Arquivo do autor:Haroldo Barros

Marte em quadratura com Urano

A tensa configuração entre Marte e Urano, indica a necessidade de compreensão e ordenação dos potenciais, possibilitando as reformulações e revoluções que pretendemos.

Há um personagem de Monteiro Lobato, chamado Américo Pisca-Pisca, que resolveu tomar para si o cargo de reformador do mundo. Américo não se conformava com elementos que considerava inúteis na Natureza: a existência de sapos, de

Monteiro Lobato

Monteiro Lobato

chuva e, o cúmulo de sua insana revolta, como podiam jabuticabas, tão pequeninos frutos, nascer em árvores colossais, enquanto que enormes abóboras cresciam rentes ao chão, num paradoxo aparentemente irracional e ilógico. Sentado à sombra de uma enorme jabuticabeira, contemplava enfezado, os frutinhos. Até que dormiu.

Dormiu e sonhou com um mundo novo, inteiramente reformulado por ele. Um mundo, porém, muito quente, pois não havia chuvas para alimentar o ciclo da água; um mundo cheio de mosquitos e marimbondos, pois não havia sapos para comê-los… Até que despertou, pois uma jabuticaba lhe caíra bem sobre o nariz.

E se fosse uma abóbora?

A tensa configuração entre Marte e Urano é um indicativo de que o Américo Pisca-Pisca em nós pode querer armar das suas. Portanto, esteja alerta. Você pode e deve tentar ordenar o seu mundo. Mas não tente impor suas idéias a ninguém, na marra. Cultive os seus pensamentos e procure perceber o sentido que há em tudo o que existe, inclusive aquilo que é objetoPisca-Pisca de seus interesses revolucionários. A sua revolta pode estar acontecendo por pura ignorância dos verdadeiros significados das coisas, como no caso do nosso bom amigo Américo Pisca-Pisca.

Cuidado, portanto.

E, evidentemente, você preferirá ser conhecido como um idealista, um louco visionário até, antes de ser tachado de birrento e revoltado, que, de tão enjoado, não consegue convencer ninguém de suas idéias.

E lembre-se: os maiores reformadores do mundo foram aqueles que começaram por reformar-se a si próprios.

Por outro lado, o caráter explosivo da conjunção Marte-Urano deve ser zelosamente observado: durante estes dias, devemos tomar cuidado com acidentes de qualquer espécie, mas principalmente acidentes envolvendo eletricidade ou aparelhos elétricos.

Mas sobretudo lembre-se de que Marte e Urano nos falam de força e ativação, sobretudo no que diz respeito a encarar e a desencadear o novo, o diferente, em nossas vidas e em nossas ações. E nos tempos em que vivemos, quem não faz o novo é atropelado por ele.

Análise ciclológica

Independentemente da qualidade própria desse momento, sinalizada pela quadratura Marte-Urano, do ponto de vista ciclológico cabe também uma observação.

Ciclo Sinódico ConjunçãoO ciclo sinoidal entre dois planetas se dá da seguinte maneira: na conjunção (quando os dois planetas se encontram no mesmo grau do Zodíaco), inicia-se um ciclo novo, novas sementes são lançadas, algo novo começa. O planeta mais rápido continua avançando e, na oposição (quando os planetas estão a 180º), esse ciclo atinge o seu máximo. Nesse ponto, as sementes lançadas no momento da conjunção frutificam (para bem ou para mal) e rendem resultados. Mas, entre a conjunção e a oposição e vice-versa existem dois momentos em que os planetas se colocam em quadratura (a 90º um do outro). Os pontos de quadratura representam momentos de crise, de oportunidade. A quadratura crescente (entre a conjunção e a oposição) está relacionada a crescimento. Às vezes, nesta fase, faz-se necessário um ajuste ou reordenamento de metas, para que os projetos ou vivências iniciados na conjunção continuem ou até mesmo se extingam de vez. Já a quadratura minguante (entre a oposição e a conjunção) está relacionada a uma crise que solicita novos ajustes, porém com vistas ao encerramento do processo.

E, na nova conjunção, o ciclo é definitivamente encerrado e um novo se inicia.Ciclo Sinódico Quadratura Crescente

Alguns desses ciclos duram um mês, como é o caso dos ciclos envolvendo a Lua. Outros duram vinte anos, como é o caso do ciclo Júpiter-Saturno. E outros ainda duram entre dois anos e dois anos e meio, como é o caso deste ciclo Marte-Urano.

Quando observamos esse tipo de ciclo, percebemos que o tempo e seu desenrolar em nossa vida fica impregnado de significados. E vivemos em meio a uma infinidade desses ciclos, que se mesclam e se interpenetram entre si.

A vez mais recente em que Marte e Urano fizeram uma conjunção foi em Fevereiro de 2017. Avalie com cuidado: que sementes você lançou, nos entornos desse momento? Que projetos ou vivências você iniciou aí?

Ciclo Sinódico OposiçãoMarte e Urano fizeram uma quadratura crescente em Julho de 2017. Pergunte-se: que tipo de crise de ajustamento seu projeto ou vivência passa, durante esse momento?

A oposição Marte-Urano ocorreu em Novembro-Dezembro de 2017. Aí aconteceu o apogeu do ciclo. Pergunte-se: que frutos você pôde colher nessa fase?

A quadratura minguante Marte-Urano ocorreu em Maio de 2018. Eis aí o momento da crise final, o princípio do fim do ciclo. E o fenômeno se repete agora, em Agosto-Setembro de 2018.

E a próxima conjunção Marte-Urano ocorrerá em Fevereiro de 2019, encerrando este ciclo e iniciando outro.

Fique atento. E aproveite para usar os momentos cíclicos a seu favor, em vez de nadar contra a correnteza cósmica.Ciclo Sinódico Quadratura Minguante

 Dica Cinematográfica

The Mosquito Coast, um filme surpreendente, onde você vai conhecer uma versão moderna de Américo Pisca-Pisca, interpretada por Harrison Ford.

Mosquito Coast

Anúncios

O Sol entra em Virgem

Em seu contínuo caminhar pela roda zodiacal, o astro-rei adentra no signo de Virgem,
neste dia 23, iniciando um ciclo de purificação e simplificação das coisas.

 Sexto signo do Zodíaco, Virgem está mitologicamente associado a Astréia, deusa da Pureza e da Harmonia, que, durante a Idade do Ouro (a idade da perfeição) habitava a Terra, entre os mortais. Ao iniciar-se a Idade da Prata e o correspondente declínio da civilização, a deusa retira-se para as montanhas, passando a habitar entre os pastores, onde ainda havia maior pureza e

Constelacao da Virgem

Constelacao da Virgem

harmonia.

Quando se inicia a Idade de Bronze e as desavenças entre os homens se tornam cada vez mais freqüentes, Astréia, por não suportar tal desarmonia e temendo macular-se, abandona definitivamente a Terra e vai para o Céu, transformando-se na constelação da Virgem.

Desde então, o signo de Virgem, simbolizado por essa constelação, tem sido o ícone da Pureza, símbolo da harmonia, como um sinal nos céus a nos alertar e lembrar de que os homens podem (e devem!) limpar-se da carga de suas impurezas (físicas e emocionais), alcançando uma vida mais harmônica e mais saudável.

Durante a estada do Sol no signo de Virgem, o Cosmos nos convida a um resgate da Pureza e da Simplicidade, por meio da análise crítica e da tomada de consciência de nossas próprias impurezas e excessos interiores. E nada melhor do que o trabalho para purgar as toxinas físicas e emocionais que nos adoecem e sobrecarregam.

O signo de Virgem também está associado à colheita dos cereais (o alimento puro, não poluido). Tanto que a Virgem, na constelação tem em sua mão uma espiga de trigo. Inclusive, a estrela Spica (“espiga” em latim), alfa da constelação da Virgem (ou seja, a mais brilhante da constelação), simboliza fertilidade e prosperidade.

Gandhi

Gandhi

Dante ensinou que na Natureza não existem supérfluos. Portanto, todo supérfluo é contra a Natureza e, conseqüentemente, contra Deus. E como dizia Gandhi, o Mahatma, a grande virada de qualidade da raça humana está associada a um retorno, urgente, a uma vida mais simples. Sem tantas falsas necessidades criadas por uma mídia mistificadora e inconseqüente. Sem a busca incessante de uma suposta liberdade, que, de tão ansiosa, já constitui um grilhão. E, sobretudo com a intenção firme de viver e conviver em paz. Talvez isso seja mais fácil do que imaginamos. E talvez nos requeira menos renúncias do que pensamos.

Aproveite a passagem do Sol em Virgem e procure conscientizar-se acerca de

Dante

Dante

todos os supérfluos em sua vida. Essa será uma boa forma de eliminar as impurezas que impedem o seu sucesso e sua felicidade.

Nesse ciclo, que precede ao início da Primavera (que ocorrerá com a entrada do Sol em Libra, em 22 de Setembro), estamos cosmicamente intimados a uma grande limpeza de ordem física (e, portanto, médica), emocional e espiritual, a fim de nos prepararmos para a celebração do Equinócio, onde ultrapassamos o umbral do “eu” para adentrarmos os domínios do Todo, em núpcias cósmicas.

Detalhe importante.

Ao entrar no signo da Virgem, o Sol fará trígono com Urano, em Touro e Saturno, em Capricórnio, formando uma linda figura azul chamada Grande Trígono ou Triângulo de Talento.

Trata-se de uma configuração de grande poder de estímulo e realização, já que acontece nos signos de Terra. Um ótimo momento, portanto, para colocarmos em prática aquela ideia ousada, para realizarmos aquele projeto, para lançarmos as sementes do que queremos alcançar, no futuro, por meio de uma ação focada e consistente.

Mãos à obra e ao trabalho!!!

Khalil Gibran

Khalil Gibran

E já que Virgem é o signo do trabalho, convidemos o inesquecível e indispensável Gibran, o poeta do Líbano, num trecho de “O Profeta”:

“Quando trabalhais, sois como uma flauta através da qual o murmúrio das horas se transforma em melodia. Quem de vós aceitaria ser um caniço mudo e surdo quando tudo o mais canta em uníssono?

(…)

Disseram-vos que a vida é escuridão; e no vosso cansaço, repetis o que os cansados vos disseram.

E eu vos digo que a vida é realmente escuridão, exceto quando há um impulso.

E todo impulso é cego, exceto quando há saber.

E todo saber é vão, exceto quando há trabalho.

E todo trabalho é vazio, exceto quando há amor.

E quando trabalhais com amor, vós vos unis a vós próprios e uns aos outros e a Deus.”

 

Eclipse Lunar !!!

Ao entardecer deste dia 27 de Julho, aqueles que se dispuserem a voltar os olhos para o Céu apreciarão um espetáculo: o Eclipse Lunar!

Este é um evento cósmico de rara beleza, que chama nosso olhar para os céus.

E diante desse fenômeno, as grandes questões que se propõem são as seguintes: qual o significado de um eclipse e como se verificam os seus efeitos em nossa vida cotidiana?

A palavra eclipse vem do grego ekleipsis, que significa, em uma tradução livre, desmaio. Do ponto de vista astronômico, um eclipse ocorre quando a luz de um astro é ocultada por outro ou pela sombra de outro. No caso presente, a Lua será ocultada, pois ficará, no momento da Lua Cheia, dentro do cone de sombra projetada pela Terra. Ou seja, a Terra, entre o Sol e a Lua, impedirá que a luz solar chegue até a Lua que, sem luz própria, refletindo apenas a luz recebida do Sol, ficará parcialmente apagada.

No caso do Eclipse deste dia 27 de Julho, a Lua deverá adquirir, na fase máxima de ocultação, uma cor avermelhada, escura, o que faz com que o fenômeno seja também conhecido como lua de sangue.

Do ponto de vista astrológico, um eclipse significa um desmaio, uma falência de uma das luzes celestes que compõem a totalidade da psique. Afinal, é isso o que os astros representam: partes da alma.

E já que tudo está relacionado entre si, quando uma dessas luzes se apaga, no céu, apaga-se também a correspondente luz dentro de nós.

Um eclipse, portanto, representa um desmaio que ocorre dentro de nossa psique, um apagão emocional que desencadeia uma espécie de black-out daquela parcela de nossa alma.

Um detalhe: após a escuridão, a luz ressurge, após o desmaio, retorna a consciência. Ao retornar a luz, porém, não somos mais os mesmos. Algo foi reformulado, inapelável e inevitavelmente, pela escuridão do eclipse. Ou seja, o pós-eclipse enseja um renascimento e uma transformação.

O eclipse ocorrerá com a Lua em torno dos cinco graus de Aquário, enquanto o Sol estará aos cinco de Leão.  Se você tem o seu mapa astrológico, poderá avaliar que área da vida (que Casa astrológica) será a mais afetada pelo fenômeno.

Lembramos que o eixo Leão-Aquário é o eixo astrológico da centralização e que contrapõe o poder individual e o poder coletivo, assim como também dos fatores de centralização.

Este eclipse é, portanto, um convite a uma reflexão acerca daquilo que precisamos priorizar, em termos de exercício do poder: qual a justa medida de equilíbrio entre o poder que você exerce em seu próprio nome e o poder do qual você abdica, em prol da coletividade.

Mas o Sol em Leão nos convoca também à reflexão acerca da possibilidade de, ao exercer o poder, abdicar do próprio ego e suas mesquinhas necessidades.

Ao ressurgir do black-out, a Lua nos traz a possibilidade de ir além da forma de nossa própria estrutura egóica, a fim de redefinir a nossa identidade, especialmente no que diz respeito àquilo que temos colocado no Centro Sagrado da nossa vida.

Ou seja, o que, de fato, ocupa esse Centro Sagrado? Qual o valor ou valores a que ele atende? É o dinheiro que está no Centro Sagrado da sua vida? Ou o sexo? Ou a família? Ou o poder?

No Centro Sagrado de sua vida deve estar o Sagrado! Como quer que você O conceba!

E o eclipse talvez venha a trazer desafios que coloquem em cheque esses valores que você talvez esteja colocando, inapropriadamente, no seu Cento Sagrado.

Como disse Chaplin, aquilo que é mais profundo em seu ser, daí emergem oscharlie-chaplin seus mais verdadeiros desejos; e dos seus mais verdadeiros desejos, daí emerge a sua mais inabalável vontade.

E essa vontade será capaz de construir o seu destino.

Porém, às vezes é preciso demolir para depois reconstruir. E se não demolimos o que precisa der demolido, o destino se encarrega de ajustar as coisas para nós, mesmo que de maneiras nem sempre suaves.

Nós, seres humanos vivemos ofuscados pelo nosso próprio brilho e exuberância ou pela iridiscência da insana sociedade que construímos. Às vezes, é preciso que um pouco dessa luz se apague para que, na suave penumbra de nossa alma, possamos contemplar a inteireza de nossa essência.

Durante os próximos dias, ainda sob impacto do eclipse, você pode aproveitar a oportunidade para refletir sobre a sua necessidade de transformação. E começar a agir de acordo.

Ainda mais porque ocorre um outro fenômeno singularíssimo: o planeta Marte está em seu momento de maior aproximação da Terra, evento que só acontece a cada quinze ou dezesseis anos.

E por conta dessa aproximação o brilho de Marte está altamente intensificado, suplantando, inclusive, o do próprio Júpiter. Portanto, os fatores e significados associados a Marte estão, também, altamente intensificados.

E mais! O ponto do eclipse (cinco graus de Aquário) está em conjunção, ou seja, bem próximo, à posição de Marte (quatro graus de Aquário).

Ou seja, o eclipse tem seus efeitos multiplicados pela força de Marte.

Bem, essa não é uma boa notícia…

Na verdade, o eclipse, por si só, não é uma boa notícia. Sim, pois representa esse apagão emocional de que falamos, linhas acima. E seus efeitos sempre são perturbadores e desencadeadores de crises e desafios.

E a presença de Marte nos atesta que precisaremos ficar atentos, para os próximos tempos, pois os desafios que tivermos que enfrentar podem ter, também, sua carga de violência.

E não tenha medo se alguns demoninhos interiores aproveitarem para dar o ar de sua graça. Pois é, eles existem, sim. São os filhos das nossas próprias sombras internas. Nossos medos, ranços, frustrações, negações… E, quando a luz se apaga, eles criam coragem de aparecer à superfície. Aproveite e olhe-os bem de perto!

E com Marte dando o ar de sua graça, certamente eles ficarão mais soltos e agressivos.

Fique atento.

 E lembre-se de que cada eclipse é uma nova oportunidade de testemunharmos os desmaios em nossa alma. E, claro, o consequente redespertar, em seguida.

Dica cinematográfica

E como não poderia deixar de ser, aqui vai uma dicCena de Eclipse Mortala cinematográfica: Eclipse Mortal (Pitch Black, USA, 2000), dirigido por David N. Twohy e estrelado pelo saradão Vin Diesel, aparentemente só mais um assustador e eletrizante thriller de terror e ficção científica, porém riquíssimo em símbolos. Levantando, inclusive, questões significativas sobre religião, ética e justiça.

Mas essa dica é só para quem tiver a coragem necessária para olhar bem de perto a cara de seus demoninhos interiores, que o apagar das luzes às vezes mostra!

E se você não tiver (ainda) essa coragem, pode querer não assistir. Pois pode perder o sono…

Mas assista mesmo assim.

Afinal, uma obra de arte bem estruturada simbolicamente sempre nos ajuda a compreender e ajustar os desarranjos da nossa própria alma. Assim sendo, enquanto você “ajuda” o herói Riddik, vivido por Vin Diesel, a vencer a escuridão e matar alguns dos monstruosos seres devoradores de gente lá do filme, irá domando e controlando as sua próprias monstruosidades interiores.

 

O Sol entra em Leão

Continuando o seu caminhar pela roda do Zodíaco, o luminoso astro do dia ingressa, neste dia 22 de Julho, no signo de Leão, seu signo de regência, dando início a um ciclo de valorização da consciência e celebração da vida e da Luz.

Quinto signo do Zodíaco, segundo do elemento fogo e segundo do ritmo fixo, regido pelo Sol, Leão simboliza o poder em estado absoluto, como emanado diretamente das Potências celestiais. Do ponto de vista simbólico-cosmológico, portanto, Leão representa a hierarquia universal que aponta o centro, ao redor do qual tudo circula, como o ponto central de uma circunferência, que, segundo a Geometria, define a própria existência da circunferência.

Esse conceito talvez possa ser relacionado com a idéia aristotélica do motor imóvel. Segundo Aristóteles, tudo que existe tem uma causa imediata que se conecta com outra, até chegar à Causa de todas as causas. Por exemplo, a lâmpada se acende porque alguém acionou o interruptor, ativando a corrente elétrica; a corrente elétrica circula pelos fios porque há uma usina hidrelétrica que a gerou; a usina gera a eletricidade graças ao movimento de uma grande quantidade de água, em queda; essa água, por sua vez é alimentada pelo ciclo hídrico do planeta; e assim por diante, até que nós cheguemos à Causa sem causas de todas as causas, ou aquilo que Aristóteles chamou de motor imóvel: algo que movimenta tudo mas não é movimentado por nada.

Nas monarquias, a figura do soberano é o receptáculo desse poder divino, representativa do Princípio que regula todas as coisas (tanto que a palavra Príncipe deriva de Princípio). Esse grande Princípio regulador, Poder pleno do Universo, é simbolizado pelo signo de Leão. Não é à toa que o leão é o rei dos animais.

Do ponto de vista humano, Leão representa a vitória do Espírito sobre o Ego, ou seja, a fagulha mais divina em nós vencendo os excessos egóicos que nos inflam de desmedido orgulho e centralizadora tirania.

Portanto, durante a estada do Sol no signo de Leão, o Cosmos nos convida a uma maior conscientização do que devemos fazer para encontrar o nosso caminho rumo à Luz; e, por outro lado, nos convida à conscientização de que somos meramente portadores e não possuidores dessa Luz. Mais ainda: essa Luz, quando em nós, enquanto portadores, só tem sentido se servir para iluminar os nossos irmãos.

E, sendo o signo de regência do Sol, propõe-nos celebrar a Vida, comemorando, de todas as formas possíveis, a vida que nos é oferecida e que, como bem disse Gonzaguinha, é bonita, é bonita e é bonita.

Um abraço apertado a todos os leoninos e votos de mil felicidades!!!!

Grande Trígono entre Vênus, Saturno e Urano

Neste mês de Julho de 2018, os planetas Vênus, Saturno e Urano se posicionam a cento e vinte graus um do outro, formando um Grande Trígono e convidando-nos a uma reflexão acerca dos nossos relacionamentos e dos papéis que neles desempenhamos.

Conta uma bela passagem da mitologia grega que Zeus, o senhor do Olimpo, discutia com sua esposa Hera (ou Juno) sobre quem tinha mais prazer no ato sexual: o homem ou a mulher.

Zeus e Hera

Zeus e Hera

Resolveram pedir ajuda a Tirésias, o sábio.

Tirésias, que é mais conhecido por sua participação no mito de Édipo, havia testemunhado, na sua juventude, à cópula de um par de serpentes encantadas e foi agraciado, por conta disso, com a possibilidade de viver como mulher durante sete anos.

Era Tirésias, portanto, a pessoa mais indicada para dirimir a pungente questão que atormentava os soberanos dos deuses e dos homens.

Tirésias, o Sábio

Tirésias, o Sábio

Trazido à presença do real casal divino e instado a expressar o seu conhecimento, Tirésias respondeu que a mulher tem mais prazer do que o homem, no ato sexual, na proporção de dez para um.

Zeus delirou de felicidade com aquela resposta, pois essa informação criava para ele um caminho para justificar as suas muitas estrepolias amorosas: “Já que a minha mulher tem dez vezes mais prazer, eu posso ter pelo menos dez amantes!”

Irritada com a resposta, Hera impõe a Tirésias um castigo terrível: cega-o para sempre.

Para os mais desavisados, essa pode ser uma história de final triste para Tirésias. Mas, no sentido simbólico e mitológico, cegueira externa significa iluminação interior! E assim, o nosso herói Tirésias, por ter harmonizado as duas polaridades (o macho e a fêmea), alcança a suprema iluminação e conhecimento da Verdade.

Ficou conhecido como o mais sábio dentre os sábios e não havia segredo que ele não desvendasse. Graças a essa sabedoria, Tirésias pode ajudar Édipo a conhecer a verdade sobre si mesmo e sobre as terríveis verdades que se escondiam em Tebas. Essas verdades, no final da história, acabaram por levar Édipo também à cegueira, mas não a cegueira do castigo auto-impingido que pretende redimir as culpas,

como quis Freud, mas sim a cegueira da suprema iluminação.

O Grande Trígono (um lindo triângulo azul nos Céus!) formado por Vênus, Saturno e Urano é um sinal do Cosmos para que busquemos cada vez mais essa harmonia entre as polaridades. Cono se precisássemos ativar o Tirésias dentro de nós, aquele que conhece ambas as faces do Ser.

Urano, no signo de Touro, confere formas diferentes à vivência do afeto, enquanto Saturno ajuda a estruturar e dar estabilidade.

 E a Vênus, no signo da Virgem, tende a colocar as coisas em ordem, trazendo simplicidade e ordem aos sentimentos.

Tudo isso traz maturidade aos relacionamento, e nos pede harmonização e integração, lembrando-nos que, sejamos homens ou mulheres, todos temos o macho e fêmea dentro de nós. E sobretudo nos relacionamentos afetivos e no mundo profissional, onde as polaridades se acentuam, temos que ser homens que sabem ser suaves; e mulheres que sabem lutar. Sem perder o poder de se encantar e se maravilhar diante da vida e sem perder a possibilidade de realizar os nossos sonhos e metas.

Uma dica.

Se você vivencia, neste momento, uma relação, fique atento: o Grande Trígono Vênus-Saturno-Urano pede expressão de afeto e demonstrações públicas e privadas desse afeto.

Portanto, não seja avaro de carinho, não poupe palavras gentis e gestos doces. Não permita que a dificuldade de observar as necessidades do outro venha a restringir seus sentimentos. E sobretudo espante o egoísmo que pode abalar as bases de seu afeto.

Detalhe importante.

Neste Domingo, dia 15 de Julho de 2018, a Lua se encontra com a Vênus, ativando de forma especial a tríplice configuração. Hora excelente, portanto, para algo especial: um programa a dois, um presente inesperado, um mimo.

E já damos uma dica de primeira! Ao anoitecer, olhe para o poente e você verá um belíssimo espetáculo: a Lua Nova, ainda bem “fininha”, só uma fatia, bem próxima à Vênus, numa cena celeste de tirar o fôlego!

Que tal convidar seu amado (ou amada) a visitar um local aprazível, a fim de contemplar esse magnífico entardecer?

Já desejo sucesso!

O Sol entra em Câncer – Solstício de Inverno

Em sua trajetória zodiacal, o luminoso astro do dia adentra o signo de Câncer, dando início a um ciclo de recolhimento e introspecção, de resgate da memória.

A entrada do Sol em Câncer, neste dia 21 de Junho, às 07h07, estabelece o Solstício de Inverno para o Hemisfério Sul, marco inicial da estação invernal, que se estenderá até o Equinócio de Primavera, que ocorrerá em 22 de Setembro, com a entrada do Sol em Libra.

Primeiro signo do elemento água, segundo signo cardinal, Câncer está associado ao ponto cardeal norte, simbolicamente vinculado ao útero e à caverna, ambientes de transmutação alquímica. Em hebraico, a palavra “saphon”, que significa “norte”, possui também a acepção de “oculto”, “nebuloso” e Câncer está também associado à meia-noite, onde há ausência total de luz.

Mitologicamente, esse signo está associado à aventura do herói Hércules, quando teve de enfrentar a Hidra de Lerna, peçonhento monstro de nove cabeças que, se cortadas, faziam brotar duas em lugar de cada uma. Assim são as nossas emoções: se não forem bem resolvidas, sempre voltam com intensidade dobrada! A enorme serpente possuía ainda um hálito mortal que empestava o ambiente, envenenando homens e animais. Ajudado por seu sobrinho Iolau, o herói consegue destruir a fera, em uma batalha cheia de peripécias. Em meio à luta, antevendo a vitória do herói, a cruel Hera, esposa de Júpiter, faz surgir um enorme caranguejo, que aplica violenta pinçada no tornozelo de Hércules.

Apesar da dor, o herói destrói o bicho com uma impiedosa pisada, quebrando-o em mil pedaços. Reconstituído, o caranguejo é colocado no céu por Hera, na constelação de Câncer (Caranguejo). Também a monstruosa Hidra se transforma numa constelação.

A entrada do Sol em Câncer é um convite a um recolhimento, que nos faz olhar para o passado e, através do quebra-cabeças da Memória, reconstituir o conhecimento. Há uma “mordida” que nos desperta, justamente do caranguejo: é a memória, que nos ajuda a resgatar a Sabedoria Primordial.

Durante a estada do Sol no signo de Câncer, somos convidados a uma maior interiorização, como o caranguejo, que sempre vive recolhido à sua carapaça.

Aproveite a fase para recolher-se um pouco, mergulhar em seu útero, para, vencendo as emoções inferiores, transmutar-se num ser cada vez melhor, mais útil ao próximo, mais em comunhão com o Cosmos.

Hércules vivido nas telas por Steeve Reeves

Hércules vivido nas telas por Steeve Reeves

Um detalhe.

Hércules tinha a obrigação de cumprir dez trabalhos e não doze. Acabaram sendo doze no total pelo fato de que dois deles foram anulados, o que obrigou o herói a compensá-los. E um dos que foram anulados foi exatamente esse, da Hidra de Lerna.

E sabe por qual motivo?

Ao perceber que as cabeças da Hidra se duplicavam, quando eram cortadas, Hércules teve a idéia de cauterizar as feridas. E assim fez, usando um enorme tronco em brasa. Acontece que, para isso, contou com a ajuda de seu sobrinho Iolau, o que invalidou o trabalho.

Assim também com nossas emoções: essa é uma fera que você tem que encarar sozinho. Um bom amigo ou mesmo um terapeuta até podem ajudar, ouvir e se solidarizar. Mas é cada um de nós e mais ninguém o responsável por vencer esse nosso monstro interior

O nosso abraço de parabéns a todos os cancerianos, esses seres magníficos que, mais do qualquer outro, sabem viver as suas emoções.

E a todos os nosso amigos e leitores, um Feliz Inverno!!!

Júpiter em trígono com Netuno

 

O Trígono, ou seja, a angulação de 120 graus entre Júpiter e Netuno, permanecerá nos céus no período que vai de Maio a Outubro deste 2018. Porém, neste início de Junho, forma-se o grande trígono, ou seja, a triangulação entre Júpiter,
Netuno e Vênus, convidando-nos à Comunhão cósmica.

Nos últimos tempos a Ciência tem conseguido a façanha de nos surpreender cada vez mais, com descobertas e novidades entre inquietantes e fascinantes.

GaláxiaPor exemplo, observações astronômicas realizadas ao longo dos últimos vinte anos aumentaram o número de galáxias conhecidas no Universo, que constava ser  de “apenas” dez milhões e passou a cem milhões. A existência de planetas fora do sistema solar foi outra bombástica novidade trazida ao conhecimento do homem comum.

Interessante será analisar o efeito que tais informações trazem sobre a mente e a alma humana. O homem, nada mais do que um misérrimo verme, habitando um planetinha que é pouco menor que um grão de areia  que circula ao redor de uma estrelinha de quinta grandeza, situada, por sua vez, num dos braços periféricos da galáxia, ao defrontar-se com tais informações, sente-se ainda menor e mais esmagado pela inapreensível grandiosidade do Cosmos.

Na verdade, essas informações servem para nos avisar que o Universo traz maravilhas das quais nem sequer desconfiamos; e o gênero humano, que em sua empáfia racionalista de reformador do mundo acha que pode dissecar e explicar tudo o que vê, queda-se estarrecido e humilhado diante dos mistérios que não compreende.

Porém, devemos perceber que cada uma dessas maravilhas do Cosmos subsiste, na mesma proporção e grandiosidade, no interior de cada ser humano.

“Conhece-te a ti mesmo, homem, e conhecerás o Universo e os deuses”, foi a lição maior do grande Sócrates. Conhecer

Sócrates

Sócrates

as maravilhas do Universo equivale, portanto, a conhecer as maravilhas de seu próprio interior e assim a busca incessante do Eterno estará, ao menos, encaminhada.

O homem não é eterno, nem mesmo quando o seu trabalho permanece, como dizia um famoso slogan; mas pode tornar-se eterno, quando comunga com esse Eterno e O coloca em seu cotidiano, trazendo as significações celestes para o aqui e o agora.

Neste Junho de 2018, uma belíssima configuração celeste nos convida para essa comunhão com o Eterno. Os planetas Júpiter, Vênus e Netuno, em especialíssima posição, indicam a ocorrência de uma intensa emanação de conteúdos simbólicos, fazendo derramar sobre a Terra uma fértil chuva de significados e a Humanidade deverá estar alerta para essa integração com o planeta e com o Cosmos .

O trígono entre Júpiter e Netuno se estende até meados de Agosto. Mas neste momento, a doce Vênus se junta ao processo, estabelecendo a grande triangulação, que ocorre exatamente nos três signos do elemento água, ativando de forma muito especial a nossa sensibilidade e compassividade.

Portanto, essa belíssima triangulação traz possibilidades de expansão e potencialização das nossas melhores esperanças.

Vênus (no signo de Câncer), representa as forças de atração e amor, enquanto Júpiter (em Escorpião) representa as forças de expansão e sabedoria. Já Netuno (em Peixes) representa os fatores de fé e espiritualidade.

Ao se posicionarem de forma tão positiva e reciprocamente estimulante, esses planetas criam as condições favoráveis para o desenvolvimento de uma cultura de paz, harmonia, espiritualidade e desenvolvimento.

É hora, portanto, para as nossas melhores ações.

Ações que visem a fazer brotar, no ser humano, aquilo que ele tem de melhor. E sobretudo, ações que possibilitem a cada um de nós resgatar a condição de olhar para o nosso semelhante e reconhecê-lo como irmão.

As sementes hoje lançadas à terra, sob os auspícios dessa brilhante configuração, renderão frutos que reverterão ao bem de todos os homens, mulheres e crianças neste nosso simpático planetinha azul.

Portanto, ao longo dos próximos tempos, pergunte-se: o que eu posso fazer para contribuir para o alvorecer de uma nova era? E procure agir de acordo. E lembre-se de que é nas pequenas coisas e não necessariamente nas grandes conquistas que Deus se faz presente.

Dica Cinematográfica

Kevin Costner e Elijah Wood em cena de A Árvore dos Sonhos

Kevin Costner e Elijah Wood em cena de A Árvore dos Sonhos

 

O filme A Árvore dos Sonhos (The War, USA, 1994), estrelado por Kevin Costner e Elijah Wood, onde você vai

aprender que as opções pela Paz são sempre possíveis, ainda que sejam, muitas vezes, o caminho mais difícil.

O Sol entra em Gêmeos

Continuando sua caminhada pelo Zodíaco, o Sol adentra o signo de Gêmeos, neste 20 de Maio, às 23h14, dando início a um ciclo de expansão mental e de integração entre os princípios celestes e as ações terrestres.

Castor & Pólux

Castor & Pólux

Mitologicamente, o signo de Gêmeos, primeiro do elemento ar, está associado ao mito de  Castor e Pólux, chamados “os Dióscuros”.

Enamorado da bela Leda, esposa do rei Tíndaro, Zeus (Júpiter), senhor dos homens e dos deuses, metamorfoseia-se em cisne para seduzi-la. Da insólita união nascem, da semente de Zeus (e portanto imortais), Pólux e Helena; e da semente de Tíndaro (e portanto mortais) Castor e Cliptemnestra.

Estranhamente, ainda sendo filhos de pais diferentes, Castor e Pólux eram absolutamente idênticos e cresceram unidos por profundo amor. Foram educados nas artes da guerra pelo centauro Quíron e tornaram-se grandes heróis e valorosos guerreiros.

Um dia, numa peleja fatal, Castor é mortalmente ferido. Vendo o amado irmão perecer em seus braços, Pólux é tomado de desesperada dor: não pode viver sem o irmão e até pretende dar cabo da própria vida. Porém, imortal que é, sequer isso lhe é permitido. Implora, então, a Júpiter que divida sua imortalidade com Castor, fazendo-o voltar à vida. O soberano dos deuses atende ao pedido e, mais tarde, tocado por tal demon

Leda e o Cisne

Leda e o Cisne

stração de amor fraternal, resolve premiar os irmãos, catasterizando-os, isto é, transformando-os em constelação, no caso, na constelação de Gêmeos, onde permanecerão amorosamente abraçados para sempre, servindo, inclusive, de exemplo para os mortais.

Constelação de Gêmeos

Constelação de Gêmeos

A entrada do Sol em Gêmeos vem assinalar o início de um ciclo onde podemos e devemos promover o abraço entre as coisas que aparentemente são as mais díspares e contrastantes, buscando a inspiração espiritual, divina (representada por Pólux, o imortal) que nos permitirá realizar o material, o concreto (simbolizado por Castor, o mortal), casando o transcendente com o imanente.

E como Gêmeos é o primeiro signo de ar, regido por Mercúrio, pode ser por meio da palavra que se dê esse abraço, essa comunhão entre os opostos. Portanto, cuide para que a sua palavra seja veículo dessa comunhão, nunca de divisão.

Essa será a importante arma com que enfrentaremos os grandes desafios que por aí virão.

Kierkgaard

Kierkgaard

Como reflexão geminiana, as palavras do filósofo Soren Kierkgaard:

As verdades superficiais têm opostos necessariamente falsos; as verdades profundas têm opostos tão verdadeiros quanto elas próprias.

Um abraço de parabéns a todos os geminianos!!!

O planeta Vênus entra no signo de Câncer

Em seu contínuo caminhar pelo círculo zodiacal, o planeta Vênus ingressa, neste dia 19 de Maio, no signo de Câncer, dando início a um ciclo de interiorização em busca do sentimento e da afetividade.

Assim como a ostra se recolhe e, em seu interior, elabora a pérola de magnífica beleza, assim como a semente lançada ao solo se recolhe ao interior da mãe terra a fim de fazer brotar a futura plantinha, da mesma forma, o ser humano precisa, por vezes, interiorizar-se, recolher-se, a fim de resgatar a dimensão do belo existente dentro de si.

CâncerA entrada de Vênus em Câncer indica que é hora de fazer esse mergulho. E isso não quer dizer que você vá se privar do prazer de estar com quem você ama para ficar paparicando-se a si mesmo, narcisicamente, diante do espelho. Contudo, como dizia Emerson, você pode viajar o mundo inteiro à procura do belo, mas só o encontrará se levá-lo dentro de você.

É esse belo que precisamos o tempo todo resgatar e revitalizar.

Esse processo de interiorização, proposto pela passagem do planeta Vênus em Câncer, irá nos ajudar a entender melhor duas coisas: primeira, a poética que podemos conferir ao amor, fazendo da relação uma verdadeira fonte de encanto;

segunda, a compreensão da nossa capacidade de receber amor. Sim, porque sempre se fala em dar e saber dar amor, mas também é importante saber recebê-lo de forma simples e boa.

Saber receber, portanto, é arte. É a capacidade de fazer belo e importante o que se tenha. É a arte de bastar-se com o real em vez de chorar o impossível. E é, sobretudo, saber fazer feliz quem dá o amor, pois este se sentirá capaz de dar muito.

Reflita…

Importante notar que, ao longo do seu trajeto pelo signo de Câncer, Vênus faz um ângulo altamente favorável e estimulante com Netuno, Vênustrazendo ao momento ainda mais sensibilidade e afetividade. Então, aproveite: um certo clima de gostosa e nostálgica melancolia paira no ar, durante a estada de Vênus em Câncer.

Portanto, ponha para fora o seu seresteiro interior, acorde o seu poeta adormecido, resgate o apaixonado estudante que você foi um dia, pois o romance à antiga ainda tem muito o que nos encantar.  

E para celebrar esse encanto poético, nada melhor do que… poesia!!!

Invoquemos pois o parnasiano Olavo Bilac, o grande Bilac, que soube como ninguém retratar a mágica poética do amor, no Soneto XXXI da Via Láctea, que é um verdadeiro espetáculo de força lírica e romantismo.

Ei-lo:

Longe de ti se escuto, porventura,

O teu nome que uma boca indiferente

Entre outros nomes de mulher murmura

Sobe-me o pranto aos olhos, de repente…

 

Tal aquele que, mísero, a tortura

Sofre de amargo exílio, e tristemente

A linguagem natal, maviosa e pura

Ouve falada por estranha gente…

 

Porque teu nome é para mim o nome

De uma pátria distante e idolatrada

Cuja saudade ardente me consome:

 

E ouvi-lo é ver a eterna primavera

E a eterna luz da terra abençoada

Onde, entre flores, teu amor me espera.

 

Dica Cinematográfica O filme Só Precisamos de Amor (Den skaldede frisør ou Love Is All You Need, Dinamarca, França, Itália, 2012), da diretora Dinamarquesa Susanne Bier, que se tornou mundialmente conhecida pelo filme Em Um Mundo Melhor (Hævnen, Dinamarca, 2010).

Love-Is-All-You-NeedUma bela produção, com uma fotografia de tirar o fôlego, em que você vai ver esse mesmo clima melancólico ser o terreno fértil para o cultivo do amor, com todo o seu poder de transformação e renovação.

Você vai ver o ator Pierce Brosnan, famoso por interpretar o James Bond, o agente 007, fazer um improvável e acidentado par romântico com a bela atriz Trine Dyrholm e aprender sobre o poder das escolhas calcadas no amor e respeito próprios, associados a uma justa e saudável valorização do outro.

Marte em conjunção com Plutão

Aos vinte e um graus do signo de Capricórnio, os planetas Marte e Plutão se encontram, dando início a uma fase de ativação de nosso herói interior.

Segundo os estudiosos da simbologia arquetípica e do inconsciente coletivo, todos os nossos processos de aprendizagem, crescimento e mudança tem características heróicas, ou seja, seguem uma seqüência de passos idêntica, simbolicamente falando, às aventuras dos heróis mitológicos. A própria figura mitológica do herói, pelo seu nascimento, sua genealogia e suas capacidades, em muito se assemelha à estrutura simbólica do homem, em suas buscas pela individuação, evolução e realização.

 

Se prestarmos atenção, veremos que cada um de nossos projetos, fases de vida, histórias de sucesso ou fracasso, apresentam marcadas semelhanças com mitos como os Trabalhos de Hércules, a vitória de Perseu sobre a Medusa ou de Teseu sobre o Minotauro, pois cada uma dessas narrativas nos evoca e nos remete a verdades primordiais, cujo cenário de ação é a própria alma humana.

E essa é a função do mito: falar-nos, através de narrativas, de coisas que não podem ser faladas, a não ser de forma indireta.

 

 

O encontro entre Marte e Plutão é indicativo da ativação, em nosso interior, do arquétipo heróico. Ou seja, daquela parcela de nossa psiquê que sonha e resolve perseguir esse sonho: busca e encontra suas armas, luta, mata, sofre, enfrenta o dragão, transforma-se e alcança a imortalidade.

 

Durante os próximos dias, esse herói estará convidando-nos ao início de grandes combates: novos projetos, novas viagens, novas etapas, novos desafios. E qualquer projeto iniciado ou (re)ativado nesta fase conta com os poderosos auspícios desta conjunção, o que lhe reforçará as possibilidades, conferindo-nos mais determinação, coragem, lucidez para enfrentar os dragões ao longo do caminho e, o que pode ser o mais interessante, um grande encanto pelo próprio processo em si, independentemente dos seus resultados.

Vamos agir?

Análise Cíclica

Independentemente da qualidade própria desse momento, sinalizada pela oposição Sol-Plutão, do ponto de vista ciclológico cabe também uma observação.

Como já comentamos em outros artigos, nesta coluna, o ciclo sinódico entre dois planetas se dá da seguinte maneira: na conjunção (quando os dois planetas se encontram no mesmo grau do Zodíaco), inicia-se um ciclo, novas sementes são lançadas, algo novo começa. O planeta mais rápido continua avançando e, na oposição (quando os planetas estão a 180º), esse ciclo atinge o seu máximo. Nesse ponto, as sementes lançadas no momento da conjunção frutificam (para bem ou para mal) e rendem resultados. Mas, entre a conjunção e a oposição e vice-versa existem dois momentos em que os planetas se colocam em quadratura (a 90º um do outro). Os pontos de quadratura representam momentos de crise, de oportunidade. A quadratura crescente (entre a conjunção e a oposição) está relacionada a crescimento. Às vezes, nesta fase, faz-se necessário um ajuste ou reordenamento de metas, para que os projetos ou vivências iniciadas na conjunção continuem ou até mesmo se extingam de vez. Já a quadratura minguante (entre a oposição e a conjunção) está relacionada a uma crise que solicita novos ajustes, porém com vistas ao encerramento do processo.

E, na nova conjunção, o ciclo é definitivamente encerrado e um novo se inicia.

Alguns desses ciclos duram um mês, como é o caso dos ciclos envolvendo a Lua. Outros duram vinte anos, como é o caso do ciclo Júpiter-Saturno. E outros ainda duram dos anos a dois anos e meio, como é o caso deste ciclo Marte-Plutão.

Quando observamos esse tipo de ciclo, percebemos que o tempo e seu desenrolar em nossa vida fica impregnado de significados. E vivemos em meio a uma infinidade desses ciclos, que se mesclam e se interpenetram entre si.

A vez mais recente em que Marte e Plutão fizeram uma conjunção foi em Outubro de 2016. Avalie com cuidado: que sementes você lançou, nos entornos desse momento? Que projetos ou vivências você iniciou aí?

Marte e Plutão fizeram uma quadratura crescente em Fevereiro de 2017. Pergunte-se: que tipo de crise de ajustamento seu projeto ou vivência passou, durante esse momento?

A oposição Marte-Plutão ocorreu em Junho/Julho de 2017. Aí aconteceu o apogeu do ciclo. Que frutos você colheu?

A quadratura minguante Marte-Plutão ocorreu em Novembro de 2017. Eis aí o momento da crise final, o princípio do fim do ciclo.

E a conjunção Marte-Plutão ocorrida agora, em Abril de 2018, encerra o ciclo iniciado em Outubro de 2016 e começa outro, que deverá desenrolar-se da seguinte maneira:

Quadratura Crescente: em Janeiro/Fevereiro de 2019;

Oposição: em Junho de 2019;

Quadratura Minguante: em Dezembro de 2019;

Nova conjunção: Março de 2020.

Fique atento. E aproveite para usar os momentos cíclicos a seu favor, em vez de nadar contra a correnteza cósmica.

 

Dica cinematográfica

O filme  O Pescador de Ilusões (The Fisher King, USA, 1990). Uma belíssima metáfora sobre a condição humana, dirigido por Terry Gillian e estrelado por Robin Williams e Jeff Bridges, onde você vai se surpreender ao ver como os mais improváveis heróis resgatam os mais improváveis ideais, em meio às agruras do mundo.

Robin Williams e Jeff Bridges em cena de “O Pescador de Ilusões”