Arquivo mensal: junho 2017

Marte em oposição a Plutão

 

Conflito entre os planetas Marte e Plutão, indicando a possibilidade de exacerbação de forças ocultas em nosso interior, de forma destrutiva ou agressiva.

Atenção! A oposição Marte-Plutão é sinal de processos explosivos.

O planeta Plutão é o catalisador e desencadeador dos processos de transformação: ele destrói, aniquila, para que outra coisa possa existir.  Marte, por sua vez, representa os nossos potenciais combativos, guerreiros, que, se não canalizados de forma correta, tornam-se em agressividade gratuita, fruto de uma raiva contida.

RaivaSabemos, porém, que a raiva nunca é à-toa; ela é, isso sim, filha de algum sentimento desagregador, mais notadamente, o medo.

O medo é um inimigo poderoso, pois pode até nos paralisar, impedindo-nos de avançar em busca de nossos objetivos. Em outras circunstâncias, ele nos deixa com a sensação de impotência, o que nos faz sentir fragilizados, levando-nos a nos defender do mundo que, aparentemente, nos ameaça. E daí vêm a agressividade e a raiva.

O que é interessante é fazer o exercício, nem sempre tão simples, de analisar, de forma imparcial e objetiva, a raiz emocional oculta, que normalmente está por trás dessas explosões ou desses sentimentos agressivos. Essa raiz oculta pode estar associada ao medo, mas será também fruto, por exemplo, da frustração, da impotência, do sentimento de rejeição e vai por aí afora.

Portanto, antes de despejar em cima de alguém toda uma carga de violenta emocionalidade, pare paraMedo contar até dez e pense com serenidade em sua próprias frustrações. Aumente um pouco o tamanho de seu pavio, pois, nesta semana, por conta da triangulação Marte-Plutão-Urano, o que nós pensávamos ser uma simples bombinha de São João pode ter o efeito de uma bomba atômica, catalizando os nossos excessos emocionais, nossa raiva e nosso medo. E as pessoas ao nosso redor não têm culpa de nossas limitações e ranços internos.

Vença seus medos, controlando, assim, sua raiva. Encare-os como desafios a serem vencidos e não como algo que pode paralisar as suas ações. Ou, ao contrário, condene-se a um eterno vagar pelas impossibilidades e pela infelicidade.

Dica Cinematográfica

O filme Voltando a Viver (Antwone Fisher, USA, 2002), o primeiro dirigido por Denzel Washington, em que você irá aprender as consequências de disparar indiscriminadamente a nossa ira. E, o mais importante, como fazer para transmutá-la.

 

Análise Cíclica

Independentemente da qualidade própria desse momento, sinalizada pela conjunção Marte-Plutão, do ponto de vista ciclológico cabe também uma observação.

Como já comentamos em outros artigos, nesta coluna, o ciclo sinódico entre dois planetas se dá da seguinte maneira: na conjunção (quando os dois planetas se encontram no mesmo grau do Zodíaco), inicia-se um ciclo, novas sementes são lançadas, algo novo começa. O planeta mais rápido continua avançando e, na oposição (quando os planetas estão a 180º), esse ciclo atinge o seu máximo. Nesse ponto, as sementes lançadas no momento da conjunção frutificam (para bem ou para mal) e rendem resultados. Mas, entre a conjunção e a oposição e vice-versa existem dois momentos em que os planetas se colocam em quadratura (a 90º um do outro). Os pontos de quadratura representam momentos de crise, de oportunidade. A quadratura crescente (entre a conjunção e a oposição) está relacionada a crescimento. Às vezes, nesta fase, faz-se necessário um ajuste ou reordenamento de metas, para que os projetos ou vivências iniciadas na conjunção continuem ou até mesmo se extingam de vez. Já a quadratura minguante (entre a oposição e a conjunção) está relacionada a uma crise que solicita novos ajustes, porém com vistas ao encerramento do processo.

Ciclo Sinódico

E, na nova conjunção, o ciclo é definitivamente encerrado e um novo se inicia.

Alguns desses ciclos duram um mês, como é o caso dos ciclos envolvendo a Lua. Outros duram vinte anos, como é o caso do ciclo Júpiter-Saturno. E outros ainda duram dois anos a dois anos e meio, como é o caso deste ciclo Marte-Plutão.

Quando observamos esse tipo de ciclo, percebemos que o tempo e seu desenrolar em nossa vida fica impregnado de significados. E vivemos em meio a uma infinidade desses ciclos, que se mesclam e se interpenetram entre si.

A vez mais recente em que Marte e Plutão fizeram uma conjunção foi em Outubro de 2016. Avalie com cuidado: que sementes você lançou, nos entornos desse momento? Que projetos ou vivências você iniciou aí?

Marte e Plutão fizeram uma quadratura crescente em Fevereiro de 2017. Pergunte-se: que tipo de crise de ajustamento seu projeto ou vivência passou, durante esse momento?

A oposição Marte-Plutão ocorre agora, em Junho e vai até meados de Julho de 2017. Aqui acontece o apogeu do ciclo. Que frutos você está colhendo?

A quadratura minguante Marte-Plutão ocorrerá em Novembro de 2017.  Eis aí o momento da crise final, o princípio do fim do ciclo.

E a próxima conjunção Marte-Plutão só ocorrerá em Abril / Maio de 2018, encerrando o ciclo iniciado em Novembro de 2014 e começando outro.

Fique atento. E aproveite para usar os momentos cíclicos a seu favor, em vez de nadar contra a correnteza cósmica.

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O Sol entra em Câncer – Solstício de Inverno

Em sua trajetória zodiacal, o luminoso astro do dia adentra o signo de Câncer, dando início a um ciclo de recolhimento e introspecção, de resgate da memória.

A entrada do Sol em Câncer, neste dia 21 de Junho, à 1h24, hora de Brasília, estabelece o Solstício de Inverno para o Hemisfério Sul, marco inicial da estação invernal, que se estenderá até o Equinócio de Primavera, que ocorrerá em 22 de Setembro, com a entrada do Sol em Libra.

Primeiro signo do elemento água, segundo signo cardinal, Câncer está associado ao ponto cardeal norte, simbolicamente vinculado ao útero e à caverna, ambientes de transmutação alquímica. Em hebraico, a palavra “saphon”, que significa “norte”, possui também a acepção de “oculto”, “nebuloso” e Câncer está também associado à meia-noite, onde há ausência total de luz.

Mitologicamente, esse signo está associado à aventura do herói Hércules, quando teve de enfrentar a Hidra de Lerna, peçonhento monstro de nove cabeças que, se cortadas, faziam brotar duas em lugar de cada uma. Assim são as nossas emoções: se não forem bem resolvidas, sempre voltam com intensidade dobrada! A enorme serpente possuía ainda um hálito mortal que empestava o ambiente, envenenando homens e animais. Ajudado por seu sobrinho Iolau, o herói consegue destruir a fera, em uma batalha cheia de peripécias. Em meio à luta, antevendo a vitória do herói, a cruel Hera, esposa de Júpiter, faz surgir um enorme caranguejo, que aplica violenta pinçada no tornozelo de Hércules.

Apesar da dor, o herói destrói o bicho com uma impiedosa pisada, quebrando-o em mil pedaços. Reconstituído, o caranguejo é colocado no céu por Hera, na constelação de Câncer (Caranguejo). Também a monstruosa Hidra se transforma numa constelação.

A entrada do Sol em Câncer é um convite a um recolhimento, que nos faz olhar para o passado e, através do quebra-cabeças da Memória, reconstituir o conhecimento. Há uma “mordida” que nos desperta, justamente do caranguejo: é a memória, que nos ajuda a resgatar a Sabedoria Primordial.

Durante a estada do Sol no signo de Câncer, somos convidados a uma maior interiorização, como o caranguejo, que sempre vive recolhido à sua carapaça.

Aproveite a fase para recolher-se um pouco, mergulhar em seu útero, para, vencendo as emoções inferiores, transmutar-se num ser cada vez melhor, mais útil ao próximo, mais em comunhão com o Cosmos.

Hércules vivido nas telas por Steeve Reeves

Hércules vivido nas telas por Steeve Reeves

Um detalhe.

Hércules tinha a obrigação de cumprir dez trabalhos e não doze. Acabaram sendo doze no total pelo fato de que dois deles foram anulados, o que obrigou o herói a compensá-los. E um dos que foram anulados foi exatamente esse, da Hidra de Lerna.

E sabe por qual motivo?

Ao perceber que as cabeças da Hidra se duplicavam, quando eram cortadas, Hércules teve a ideia de cauterizar as feridas. E assim fez, usando um enorme tronco em brasa. Acontece que, para isso, contou com a ajuda de seu sobrinho Iolau, o que invalidou o trabalho.

Assim também com nossas emoções: essa é uma fera que você tem que encarar sozinho. Um bom amigo ou mesmo um terapeuta até podem ajudar, ouvir e se solidarizar. Mas é cada um de nós e mais ninguém o responsável por vencer esse nosso monstro interior.

Outro detalhe.

Na hora exata do Solstício, o Sol está em sêxtil (ângulo de sessenta graus) com o planeta Urano. Uma configuração bastante auspiciosa, se considerarmos que Urano, regente do signo de Aquário, é quem rege os processos de inovação, renovação e criação.

O Inverno começa com um toque revolucionário, um convite a uma reflexão sobre o que na sua vida precisa ser renovado e ressignificado. Um tom de reinvenção, que deverá se estender por toda a estação.

É… Esse Inverno promete…

O nosso abraço de parabéns a todos os cancerianos, esses seres magníficos que, mais do qualquer outro, sabem viver as suas emoções.

E a todos os nosso amigos e leitores, um Feliz Inverno, com o versos do Poetinha, o querido Vinícius de Moraes, em seu Soneto ao Inverno!!!

 

Inverno, doce inverno das manhãs
Translúcidas, tardias e distantes
Propício ao sentimento das irmãs
E ao mistério da carne das amantes:

Quem és, que transfiguras as maçãs
Em iluminações dessemelhantes
E enlouqueces as rosas temporãs
Rosa-dos-ventos, rosa dos instantes?

Por que ruflaste as tremulantes asas
Alma do céu? o amor das coisas várias
Fez-te migrar – inverno sobre casas!

Anjo tutelar das luminárias
Preservador de santas e de estrelas…
Que importa a noite lúgubre escondê-las?

Sol em oposição a Saturno

Crise entre o luminar do dia e o restritivo Saturno, indicando a necessidade de tomada de consciência dos próprios limites.

Neste dia 15 de Junho de 2017, Sol e Saturno se colocam a cento e oitenta graus de distância angular, formando o que se chama em Astrologia de oposição. Um aspecto tenso e conflitivo.

Em Astrologia, o Sol representa a nossa consciência, a capacidade de iluminar, com a luz da nossa razão, os fenômenos da vida e, assim, aprender com eles, sejam erros, sejam acertos.

Saturno, chamado o mestre restritivo, é aquele que nos ensina pela restrição, estabelecendo

dificuldades e obstáculos para que, vencendo-as, possamos edificar o nosso crescimento.

Esses dois astros são importantíssimos para a evolução do ser humano enquanto indivíduo, por nos oferecer duas significativas funções da alma: o Rei (Sol) e o Construtor (Saturno) dentro de nós.

Quando esses dois arquétipos se encontram alinhados, trabalhando de forma integrada, podemos aproveitar as melhores qualidades de ambos, que se reforçam e estimulam reciprocamente. E teremos, portanto, a possibilidade de usar melhor a consciência e a razão para edificarmos o que desejamos ou necessitamos.

Quando, porém, Saturno e Sol resolvem entrar em conflito, como agora, perdemos boa parte de nossas habilidades construtivas ou, o que é pior, perdemos a chance de edificar nossos potenciais.

Uma boa maneira de se dar o primeiro passo em busca de nossas potencialidades está em, inicialmente, conhecer (e reconhecer) os próprios limites. Atente para esse exercício, uma vez que a quadratura entre Sol e Saturno é um indicativo de excessos egóicos que podem ofuscar esse conhecimento.

Não permita que a frieza ou o formalismo castrem sua alegria, mas não deixe que um possível excesso de brilho e centralização lhe deixem com fama de “chato exibicionista”.

Procure, isso sim, dar o melhor de você em tudo aquilo que você fizer, até mesmo em função de que neste momento estará ocorrendo uma maior cobrança de suas responsabilidades, quanto à precisão e à perfeição.

Fique também atento a conflitos de poder e/ou com figuras de autoridade. Mas lembre-se: antes de acusar o seu chefe ou o seu pai (ou qualquer pessoa a quem você deva obediência e respeito) de intransigência e castração, lembre-se de que é sempre você o responsável pelos seus fracassos. E de repente, essas pessoas se manifestam assim, em sua vida, apenas para expressar, exteriormente, aquilo que você ainda não dominou, interiormente.

Lembre-se do que dizia o velho ditado japonês: “A vida é uma pedra de amolar que vos desgasta ou vos afia, dependendo do metal de que sois feitos”.