Arquivo do autor:Haroldo Barros

O Sol entra em Câncer – Solstício de Inverno

Em sua trajetória zodiacal, o luminoso astro do dia adentra o signo de Câncer, dando início a um ciclo de recolhimento e introspecção, de resgate da memória.

A entrada do Sol em Câncer, neste dia 20 de Junho, à 18h44, hora de Brasília, estabelece o Solstício de Inverno para o Hemisfério Sul, marco inicial da estação invernal, que se estenderá até o Equinócio de Primavera, que ocorrerá em 21 de Setembro, com a entrada do Sol em Libra.

Primeiro signo do elemento água, segundo signo cardinal, Câncer está associado ao ponto cardeal norte, simbolicamente vinculado ao útero e à caverna, ambientes de transmutação alquímica. Em hebraico, a palavra “saphon”, que significa “norte”, possui também a acepção de “oculto”, “nebuloso” e Câncer está também associado à meia-noite, onde há ausência total de luz.

Mitologicamente, esse signo está associado à aventura do herói Hércules, quando teve de enfrentar a Hidra de Lerna, peçonhento monstro de nove cabeças que, se cortadas, faziam brotar duas em lugar de cada uma. Assim são as nossas emoções: se não forem bem resolvidas, sempre voltam com intensidade dobrada! A enorme serpente possuía ainda um hálito mortal que empestava o ambiente, envenenando homens e animais. Ajudado por seu sobrinho Iolau, o herói consegue destruir a fera, em uma batalha cheia de peripécias. Em meio à luta, antevendo a vitória do herói, a cruel Hera, esposa de Júpiter, faz surgir um enorme caranguejo, que aplica violenta pinçada no tornozelo de Hércules.

Apesar da dor, o herói destrói o bicho com uma impiedosa pisada, quebrando-o em mil pedaços. Reconstituído, o caranguejo é colocado no céu por Hera, na constelação de Câncer (Caranguejo). Também a monstruosa Hidra se transforma numa constelação.

A entrada do Sol em Câncer é um convite a um recolhimento, que nos faz olhar para o passado e, através do quebra-cabeças da Memória, reconstituir o conhecimento. Há uma “mordida” que nos desperta, justamente do caranguejo: é a memória, que nos ajuda a resgatar a Sabedoria Primordial.

Durante a estada do Sol no signo de Câncer, somos convidados a uma maior interiorização, como o caranguejo, que sempre vive recolhido à sua carapaça.

Aproveite a fase para recolher-se um pouco, mergulhar em seu útero, para, vencendo as emoções inferiores, transmutar-se num ser cada vez melhor, mais útil ao próximo, mais em comunhão com o Cosmos.

Hércules vivido nas telas por Steeve Reeves

Hércules vivido nas telas por Steeve Reeves

Um detalhe.

Hércules tinha a obrigação de cumprir dez trabalhos e não doze. Acabaram sendo doze no total pelo fato de que dois deles foram anulados, o que obrigou o herói a compensá-los. E um dos que foram anulados foi exatamente esse, da Hidra de Lerna.

E sabe por qual motivo?

Ao perceber que as cabeças da Hidra se duplicavam, quando eram cortadas, Hércules teve a ideia de cauterizar as feridas. E assim fez, usando um enorme tronco em brasa. Acontece que, para isso, contou com a ajuda de seu sobrinho Iolau, o que invalidou o trabalho.

Assim também com nossas emoções: essa é uma fera que você tem que encarar sozinho. Um bom amigo ou mesmo um terapeuta até podem ajudar, ouvir e se solidarizar. Mas é cada um de nós e mais ninguém o responsável por vencer esse nosso monstro interior.

Outro detalhe.

Logo após o Solstício, a Lua encontra o Sol (Lua Nova), ficando, porém, à frente dele e causando um Eclipse Total. E esse eclipse chega carregado de significados e que pode estar associado a muitos eventos desafiadores, dentro de uma realidade já desafiadora, tanto no âmbito individual quanto no coletivo.

Mantenhamos a fé. E sigamos avante.

É… Esse Inverno promete…

O nosso abraço de parabéns a todos os cancerianos, esses seres magníficos que, mais do qualquer outro, sabem viver as suas emoções.

E a todos os nosso amigos e leitores, um Feliz Inverno, com o versos do Poetinha, o querido Vinícius de Moraes, em seu Soneto ao Inverno!!!

 

Inverno, doce inverno das manhãs
Translúcidas, tardias e distantes
Propício ao sentimento das irmãs
E ao mistério da carne das amantes:

Quem és, que transfiguras as maçãs
Em iluminações dessemelhantes
E enlouqueces as rosas temporãs
Rosa-dos-ventos, rosa dos instantes?

Por que ruflaste as tremulantes asas
Alma do céu? o amor das coisas várias
Fez-te migrar – inverno sobre casas!

Anjo tutelar das luminárias
Preservador de santas e de estrelas…
Que importa a noite lúgubre escondê-las?

Sol em trígono com Júpiter

Nesta semana, o Sol e Júpiter (com uma ajudinha de Plutão)

nos trazem excelentes condições celestes para boas decisões.

Uma das mais importantes habilidades para quem quer ser bem sucedido na vida é a capacidade de tomar decisões. Todos os grandes líderes, realizadores e conquistadores eram, antes de tudo, firmes e rápidos em tomar decisões, às vezes em circunstâncias as mais desfavoráveis possíveis.

Decidir bem, rápida e firmemente é, portanto, sinônimo de eficácia.

Se você precisa decidir algo, tenha a certeza de que dispõe de todas as informações necessárias sobre o assunto. Se não as tiver, trate de consegui-las. Mas se você as tiver, então decida! Passar mais de sessenta minutos para tomar qualquer decisão, em qualquer nível, quando você tem todas as informações necessárias para tal, já é um processo de “viagem na maionese” e não de reflexão.

decisãoNa verdade, segundo estudos realizados por pesquisadores do comportamento humano, um número muito pequeno (aproximadamente 5%) da humanidade tem essa habilidade bem desenvolvida (isso talvez explique porque 5% da população mundial concentrem 80% das riquezas produzidas).

Mas, se temos todas as informações necessárias, se sabemos que devemos decidir, por que não decidimos, afinal? O que nos impede de dar esse importante passo?

Certamente, o mais importante fator que atrapalha as nossas decisões é o medo.

O medo nos paralisa, congela nossas capacidades, minimiza nossos talentos.

Temos medo, sobretudo, de quatro possibilidades: o medo do fracasso, o medo do ridículo, o medo da rejeição e (pasme!) o medo do sucesso. Cada decisão nos traz medo, pois nos obriga a dar direção à nossa vida. E nem sempre estamos prontos ou nos julgamos preparados para dirigir a nossa vida. Preferimos muitas vezes não decidir, para não corrermos o risco de sermos responsáveis por fracassar. Podemos suportar facilmente um fracasso causado por terceiros, mas não admitimos um fracasso causado por nossas próprias escolhas.

E assim caminhamos, vagando na sombra morna da letargia que o medo nos impõe. E com isso protegemo-nos dos riscos de fracassar, de sermos rejeitados, de passarmos ridículo e das responsabilidades que o sucesso nos traz. Mas também protegemo-nos da própria essência de viver.

Nesta semana, forma-se nos céus uma configuração que traz importantes significados para nós.

O Sol, no signo de Touro, toma emprestada a sabedoria de Júpiter e a profundidade de Plutão, para nos oferecer a lucidez necessária para tomarmos as melhores decisões.

E nos dá força suficiente para realizá-las.

E como os três planetas envolvidos estão nos signos de terra (o Sol em Touro, Júpiter e Plutão em Capricórnio), o Céu nos confere, nesse momento, um notável poder de concretização, de realização.

Portanto, aproveite o momento. E mesmo em meio ao grande desafio que todo estamos enfrentando, vale a pena observar, analisar e decidir.

Aquelas velhas pendências que estão se acumulando no armário de seu coração, já juntando teias de aranha e traças enquanto esperam por uma decisão sua, podem ser agora encaminhadas com eficácia.

No momento em que se torna exata a configuração, o Sol estará a vinte e sete graus de Touro.

Se você já tem o seu mapa astrológico, observe a casa de seu mapa onde estará esse ponto do Zodíaco. Essa pode ser uma boa indicação da área da vida para onde você poderá direcionar suas energias para decidir e mudar os padrões, para melhor.

FordMas, fique atento.

Conscientize-se de que só aprendemos, de verdade, com os erros. Tome as rédeas de seu destino e lembre-se do que dizia Henry Ford, um dos homens mais talentosos do mundo e um grande tomador de decisões: “Devo meu sucesso às minhas boas decisões. Devo minhas boas decisões à minha experiência. E devo a minha experiência às minhas más decisões do passado”.

Os efeitos dessa configuração devem perdurar até aproximadamente o dia 21de Maio.

Algo para você pensar:

Cinco sapos estão num tronco que flutua ao sabor da correnteza de um rio. Quatro decidem pular. Quantos sobraram no tronco?

O Sol entra em Touro

Neste Domingo, dia 19 de Abril, o  astro-rei adentra o signo de Touro, inaugurando um ciclo em que a
consciência 
nos convida a perceber a forma das coisas.

 Associado ao animal que, nos primórdios da civilização, ajudou o homem a arar a terra, o signo de Touro nos fala das fôrmas e formas que os seres tomam em sua manifestação no plano material, a fim de bem cumprir sua missão. Observe-se que essa forma externa pode variar, permanecendo imutável, porém, a substância interior.

Do ponto de vista filosófico, substância (do latim substantia) é o que há de permanente nas coisas que mudam, o suporte sempre idêntico das sucessivas qualidades resultantes das transformações. Uma substância pode apresentar-se sob diversas características, que são os elementos individualizadores de um determinado ser.

Podemos resumir dizendo que a substância é essencial e a característica é acidental.

Existe na Química um conceito análogo, talvez até diretamente relacionado, referente a um fenômeno denominado alotropia, que se define como sendo a possibilidade de um mesmo elemento se apresentar sob diversos formatos, designados estados alotrópicos. Os átomos do elemento Carbono, por exemplo, podem assumir várias estruturas cristalinas, ao agrupar-se, gerando diferentes manifestações físico-químicas.

Resultado: dependendo da forma como os átomos se agruparam, o Carbono pode se apresentar tanto como carvão ou grafite quanto como diamante!!!

Parece incrível que o material mais duro que a ciência conhece até hoje (o diamante) e um outro, tão maleável (o grafite) que, em contato com uma folha de papel, deixa rastros, fragmentos de si mesmo, são compostos, em essência, da mesma substância (embora com características individuais marcadamente diferentes)!!!

Utilizando esses conceitos da Filosofia e da Química como ilustração e trazendo-os para a nossa vida prática, podemos perguntar: que formas características você está escolhendo para a manifestação de sua essência neste mundo? Tem sido uma forma adequada, eficiente e agradável ou fora de foco, ineficiente e maçante? Você tem optado por vestir a fôrma do bom guerreiro, heroico e combativo, que sabe o que quer e aprende com as lições da vida ou encarnar o pobre-coitado, sempre vítima das circunstâncias e que anseia que alguém ou algo o salve do mundo?

Durante a estada do Sol em Touro, que irá estender-se até o dia 21 de Maio (quando o Sol adentra o signo de Gêmeos), o Cosmos nos convida a repensar a forma que estamos imprimindo à nossa substância.

Importante notar que, logo após entrar em Touro, o Sol fará conjunção com Urano, forçando você a uma reflexão, aparentemente simplista, porém muito eficiente, em termos de mudança de atitude: você tem sido parte do problema ou parte da solução, ao longo de sua vida? Essa escolha pode ser o determinante da diferença entre felicidade e infelicidade, saúde ou doença, prosperidade ou miséria. Especialmente nestes tempos de isolamento social e pandemia, fique atento aos pensamentos e sobretudo atitudes que plasmarão a sua realidade pós-pandemia.

E sempre com o aval de nosso supremo livre-arbítrio.

Desejamos a todos os nossos amigos e leitores taurinos uma feliz celebração de aniversário!

Como reflexão, a paulada filosófica de George Bernard Shaw, escritor, critico, teatrólogo irlandês:

 

A vida é uma pedra de amolar. Ela vos desgasta ou vos afia, dependendo do material de que sois feitos.

O Sol Entra em Áries: Equinócio Vernal!

Equinócio de Outono, assinalado pela entrada do Sol no signo de Áries,
primeiro do Zodíaco.

A escolha do dia 1º de Janeiro como data inicial do ano civil e primeiro dia do calendário nada mais é do que uma mera convenção social. A Astrologia, como “relógio qualificador do tempo” e ciência que estuda os ciclos cósmicos, indica-nos de forma diferente o início do ano, apontando-o para o momento em que o Sol entra no signo de Áries, primeiro do Zodíaco, símbolo do início e do impulso, da aventura do começar.

EquinócioPrecisamente às 0h49, neste dia 20 de Março, ocorre o Equinócio de Outono (para o Hemisfério Sul; de Primavera para o Hemisfério Norte), coincidindo com o momento em que o Sol chega a 0º (zero graus) de Áries. Esse momento marcante caracteriza-se por um interessante fenômeno astronômico (e simbólico): o dia e a noite têm exatamente a mesma duração (a palavra “equinócio” é oriunda de “aeque nocte” =  “noite igual” ao dia).

O signo de Áries, simboliza o fogo inicial da Criação, o impulso da Aventura.

Mitologicamente, Áries está associado ao mito da busca do Velocino de Ouro, em que o herói grego Jasão organiza uma expedição composta por mais de cinqüenta dos maiores e melhores heróis da Grécia, entre eles, Hércules, Castor e Pólux, Peleu, Orfeu. A bordo da nau Argo, os aventureiros, cognominados “Argonautas”, viajam até a Cólquida, na Ásia Menor, passando por mil peripécias para conquistar a pele de ouro do carneiro Crisômalos, filho de Netuno, que tinha poderes miraculosos. O leme da nau fora construído com madeira do bosque sagrado de Dodona, consagrado a Palas Athena, que lhe conferiu a capacidade de falar, guiando os navegadores.

A entrada do Sol em Áries inaugura, portanto, um ciclo em que o Cosmos nos convoca à aventura, ao arriscar-se, ao lançar-se.

Com a entrada do Sol em Áries comemoramos a Primavera Cósmica, mesmo que o Equinócio seja de Primavera apenas para o Hemisfério Norte, enquanto que, no Hemisfério Sul, inicia-se o Outono.

É que o signo de Áries está associado ao conceito do grande impulso e por isso Carneiroà Primavera. Importante ressaltar que a palavra “primavera” vem do latim “primus + veritas” (= primeira verdade).

Áries é, portanto, a primeira verdade expressa pelo sagrado círculo do Zodíaco. E, durante a estada do Sol neste signo, temos a mais propícia época para iniciar novos projetos, lançar novas sementes ou mesmo reativar velhos projetos que andavam meio adormecidos.

Obviamente, em tempos de isolamento, por conta da pandemia Covid 19, esse impulso e toda essa energia ígnea podem parecer deslocados e inadequados. Mas, pensemos assim: esse período de inatividade pode ser apenas a fase final da gestação, quando o rebento está quase pronto para vir á luz. Mas já está pleno de potencialidades e talentos que anseia para vir à tona e se mostrar ao mundo.

Portanto, fique em casa. E planeje. Ajuste as metas. Estabeleça os desafios a serem vencidos. E quando essa fase passar, esteja pronto para conquistar o mundo.

Aproveitamos para desejar a todos um Feliz Outono e um Ano Novo Solar pleno de crescimento e prosperidade!!!

E aos arianos, feliz aniversário!!!

O Sol entra no signo de Peixes

Dando continuidade ao seu eterno caminhar pela roda do Zodíaco, o Sol adentra o signo de Peixes, neste dia 19 de Fevereiro de 2020, iniciando uma fase de contemplatividade e busca espiritual.

Terceiro signo do elemento água, do ritmo mutável, o último signo do Zodíaco, Peixes representa o final de um ciclo, o momento em que, ao fim de uma jornada, alcançamos o resultado esperado e quedamos a contemplar a Obra da criação.Pisces

Mitologicamente, o signo de Peixes está associado aos dois delfins que, penalizados com o sofrimento de Netuno, o deus dos mares, ajudaram-no a conquistar a bela Amphritite, filha do titã Oceano. Os dois dedicados animais cruzaram os sete mares, vencendo a fome, os perigos e o cansaço, até conseguirem trazer Amphritite para os braços do amado.

Agradecido pelo sacrifício feito pelos delfins, Netuno houve por bem premiá-los, imortalizando-os nos céus, como um exemplo de doação e altruísmo, transformando-os na constelação de Pisces (os Peixes).

Trata-se de uma bela constelação, de visualização difícil, dividida em duas constelações menores, o Peixe Austral e o Peixe Boreal, unidas por uma estrela chamada Al Rischa, que, em árabe, significa o nó.

PiscesArquetipicamente, Peixes está associado ao Mar, o Grande Mar, berço de toda a Vida, de onde a Vida vem e para onde a Vida retornará.

Como gotinhas no caudal de um rio, vamos trilhando o curso que nos leva a esse Grande Mar. E quando lá chegamos, deixamos de ser gotinhas para, dissolvendo-nos no Oceano, confundirmo-nos com ele.

A entrada do Sol no signo de Peixes, neste dia 18 de Fevereiro de 2017, convoca-nos, portanto, para observarmos a Vida e a natureza com os olhos do contemplador, a fim de preparar-nos para a grande aventura que se começará quando o Sol entrar em Áries, o Iniciador. E nos convida a uma maior e mais efetiva busca espiritual, lembrando-nos que o eu não é a última instância do real; e que a realidade superficial das coisas é muito menos importante do que a Ordem superior em que ela se baseia.

Importante lembrar que, durante sua passagem pelo signo de Peixes, o Sol faz conjunção com o planeta Netuno, regente do signo de Peixes, num encontro que propiciará multiplicar, em nossa alma, os fatores de percepção ampliada da realidade.

Isso nos traz uma outra possibilidade: a de tomarmos consciência do significado transcendente das coisas que nos cercam.

A esse respeito, conta-se uma linda história sobre uma aventura vivida pelo grande poeta Olavo Bilac.

Conta-se que o dono de um pequeno estabelecimento comercial, amigo do poeta, abordou-o na rua, dizendo:

“Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o Senhor conhece muito bem. olavo_bilacSerá que o Senhor poderia ajudar-me a redigir o anúncio?”

Bilac pegou o papel e escreveu:

“Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeirão. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes na varanda”.

Meses depois, o poeta encontra novamente o homem e pergunta-lhe se já havia vendido o sítio.

“Desisti dessa ideia”, respondeu o homem. “Depois que li o anúncio que o Senhor redigiu, é que percebi o grande tesouro que tinha”.

Assim como o personagem dessa história, às vezes ficamos apartados de uma visão mais profunda e ampla da realidade que nos cerca. E perdemos muitas oportunidades por isso. Com a conjunção entre o Sol e Netuno, em Peixes, talvez possamos ter mais clareza acerca daquilo que, verdadeiramente, importa. E nos conduzir a mais perto de Deus.

Nossos parabéns e votos de uma feliz celebração de aniversário
a todos os piscianos.

 

Dica cinematográfica

O filme Irmão Sol, Irmã Lua (Fratello Sole, Sorella Luna, Itália/Reino Unido, fratello_sole_sorella_luna_1971_vhs-it1972), dirigido por Franco Zefirelli.

Um belo filme, onde você vai conhecer a história de um homem que sabia direitinho o que era mais importante e tinha uma visão claríssima do nosso papel no Universo e do trabalho que devemos realizar em prol de nossos irmãos. E inspirou e continua inspirando milhões de pessoas até hoje.

O nome desse homem: Giovanni di Pietro di Bernardone. Mais conhecido como São Francisco de Assis.

Franco Zefirelli

Franco Zefirelli

Detalhe: o diretor Franco Zefirelli tem, no seu mapa natal astrológico, o planeta Urano no signo de Peixes, recebendo excelentes influxos de Plutão e Júpiter. Talvez por isso tenha sabido usar tão bem uma arte pisciana por natureza (o cinema) para retratar uma personalidade tão lindamente pisciana como a de Francisco.

Marte entra em Capricórnio

Neste dia 16 de Fevereiro, o Planeta Marte adentra o signo de Capricórnio, iniciando um ciclo
de estímulo da força, da coragem e da capacidade combativa.

O planeta Marte está simbolicamente associado ao deus grego Ares, o senhor da guerra, o mais violento e combativo dos imortais do Olimpo. Marte era acompanhado por um séquito de divindades guerreiras e seu único prazer eram as batalhas, quaisquer que fossem elas. Era chamado de gradivus, que significa “aquele que marcha a passos largos” e de enyalios, que significa “o belicoso”.
Astrologicamente, Marte representa a capacidade combativa do ser humano, sua disposição de luta, seu ânimo guerreiro, o impulso emocional. A afirmação da individualidade e da identidade.
A passagem de Marte em Capricórnio, signo da integralidade, do aperfeiçoamento e da realização, é um convite do Cosmos ao resgate do guerreiro realizador em nós, ativando-o com força total.

Hora, portanto, de dar um chega pra lá na preguiça, na acomodação, no conforto, em tudo, enfim, que nos paralisa e impede de avançar. Especialmente o medo.

Vamos ativar o guerreiro estratégico, frio e calculista, focado e eficaz, que nos conduzirá, a passos largos, na direção da vitória.
Lembre-se sempre de que viver é lutar. Descendo à arena e enfrentando os desafios, damos o pontapé inicial, desencadeando os processos que permitirão construir o que queremos. Mas é preciso vencer a inércia inicial, que nos enche de medo e nos prostra. Se optamos por ir à luta, a coragem se redobra e se retroalimenta; se, por outro lado, fugimos do combate, cada vez mais somos tomados pelo pânico, cada vez mais nos imobilizamos e prostramos, tornando-nos vulneráveis aos combates que a vida nos impõe.
Capricórnio é o signo de exaltação de Marte, ou seja, onde ele alcança suas maiores potencialidades. Portanto, é hora de vencer o medo e agir.
Se você teme o desafio, acabará se escondendo por trás de uma camada de falsa segurança, que só irá adiar a batalha.

Marte permanecerá transitando em Capricórnio até o dia 30 de Março de 2020, quando ingressará no signo de Aquário.

Um detalhe. Ao transitar por Capricórnio, Marte passará pelos planetas Júpiter, Saturno e Plutão, ativando a tríplice conjunção formada por esses tês astros, que está associada a tantos eventos significativos que estão ocorrendo pelo mundo, seja no âmbito coletivo, seja no inividual. Especialmente a partir do dia 20 de Março, Marte poderá desencadear muitos eventos que estiverem “engatilhados”, puxando o gatilho e detonando eventos de caráter forte e transformador.

Fiquemos atentos.

Lembre-se do que disse o grande escritor Guimarães Rosa, na voz do personagem Riobaldo, um misto de jagunço e filósofo, no magnífico romance Grande Sertão: Veredas: “Viver é muito perigoso!” Viver, portanto, é constantemente arriscar-se e o risco faz parte do jogo da vida.
Para concluir, o conceito alardeado por Kung Fu Tse (o Confúcio) e apropriado por Leonardo da Vinci:
“O maior guerreiro é aquele que vence a si mesmo.”
Sobretudo, completamos, aquele que vence o próprio medo.

 

O Sol entra em Aquário

Continuando seu eterno caminhar pela roda Zodiacal, o radioso astro do dia ingressa, no dia 20 de Janeiro de 2020, às 11h54,  no signo de Aquário, iniciando um ciclo de busca das significações celestiais, quando a consciência atinge níveis mais ideais.

 

Último signo do elemento ar e do ritmo fixo, Aquário está mitologicamente associado a Ganimedes, um jovem pastor da Frígia, que guardava os rebanhos de seu pai, o rei Trós.

Dotado de extraordinária beleza, a ponto de ser considerado o mais belo dos mortais, o jovem chamou a atenção de Júpiter (Zeus), o mais poderoso de todos os imortais e soberano do Olimpo. Num arroubo, apaixonado pelo belo pastor, o deus transmuda-se em águia (um dos atributos de Zeus, símbolo da Sabedoria) e o arrebata, conjugando-se carnalmente com ele, em pleno vôo e conduzindo-o ao Olimpo, morada dos imortais.

Ganimedes passa a desempenhar as funções de divino garçom, servindo aos deuses o néctar e a ambrosia, o vinho da imortalidade e da eterna juventude. Após o banquete dos imortais, o generoso Ganimedes despejava as sobras do licor celestial sobre a terra, inundando-a de benfazeja emanação.

Da mesma maneira que o divino escanção derrama sobre a terra o licor da imortalidade, devemos entender que o Céu faz recair sobre nossas cabeças toda uma chuva de harmonias e significações celestiais, fazendo-nos perceber que essas mesmas harmonias e significações podem (e devem) operar-se também na Terra.  Aquário representa, portanto, por excelência, o significado do famoso axioma atribuído a Hermes Trismegisto: “assim como encima é embaixo”. Ou seja, o macrocosmos (o Universo) e o microcosmos (o Homem) nada mais são do que reflexo e refletor um do outro. No interior do Homem subsistem, pois, todas as harmonias e infinitudes celestiais.

A entrada do Sol em Aquário é uma indicação de que a nossa própria luz interior nos torna permeáveis às bênçãos que o Céu derrama sobre nossas cabeças, convidando-nos a perceber, como reza o aforismo da Sagrada Ordem Gladius Archangelis Dei, as estrelas como pequenos furos num tecido escuro, através dos quais podemos vislumbrar a infinita Luz que o Criador nos reserva.

Reconhecendo essa mesma Luz em nosso interior, estamos aptos às grandes ações, idéias e revoluções. Portanto, aproveite o momento para dar vazão às suas próprias loucuras, ir além dos limites que, normalmente, nos atrapalham e impedem os passos.

Interessante notar que, ao longo de sua passagem no signo de Aquário, o Sol faz oposição com a Lua, desencadeando um eclipse lunar total, um fenômeno sempre controverso, mas que tem significados astrológicos bem claros: uma luz se apaga e dá lugar às trevas, ainda que momentaneamente. Obviamente, após o apagar, essa lua volta a se acender. mas não será mais a mesma…

E se isso acontece no Céu, acontece também dentro de nós.

Isso nos trará a possibilidade de olhar mais atentamente a nossa própria alma, com todos os seus soturnos e obscuros meandros. E, por outro lado, estimulará enormemente a nossa criatividade e inventividade.

Portanto, durante os dias da passagem do sol em Aquário, fique atento ao que aparecer na sua mente, pois podem ser os germens de grandes idéias, capazes de transformar a sua vida e a vida de muita gente ao seu redor.

Aquário nos permite e, mais do que isso, estimula-nos a todas as “loucuras” a que temos direito.

E lembre-se do que dizia Akira Kurosawa, o grande cineasta japonês: “Num mundo louco, só os loucos podem ser considerados sãos”.

Dica cinematográfica

O filme “O Grande Ditador” (The Great Ditactor, USA, 1940), dirigido e estrelado pelo genial Charles Chaplin, onde você vai ver um homem comum mudar os rumos da História, impelido pela sublime virtude da esperança.

De quebra, o discurso final proferido pelo barbeiro judeu, personagem brilhantemente vivido por Chaplin, naquele que é provavelmente o mais aquariano trecho da história do cinema.

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Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de
ajudar a todos – se possível – judeus,  gentios… negros… brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim.  Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio.
Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas
necessidades.

O último discursoO caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens… levantou no mundo as muralhas do ódio… e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloquente à bondade do homem… um apelo à fraternidade universal… à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora…
Milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas… vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes.
Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis!” A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia… da amargura de homens que temem o avanço  do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o
poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais… que vos desprezam… que vos escravizam… que arregimentam as vossas vidas… que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão!
Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos.
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade!
No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela… de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo… um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à juventude e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância,
ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês, Hannah?! O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade.

Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a
voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança.
Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

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E se você quiser apreciar a própria interpretação do grande Chaplin, clique no link abaixo:

O Grande Ditador

Aproveitamos para desejar a todos os aquarianos uma feliz celebração de aniversário!!!

O Sol entra no Signo de Capricórnio – Solstício de Verão

Neste 22 de Dezembro, precisamente à 1h19), o radioso astro do dia, em seu contínuo e inexorável caminho através do Zodíaco, adentra o signo de Capricórnio, iniciando um novo ciclo cósmico e uma nova estação.

Esse fenômeno cósmico-astronômico coincide com a ocorrência do Solstício de Verão, para o Hemisfério Sul, e de Inverno, para o Hemisfério Norte.

Fecha-se, portanto, o ciclo anual, com a última das estações, período de abundância e plenitude da Natureza.

Mitologicamente, o signo de Capricórnio é associado ao Deus , símbolo da natureza e da Totalidade. Irmão adotivo de Júpiter, Pã tinha aspecto antropozoomorfo, ou seja tinha forma mista de homem e animal:  patas e chifres de bode e corpo peludo, assemelhando-se, no restante, ao humano. Era dotado de prodigiosa agilidade e força fecundante, envolvendo-se sempre em orgiásticas festividades com as ninfas dos bosques; dava-se prazer, inclusive, se não pudesse obtê-lo com alguma companheira. Teve uma importante participação na luta dos olímpicos contra os Titãs: em meio à batalha, tira uma concha em forma de caracol que trazia presa à cauda e sopra-a com força, fazendo ecoar tão poderoso e tonitruante som que os Titãs (símbolos das forças cegas da Natureza) se põem em desabalada fuga.

Simbolicamente, o signo de Capricórnio relaciona-se com a montanha, símbolo da estabilidade e sedimentação, mas também da elevação ascética e da iniciação. É relevante ressaltar que todas as tradições apresentam mitos concernentes à revelação feita numa elevação: é o caso do Monte Fuji-Yama, sagrado para os xintoístas; ou do Monte Sinai, onde Moisés recebeu as Tábuas dos Mandamentos; ou ainda do Monte Ararat, o único ponto poupado das águas do Dilúvio, onde pousou a Arca de Noé. O próprio Cristo foi crucificado no alto de um monte, o Calvário, símbolo de sua proximidade com os céus. Esse é um motivo pelo qual comemoramos o seu nascimento no período em que o astro-rei transita por Capricórnio: o Sol, símbolo do Salvador, o que tira os pecados do mundo, brilhando no ponto “mais alto” do Zodíaco, Capricórnio, símbolo por excelência das elevações e montanhas.

Uma outra associação simbólica que comumente é feita a Capricórnio e a seu planeta regente, Saturno, é a do joelho, que permite fazer as

escaladas (que, invariavelmente, oferecem obstáculos), mas, atingido o cume da montanha, permite-nos, também, fazer a genuflexão diante do Sagrado, para receber, do Criador, as bênçãos e a Iniciação.

Durante a estada do Sol em Capricórnio, portanto, o Cosmos nos convida a reconhecimento da plenitude e integralidade da Natureza (inclusive a Natureza humana), a mesma plenitude que traz, em seu bojo, a sonoridade primordial que expulsa as forças cegas que nos enchem de pânico. Mas que nós possamos, também, ter a humildade e a disposição para escalar as montanhas, tanto as da existência cotidiana como também aquelas que nos elevam a maiores realidades. E que possamos celebrar a estação do Verão com alegria e plenitude, mas que, sobretudo, essa plenitude esteja também presente em nossas almas.

Aproveite também o momento para conscientizar-se acerca de tudo aquilo que, em sua vida, precisa ser melhor sedimentado, realizado e cristalizado. Os impulsos que você der agora aos seus projetos tenderão a tornar-se em efetividade consistente e estável.

Detalhe importante, alguns dias depois de entrar em Capricórnio, o Sol se encontrará com o planeta Saturno, que já entrou em Capricórnio há alguns meses, assim como com Júpiter e Plutão, os três astros que formarão a tríplice conjunção, em 2020.

E esse encontro haverá de desencadear a conscientização de tudo aquilo que cada um de nós, pobres mortais, pode e deve edificar, nos próximos tempos.

Aproveitamos o momento para desejar aos capricornianos uma linda celebração de aniversário.

E a todos os amigos um Feliz Verão!

Sol em quadratura com Netuno


Crise entre Sol e Netuno, indicando um momento de necessidade
de revalorização da espiritualidade e da fraternidade.

Na península do Kathiawar, na Índia, manhã cedinho, o sono de um garoto de 12 anos, de casta superior indiana e filho de ministro do príncipe de Rajkot, é interrompido pelo ruído causado pelas rodas de duas carroças sobre o calçamento irregular do pátio externo da esplêndida residência. Curioso, da janela do seu quarto, o jovenzinho observou dois homens, pai e filho igualmente maltrapilhos, despejarem os latões de lixo nas carroças por eles próprios tracionadas.

Minutos após, escovado e limpo, devidamente acomodado para o chá matinal, o garoto indagava da sua mãe sobre os dois catadores de lixo. A reprimenda é severa, posto que ele, segundo a mãe, como filho de ministro de príncipe e de casta superior, não deveria sequer olhar para aqueles dois párias imundos, devendo manter-se à distância daquele tipo de gente.

Gandhi

Gandhi

No dia seguinte, idêntico horário, os latões são descarregados por três pessoas, os mesmos de ontem e mais o jovem filho de ministro do príncipe. Diante do alerta honesto de um dos lixeiros – “afaste-se de nós, somos párias” – a resposta ainda hoje ecoa nos tímpanos dos bem nascidos que possuem consciência social consolidada numa prática transformadora conseqüente: “Eu sei disso. Mas isso não me importa nada“.

O desmaio da mãe ao ver o filho carregando lixo, bem como a surra tamanho família ministrada pelo pai, de nada valeram para aquele menino de nome Mohandas Karamchand Gandhi, consagrado universalmente, décadas mais tarde, como Mahatma Gandhi, o profeta da Índia livre.

“Sem jamais omitir meus balizamentos gandhianos, alertaria fraternalmente todos aqueles que buscam ampliar a dignificação do Ser Humano para uma data que não deveria findar relegada ao baú do esquecimento: 30 de janeiro de 1948. Naquele dia, Gandhi era assassinado. Um dos maiores baluartes da não-violência ativa tombava, três tiros disparados por um sectário que certamente não entendia o significado das suas palavras: ‘O amor é a força mais humilde, e também mais poderosa, que o mundo possui. O mundo está cansado de ódio’ ”.

O trecho acima, extraído de ensaio do escritor, pensador, consultor e (Querido!) professor pernambucano Fernando Antônio Gonçalves, mostra-nos a força marcante e a personalidade do Mahatma, (expressão indiana que significa “a grande alma”).

Continua o professor:

“Ecumênico, universalmente aberto a todos aqueles que buscavam Justiça e Paz, Gandhi era aprofundado nos grandes

Fernando Antônio Gonçalves

Fernando Antônio Gonçalves

livros da Humanidade: a Bíblia, o Alcorão, os Vedas e os filósofos gregos, tornando-se empolgado, conforme suas palavras, com o Novo Testamento, principalmente com o Sermão da Montanha. Sem abdicar dos seus parâmetros religiosos, não titubeou em proclamar certa feita: ‘Cristo é a maior fonte de força espiritual que o homem conheceu. Ele é o exemplo mais nobre de um que deseja dar tudo sem pedir nada. Cristo não pertence somente ao Cristianismo, mas ao mundo inteiro’. ”

Poderíamos continuar tecendo comentários significativos acerca daquele que foi chamado por alguns de “o maior cristão do Séc XX”, mas não é essa a nossa intenção. O que pretendemos, é a utilização de Gandhi como exemplo ilustrativo do evento astrológico sobre o que pretendemos chamar a atenção: a quadratura entre Sol e Netuno.

Esse evento astrológico nos convida a uma reflexão mais profunda acerca de nossa prática de vida, de nossa ação espiritual e de nossa fé. O mundo será aquilo que nós construirmos com nossos comportamentos, nossas ações e com aquilo em que acreditarmos.

As ações espirituais são de interesse universal porque na natureza intrínseca da totalidade dos seres humanos estão as ânsias de liberdade, igualdade e dignidade, que todos têm o direito de desfrutar e exercitar.

Numa época em que cada vez mais se fala de espiritualidade, ao mesmo tempo em que menos se pratica, a quadratura Sol-Netuno nos lembra que não basta apenas declarar que todos os seres humanos devem desfrutar de uma mesma dignidade, mas isto deve ser traduzido em ações.

O Cosmos nos lembra que temos a responsabilidade de encontrar caminhos para conseguir uma distribuição mais equitativa dos recursos materiais.

E que cada um de nós deve aprender a trabalhar não apenas para si próprio, para sua própria família ou por seu país, mas também em benefício da humanidade inteira.

Há que se refletir, também, nestes tempos de Netuno em Peixes, sobre as diferenças entre a religião e o que consideramos espiritualidade ou prática espiritual. Afinal, muito se tem matado e destruído em nome da religião e pouco se tem agido em nome da espiritualidade.

Nossa gratidão, pela ajuda, ao Professor Fernando, esse pernambucano e cristão gota serena de bom, que sabe falar de coisas sérias de forma leve faz do humor e da alegria uma forma de espiritualidade.

 

Vênus em conjunção com Júpiter

 

Aos vinte e oito graus do signo de Sagitário, encontram-se Vênus e Júpiter, indicando expansão da afetividade.

Conta uma das mais belas páginas da mitografia grega que o poderoso Júpiter, pai dos deuses e dos homens, soberano do Olimpo, passeava pela Terra, acompanhado de seu filho e mensageiro, o solerte Mercúrio.

Disfarçados, caminhavam por um vale habitado por diversas famílias de agricultores e pediram pousada em uma dessas casas.

Irritado, o fazendeiro alegou não ter alimento suficiente para receber nenhum viajante e mandou embora os peregrinos. Em outra casa, a dona disse não ter acomodações; e a cada casa em que chegavam, novo pedido e nova recusa. Furioso, Júpiter já pensava em punir toda aquela gente, por negar-se a prestar o sagrado serviço da acolhida e da hospitalidade, prática, aliás, determinada por ele próprio aos deuses e aos homens (por isso mesmo, Júpiter tinha o epíteto de Xenios, o “protetor dos estrangeiros”).

Na última das casas, tiveram sorte diferente: foram recebidos pelo velho Filemo e sua Esposa Báucis, um empobrecido casal, já no fim da vida, que abrem as portas para o que acreditavam ser viajantes em busca de pouso por uma noite.

Júpiter e Mercúrio em casa de Filêmon e BáucisAconchegados diante da lareira, Júpiter e Mercúrio observam Filemo colocar pétalas de rosas na água, para que os visitantes possam se lavar, enquanto Báucis tira-lhes as pesadas botas de viagem. Depois disso, os dois idosos desdobraram-se em preparar, com os parcos mantimentos de que dispõem, uma refeição decente para os viajantes, composta de figos e uvas secas, queijo e pão de cevada. Insatisfeito com a pobreza da refeição, Filemo, com um cutelo na mão, põe-se a perseguir o único pato da propriedade, uma velha ave que servia de vigia, a fim de levá-lo para a panela. Mercúrio ria-se com as infrutíferas tentativas do velho que, mal podendo andar, tropeçava e claudicava atrás do pato. Este, percebendo o perigo, esconde-se entre as pernas de Júpiter. O poderoso deus declara que o pato está sob sua proteção e deve ser poupado.

Após a refeição, Báucis prepara a cama para os viajantes, com palha fresca e lençóis de tecido velho e grosseiro, porém limpos.

Na manhã seguinte, Júpiter e Mercúrio revelam suas verdadeiras identidades e dizem que, como prêmio por sua caridosa hospitalidade para dois desconhecidos, Filemo e Báucis podem pedir qualquer coisa que desejarem. O velho casal se entreolha e pede apenas a graça de não sobreviver um ao outro: quando um deles morrer, que o outro o acompanhe imediatamente.

Profundamente tocado por aquela prova de amor conjugal, Júpiter sente saudades de sua esposa Hera e retorna com Mercúrio ao Olimpo, após abençoar o casal. Naquele instante, uma terrível inundação se abate sobre o vale, que fica inteiramente submerso, com exceção da propriedade de Filemo e Báucis. Sua casa se transforma num luxuoso templo em honra a Júpiter Xenios e eles são alçados à condição de sacerdote e sacerdotisa daquele templo.

Filemo e Báucis viveram ainda muitos anos em plena felicidade, chegando a uma idade avançadíssima, que mortal algum jamais alcançou.

Um dia, percebendo que havia chegado o momento, caminharam para a frente do templo, trocaram as últimas palavras e olhares, deram-se as mãos e prepararam-se para a última viagem. E sentiram, um no outro, a estranha transformação: uma grossa casca tomou o lugar da pele, o corpo de avolumou, os cabelos encanecidos se transformaram em lindas folhas verdes… Haviam se transformado em duas árvores, dois exuberantes loureiros, cujas ramagens se entrelaçam.

E dizem que até hoje, entre as ruínas do templo, os dois loureiros permanecemHugging Trees abraçados, um testemunho vivo de amor profundo e verdadeiro.

O grande trígono que estará nos céus nessa semana é um indicativo de um momento particularmente propício aos processos de aprofundamento e expansão dos relacionamentos.

Ótimo momento, portanto, para aquela conversa séria, para aquele grande projeto a dois, para o estabelecimento de grandes parcerias, pois as sementes lançadas ao solo neste momento terão as possibilidades de expansão e profundidade, a longo prazo.

Aproveite o momento. Reflita que, muito mais do que simplesmente romantismo, o amor é feito de companheirismo, cumplicidade e, claro, sacrifícios. Aliás, o amor se mede, sobretudo pelos sacrifícios.

O momento favorece a maturidade, a sensibilidade e generosidade para com o outro.

Uma sugestão.

Se você vivencia, neste momento, uma relação, fique atento: esse lindo encontro entre Vênus e Júpiter é na verdade um grande convite a que vivenciemos com toda a intensidade a beleza de momentos mágicos, encantados. Toda relação deve ser encarada com seriedade e objetividade. Mas deve haver o momento para o sonho e o encanto.

Bem, este é um momento para encanto.

Mais: como os astros envolvidos são os considerados os mais facilitadores e “benéficos” do Zodíaco, podemos imaginar que essa conjunção tem impactos positivos para todos nós.

O evento ocorre aos vinte e oito graus de Sagitário. Se você já tem o seu Mapa Natal, observe em que Casa Astrológica ocorre a conjunção entre Vênus e Júpiter. E você saberá em que área da vida pode esperar esse impacto positivo.

Uma dica.

Nos próximos dias, olhe para o poente, ao crepúsculo. Podemos nos preparar para contemplar esse fenômeno e, assim, abastecer a nossa alma com uma parcela dessa infinitude.