.

Mas há solução: devemos buscar o arquétipo do justo.

Segundo o Dr. Gikovate, o justo é alguém que “não quer se vangloriar e se destacar por ser melhor dando mais do que recebe, nem receber mais do que dá. Quer uma troca equilibrada. Não inveja o oposto, fica contente com o próprio jeito de ser e passa a valorizar as pessoas parecidas, estabelecendo relações afetivas de qualidade. O generoso aprende a dizer `não´ aos pedidos indevidos e deixa de ser objeto de chantagem, conquistando auto-estima e liberdade pessoal. O egoísta, por sua vez, sem o generoso por perto, também poderá progredir e amadurecer.”

Do ponto de vista do simbolismo astrológico, essa verdade é perfeitamente verificável.

É o próprio signo de Leão, regido pelo Sol e que rege o individualismo (e o egoísmo, quando em excesso). O próximo signo do elemento fogo, Sagitário, regido por Júpiter, rege o altruísmo (e doentia generosidade, quando em excesso). Note que o signo que está na posição zodiacal eqüidistante entre Leão e Sagitário é o signo de Libra, o signo do equilíbrio e, conseqüentemente, do justo.

Entre Leão e Libra está o signo de Virgem. Podemos dizer que o caminho do egoísta ao justo passa pela purificação dos excessos e pela autocrítica sadia.

Já entre Sagitário e Libra está o signo de Escorpião, o que nos autoriza a dizer que o caminho do generoso ao justo passa pela morte (transformação) dos ranços emocionais e culpas.

O caminho para essa mudança pode ser longo e penoso. Ou rápido e fácil. Mas certamente começa com a consciência.

E não há outra saída a não ser trilhar esse caminho, se quisermos pessoas mais justas, relacionamentos mais justos e, conseqüentemente, uma sociedade mais justa.

Nossos parabéns ao Dr. Gikovate, pela sua lucidez e sabedoria. E a todos os nossos leitores a sugestão de que leiam o livro.

E para todos nós, que buscamos a complementaridade das relações afetivas, a esperança de que a Vênus transitando em Leão possa nos trazer a oportunidade para conscientizar e mudar.