Arquivo mensal: dezembro 2016

Na véspera do Natal, uma linda triangulação no Céu, entre Lua, Netuno e Plutão

Qual a relação entre o Natal e a Morte?

O Natal é provavelmente a época mais mágica do ano, onde somos como que contagiados pelos ideais de esperança, amor e renovação interior, que pairam no ar e inspiram novos rumos.

Neste dia 24, em plena véspera do Natal,  acontece esta bela triangulação envolvendo Lua, Netuno e Plutão.

triang-2E é bastante auspicioso que este fenômeno aconteça na véspera do Natal, pois seus significados estão associados a tesouros interiores que se revelam e produzem marcantes transformações nas pessoas.

Essa ideia é retratada pelo escritor inglês Charles Dickens em seu Conto de Natal, talvez a mais famosa e bela história de Natal, reproduzida em inúmeras versões cinematográficas e literárias.

Charles Dickens

Ebenezer Scrooge, personagem principal, é um velho comerciante, avarento e ambicioso, cujo único interesse é o lucro e o acúmulo de riquezas, passando por cima de quem quer que fosse, sem se importar com o sofrimento ou a penúria alheias (esse personagem, diga-se de passagem, inspirou Walt Disney a criar, mais tarde, o avarento Tio Patinhas). O pétreo e gélido coração de Scrooge era completamente insensível às causas humanitárias e aos sentimentos de amizade ou compaixão.

Na véspera do Natal, Scrooge recebe a fantasmagórica visita de Marley, seu falecido sócio que, tão impiedoso e avaro quanto ele, sofria, no além-túmulo, as conseqüências de uma vida voltada ao enriquecimento material e à exploração dos mais humildes. A aparição lhe avisa que ainda há tempo de mudar, transformar-se num ser humano melhor e  antecipa a visita de mais três espectros.

O primeiro, o fantasma dos natais passados, evoca a Scrooge o seu próprio passado, cheio de sofrimentos, que lhe encheram a alma de mágoas, ódios, ressentimentos e rancores, endurecendo-lhe o coração. O segundo, o fantasma do Natal presente, aponta-lhe o sofrimento das pessoas que o velho Scrooge explora implacavelmente. O terceiro, o fantasma dos natais futuros, mostra-lhe o seu futuro, sendo odiado por todos e morrendo solitário.

No dia seguinte, Scrooge desperta transformado; um novo homem nasceu, tocado que foi pela magia do Natal: cumprimenta a todos, ajuda os pobres e até dá uma festa!

Uma importante reflexão nestas vésperas do Natal, com essa belíssima triangulação entre Lua, Netuno e Plutão: o Cristo só renascerá em nossos corações se pudermos matar algo dentro de nós, que nos impede de ver a magia e a beleza. Para isso, temos que destravar o nosso coração.

E o coração é uma porta que só se abre por dentro.

Essa ideia pode parecer um lugar-comum, sobretudo numa celebração que se tornou excessivamente comercial. Porém, como sempre afirmamos, todos temos o nosso próprio inferninho interior!  E a pergunta (plutônica!) a ser feita é: que fantasmas nos assombram? Ou, traduzindo, que mágoas, ódios, ressentimentos e rancores nos endurecem o coração e nos impedem de resgatar a sensibilidade e o encanto, da mesma forma que o velho Scrooge não entendia a beleza dos sentimentos mais elevados e humanitários?

Na época do Natal, há o momento propício para que nos livremos de nossos ranços interiores, ressentimentos e mágoas que nossos semelhantes, na maior parte das vezes, sem perceber, nos causam. E, seguramente, não há força mais poderosa para isso do que o perdão. Aproveite, portanto e livre-se dos seus fardos.

Mas lembre-se: Natal é todo dia !!! Todo dia, portanto, é dia de perdoar. Se não por que você seja bonzinho, mas por que, no mínimo, você estará se livrando de ranços que somente servem para travar seu crescimento e sua paz.

O nosso desejo é que, neste Natal, você possa reencontrar a dimensão crística dentro de você e, assim, alcançar uma vida cada vez mais plena, em todos os sentidos.

 

Um grande abraço e um feliz Natal. E que Deus nos abençoe a todos !

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O Sol entra no Signo de Capricórnio – Solstício de Verão

Neste 21 de Dezembro, precisamente às 07h44 (Hora de Brasília, desconsiderado o Horário de Verão), o radioso astro do dia, em seu contínuo e inexorável caminho através do Zodíaco, adentra o signo de Capricórnio, iniciando um novo ciclo cósmico e uma nova estação. Esse fenômeno cósmico-astronômico coincide com a ocorrência do Solstício de Verão, para o Hemisfério Sul, e de Inverno, para o Hemisfério Norte.

Fecha-se, portanto, o ciclo anual, com a última das estações, período de abundância e plenitude da Natureza.

Mitologicamente, o signo de Capricórnio é associado ao Deus , símbolo da natureza e da Totalidade. Irmão adotivo de Júpiter, Pã tinha aspecto antropozoomorfo, ou seja tinha forma mista de homem e animal:  patas e chifres de bode e corpo peludo, assemelhando-se, no restante, ao humano. Era dotado de prodigiosa agilidade e força fecundante, envolvendo-se sempre em orgiásticas festividades com as ninfas dos bosques; dava-se prazer, inclusive, se não pudesse obtê-lo com alguma companheira. Teve uma importante participação na luta dos olímpicos contra os Titãs: em meio à batalha, tira uma concha em forma de caracol que trazia presa à cauda e sopra-a com força, fazendo ecoar tão poderoso e tonitruante som que os Titãs (símbolos das forças cegas da Natureza) se põem em desabalada fuga.

Simbolicamente, o signo de Capricórnio relaciona-se com a montanha, símbolo da estabilidade e sedimentação, mas também da elevação ascética e da iniciação. É relevante ressaltar que todas as tradições apresentam mitos concernentes à revelação feita numa elevação: é o caso do Monte Fuji-Yama, sagrado para os xintoístas; ou do Monte Sinai, onde Moisés recebeu as Tábuas dos Mandamentos; ou ainda do Monte Ararat, o único ponto poupado das águas do Dilúvio, onde aportou a Arca de Noé.

O próprio Cristo foi crucificado no alto de um monte, o Calvário, símbolo de sua proximidade com os céus. Esse é um motivo pelo qual comemoramos o seu nascimento no período em que o astro-rei transita por Capricórnio: o Sol, símbolo do Salvador, o que tira os pecados do mundo, brilhando no ponto “mais alto” do Zodíaco, Capricórnio, símbolo por excelência das elevações e montanhas.

Uma outra associação simbólica que comumente é feita a Capricórnio e a seu planeta regente, Saturno, é a do joelho, que permite fazer as escaladas (que, invariavelmente, oferecem obstáculos), mas, atingido o cume da montanha, permite-nos, também, fazer a genuflexão diante do Sagrado, para receber, do Criador, as bênçãos e a Iniciação.

Durante a estada do Sol em Capricórnio, portanto, o Cosmos nos convida a reconhecimento da plenitude e integralidade da Natureza (inclusive a Natureza humana), a mesma plenitude que traz, em seu bojo, a sonoridade primordial que expulsa as forças cegas que nos enchem de pânico. Mas que nós possamos, também, ter a humildade e a disposição para escalar as montanhas, tanto as da existência cotidiana como também aquelas que nos elevam a maiores realidades. E que possamos celebrar a estação do Verão com alegria e plenitude, mas que, sobretudo, essa plenitude esteja também presente em nossas almas.

Aproveite tamchico-xavierbém o momento para conscientizar-se acerca de tudo aquilo que, em sua vida, precisa ser melhor sedimentado, realizado e cristalizado. Os impulsos que você der agora aos seus projetos tenderão a tornar-se em efetividade consistente e estável.

Como reflexão bem capricorniana, o conceito trazido por Francisco Cândido Xavier, o eterno e indispensável Chico Xavier, ariano que tinha Lua e Urano em Capricórnio:

“Aos outros dou o direito de serem como são. A mim, imponho-me o dever de ser cada vez melhor”.

Aproveitamos o momento para desejar aos capricornianos uma feliz celebração de aniversário.

E a todos os amigos e leitores um Feliz Verão!

Vênus entra em Aquário

Continuando o seu eterno caminhar pela roda zodiacal, o planeta Vênus adentra, neste dia 07 de Dezembro de 2016,  o signo de Aquário, inaugurando um ciclo em que o amor nos convida a dimensões mais elevadas.

 Símbolo do Amor, em todas as suas formas e em seus diversos níveis, o planeta Vênus está associado à deusa grega Aphrodite, filha da semente do Céu com a espuma do Mar.

O Nascimento de Vênus, de Botticelli

O Nascimento de Vênus, de Botticelli

Observe-se, porém, que, apesar de se originar das águas, a lindíssima deusa delas se eleva e é conduzida ao Olimpo, onde haverá de reinar como soberana inconteste (ou quase) da Beleza. Aliás, um dos numerosos epítetos de Vênus (nome latino de Aphrodite), é  Anadiomene, que quer dizer “a que se levanta das águas” ou ainda “a que sai do mar”.  Isso significa que o Amor, por incrível que possa parecer aos incautos, está acima das emoções, simbolizadas pelas águas do mar. Ou seja, o mais nobre dos sentimentos, que, mais até do que isso, é uma lei universal, uma força capaz de “movimentar o Sol e as demais estrelas”, como dizia Dante, não pode (ou não deveria) ser confundido com mera emocionalidade  ou sentimentalismo.  É claro que a emoção pode até ser um combustível ou um estímulo para o Amor, mas, fique claro, ele está muito além.

A passagem de Vênus pelo signo de Aquário,  que se estenderá até o dia 03 de Janeiro de 2017, é um convite do Cosmos a que possamos Aquariusresgatar as dimensões mais elevadas do Amor, a sua celestialidade; nós só poderemos saber o que verdadeiramente é o Amor quando pudermos nos tornar permeáveis ao seu significado para (no bom sentido) revolucionar os nossos sentimentos.

E lembremo-nos de que estamos falando do verdadeiro amor, o amor não condicionado, ou seja, liberto de quaisquer fatores condicionantes. É muito comum, por exemplo, que os pais demonstrem seu amor pelo filho quando este segue determinados padrões de comportamento que considerem corretos ou adequados; isso irá condicionar aquela criança com a ideia de que só merecerá o amor dos seus semelhantes quando puder repetir os padrões impostos pelas crenças de outras pessoas, adotando-os para agradar aqueles de quem quer receber esse amor.

Isso é o que chamamos de amor condicionado.

Mas dar o seu amor àqueles que lhe rodeiam, independente de qualquer coisa, não como uma troca por algo que lhe interessa, mas sim por que, verdadeiramente, você

Fiodor Dostoievski

Fiodor Dostoievski

ama, (e principalmente) quando essas pessoas cometem erros, falhas ou atos que você considere apartados de uma verdade ou bom senso, mesmo quando elas agem de encontro à sua vontade, aí sim, existirá o amor liberto de condicionamentos, mais próximo da essência verdadeira da lei divina. Mesmo por que, como disse Dostoievski, amar alguém significa vê-lo como Deus pretendia que ele fosse.

Dica cinematográfica

O filme Primavera, Verão, Outono, Inverno e… Primavera (Bom yeoreum Primavera, verão...gaeul gyeoul geurigo bom, Coreia do Sul, 2003), uma bela produção, com linda fotografia, dirigida e estrelada pelo jovem Kim Ki-Duk, onde você vai conhecer a história de um homem que, depois de viver mil experiências e cometer mil erros, descobriu como Deus queria que ele fosse. Ou pelo menos encontrou o caminho para essa descoberta.

E, na indecisão entre o agora e o eterno, redescobriu que o amor é a mais perfeita casa para o repouso do espírito.