Conflito envolvendo Vênus, Júpiter e Plutão

Vênus, Júpiter e Plutão formam a configuração conhecida como “Quadratura T”, indicando a possibilidade de crises e conflitos afetivos de grande intensidade.

 

Alguns leitores desta coluna por diversas vezes já questionaram este autor, no que diz respeito a uma suposta predileção pelos eventos astrológicos envolvendo o planeta Vênus.

Vênus rege a beleza, a arte, a sensibilidade e, sobretudo, o amor, o afeto e todas as suas formas de expressão. E poucas coisas são tão presentes em nossa vida quanto o amor, considerado por muitos a maior força emocional do Ocidente.

Sendo assim, é natural que os eventos astrológicos envolvendo Vênus nos mobilizem de uma forma especial. Não que haja nenhuma “predileção”. Mas, se Vênus está formando configurações significativas com outros astros, provavelmente isso causará algum tipo de impacto sobre todas as pessoas, em todo o mundo, em maior ou menor escala.

Nesta semana, um desses eventos significativos ocorre: Vênus se posiciona, dentro da roda zodiacal, a 180 graus de distância de Plutão, o que chamamos de oposição. Por sua vez, Júpiter e Plutão se colocam a 90 graus, ou seja, uma quadratura. E Júpiter fecha o cerco, também a 90 graus de Vênus. Isso perfaz a configuração, extremamente tensa, que se chama em Astrologia de “Quadratura T”.

Isso pode desencadear crises e conflitos de grande intensidade.

Porém, é sempre importante lembrar, uma crise pode traduzir algum tipo de perigo, mas sempre trará, igualmente, oportunidades.

No caso da Quadratura T entre Vênus, Júpiter e Plutão, a oportunidade se dá quando a crise faz emergir ranços e emocionalidades não resolvidas, por vezes muito antigas, mas nem por isso menos desagregadoras. Isso pode desencadear situações que exigirão de nós coragem e humildade.

A esse respeito, há um interessante mito, uma das mais belas páginas da mitografia grega, que conta a história de Admeto e sua esposa Alceste.

Admeto, rei da Tessália, havia conseguido de Apolo, o deus-sol, a dádiva de, chegando a hora de sua morte, ter seu tempo de vida prorrogado, desde que alguém se dispusesse a morrer em seu lugar. Quando Tânatos, o deus da Morte, veio buscá-lo, Admeto procurou entre os seus súditos alguém que se dispusesse a morrer por ele. Mas, apesar de ser um rei muito amado por seu povo, ninguém se habilitou a tal sacrifício. Nenhum de seus irmãos, primos ou parentes se ofereceu. E até mesmo seus pais, apesar de muito velhinhos, se dispuseram a abandonar a vida, em favor do filho.

Diante disso, a bela rainha Alceste prontifica-se ao sacrifício e voluntariamente decide acompanhar Tânatos ao Hades, o reino dos mortos (domínio do deus Plutão!), para que seu amado esposo pudesse viver.

E assim é!

Em meio às lágrimas do povo, Alceste se despede de suas irmãs, de seus filhos, de seus pais e de seu marido, entregando-se de bom grado ao abraço da morte, por consenso de que seria mais útil aos filhos a presença do pai do que da mãe.

Em meio ao luto do país e da família, chega ao Palácio de Admeto o poderoso Hércules, filho de Júpiter e o maior herói da Mitologia. Sem nada saber da tristeza que assolava aquela casa, Hércules pede pousada por uma noite, no que é prontamente atendido, mesmo porque a hospedagem era um ato sagrado, na Grécia daqueles tempos.

Enquanto se banhava, Hércules bebe o vinho oferecido pelos servos de Admeto, canta e faz gracejos e se espanta que as pessoas não o acompanhem em sua alegria. Descobre, então, pasmado, o luto que se abate sobre a família que o hospeda e, tomado de vergonha pelo barulho que fizera, pergunta a uma serva há quanto tempo a morte levou sua senhora. “Há pouco mais de duas horas”, responde a chorosa criada. E conta toda a história da escolha voluntária da rainha.

Num ímpeto de comoção e entusiasmo, o herói toma uma decisão: vai partir em busca de Tânatos e trará Alceste de volta à vida, ou morrerá tentando. E assim parte Hércules, em meio ao espanto entremeado de esperança que se espalha pela casa e pelo país.

A corrida agora é contra o tempo: se Hércules alcançar Tânatos antes que este chegue às margens do Rio Estige (o rio que circunda o Hades), terá uma chance de sucesso. Em caso contrário, será tarde demais.

Hércules, porém, corre com a velocidade do pensamento e, enfrentando mil perigos, alcança Tânatos em tempo e, desafiando-o a um combate, exige que lhe devolva a psique de Alceste, para que possa restituir-lhe a vida ao corpo. O anjo da morte quase não acredita na ousadia de Hércules. Mas nem por isso se furta ao combate. E a terra treme ante a fúria dos dois titãs, que se envolvem em luta encarniçada.

Hércules triunfa!

E retorna ao palácio de Admeto e restitui o alento vital a Alceste, que desperta para a vida, para a felicidade e gratidão de todos os súditos, familiares e, especialmente, do esposo.

E o casal real vive feliz por muitos e muitos anos mais.

Não é uma bela história?

Agora, vejamos que significados podemos extrair dela. Observe que cada personagem do mito é parte de nossa própria alma, um pedaço de psique.

Admeto representa os padrões emocionais, conscientes ou inconscientes, que trazemos do passado. Assim como Admeto, muitas vezes fazemos pactos, que, sem que possamos perceber, pautam nossas escolhas e nosso destino. Repetimos padrões, muitas vezes aprendidos desde a infância, outras vezes criados por nós mesmos, como mecanismos de defesa. E criamos situações que possam confirmar nossas crenças e padrões. O ciúme é um exemplo clássico de um desses padrões; o controle excessivo sobre o outro, a possessividade que sufoca, é outro exemplo.

Alceste é a representação do amor, do afeto. A qualidade da relação, que será sacrificada para que nós possamos cumprir com os nossos pactos, mantendo os padrões emocionais desagregadores.

Tânatos, o anjo da morte, significa a reciclagem, a possibilidade de transformação. A morte de Alceste, ainda que rapidamente revertida pela intervenção de Hércules, representa a transmutação alquímica necessária ao processo de crescimento e desenvolvimento. A dissolução dos padrões desagregadores e a abertura a novos comportamentos.

Hércules é o herói interno, a parte de nossa alma que decide e se lança, buscando romper os padrões. Carrega em si a coragem e a iniciativa para mudar.

Durante esta semana, com a Quadratura T entre Vênus, Júpiter e Plutão, você terá a oportunidade de resgatar a sua Alceste interna das garras da morte. Isso pode se dar por meio de uma crise ou por meio de um processo de conscientização.

Se for pela consciência, ótimo!

E se for pela crise, saiba transformá-la em oportunidade de crescimento.

E lembre-se: um amor vivo é um amor em conflito, na eterna dinâmica do morrer e renascer.

Dica Cinematográfica

O filme Álbum de Família  (August: Osage County, USA, 2013), dirigido por John Wells e estrelado por um 

 

super elenco que inclui Julia Roberts, Merryl Streep, Chris Cooper, Sam Shepard e Ewan McGregor, entre outros…

Você vai conhecer a história de uma família cujos membros são prisioneiros de pactos secretos do passado. E que se transformam em amargura para as relações.

Alceste precisa ser resgatada urgentemente…

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Sobre Haroldo Barros

Sou profissional da Astrologia e outras práticas da evolução humana há vinte e cinco anos. A minha contribuição para a ordem cósmica consiste em ajudar as pessoas encontrarem os caminhos e os meios de cultivar a própria felicidade.

Publicado em 16/08/2017, em Posts Astrais. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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