Arquivo mensal: novembro 2019

Vênus em conjunção com Júpiter

 

Aos vinte e oito graus do signo de Sagitário, encontram-se Vênus e Júpiter, indicando expansão da afetividade.

Conta uma das mais belas páginas da mitografia grega que o poderoso Júpiter, pai dos deuses e dos homens, soberano do Olimpo, passeava pela Terra, acompanhado de seu filho e mensageiro, o solerte Mercúrio.

Disfarçados, caminhavam por um vale habitado por diversas famílias de agricultores e pediram pousada em uma dessas casas.

Irritado, o fazendeiro alegou não ter alimento suficiente para receber nenhum viajante e mandou embora os peregrinos. Em outra casa, a dona disse não ter acomodações; e a cada casa em que chegavam, novo pedido e nova recusa. Furioso, Júpiter já pensava em punir toda aquela gente, por negar-se a prestar o sagrado serviço da acolhida e da hospitalidade, prática, aliás, determinada por ele próprio aos deuses e aos homens (por isso mesmo, Júpiter tinha o epíteto de Xenios, o “protetor dos estrangeiros”).

Na última das casas, tiveram sorte diferente: foram recebidos pelo velho Filemo e sua Esposa Báucis, um empobrecido casal, já no fim da vida, que abrem as portas para o que acreditavam ser viajantes em busca de pouso por uma noite.

Júpiter e Mercúrio em casa de Filêmon e BáucisAconchegados diante da lareira, Júpiter e Mercúrio observam Filemo colocar pétalas de rosas na água, para que os visitantes possam se lavar, enquanto Báucis tira-lhes as pesadas botas de viagem. Depois disso, os dois idosos desdobraram-se em preparar, com os parcos mantimentos de que dispõem, uma refeição decente para os viajantes, composta de figos e uvas secas, queijo e pão de cevada. Insatisfeito com a pobreza da refeição, Filemo, com um cutelo na mão, põe-se a perseguir o único pato da propriedade, uma velha ave que servia de vigia, a fim de levá-lo para a panela. Mercúrio ria-se com as infrutíferas tentativas do velho que, mal podendo andar, tropeçava e claudicava atrás do pato. Este, percebendo o perigo, esconde-se entre as pernas de Júpiter. O poderoso deus declara que o pato está sob sua proteção e deve ser poupado.

Após a refeição, Báucis prepara a cama para os viajantes, com palha fresca e lençóis de tecido velho e grosseiro, porém limpos.

Na manhã seguinte, Júpiter e Mercúrio revelam suas verdadeiras identidades e dizem que, como prêmio por sua caridosa hospitalidade para dois desconhecidos, Filemo e Báucis podem pedir qualquer coisa que desejarem. O velho casal se entreolha e pede apenas a graça de não sobreviver um ao outro: quando um deles morrer, que o outro o acompanhe imediatamente.

Profundamente tocado por aquela prova de amor conjugal, Júpiter sente saudades de sua esposa Hera e retorna com Mercúrio ao Olimpo, após abençoar o casal. Naquele instante, uma terrível inundação se abate sobre o vale, que fica inteiramente submerso, com exceção da propriedade de Filemo e Báucis. Sua casa se transforma num luxuoso templo em honra a Júpiter Xenios e eles são alçados à condição de sacerdote e sacerdotisa daquele templo.

Filemo e Báucis viveram ainda muitos anos em plena felicidade, chegando a uma idade avançadíssima, que mortal algum jamais alcançou.

Um dia, percebendo que havia chegado o momento, caminharam para a frente do templo, trocaram as últimas palavras e olhares, deram-se as mãos e prepararam-se para a última viagem. E sentiram, um no outro, a estranha transformação: uma grossa casca tomou o lugar da pele, o corpo de avolumou, os cabelos encanecidos se transformaram em lindas folhas verdes… Haviam se transformado em duas árvores, dois exuberantes loureiros, cujas ramagens se entrelaçam.

E dizem que até hoje, entre as ruínas do templo, os dois loureiros permanecemHugging Trees abraçados, um testemunho vivo de amor profundo e verdadeiro.

O grande trígono que estará nos céus nessa semana é um indicativo de um momento particularmente propício aos processos de aprofundamento e expansão dos relacionamentos.

Ótimo momento, portanto, para aquela conversa séria, para aquele grande projeto a dois, para o estabelecimento de grandes parcerias, pois as sementes lançadas ao solo neste momento terão as possibilidades de expansão e profundidade, a longo prazo.

Aproveite o momento. Reflita que, muito mais do que simplesmente romantismo, o amor é feito de companheirismo, cumplicidade e, claro, sacrifícios. Aliás, o amor se mede, sobretudo pelos sacrifícios.

O momento favorece a maturidade, a sensibilidade e generosidade para com o outro.

Uma sugestão.

Se você vivencia, neste momento, uma relação, fique atento: esse lindo encontro entre Vênus e Júpiter é na verdade um grande convite a que vivenciemos com toda a intensidade a beleza de momentos mágicos, encantados. Toda relação deve ser encarada com seriedade e objetividade. Mas deve haver o momento para o sonho e o encanto.

Bem, este é um momento para encanto.

Mais: como os astros envolvidos são os considerados os mais facilitadores e “benéficos” do Zodíaco, podemos imaginar que essa conjunção tem impactos positivos para todos nós.

O evento ocorre aos vinte e oito graus de Sagitário. Se você já tem o seu Mapa Natal, observe em que Casa Astrológica ocorre a conjunção entre Vênus e Júpiter. E você saberá em que área da vida pode esperar esse impacto positivo.

Uma dica.

Nos próximos dias, olhe para o poente, ao crepúsculo. Podemos nos preparar para contemplar esse fenômeno e, assim, abastecer a nossa alma com uma parcela dessa infinitude.

O Sol entra em Sagitário

Continuando o seu inexorável caminhar pelo círculo zodiacal, o astro-rei adentra o signo de Sagitário, neste dia 23 de Novembro, dando início a um ciclo de busca da transcendência e da expansão consciencial, onde, após o mergulho nos mistérios da transmutação (em Escorpião), a consciência busca vôos mais elevados.

Mitologicamente, o signo de Sagitário, último dos signos do elemento fogo, está associado ao mito do centauro Quíron, o grande sábio e médico, que habitava uma gruta na Tessália. As mais importantes famílias da Grécia enviavam-lhe seus filhos para que os educasse. Assim, os maiores heróis da Mitologia passaram por suas mãos, recebendo ensinamentos em Medicina, Matemáticas, Música, Astrologia, Dança e também nas artes da equitação e caça.

Seu mais famoso discípulo foi o grande Hércules, que se tornou também seu maior amigo.

Um dia, num conflito com os outros centauros, Hércules dispara uma de suas temíveis flechas, envenenadas com o mefítico sangue da Hidra de Lerna, um monstro tão peçonhento que qualquer criatura, ao ser contaminada com seu sangue, morreria instantaneamente. Isso se o ser em questão fosse mortal. Mas, se fosse imortal, seria acometido de uma ferida atroz, incurável, que o acompanharia por toda a eternidade.

Acidentalmente, a flecha resvala e vai se cravar na coxa de Quíron que se torna vítima da mais terrível ferida.

E o grande cirurgião, que a todos curava, não pode curar a si próprio.

O arqueiro dispara a flecha na direção do Infinito!

Quíron abdica de sua imortalidade, para encontrar a paz entre os mortos, no reino de Plutão. Mas, percebendo que aquele não é o lugar para um ser tão divinal, Plutão o reenvia para Zeus, o soberano dos deuses, que resolve catasterizá-lo, ou seja, transformá-lo em constelação, para que os homens sempre tivessem um exemplo, no Céu, de que a eterna sabedoria não morre jamais.

E assim surge a constelação de Sagitário, o arqueiro.

O centauro, animal mítico metade homem, metade cavalo, utilizado para representar o signo de Sagitário, simboliza três níveis evolutivos: em primeiro lugar, a bestialidade, representada pelas patas do cavalo; depois, a racionalidade, que vence a animalidade e é representada pela metade humana; e, finalmente, a busca da transcendentalidade, simbolizada pela flecha que o centauro dispara em direção ao Infinito e que está para além da própria razão. A flecha (palavra oriunda do vocábulo frâncico “fliugika” = aquilo que voa”) é o veículo simbólico através do qual a consciência se aparta do indivíduo a fim de unir-se ao seu Alvo, o Céu, em cuja direção viaja, lançada pelo arco certeiro do Centauro.

A entrada do Sol em Sagitário é um convite do Cosmos a que lancemos nossa consciência em direção ao Infinito, buscando o conhecimento que nos permite desapegar-nos das contingências da realidade e transcender aos verdadeiros valores do Sagrado. Mas lembre-se de que a vivência do Sagrado não é necessariamente uma vivência religiosa, pois a religião não detém o monopólio do Sagrado.

Aproveite. Pois há uma dimensão de sua alma que só pode ser preenchida e plenificada através desse sentimento de busca do Eterno.

Aproveitamos para desejar a todos os nossos amigos e leitores sagitarianos uma feliz celebração de aniversário. E muitas felicidades no novo ciclo que se inicia!!!

Marte entra em Escorpião

Neste dia 19 de Novembro, o planeta Marte ingressa no signo de Escorpião, dando início a um ciclo de ativação das energias de transformação e auto-superação.

Transformar, mudar, regenerar é preciso! Mas, mesmo uma caminhada de dez mil quilômetros começa com o primeiro passo. A entrada de Marte no signo de Escorpião é um convite do Cosmos para darmos o primeiro passo em direção às transformações e auto-superação.

scorpioAfinal de contas, o ser humano não é pau, que nasce torto e morre torto: pode se regenerar e cada um de nós possui, dentro de si, todos os recursos necessários para qualquer mudança desejada. Portanto, mãos à obra.

Mas lembre-se: o requisito básico para qualquer mudança, cura ou aprendizado é querer que isso aconteça.

Desnecessário também dizer que a mudança é inevitável: acontece mais cedo ou mais tarde. Melhor, então, que aconteça agora, sob seu controle, do que acontecer depois, de forma desordenada e explosiva. Vá pensando nas coisas que, na sua vida, têm que ser transmutadas, redirecionadas, reordenadas. E aja nesse sentido, pois, se você não providenciar essas mudanças, o Cosmos, com sua sabedoria inefável, fará isso por você, desencadeando situações em sua vida que parecerão “caprichos do destino”, mas que nada mais são do que correções de rota. A sua rota pela vida!

Agora, algo que pode nos ajudar: durante sua passagem em Escorpião, Marte faz um trígonoMars (ângulo de 120º, altamente estimulante e positivo!) com o planeta Netuno, trazendo-nos grande visão sistêmica e serenidade, permitindo-nos unir a força combativa e o significado espiritual.

Melhor é impossível, não?

A ordem do dia é, portanto, mudar! Durante a estada de Marte em Escorpião, que se prolongará até o dia 03 de Janeiro de 2020, você terá a seu favor todas as possibilidades de quebrar velhas e arraigadas estruturas. E mudar comportamentos, crenças, velhos hábitos e idéias, substituindo-os por outros que lhes sejam mais úteis e lhe aproximem mais da felicidade que, por direito, lhe pertence.

Marte em Escorpião nos dará a coragem e força necessárias para isso.

Dica Cinematográfica

Vale lembrar que Marte rege os guerreiros. Representa a força combativa, a energia masculina e conquistadora dentro de nós. E no signo de Escorpião ele se encontra em sua regência, ou seja, tem sua expressão total e plena.

E há um belo filme que conta direitinho a história de um guerreiro que teve a coragem de optar viver um intenso processo de transformação, colocando a sua espada e sua força a serviço de uma causa mais nobre do que o dinheiro.

Trata-se do filme O Último Samurai (The Last Samurai), produção americana de 2003, dirigido e produzido por Edward Zwick e estrelado por Tom Cruise e Ken Watanabe, também co-produtores da obra, que tem uma trilha sonora arrebatadora, assinada por Hans Zimmer.

Você vai conhecer a história de Nathan Aldren, um mercenário com a alma atormentada por fantasmas do passado e que se entrega ao vício. E vai conhecer o profundo processo por meio do qual emerge, desse ser angustiado, um guerreiro pleno, nobre e justo, um ser humano único.

E como, no meio desse processo, Aldren encontrou a amizade e o amor. E sobretudo, encontrou a si mesmo, tornando-se aquilo que nasceu para ser.