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Marte em conjunção com Júpiter

Nesse dia 06 de Janeiro, encontram-se Marte e Júpiter aos dezoito graus de Escorpião,
inaugurando um ciclo de força e energia de realização.

Do ponto de vista mitológico grego, Marte representa um verdadeiro estranho no ninho: completamente diferente, em suas características, dos demais deuses do Olimpo, que representavam grandes modelos de harmonia e perfeição, Marte (Ares, em grego) era o deus da guerra bruta, da selvageria e da pancadaria. Seu único prazer eram as guerras e lutas e ele não perdia chance de fazer jorrar sangue, não se importando com a justiça ou injustiça da luta.

Os gregos o retratavam sempre acompanhado de um séquito temível: eram seus escudeiros Phobos e Deimos, seus filhos, representando o Pavor e o Medo; era acompanhado de Éris (a Discórdia) e por um bando de divindades guerreiras sempre sedentas de sangue, chamadas Queres.

Já em Roma, Marte foi cultuado como um dos maiores e mais importantes deuses. Diferentemente dos gregos, os romanos o retratavam sempre acompanhado de dois escudeiros chamados Honor (a Honra) e Virtus (a Força). Era considerado uma divindade heróica e nobre e era um dos patronos da cidade e do Império.

Essa diferença de significação é bem representativa do que pode acontecer com o Planeta Marte, dentro de nós: a depender da escolha que fizermos, o nosso Marte interior nos conduzirá no caminho da valorosa virtude que nos fará heroicos e combativos defensores da justiça. Ou nos tornará violentos e agressivos brutamontes…

Em sua essência, Marte está associado, astrologicamente, ao conceito de força. Representa o nosso lado guerreiro, aquele que vai à luta, marchando a passos largos para nos conduzir ao nosso objetivo.

Quando nos lançamos em direção de algo que desejamos, é Marte dentro de nós que nos propicia isso. Quando, revoltados diante de algo, erguemos a clava forte da Justiça, na defesa de alguém, é Marte dentro de nós que nos faz despertar o herói interior.

Mitologicamente, o planeta Júpiter, por sua vez, está associado ao mito de Zeus, o pai de todos os deuses e de todos os homens, o mais poderoso dos imortais, senhor absoluto do Olimpo, do Céu e da Terra. Era onipotente. Tinha como armas o raio, o relâmpago e o trovão. Um único movimento de sua cabeça sacudia todo o Universo.

Astrologicamente representa a fortuna e sabedoria. Traduz expansão e sorte. Amplifica tudo o que toca.

O encontro desses dois planetas, no signo de Escorpião, traduz um importante recado do Cosmos: a somatória da força marcial com a sabedoria jupiteriana pode nos conduzir a qualquer lugar que desejarmos, desde que estejamos dispostos a pagar o preço do sucesso e que tenhamos a iniciativa da ação. A nossa força será multiplicada! A nossa capacidade de ação, também!

Um excelente momento, portanto, para estabelecer uma estratégia, um plano de ação, com objetivos claramente definidos.

Trace metas a curto, médio e longo prazo; estabeleça metas intermediárias; e aja, ponha o seu plano em ação! Isso será inteligente e produtivo e irá motivá-lo a ir sempre em busca do que você quer.

Falando em motivar, é importante que você perceba, ao estabelecer as suas estratégias, qual a direção habitual de sua motivação. Existem pessoas que se motivam para buscar alguma coisa, para aproximar-se de um objetivo (em Programação Neurolingüística, chamamos a esse padrão de motivação de meta-programa de motivação por aproximação). Já outras motivam-se para afastar-se de algo, para fugir de algo desagradável (meta-programa de motivação por afastamento). Por exemplo, às pessoas que se motivam por aproximação, pode ser útil pensar nos resultados positivos que o empreendimento irá trazer, os prêmios e benefícios que podem advir de uma ação. Já às pessoas que se motivam por afastamento, pode ser útil reconhecer os problemas que serão evitados com a ação.

Você pôde perceber a diferença?

As pessoas que obedecem ao meta-programa de motivação por aproximação visam aproximar-se de algo agradável ou valioso.

As pessoas que obedecem ao meta-programa de motivação por afastamento visam afastar-se de algo desagradável ou penoso.

Ambos meta-programas são úteis e ajudam a atingir os objetivos a que as pessoas se propõem. No entanto, parece claro que as pessoas que se motivam por aproximação terão mais chances de se sentirem motivadas e, consequentemente, mais possibilidades de atingir as suas metas.

Descubra o seu meta-programa, observe a direção de sua atenção e, ao estabelecer as suas estratégias de ação, obedeça a essa direção. Se for o caso, mude o seu meta-programa, experimente outra forma de se motivar, até que você encontre aquela que lhe for mais útil. Com certeza, o triunfo pessoal será mais fácil e rápido, porque você foi capaz de transformar, com isso, as suas energias guerreiras em um magnífico potencial combativo.

Análise Cíclica

Independentemente da qualidade própria desse momento, sinalizada pela conjunção Marte-Júpiter, do ponto de vista ciclológico cabe também uma observação.

Como já comentamos em outros artigos, nesta coluna, o ciclo sinódico entre dois planetas se dá da seguinte maneira: na conjunção (quando os dois astros se encontram no mesmo grau do Zodíaco), inicia-se um ciclo, novas sementes são lançadas, algo novo começa. O astro mais rápido continua avançando e, na oposição (quando os astros estão a 180º), esse ciclo atinge o seu máximo. Nesse ponto, as sementes lançadas no momento da conjunção frutificam (para bem ou para mal) e rendem resultados. Mas, entre a conjunção e a oposição e vice-versa existem dois momentos em que os astros se colocam em quadratura (a 90º um do outro). Os pontos de quadratura representam momentos de crise, de oportunidade. A quadratura crescente (entre a conjunção e a oposição) está relacionada a crescimento. Às vezes, nesta fase, faz-se necessário um ajuste ou reordenamento de metas, para que os projetos ou vivências iniciadas na conjunção continuem ou até mesmo se extingam de vez. Já a quadratura minguante (entre a oposição e a conjunção) está relacionada a uma crise que solicita novos ajustes, porém com vistas ao encerramento do processo.

E, na nova conjunção, o ciclo é definitivamente encerrado e um novo se inicia.

Alguns desses ciclos duram um mês, como é o caso dos ciclos envolvendo a Lua. Outros duram vinte anos, como é o caso do ciclo Júpiter-Saturno. E outros ainda duram aproximadamente dois anos ou dois anos e meio como é o caso deste ciclo Marte-Júpiter.

Quando observamos esse tipo de ciclo, percebemos que o tempo e seu desenrolar em nossa vida fica impregnado de significados. E vivemos em meio a uma infinidade desses ciclos, que se mesclam e se interpenetram entre si. O ciclo entre Marte e saturno é um dos mais importantes para nós, pois associa esses dois elementos de vital significação emocional e prática.

A vez mais recente em que Marte e Júpiter fizeram uma conjunção foi em Outubro de 2015. Avalie com cuidado: que sementes você lançou, nos entornos desse momento? Que projetos ou vivências você iniciou aí?

Marte e Júpiter fizeram uma quadratura crescente em Abril a Outubro de 2016. Pergunte-se: que tipo de crise de ajustamento seu projeto ou vivência passou, durante esse momento?

A oposição Marte-Júpiter ocorreu em Fevereiro e Março de 2017. Aí aconteceu o apogeu do ciclo. Que frutos você colheu?

A quadratura minguante entre Marte e Júpiter ocorreu em Junho e Julho de 2017. Eis aí o momento da crise final, o princípio do fim do ciclo.

E a conjunção ocorre agora, em Dezembro de 2017 e Janeiro de 2018, embora o ponto exato aconteça no dia 06 de Janeiro de 2018, o que encerra o ciclo iniciado em Outubro de 2015 e começa outro, que deverá desenrolar-se da seguinte maneira:

Quadratura Crescente: Julho a Novembro de 2018;

Oposição: Maio de 2019;

Quadratura Minguante: Setembro de 2019;

Nova conjunção: Março de 2020.

Fique atento. E aproveite para usar os momentos cíclicos a seu favor, em vez de nadar contra a correnteza cósmica.

A propósito: a conjunção Marte-Júpiter ocorre aos dezoito graus de Escorpião. Se você já tem o seu mapa astrológico, observe em que casa astrológica ocorrerá esse fenômeno e você terá uma ideia de que área da vida poderá ser mais ativada pela força conjugada esses dois astros.

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Os Magos Astrólogos e a Estrela de Belém

6 de Janeiro, dia dos Reis Magos, dia do Astrólogo

Muitos pesquisadores, ao longo dos séculos, se fizeram a pergunta que, ainda hoje, incomoda a muita gente:

 “Os Reis Magos que foram a Belém saudar o nascimento de Jesus seriam astrólogos ?”

E alguns dos leitores desta coluna também nos questionam sobre a possibilidade, uma vez que um astro foi o anunciador da boa nova.

Bem, vejamos…

O Santo Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus nos conta (Cap. 2) que, havendo nascido Jesus “em Belém de Judá, em tempos do rei Herodes, eis que vieram do Oriente uns magos a Jerusalém, dizendo: ‘Onde está o rei dos judeus, que é nascido? Porque vimos no Oriente a sua estrela e viemos adorá-lo.’ (…) e logo a estrela que tinham visto no Oriente lhes apareceu, indo adiante deles, até que, chegando, parou sobre onde estava o menino. E quando eles viram a estrela foi sobremaneira grande o júbilo que sentiram. E entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe, e prostrando-se, o adoraram. E abrindo os seus cofres, lhe fizeram suas ofertas de ouro, incenso e mirra.”

Segundo essa tradição, uma estrela teria guiado os três “Reis Magos” até o presépio de Belém. Mas, na realidade, estes nobres personagens seriam não apenas soberanos, mas sem dúvida Magos, no sentido antigo e preciso do termo, isto é, sábios, filósofos e astrólogos do Irã ou da Babilônia. Até mesmo por que naquela época, era comum o soberano ser também um sacerdote, um sábio e, conseqüentemente, um astrólogo.

Teorias existem acerca da “Estrela de Belém”. Há quem diga que era um cometa; Johannes Kepler, astrônomo e astrólogo alemão, considerado um dos maiores gênios da Humanidade, desenvolveu a teoria de que a estrela seria, na realidade uma excepcional conjunção entre Marte, Júpiter e Saturno, que, sobrepondo-se no céu, teriam apresentado o aspecto de uma única estrela gigante.

Preferimos deixar esse enigma sem solução, mais um dos muitos e fascinantes mistérios da Tradição Cristã. O que importa, de qualquer modo, é o inegável patrocínio celeste, estes sinais do Céu, associados ao nascimento d’Aquele que seria o Salvador da Humanidade.

Diz o historiador Bouché-Leclerq, citado por Serge Hutin, em seu História da Astrologia:

“Dizer que Deus se servira de um astro para avisar aos magos, simplesmente porque eram astrólogos, não enfraquece a conclusão: haviam sido avisados, e, portanto, compreendiam os sinais celestes.”

Ou seja, eram astrólogos os magos que adoraram Jesus. Conheciam a linguagem dos astros e, por isso, puderam compreender a sua mensagem e chegar em tempo de adorar a Criança.

No dia 06 de Janeiro, inclusive, dia consagrado aos Reis Magos, é comemorado o Dia Mundial do Astrólogo.

Esta bela passagem, um dos pontos altos da História da Humanidade, traz em seu bojo e seu significado uma importante mensagem: a de que, através dos sinais dos céus podemos chegar mais perto da Criança Crística, não só aquela que está nos templos e nas igrejas, mas sobretudo aquela que trazemos em nosso coração.

Como reflexão, o poema de Rudolph Steiner, codificador da Antroposofia, com o qual saudamos todos os homens e mulheres que, ao longo da História, em tempos passados ou contemporâneos, ousaram praticar a nobre arte de ler os sinais celestes e transformá-los em informações significativas para a Humanidade.

 

“Se quisermos festejar o Natal

De modo cristão, deverá existir

Em nós próprios um Pastor e um Rei.

 

Um Pastor que ouve o que outras

Pessoas não ouvem, e que

Com todas as formas de dedicação

More logo abaixo do céu estrelado;

A esse Pastor, anjos anseiam por

Revelar-se.

E um Rei que distribua dádivas;

Que não se deixa guiar por nada mais

A não ser pela estrela das alturas.

E que se põe a caminho,

Para ofertar todas as suas dádivas

Ao pé de uma manjedoura.

 

Mas além do Pastor e do Rei

Deverá existir também em nós, uma

Criança

Que quer nascer agora!”

Feliz dia dos Reis Magos!!! Feliz dia do Astrólogo!!!

Superlua ao anoitecer desta segunda-feira, dia 1 de Janeiro de 2018!!!

A Lua Cheia acontece às 23h24 desta segunda-feira, dia 1 de Janeiro de 2018. Algumas horas antes, às 18h54, acontece o Perigeu, ou seja, o momento em que a Lua se coloca na posição de máxima aproximação da Terra.

(Hora de Brasília, desconsiderado o Horário de Verão.)

Quando esses dois fenômenos (a Lua Cheia e o Perigeu) acontecem tão próximos um do outro, temos um singular aumento do disco lunar, que se tornará algo em torno de 14% maior e mais brilhante.  O melhor momento para a observação é o nascer da Lua neste dia 1 de Janeiro. Quando o Sol se puser, no horizonte oeste, você verá a Lua nascer, no horizonte leste, maior e mais brilhante do que o habitual.

Um belo espetáculo!!!

E obviamente esse fenômeno traz significados simbólicos ricos e dignos de atenção.

SuperluaRegente do sino de Câncer,  astro mais próximo da Terra, a sedutora Lua, também chamada de “o luminar das noites”, sempre esteve associada à magia , aos encantamentos e à poesia.

Diana, a deusa caçadora (chamada Ártemis pelos gregos), é irmã gêmea de Apolo (o Sol) e associada à Lua. O templo erigido em seu culto, em Éfeso, era considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo.

Ainda criança, recebeu do pai, o poderoso Júpiter (Zeus), a graça de permanecer sempre virgem, intocável e intocada por qualquer deus ou mortal. Diana representa, portanto, o papel da fêmea indevassável, a donzela arisca, inconquistável, formando, juntamente com Palas Athena e Héstia, o grupo das chamadas “virgens brancas” do Olimpo. E aquele que ousasse ir de encontro a essa castidade era severamente punido. Assim foi com Actéon, o caçador (=buscador; simbolicamente, caçador é sempre representativo do homem, em busca do autoconhecimento, da iluminação, do Sagrado, etc.) que, escondido, pôs-se a contemplar encantado a bela Diana, enquanto esta se banhava nas frescas águas de um regato. O olhar da deusa, treinado pelas caçadas, pode perceber a presença do intruso, que sofreu terrível destino: com um gesto, Diana o transforma em cervo e Actéon é despedaçado e devorado pelos seus próprios cães de caça, que não mais o reconheciam.

Com o arco e as flechas recebidos de presente dos temíveis Ciclopes (gigantes de um só olho), Diana corria pelos

Diana (Ártemis)

Diana (Ártemis)

campos, entretendo-se em movimentadas caçadas, sempre acompanhada de sua matilha de cães de caça e de oitenta ninfas, que lhe faziam as vezes de damas de companhia, todas absolutamente castas como sua senhora.

Regente da arte da caça, impunha normas rígidas aos caçadores. Por exemplo, a fêmea prenhe não poderia ser abatida. Quem quer que descumprisse tal lei seria rigorosamente punido.

Tendo nascido antes de seu irmão gêmeo Apolo, Diana ajudou sua mãe quando do parto dele. Por isso, era sempre invocada pelas parturientes  gregas quando do nascimento de uma criança. Além disso, Diana era chamada de Paidotróphos, que quer dizer aquela que alimenta a criança. Por tais motivos, as crianças eram suas protegidas, sobretudo as meninas, que, até os oito anos, lhes eram consagradas, sendo chamadas arktoi (= ursinhas; o urso era um animal consagrado a Diana).

Astrologicamente, a Lua representa a parcela mágica da nossa psiquê, que é capaz de se encantar com as imagens internas e externas, capazes de alimentar e educar a nossa criança interior. Com suas quatro fases distintas, dividindo o seu ciclo zodiacal (de vinte e sete a vinte e oito dias, o mais rápido dentre todos os astros), a Lua nos convida a refletir acerca da ciclologia da nossa própria vida e de nossas emoções: ora estamos em pleno processo de inspiração e desenvolvimento, como se fôssemos a Lua Crescente; e então ficamos plenos e inflados, como a própria Lua Cheia; depois, tendemos a minguar e murchar, como a Lua Minguante; e em seguida nos sentimos renovados e prontos a iniciar um novo ciclo, como a Lua Nova.

poesia3Retratando a Poesia e, mais até do que isso, a poética dentro de nossas vidas, a Lua, considerada o astro dos namorados, nos fala, por meio da sua luz suave, de sutileza e encantamento. Enquanto o Sol, com sua luz forte, é símbolo da consciência, da razão, da objetividade, do masculino, a Lua é símbolo do subconsciente, da magia, da subjetividade, do feminino.

Com a ocorrência dessa Superlua, que testemunhamos neste alvorecer do ano de 2018, estamos sendo convidados pelo Cosmos a sentir a mágica e a poética dentro de nós, que nos animam a mirar o alvo dos sonhos que buscamos realizar, retesando o arco da Poesia para disparar a flecha encantada da Magia, em direção ao Infinito, recuperando nossa capacidade de transformar abóboras em carruagens, sapos em príncipes, pererecas em princesas, resgatando o nosso dom de voar, buscar, sonhar e de se encantar com a realidade, que sempre pode ser bela.

Uma poça d’água no meio da rua pode ser motivo de queixa para os desanimados e insensíveis. Mas, para quem quer lançar o pó de pirlimpimpim, a mesma poça pode ser o espelho encantado que reflete, no chão, o brilho iridiscente das estrelas, no céu.

Detalhe importante. A Superlua acontece aos onze graus do signo de Câncer, seu signo de regência, e com o Sol a onze graus do signo de Capricórnio, ou seja, bem no eixo da realização. Se você já tem o seu mapa astrológico, poderá avaliar que área da vida (que Casa astrológica) será a mais afetada pelo fenômeno. Assim como qualquer astro próximo a este ponto.

 Lembramos que a palavra realizar significa, no étimo, tornar real. Portanto, essa Superlua, além de tudo é um convite a uma reflexão acerca daquilo a que precisamos tornar real, concreto em nossa vida; assim como acerca da nossa capacidade de sonhar e imaginar,, para poder realizar. Toda grande construção se iniciou, antes de tudo, pelo sonho de alguém.

E, principalmente, daquilo que precisamos tornar mais poético!

E se é assim, com poesia terminemos! Afinal de contas, a Poesia é mais verdadeira do que a História. Portanto, quanto mais poético, mais verdadeiro.

E, em se tratando de Lua e consequentemente de Memória (atributo também ligado à Lua), nada melhor do que  o poema abaixo, de autoria do poeta e pensador pernambucano (e canceriano) João Luiz Martins, para estimular, nessa Superlua, o resgate da memória imagética dentro de nós.

Um poema que nos ensina, de forma bela e sensível, como tornar real o que sonhamos.

 

O Baú de Mim

I

Abro silenciosamente meu baú,

Retiro de lá a fantasia do meu desejo,

E sua fragrância contida faz com que eu comungue

Aquele saudosismo espelhado em mim,

Nos velhos arlequins passados.

II

Do Arlequim tomo-lhe a audácia,

De mim refaço a alquimia do sonho:

Nesta fusão-de-calores, os amores perfazem,

Com (a) exatidão absurda de um sonho,

Todo o seu desabrochar de ilusões…

III

Com meu baú ainda aberto

Absorvo-me no devaneio de existir

Àqueles que sonham em primeiro serem reais

Para os seus eus,  mas que, por pura

Delinqüência consciente e boa,

Deixam-se levar nas águas das quimeras

Que tanto edificam os momentos felizes;

IV

E por mim tomo-me real,

Visto a máscara alegre a denunciar-me

Faço-me de odores de pierrots:

Lanço o meu brilho a vagar

Inda que seja no simples quarto onde,

Estando,

Escuta calado essa magia dos desejos…

V

Entro então no meu baú,

E caibo dentro dessa imensidão de mim que lá está,

E fico e sinto, por longo tempo,

Todo um romper daquilo que me fazia tímido

Para abrir um baú-de-sonho:

A suave impressão de que me perderia para

Poder-me achar,

Como fiz,

Pois estava dentro do baú de mim mesmo.

João Luiz Martins

Fevereiro de 1990

P.S.

Esta é a segunda de três Superluas seguidas. A primeira ocorreu no dia 03 de Dezembro, aos onze graus do signo de Gêmeos. E a terceira acontecerá no dia 31 deste Janeiro, aos onze do signo de Leão. Observados de maneira sistêmica, esses fenômenos podem trazer significados complexos e de alto impacto em nossas vidas.

Falaremos mais sobre isso daqui a alguns dias

Haroldo Barros

O Sol entra no Signo de Capricórnio – Solstício de Verão

Neste 21 de Dezembro, precisamente às 13h27 (Hora de Brasília, desconsiderado o Horário de Verão), o radioso astro do dia, em seu contínuo e inexorável caminho através do Zodíaco, adentra o signo de Capricórnio, iniciando um novo ciclo cósmico e uma nova estação. Esse fenômeno cósmico-astronômico coincide com a ocorrência do Solstício de Verão, para o Hemisfério Sul, e de Inverno, para o Hemisfério Norte.

Fecha-se, portanto, o ciclo anual, com a última das estações, período de abundância e plenitude da Natureza.

Mitologicamente, o signo de Capricórnio é associado ao Deus , símbolo da natureza e da Totalidade. Irmão adotivo de Júpiter, Pã tinha aspecto antropozoomorfo, ou seja tinha forma mista de homem e animal:  patas e chifres de bode e corpo peludo, assemelhando-se, no restante, ao humano. Era dotado de prodigiosa agilidade e força fecundante, envolvendo-se sempre em orgiásticas festividades com as ninfas dos bosques; dava-se prazer, inclusive, se não pudesse obtê-lo com alguma companheira. Teve uma importante participação na luta dos olímpicos contra os Titãs: em meio à batalha, tira uma concha em forma de caracol que trazia presa à cauda e sopra-a com força, fazendo ecoar tão poderoso e tonitruante som que os Titãs (símbolos das forças cegas da Natureza) se põem em desabalada fuga.

Simbolicamente, o signo de Capricórnio relaciona-se com a montanha, símbolo da estabilidade e sedimentação, mas também da elevação ascética e da iniciação. É relevante ressaltar que todas as tradições apresentam mitos concernentes à revelação feita numa elevação: é o caso do Monte Fuji-Yama, sagrado para os xintoístas; ou do Monte Sinai, onde Moisés recebeu as Tábuas dos Mandamentos; ou ainda do Monte Ararat, o único ponto poupado das águas do Dilúvio, onde aportou a Arca de Noé.

O próprio Cristo foi crucificado no alto de um monte, o Calvário, símbolo de sua proximidade com os céus. Esse é um motivo pelo qual comemoramos o seu nascimento no período em que o astro-rei transita por Capricórnio: o Sol, símbolo do Salvador, o que tira os pecados do mundo, brilhando no ponto “mais alto” do Zodíaco, Capricórnio, símbolo por excelência das elevações e montanhas.

Uma outra associação simbólica que comumente é feita a Capricórnio e a seu planeta regente, Saturno, é a do joelho, que permite fazer as escaladas (que, invariavelmente, oferecem obstáculos), mas, atingido o cume da montanha, permite-nos, também, fazer a genuflexão diante do Sagrado, para receber, do Criador, as bênçãos e a Iniciação.

Durante a estada do Sol em Capricórnio, portanto, o Cosmos nos convida a reconhecimento da plenitude e integralidade da Natureza (inclusive a Natureza humana), a mesma plenitude que traz, em seu bojo, a sonoridade primordial que expulsa as forças cegas que nos enchem de pânico. Mas que nós possamos, também, ter a humildade e a disposição para escalar as montanhas, tanto as da existência cotidiana como também aquelas que nos elevam a maiores realidades. E que possamos celebrar a estação do Verão com alegria e plenitude, mas que, sobretudo, essa plenitude esteja também presente em nossas almas.

Aproveite também o momento para conscientizar-se acerca de tudo aquilo que, em sua vida, precisa ser melhor sedimentado, realizado e cristalizado. Os impulsos que você der agora aos seus projetos tenderão a tornar-se em efetividade consistente e estável.

Detalhe importantíssimo!
Nesse mesmo dia, às 18h08, o Sol se encontra com Saturno, que entrou no signo de Capricórnio no dia 20. Esta entrada de Saturno em Capricórnio, seu signo de regência, é, aliás, um dos mais importantes fenômenos astrológicos deste período (conversaremos mais sobre isso!). E o encontro do Sol com Saturno, no primeiro grau de Capricórnio, é um indicativo poderoso do Cosmos de que é chegada a hora de fazer as coisas acontecerem. Mas não de forma atabalhoada, amadorística.

Não!

Esse é o momento do profissionalismo, da ação bem organizada e planejada, das estruturas bem arquitetadas, para que o sucesso seja sustentável.

Mãos à obra, pois!

chico-xavier

Como reflexão bem  capricorniana, o conceito trazido por Francisco Cândido Xavier, o eterno e indispensável Chico Xavier, ariano que tinha Lua e Urano em Capricórnio:

 

 

 

 

“Aos outros dou o direito de serem como são. A mim, imponho-me o dever de ser cada vez melhor”.

Aproveitamos o momento para desejar aos capricornianos uma feliz celebração de aniversário.

E a todos os amigos e leitores um Feliz Verão!

Marte entra em Escorpião

Neste dia 09 de Dezembro, o planeta Marte ingressa no signo de Escorpião, dando início a um ciclo de ativação das energias de transformação e auto-superação.

Transformar, mudar, regenerar é preciso! Mas, mesmo uma caminhada de dez mil quilômetros começa com o primeiro passo. A entrada de Marte no signo de Escorpião é um convite do Cosmos para darmos o primeiro passo em direção às transformações e auto-superação.

scorpioAfinal de contas, o ser humano não é pau, que nasce torto e morre torto: pode se regenerar e cada um de nós possui, dentro de si, todos os recursos necessários para qualquer mudança desejada. Portanto, mãos à obra.

Mas lembre-se: o requisito básico para qualquer mudança, cura ou aprendizado é querer que isso aconteça.

Desnecessário também dizer que a mudança é inevitável: acontece mais cedo ou mais tarde. Melhor, então, que aconteça agora, sob seu controle, do que acontecer depois, de forma desordenada e explosiva. Vá pensando nas coisas que, na sua vida, têm que ser transmutadas, redirecionadas, reordenadas. E aja nesse sentido, pois, se você não providenciar essas mudanças, o Cosmos, com sua sabedoria inefável, fará isso por você, desencadeando situações em sua vida que parecerão “caprichos do destino”, mas que nada mais são do que correções de rota. A sua rota pela vida!

É bom relembrar que ainda estamos sob os efeitos do Eclipse ocorrido no último dia 29 de Abril! E o eixo atingido foi exatamente Escorpião – Touro, o eixo das transformações. A entrada de Marte em Escorpião, ainda sob a vigência desse Eclipse, nos diz que o Céu não está para brincadeiras e mudanças ocorrerão.

Agora, algo que pode nos ajudar: durante sua passagem em Escorpião, Marte faz um trígonoMars (ângulo de 120º, altamente estimulante e positivo!) com o planeta Netuno, trazendo-nos grande visão sistêmica e serenidade, permitindo-nos unir a força combativa e o significado espiritual.

Melhor é impossível, não?

A ordem do dia é, portanto, mudar! Durante a estada de Marte em Escorpião, que se prolongará até o dia 26 de Janeiro de 2018, você terá a seu favor todas as possibilidades de quebrar velhas e arraigadas estruturas. E mudar comportamentos, crenças, velhos hábitos e idéias, substituindo-os por outros que lhes sejam mais úteis e lhe aproximem mais da felicidade que, por direito, lhe pertence.

Marte em Escorpião nos dará a coragem e força necessárias para isso.

Dica Cinematográfica

Vale lembrar que Marte rege os guerreiros. Representa a força combativa, a energia masculina e conquistadora dentro de nós. E no signo de Escorpião ele se encontra em sua regência, ou seja, tem sua expressão total e plena.

E há um belo filme que conta direitinho a história de um guerreiro que teve a coragem de optar viver um intenso processo de transformação, colocando a sua espada e sua força a serviço de uma causa mais nobre do que o dinheiro.

Trata-se do filme O Último Samurai (The Last Samurai), produção americana de 2003, dirigido e produzido por Edward Zwick e estrelado por Tom Cruise e Ken Watanabe, também co-produtores da obra, que tem uma trilha sonora arrebatadora, assinada por Hans Zimmer.

Você vai conhecer a história de Nathan Aldren, um mercenário com a alma atormentada por fantasmas do passado e que se entrega ao vício. E vai conhecer o profundo processo por meio do qual emerge, desse ser angustiado, um guerreiro pleno, nobre e justo, um ser humano único.

E como, no meio desse processo, Aldren encontrou a amizade e o amor. E sobretudo, encontrou a si mesmo, tornando-se aquilo que nasceu para ser.

Saturno em trígono com Urano

O estruturador Saturno e o inovador Urano se colocam a cento e vinte graus de distância (trígono), criando a possibilidade de renovação e reinvenção de paradigmas e crenças.

Há uma interessante história que vale a pena conhecer.

Lyall Watson

Na década de 70, um grupo de pesquisadores liderado pelo biólogo Lyall Watson realizou uma interessante experiência, com resultados científicos, no mínimo, significativos. Em um pequeno arquipélago do Pacífico, habitavam inúmeras tribos de macacos espalhados por dezenas de ilhotas.

Esses primatas dispunham de dois alimentos: bananas, que colhiam nas bananeiras espalhadas pelas ilhas ou batatas doces, que não consumiam porque não sabiam como limpá-las da terra que as cobria, ao serem arrancadas do solo.

Os pesquisadores experimentaram ensinar alguns dos macacos a limpar as batatas doces, treinando-os a lavá-las nas águas de um riacho, o que fez com que passassem a consumir prazerosamente as batatas. Ao observar o comportamento dos companheiros, os outros macacos igualmente aprenderam a limpar as batatas e esse aprendizado foi sendo repassado de indivíduo para indivíduo do grupo.

Quando um determinado número de macacos (aproximadamente cem) conhecia a técnica de lavar as batatas, subitamente todos os outros macacos da ilha e, mais surpreendente, todos os macacos das outras ilhas passaram a fazer a mesma coisa.

De alguma maneira, até hoje não explicada, a informação foi transmitida para todos os indivíduos que tinham a mesma necessidade!

Esse fenômeno ficou conhecido como a Síndrome do Centésimo Macaco.

Lyall Watson relatou suas experiências no livro Lifetide: a Biology of the Unconscious, publicado em 1979.

Rupert Sheldrake

Há uma evidente relação entre as pesquisas de Watson com as proposições de Rupert Sheldrake, sobre os campos de ressonância mórfica, e talvez até com as teorias de Carl Jung, sobre inconsciente coletivo.

O conceito dos campos mórficos abriu espaço para diversos campos de pesquisa e para técnicas revolucionárias, como é o caso das constelações sistêmicas, propostas por Bert Hellinger.

Talvez isso tudo nos possa servir de reflexão, independentemente das possíveis explicações (científicas, místicas ou parapsicológicas) para o evento.

Muitas vezes desistimos de nossos sonhos e nossos objetivos, mesmo acreditando neles, por imaginar que outros não lhe darão o mesmo crédito; esquecemos que, assim como no caso dos cem macacos, a Verdade irá se impor às mentes e aos corações dos Homens, sempre que você estiver disposto a acreditar nisso.

Ao longo deste nosso ano de 2017, ocorre um importante evento astrológico: o trígono (ângulo de cento e vinte graus) entre os planetas Urano, aos vinte e cinco graus do signo de Áries, e Saturno (aos vinte e cinco graus do signo de Sagitário). E agora, em Novembro, os dois planetas formam o ângulo exato de cento e vinte graus pele última vez.

Este é um evento celeste raro e impactante, indicando a possibilidade de acionar a nossa própria capacidade de sonhar e acreditar, fazendo reativar idealismos adormecidos associados à possibilidade de realização.

O Cosmos nos diz que é possível o resgate da conexão entre os homens, de coração para coração, de mente para mente.

Jung

Jung

Se você tem um daqueles sonhos malucos, que parecem inverossímeis, impossíveis, o verdadeiro delírio de um visionário, mas que é aquilo em que você acredita, embora às vezes até finja não acreditar, aproveite o momento para expressá-lo para o mundo inteiro. Por incrível que pareça, toda a Humanidade vai estar interessada em ouvi-lo. E aí, de repente, você talvez venha a perceber que aquele sonho, tão maluco, não era exclusividade sua: outros loucos, ao redor do planeta, também o nutriam, secretamente, sem coragem para abrir o coração e revelá-lo.

Muitas vezes foi assim que as grandes idéias puderam se concretizar, ao longo da História, com a coragem de um doido que teve a visão mais ampla do que o comum dos mortais e, mesmo tachado de louco, sem juízo ou insano, teve a determinação de ir adiante, desencadeando forças em seu interior de cuja existência nem suspeitava, até perceber que outros loucos (outros macacos?) o seguiam.

E lembre-se: diante da realização de qualquer projeto, há sempre um preço a pagar e um trabalho árduo a ser

realizado.

E não tenha medo de frustrar suas esperanças, pois o frustrado não é aquele que não consegue, mas sim aquele que não esgotou as possibilidades para conseguir.

A revolução para a Consciência Planetária se dará em revoluções individuais que, aos poucos, irão contagiando as outras individualidades. Portanto, não fuja do campo antes do fim do jogo e lembre-se do que nos ensinou o grande cineasta Akira Kurosawa: “Num mundo louco, só os loucos podem ser considerados sãos”.

Vênus entra em Escorpião

A entrada do planeta Vênus no signo de Escorpião nos convoca a uma reflexão acerca dos aspectos não visíveis do Amor.

Em seu contínuo caminhar pela “roda dos animais” ( zoo = “animal” + diakos = “roda” ), o Zodíaco, o planeta Vênus adentra o signo de Escorpião, nesta terça-feira, dia 7 de Novembro de 2017, dando início a um ciclo de resgate dos mistérios do Amor.

VenusSímbolo da beleza, do sentimento de afetividade e do Amor, em todas as suas formas, o planeta Vênus está relacionado à deusa grega Afrodite, senhora dos amores, dos risos e das graças. Ao penetrar Escorpião, signo representativo do Mistério, da transformação e da regeneração, Vênus nos convoca a uma importante reflexão: a de que o Amor, amálgama do Universo, força “que move o Sol e as demais estrelas”, não pode ser compreendido, mensurado ou explicado racionalmente. Ele deve, isso sim, ser vivenciado, sentido, experienciado, pois é um Mistério.

Que o Amor transforma as pessoas, que tem um enorme poder de superação e regeneração, isso nós sabemos. O gancho é o “como”. Pois, assim como Moisés, ao fazer o pacto com o Senhor, não pôde ver a Sua face; assim como, nas páginas da Mitologia Grega, Psiqué não poderia ver o rosto de seu esposo, Eros; assim também existem segredos e mistérios no Universo que jamais poderão ser avaliados, analisados, compreendidos, mas sim vivenciados pela alma. Que não diga, então, aquele que ama: “Deus está no meu coração !” Mas que diga, antes, : “Eu estou no coração de Deus!”

Eis o Mistério!!!

E vem a ciência moderna, com a sua conhecida empáfia racionalista, desenvolver mil e uma teorias psíquicas, comportamentais e até (pasmem!) genéticas para explicar o Amor, como se sobre este pudéssemos colocar uma fita métrica ou um termômetro ou algo que o valha.

Impossible !

Pois não se pode enquadrar o Infinito ou apreender o Inefável. Portanto você pode (e deve) compreender a sua relação com a pessoa amada; mas nem sempre, ou quase nunca, poderá explicar o seu sentimento. A entrada de Vênus em Escorpião é um chamado do Cosmos para que se vivencie o Amor com mais paixão, mais mistério e mais emoção.

É interessante observar que, poucos dias após a sua entrada em Escorpião, Vênus faz conjunção com Júpiter, o que tenderá a expandir ainda mais o conceito da intensidade passional. Mas também traz sorte e possibilidades de resgate, alegria e pacificação.

Esse não é um momento bom para uma DR (= discutir a relação). Mas é um momento ótimo para, simplesmente, viver com força e intensidade tudo o que de melhor o amor possa trazer para você.

E lembre-se do que disse Roque Schneider: “passei a amar a vida e ela deixou de ser um mistério para mim”.

Dica Cinematográfica

Eternal SunshineO filme Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind), USA, 2004, estrelado por Jim Carrey e Kate Winslet, onde você descobrirá que os mecanismos do amor estão muito além do alcance da ciência e sua vã racionalidade. E que, nas relações, a total semelhança dos pares nem sempre é a melhor fórmula.

O Sol entra no signo de Escorpião

  Neste dia 23 de Outubro de 2017, o Sol entra no signo de Escorpião, inaugurando um ciclo de transmutação e regeneração.

O signo de  Escorpião está associado ao mito de Orion, um gigantesco caçador, filho de Netuno, que, de tão hábil, gabava-se de matar qualquer animal que na terra vivesse. A Mãe Terra (Gea ou Gaea) não se conforma em ouvir tal desaforo e envia-lhe um enorme escorpião, desafiando o caçador a matá-lo. Orion faz pouco do bicho e, com o pé, esmaga-lhe a cabeça; esquece, porém, que é na cauda que se situa o ferrão do perigoso animal; e é exatamente esse ferrão que o escorpião, apesar de ter a cabeça arrebentada, crava na perna de Orion, inoculando-lhe o seu letal veneno.

O soberbo caçador morre, padecendo de terríveis dores e será catasterizado (= “transformado em constelação”), formando o agrupamento de estrelas que leva o seu nome, a pedido da deusa Diana (= a Lua).

Simbolicamente, o signo de Escorpião representa esse veneno, capaz de matar (= transformar, transmutar), para fazer transcender para algo que está “mais além”.No livro O Pequeno Príncipe, de Exupèry, é o veneno de uma serpente do deserto que faz o jovem principezinho viajar de volta ao seu pequeno planeta; do mesmo modo, a borboleta “mata” a lagarta, ao transformar-se de uma para outra. Assim também o feto, dentro do útero, “morre” para renascer um ser vivo independente; assim também o adulto “mata” o jovem, quando atinge a maturidade

Viver, portanto, é sinônimo de nascer, evoluir, morrer e renascer, numa interminável seqüência, consoante os ciclos cósmicoscorpios.

Compreender Escorpião é compreender o Mistério da evolução, da regeneração e da morte; é compreender a liberação das energias necessárias à transformação.

E é, sobretudo, compreender o erro sobre o qual se construiu a nossa civilização: a ilusão de que o eu é a última realidade; de que o progresso contemporâneo e finito é mais importante do que os ciclos infinitos e sutis, muito mais sutis, que se mesclam com a realidade; de que podemos acender as luzes do inconsciente sem venerar o Incognoscível; e de que a realidade superficial das coisas é mais significativa do que a ordem oculta em que ela se baseia.

E lembre-se: já que o Universo é dinâmico e eternamente em estado de metamorfose, a mudança invariavelmente acontece, quer você goste disso ou não. É melhor que as transformações aconteçam sob seu controle e sua opção.

Shirley ValentineAproveite, portanto, a estada do Sol em Escorpião para detonar as mudanças de que você necessita e que, às vezes, fica adiando, por acomodação ou mesmo por (desculpe a franqueza!) covardia.


Dica cinematográfica
: o filme Shirley Valentine (Shirley Valentine, USA/Reino Unido, 1989), dirigido por  Lewis Gilbert e estrelado por Paulline Collins. Você vai conhecer a bela e improvável história de uma dona de casa que, após uma profunda conversa com as paredes de sua casa (??!!!?!) foi capaz de matar o que já estava morto.

Vênus e Marte em conjunção

Encontram-se neste dia 05 de Outubro, Vênus e Marte, indicando a possibilidade de união entre força e sensibilidade.

 

Há uma interessantíssima passagem da Mitologia Greco-Latina, eterna e inesgotável fonte de sabedoria, que vale a pena conhecer.

Conta-se que a belíssima deusa Vênus, chamada Afrodite pelos gregos, deusa do amor e da beleza, era dada, como não podia deixar de ser, a entregar-se aos jogos da conquista e da sedução. E linda e exuberante como era, não lhe faltavam pretendentes, que ela convertia em amantes, ao seu bel prazer. Mas, dentre todos esses pretendentes, dois se destacavam, pela fama, pela insistência e pela rivalidade que devotavam um ao outro, na disputa pela preferência da magnífica deusa.

O primeiro era Apolo, o deus Sol: belo, garboso, sedutor, poético, voltado às artes e à música.

O segundo era Marte, o deus da guerra: bruto, violento, agressivo, grosseirão, voltado às lutas e à pancadaria.

E qual dos dois ela vai preferir?

Errou quem pensou em Apolo!

Era o violento Marte o preferido da deusa.

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Vênus e Marte

Surpreendente? Talvez… Mas o fato é que só nos braços da doce Vênus é que o bravo Marte repousava. Dessa “complexio oppositorum” (= união dos opostos), nascem vários filhos, entre eles Phobos (o pavor), Deimos (o espanto) e Éris (a discórdia), que passaram a acompanhar o pai nos campos de batalha.

Da mesma forma que na Mitologia, devemos buscar a união de opostos dentro de nós. E só quando conseguimos equilibrar a força de vontade com a alegria, a firmeza de propósitos com a gentileza, a força com a sensibilidade, é que estaremos caminhando reto na construção de um saudável equilíbrio nas relações, na profissão, na vida.

Ao longo dos próximos dias, o Cosmos poderá colocar você diante de situações que lhe forcem a construir esse equilíbrio.

Pode ser um grande aprendizado!

Fique atento.

E a propósito, o quarto fruto da união entre Marte e Vênus é a doce Harmonia, símbolo do equilíbrio, síntese da virilidade combativa do pai e da fertilidade e beleza da mãe.

Luciano de CrescenzoComo reflexão, invocamos Luciano de Crescenzo, ex-presidente da IBM na Itália e que abandonou uma brilhante carreira corporativa para se tornar ator e filósofo:

Somos todos anjos com uma asa só; e só podemos voar quando abraçados uns aos outros.

Júpiter em oposição a Urano

Conflito entre esses dois planos da alma, ficando exato neste dia 28 de Setembro de 2017, indicando a necessidade de maior conscientização sobre as nossas idéias e seus respectivos alcances e significados.

“Nada é tão perigoso quanto uma ideia — quando você só tem uma.”

Ignacio de Loyola BrandãoEssa frase do escritor Ignácio de Loyola Brandão pode definir bem o risco que causa o excesso de centralização em uma ideia que consideramos correta. Ou, se quisermos usar uma outra linguagem, os riscos do fanatismo.

A oposição (ângulo de cento e oitenta graus) entre Júpiter  e Urano indica um momento em que talvez tenhamos que abrir mais os olhos em relação às ideias dos outros e, sobretudo, em relação aos limites de nossas próprias ideias.

Inflamados por um ideal ou uma concepção idealista, muitas vezes deixamos de observar o mais sagrado dos deveres: o de respeitar as concepções e ideais do outro. Em um nível mais agudo, essa situação poderá acarretar uma hiper-inflação dos significados em relação aos significantes, ou seja, do ego em relação à ideia defendida, o que pode desencadear o surgimento de mosntruosidades internas, que afloram à superfície da psique e tendem a ampliar-se desmesuradamente.

Essas monstruosidades têm sido comuns ao longo da História e, em alguns casos, tomaram dimensões tenebrosas. Exemplos: Nero, Napoleão, Hitler, que se sentiram mais significativos do que seus semelhantes, a ponto de se julgarem sócios de Deus.

É preciso, portanto, perceber que, do outro lado de uma idéia, há sempre uma contra-idéia e nosso dever será sempre o de respeitar os pensamentos alheios, propondo uma ação universal de restauração do sentido mais amplo das coisas humanas, saindo do ego para a essência transumana. Exemplos: Sócrates, Gandhi, Luther King, que se sentiram tão significativos quanto seus semelhantes, a ponto de se fazerem instrumentos de Deus.

Nesse momento, portanto, cuidado: lembre-se de que todos têm a sua versão da verdade e a sua versão não necessariamente é melhor do que a versão de seu vizinho. E busque conscientizar-se dos alcances, mas também dos limites de suas idéias, a fim de que toda a Humanidade, e não apenas você e seu ego, possa beneficiar-se dela.

Análise Cíclica

Independentemente da qualidade própria desse momento, sinalizada pela oposição Júpiter-Urano, do ponto de vista ciclológico cabe também uma observação.

Como já comentamos em outros artigos, nesta coluna, o ciclo sinódico entre dois planetas se dá da seguinte maneira: na conjunção (quando os dois planetas se encontram no mesmo grau do Zodíaco), inicia-se um ciclo, novas sementes são lançadas, algo novo começa. O planeta mais rápido continua avançando e, na oposição (quando os planetas estão a 180º), esse ciclo atinge o seu máximo. Nesse ponto, as sementes lançadas no momento da conjunção frutificam (para bem ou para mal) e rendem resultados. Mas, entre a conjunção e a oposição e vice-versa existem dois momentos em que os planetas se colocam em quadratura (a 90º um do outro). Os pontos de quadratura representam momentos de crise, de oportunidade. A quadratura crescente (entre a conjunção e a oposição) está relacionada a crescimento. Às vezes, nesta fase, faz-se necessário um ajuste ou reordenamento de metas, para que os projetos ou vivências iniciadas na conjunção continuem ou até mesmo se extingam de vez. Já a quadratura minguante (entre a oposição e a conjunção) está relacionada a uma crise que solicita novos ajustes, porém com vistas ao encerramento do processo.

E, na nova conjunção, o ciclo é definitivamente encerrado e um novo se inicia.

Alguns desses ciclos duram um mês, como é o caso dos ciclos envolvendo a Lua. Outros duram vinte anos, como é o caso do ciclo Júpiter-Saturno. E outros ainda duram em torno de quinze anos como é o caso deste ciclo Júpiter-Urano.

Quando observamos esse tipo de ciclo, percebemos que o tempo e seu desenrolar em nossa vida fica impregnado de significados. E vivemos em meio a uma infinidade desses ciclos, que se mesclam e se interpenetram entre si.

A vez mais recente em que Júpiter e Urano fizeram uma conjunção foi em Maio de 2010 a Janeiro de 2011. Avalie com cuidado: que sementes você lançou, nos entornos desse momento? Que projetos ou vivências você iniciou aí?

Júpiter e Urano fizeram uma quadratura crescente em Agosto de 2013 a Maio de 2014. Pergunte-se: que tipo de crise de ajustamento seu projeto ou vivência passou, durante esse momento?

A oposição Júpiter-Urano ocorre agora, de Dezembro de 2016 a Outubro de 2017. Aí acontece o apogeu do ciclo. Que frutos você está colhendo?

A quadratura minguante Júpiter-Urano ocorre em Janeiro de 2021. Eis aí o momento da crise final, o princípio do fim do ciclo.

E a conjunção Júpiter-Urano ocorrerá em Abril de 2024, encerrando esse ciclo e começando outro.

Um ciclo dessa magnitude, de tão larga amplitude de tempo, tem desdobramentos mais visíveis nas áreas da Política, da Ciência ou da Economia. Mas, se observarmos, poderemos perceber que as nossas vidas, enquanto indivíduos, recebem, também, impactos significativos, a partir de ciclos dessa natureza.

Fique atento. E aproveite para usar os momentos cíclicos a seu favor, em vez de nadar contra a correnteza cósmica.