Arquivo mensal: outubro 2017

O Sol entra no signo de Escorpião

  Neste dia 23 de Outubro de 2017, o Sol entra no signo de Escorpião, inaugurando um ciclo de transmutação e regeneração.

O signo de  Escorpião está associado ao mito de Orion, um gigantesco caçador, filho de Netuno, que, de tão hábil, gabava-se de matar qualquer animal que na terra vivesse. A Mãe Terra (Gea ou Gaea) não se conforma em ouvir tal desaforo e envia-lhe um enorme escorpião, desafiando o caçador a matá-lo. Orion faz pouco do bicho e, com o pé, esmaga-lhe a cabeça; esquece, porém, que é na cauda que se situa o ferrão do perigoso animal; e é exatamente esse ferrão que o escorpião, apesar de ter a cabeça arrebentada, crava na perna de Orion, inoculando-lhe o seu letal veneno.

O soberbo caçador morre, padecendo de terríveis dores e será catasterizado (= “transformado em constelação”), formando o agrupamento de estrelas que leva o seu nome, a pedido da deusa Diana (= a Lua).

Simbolicamente, o signo de Escorpião representa esse veneno, capaz de matar (= transformar, transmutar), para fazer transcender para algo que está “mais além”.No livro O Pequeno Príncipe, de Exupèry, é o veneno de uma serpente do deserto que faz o jovem principezinho viajar de volta ao seu pequeno planeta; do mesmo modo, a borboleta “mata” a lagarta, ao transformar-se de uma para outra. Assim também o feto, dentro do útero, “morre” para renascer um ser vivo independente; assim também o adulto “mata” o jovem, quando atinge a maturidade

Viver, portanto, é sinônimo de nascer, evoluir, morrer e renascer, numa interminável seqüência, consoante os ciclos cósmicoscorpios.

Compreender Escorpião é compreender o Mistério da evolução, da regeneração e da morte; é compreender a liberação das energias necessárias à transformação.

E é, sobretudo, compreender o erro sobre o qual se construiu a nossa civilização: a ilusão de que o eu é a última realidade; de que o progresso contemporâneo e finito é mais importante do que os ciclos infinitos e sutis, muito mais sutis, que se mesclam com a realidade; de que podemos acender as luzes do inconsciente sem venerar o Incognoscível; e de que a realidade superficial das coisas é mais significativa do que a ordem oculta em que ela se baseia.

E lembre-se: já que o Universo é dinâmico e eternamente em estado de metamorfose, a mudança invariavelmente acontece, quer você goste disso ou não. É melhor que as transformações aconteçam sob seu controle e sua opção.

Shirley ValentineAproveite, portanto, a estada do Sol em Escorpião para detonar as mudanças de que você necessita e que, às vezes, fica adiando, por acomodação ou mesmo por (desculpe a franqueza!) covardia.


Dica cinematográfica
: o filme Shirley Valentine (Shirley Valentine, USA/Reino Unido, 1989), dirigido por  Lewis Gilbert e estrelado por Paulline Collins. Você vai conhecer a bela e improvável história de uma dona de casa que, após uma profunda conversa com as paredes de sua casa (??!!!?!) foi capaz de matar o que já estava morto.

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Vênus e Marte em conjunção

Encontram-se neste dia 05 de Outubro, Vênus e Marte, indicando a possibilidade de união entre força e sensibilidade.

 

Há uma interessantíssima passagem da Mitologia Greco-Latina, eterna e inesgotável fonte de sabedoria, que vale a pena conhecer.

Conta-se que a belíssima deusa Vênus, chamada Afrodite pelos gregos, deusa do amor e da beleza, era dada, como não podia deixar de ser, a entregar-se aos jogos da conquista e da sedução. E linda e exuberante como era, não lhe faltavam pretendentes, que ela convertia em amantes, ao seu bel prazer. Mas, dentre todos esses pretendentes, dois se destacavam, pela fama, pela insistência e pela rivalidade que devotavam um ao outro, na disputa pela preferência da magnífica deusa.

O primeiro era Apolo, o deus Sol: belo, garboso, sedutor, poético, voltado às artes e à música.

O segundo era Marte, o deus da guerra: bruto, violento, agressivo, grosseirão, voltado às lutas e à pancadaria.

E qual dos dois ela vai preferir?

Errou quem pensou em Apolo!

Era o violento Marte o preferido da deusa.

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Vênus e Marte

Surpreendente? Talvez… Mas o fato é que só nos braços da doce Vênus é que o bravo Marte repousava. Dessa “complexio oppositorum” (= união dos opostos), nascem vários filhos, entre eles Phobos (o pavor), Deimos (o espanto) e Éris (a discórdia), que passaram a acompanhar o pai nos campos de batalha.

Da mesma forma que na Mitologia, devemos buscar a união de opostos dentro de nós. E só quando conseguimos equilibrar a força de vontade com a alegria, a firmeza de propósitos com a gentileza, a força com a sensibilidade, é que estaremos caminhando reto na construção de um saudável equilíbrio nas relações, na profissão, na vida.

Ao longo dos próximos dias, o Cosmos poderá colocar você diante de situações que lhe forcem a construir esse equilíbrio.

Pode ser um grande aprendizado!

Fique atento.

E a propósito, o quarto fruto da união entre Marte e Vênus é a doce Harmonia, símbolo do equilíbrio, síntese da virilidade combativa do pai e da fertilidade e beleza da mãe.

Luciano de CrescenzoComo reflexão, invocamos Luciano de Crescenzo, ex-presidente da IBM na Itália e que abandonou uma brilhante carreira corporativa para se tornar ator e filósofo:

Somos todos anjos com uma asa só; e só podemos voar quando abraçados uns aos outros.