Arquivo mensal: setembro 2017

Júpiter em oposição a Urano

Conflito entre esses dois planos da alma, ficando exato neste dia 28 de Setembro de 2017, indicando a necessidade de maior conscientização sobre as nossas idéias e seus respectivos alcances e significados.

“Nada é tão perigoso quanto uma ideia — quando você só tem uma.”

Ignacio de Loyola BrandãoEssa frase do escritor Ignácio de Loyola Brandão pode definir bem o risco que causa o excesso de centralização em uma ideia que consideramos correta. Ou, se quisermos usar uma outra linguagem, os riscos do fanatismo.

A oposição (ângulo de cento e oitenta graus) entre Júpiter  e Urano indica um momento em que talvez tenhamos que abrir mais os olhos em relação às ideias dos outros e, sobretudo, em relação aos limites de nossas próprias ideias.

Inflamados por um ideal ou uma concepção idealista, muitas vezes deixamos de observar o mais sagrado dos deveres: o de respeitar as concepções e ideais do outro. Em um nível mais agudo, essa situação poderá acarretar uma hiper-inflação dos significados em relação aos significantes, ou seja, do ego em relação à ideia defendida, o que pode desencadear o surgimento de mosntruosidades internas, que afloram à superfície da psique e tendem a ampliar-se desmesuradamente.

Essas monstruosidades têm sido comuns ao longo da História e, em alguns casos, tomaram dimensões tenebrosas. Exemplos: Nero, Napoleão, Hitler, que se sentiram mais significativos do que seus semelhantes, a ponto de se julgarem sócios de Deus.

É preciso, portanto, perceber que, do outro lado de uma idéia, há sempre uma contra-idéia e nosso dever será sempre o de respeitar os pensamentos alheios, propondo uma ação universal de restauração do sentido mais amplo das coisas humanas, saindo do ego para a essência transumana. Exemplos: Sócrates, Gandhi, Luther King, que se sentiram tão significativos quanto seus semelhantes, a ponto de se fazerem instrumentos de Deus.

Nesse momento, portanto, cuidado: lembre-se de que todos têm a sua versão da verdade e a sua versão não necessariamente é melhor do que a versão de seu vizinho. E busque conscientizar-se dos alcances, mas também dos limites de suas idéias, a fim de que toda a Humanidade, e não apenas você e seu ego, possa beneficiar-se dela.

Análise Cíclica

Independentemente da qualidade própria desse momento, sinalizada pela oposição Júpiter-Urano, do ponto de vista ciclológico cabe também uma observação.

Como já comentamos em outros artigos, nesta coluna, o ciclo sinódico entre dois planetas se dá da seguinte maneira: na conjunção (quando os dois planetas se encontram no mesmo grau do Zodíaco), inicia-se um ciclo, novas sementes são lançadas, algo novo começa. O planeta mais rápido continua avançando e, na oposição (quando os planetas estão a 180º), esse ciclo atinge o seu máximo. Nesse ponto, as sementes lançadas no momento da conjunção frutificam (para bem ou para mal) e rendem resultados. Mas, entre a conjunção e a oposição e vice-versa existem dois momentos em que os planetas se colocam em quadratura (a 90º um do outro). Os pontos de quadratura representam momentos de crise, de oportunidade. A quadratura crescente (entre a conjunção e a oposição) está relacionada a crescimento. Às vezes, nesta fase, faz-se necessário um ajuste ou reordenamento de metas, para que os projetos ou vivências iniciadas na conjunção continuem ou até mesmo se extingam de vez. Já a quadratura minguante (entre a oposição e a conjunção) está relacionada a uma crise que solicita novos ajustes, porém com vistas ao encerramento do processo.

E, na nova conjunção, o ciclo é definitivamente encerrado e um novo se inicia.

Alguns desses ciclos duram um mês, como é o caso dos ciclos envolvendo a Lua. Outros duram vinte anos, como é o caso do ciclo Júpiter-Saturno. E outros ainda duram em torno de quinze anos como é o caso deste ciclo Júpiter-Urano.

Quando observamos esse tipo de ciclo, percebemos que o tempo e seu desenrolar em nossa vida fica impregnado de significados. E vivemos em meio a uma infinidade desses ciclos, que se mesclam e se interpenetram entre si.

A vez mais recente em que Júpiter e Urano fizeram uma conjunção foi em Maio de 2010 a Janeiro de 2011. Avalie com cuidado: que sementes você lançou, nos entornos desse momento? Que projetos ou vivências você iniciou aí?

Júpiter e Urano fizeram uma quadratura crescente em Agosto de 2013 a Maio de 2014. Pergunte-se: que tipo de crise de ajustamento seu projeto ou vivência passou, durante esse momento?

A oposição Júpiter-Urano ocorre agora, de Dezembro de 2016 a Outubro de 2017. Aí acontece o apogeu do ciclo. Que frutos você está colhendo?

A quadratura minguante Júpiter-Urano ocorre em Janeiro de 2021. Eis aí o momento da crise final, o princípio do fim do ciclo.

E a conjunção Júpiter-Urano ocorrerá em Abril de 2024, encerrando esse ciclo e começando outro.

Um ciclo dessa magnitude, de tão larga amplitude de tempo, tem desdobramentos mais visíveis nas áreas da Política, da Ciência ou da Economia. Mas, se observarmos, poderemos perceber que as nossas vidas, enquanto indivíduos, recebem, também, impactos significativos, a partir de ciclos dessa natureza.

Fique atento. E aproveite para usar os momentos cíclicos a seu favor, em vez de nadar contra a correnteza cósmica.

 

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O Sol entra em Libra. Equinócio de Primavera!!!

 

Às  17h02 desta sexta-feira, 22 de Setembro, o astro do dia, em seu eterno caminho ao
longo do Zodíaco, adentra o signo de Libra, dando início à Primavera.

Dentre os muitos e sutis ciclos sobre os quais se baseia a realidade, talvez o que mais sentimos seja o ciclo solar, ou seja, o período de um ano que o Sol leva para completar uma revolução ao redor do Zodíaco. Esse período é tão natural ao ser humano que a própria História é sempre medida em anos ou em seus múltiplos (décadas, séculos, etc.).

tulipasInteressante será notar que esse período tem, também, as suas divisões internas, podendo ser compreendido em quatro etapas distintas, exatamente aquilo a que chamamos de Quatro Estações do Ano.  Em cada uma delas, a Natureza se comporta de uma forma diferente, obedecendo a ciclos que regem o próprio ritmo universal. Obviamente, esses mesmos ciclos ocorrem no interior de nossa própria alma e corpo, uma vez que o Macrocosmos (o Universo) e o Microcosmos (o Homem) são sempre análogos, refletindo este o que aquele retrata.

Isso quer dizer que, também em nossos corações e mentes, existem e existirão sempre as quatro etapas do ano, assim como também as quatro etapas do mês, correspondentes às fases lunares, tudo reflexo do grande Ciclo do Cosmos.

Sendo, por excelência, a Ciência dos Ciclos, um Relógio Qualificador do tempo, a Astrologia estuda esses movimentos cósmicos e, evidentemente, a sua relação com o Homem.

A entrada do astro-rei nos signos cardinais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio) é o marco astronômico e simbólico do início de cada uma das estações, onde o Cosmo nos convida a uma vivência relativa ao período específico.

Ao entrar em Áries, o Sol dá início à estação do Outono (para o Hemisfério Sul;

Quando chega a Câncer, inicia-se o Inverno.

A Primavera chega quando o radioso astro-rei toca o signo de Libra.

E, finalmente, com a entrada do Sol em Capricórnio, inicia-se o Verão, a estação da plenitude da Natureza, dando seqüência ao interminável e inexorável movimento dos Céus.

Mitologicamente, as quatro estações estão relacionadas com a deusa Ceres e sua filha Core (Perséfone), raptada por Plutão (senhor dos mundosrapeofproserpina infernais) e forçada a tornar-se sua esposa.

Uma inflexível lei determinava que qualquer um que penetrasse nos reinos de Plutão e ali comesse algo estaria condenado a lá permanecer por toda a eternidade. A pobre criança, assediada por Plutão, acabou engolindo um pequeno caroço de romã, o suficiente para que o traiçoeiro Plutão reivindicasse a presença da jovem em seus domínios para todo o sempre.

Um acordo, porém, foi feito: a jovem passaria seis meses do ano com Plutão, nos subterrâneos infernais e os demais seis meses com a mãe, na superfície.

Os antigos gregos entendiam que essa era a representação mitográfica das quatro estações.

Interessante notar que Ceres (chamada de Deméter pelos romanos) era a deusa dos campos cultivados. Já a palavra “core” deriva diretamente do radical grego que significa “grão” (= “semente”).

E assim se desenrola, exatamente como retrata o mito, o ciclo inexorável das estações: nos meses de Outono e Inverno, Core se mantém sob a superfície (a semente, lançada à terra, se nutre e se prepara para o desabrochar), na companhia de seu esposo Plutão; por isso, nesse período, a Natureza, entristecida, murcha e se interioriza; no início da Primavera , a jovem retorna à superfície e aí permanece até o final Verão, e se encontra com a sua mãe, fazendo com que toda a Natureza desabroche (a semente germina e aflora) de pura felicidade e celebração.

Se ficarmos atentos, poremos notar o desenrolar das estações em nossa alma, nossos sentimentos, nossos projetos e mesmo em nossas atividades do cotidiano.

Obviamente, para quem mora muito próximo à linha do Equador, as estações do ano não são assim tão bem delineadas. É mais comum que se pense em duas estações: uma chuvosa e outra seca. Entretanto, qualquer um de nós poderá observar toda essa ciclologia, simplesmente prestando atenção aos nossos próprios ciclos internos.

primavera-despertaHá momentos ou fases de vida em que estamos mais invernais: recolhidos, introspectivos, meditativos. Em outros, estamos mais primaveris: desabrochando, crescendo. Em outros ainda, somos a própria encarnação do outono: descascamos, jogamos fora o que não presta, preparamos para a renovação. Ou podemos ser como um verão: festivos e alegres, celebrando a culminância.

Viver cada uma dessas fases com consciência e sincronicidade aos ritmos cósmicos pode ser um passo para a compreensão da realidade e uma ponte para o auto-conhecimento.

A entrada do Sol em Libra  marca o início da Primavera, ou seja o Equinócio de Primavera para o Hemisfério Sul, momento cosmicamente convidativo para o desabrochar de nossos projetos, de nossas idéias e de tudo aquilo que pretendemos transformar em realidade. Toda essa fase poderá estar permeada de uma serenidade e uma significativa fantasia que permitirá estabelecer nossos objetivos com equilíbrio e vivenciar a paz e a alegria de viver.

Aproveite, portanto, o momento, lembrando-se de que o desabrochar de sua beleza interna, seus potenciais e sua alegria só tem sentido se for para fora, para o mundo, pois com Libra se inicia o ciclo dos signos voltados para o social, para o que está além do eu individual, ciclo que vai até Peixes.

Afinal, não se fala em desabrochar para dentro, não é mesmo?

Aproveitamos para desejar a todos os nossos amigos e leitores uma Feliz Primavera!

E aos librianos, uma linda celebração de aniversário!!!

Um presente

Para celebrarmos adequadamente, oferecemos um presente poético.

A Canção da Primavera. de Mário Quintana, com quem aprendemos a renascer, a cada Primavera:

Um azul do céu mais alto,

Do vento a canção mais pura

Me acordou, num sobressalto,

Como a outra criatura…

 

Só conheci meus sapatos

Me esperando, amigos fiéis

Tão afastado me achava

Dos meus antigos papéis!

 

Dormi, cheio de cuidados

Como um barco soçobrando

Por entre uns sonhos pesados

Que nem morcegos voejando…

 

Quem foi que ao rezar por mim

Mudou o rumo da vela

Para que eu desperte, assim, como dentro de uma tela?

 

Um azul do céu mais alto,

Do vento a canção mais pura

E agora… este sobressalto…

Esta Nova Criatura!

mario-quintana1

Vênus entra em Virgem

Neste dia 19 de Setembro de 2017, o planeta Vênus adentra o signo de Virgem, inaugurando um ciclo de reflexão sobre a necessidade de resgatar a pureza e os princípios que regem o amor.

 

 “Eu não sou eu nem sou o outro

Sou qualquer coisa de intermédio

Pilar da ponte de tédio

Que vai de mim até o outro”

 

Os versos acima, do poeta português Mário de Sá-Carneiro, retratam uma realidade tanto comum como lamentável: o óbvio fato de que a maioria das relações afetivas fatalmente descamba para a mais penosa e tediosa das agonias. Depois de algum tempo, uma boa parte dos casais apenas “vai convivendo”, sem que isso traga qualquer coisa de significativo ou impactante para suas vidas.

Mário de Sá-Carneiro

Mário de Sá-Carneiro

A entrada do planeta Vênus, regente do amor e do afeto, no signo de Virgem é um convite do Cosmos para que você repense as formas possíveis de resgatar a pureza dos relacionamentos e revisitar os princípios que regem a sua forma de se relacionar.

Observe-se que, lingüisticamente falando, amar é um verbo. Ou seja, uma palavra que designa uma ação, não um sentimento. O amor, um sentimento, é fruto da ação amar. As pessoas, carentes de significado em suas vidas, é que transformam o verbo amar em um sentimento e acabam sendo levadas por esses sentimentalismos e emocionalidades. O glamour hollywoodiano, a literatura e as novelas de TV nos ensinam que nós não somos realmente responsáveis, pois nosso comportamento é fruto de nossos sentimentos. Mas os roteiros cinematográficos não refletem a realidade. Se nossos sentimentos controlarem nossas ações, estaremos abdicando de nossas responsabilidades e transferindo a apenas uma parte de nós o comando de tudo.

Portanto, amar, verbo, não significa sentir algo, mas fazer algo. Amar é cuidar, proteger, partilhar. Amar é considerar, doar-se, manifestar afeto.

As pessoas que amam de verdade fazem do amar um verbo, pois sabem que o amor é algo que se realiza e se cultiva: os cuidados, o desprendimento, o colocar os interesses do outro no centro das suas atenções. Amar, portanto, é um bem, um ativo patrimonial na contabilidade dos relacionamentos, um bem que se valoriza por meio de atos amorosos.

As pessoas que amam de verdade subordinam os sentimentos aos valores e aos princípios. Somente assim o amor, sentimento, poderá ser recapturado.

E como começamos com poesia, terminemos idem. Mas desta vez, para nos ajudar a refletir sobre o significado do amor em nossa vida, os versos do poeta pernambucano João Luís Martins:

 

Acende uma luz na cabana da clareira

E sai a mulher com o brocado de flores,

Ainda em molhadas contas

Cantarolando canções do campo e  desejando

Que seu homem fizesse um trabalho bom.

 

Não queria o ótimo

Queria tudo o que fosse simples

E para repartir o pão-da-mesa bastavam

Os olhos cheios de ternura um com o outro

O coração cheio de amor e a luz da vela

Brilhando as intenções de ambos

Tudo isso queria ela

E o seu desejo dava-lhe luz aos olhos,

Qual a vela, poderia ser.

 

Lá vem a mulher do brocado de amor

Flores buscadas numa manhã-de-calor

O cheiro do ar forte, como fortes são os dois

Quando se unem à noite ou à tardinha

Bem no cume da clareira.

 

E ela espera pela vinda dele

E ele espera onde está pela espera do rosto dela

Fitando as ilusões que eles criam:

O trabalho que os dois conspiram em criar

Sua casa arrumada por ele

E o jardim, bom amigo, por ele construído com amor

 

Sim, o mesmo amor de um beijo

Quando da vela não se apaga com um sopro,

Molha a mão dele na boca úmida dela

E pega na chama

E arde as emoções dos dois

Pois a luz chega ao fim de sua trajetória

Objetiva em iluminar,

Passando ao desafio objetivo em agora

Deixar, no escuro, que vivam um amor

Bem forte como o trabalho,

Cultivado como o jardim,

Querido por todos aqueles corações

Que se unem e deixam-se horas a gastar

A gostar do amor que, aos poucos, os toma aos dois.