Arquivo mensal: abril 2012

Sol em trígono com Plutão

Nos céus, uma poderosa angulação entre o Sol e o planeta Plutão, indicando a possibilidade de iluminar os recantos mais obscuros de nossa alma.

Segundo a Mitologia Grega, Plutão, o Senhor das sombras, regente dos infernos, apenas duas vezes saiu de seus obscuros domínios: a primeira, para raptar Perséfone, que  mais tarde se tornaria sua esposa; e a segunda, para se curar com o deus-médico Apolo — o Sol — de um ferimento em combate.

Plutão

Plutão

O trígono entre o Sol e Plutão é, portanto, significativo de grandes possibilidades de cura interior, lançando um pouco de luz sobre nossos  porões emocionais.

Aliás, como diz o frei Leonardo Boff, luz e trevas são nossas irmãs e companheiras e devemos aprender a lição de uma e o ensinamento de outra. Gibran, por outro lado, diz que a alegria é a tristeza desmascarada. Eis aí a constante dualidade humana, a eterna dialética que nos projeta no infindável jogo entre o claro e o escuro, entre a luz e as trevas, que nada mais são do que as duas faces de uma só moeda.

O trígono entre Sol e Plutão permite-nos jogar luz sobre as nossas trevas interiores,

Apolo

Apolo

iluminando os nossos “undergrounds” emocionais.

Ótimo momento, portanto, para dar um mergulho nos soturnos e obscuros meandros de nossa alma, o que nos permitirá resgatar os nossos tesouros interiores. Boa hora para encarar aquele medo antigo, de dissolver aquele nó emocional, de perdoar e livrar-se daqueles ranços, ressentimentos e “nóias” guardadas, que só nos impedem de crescer.

O aspecto fica exato hoje, dia 29 de Abril. Mas os seus efeitos perdurarão por mais alguns dias. Aproveitemos!

Dica : Tomates verdes fritos, beleíssimo filme de 1991, dirigido por Jon Avnet e estrelado por Jessica Tandy e Kathy Bates, onde você poderá aprender sobre sombras do passado e sua transmutação e cura.

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Mercúrio em quadratura com Plutão

Nesta quarta-feira, dia 25 de Abril, ocorre este tenso aspecto entre

Plutão, o Senhor das Sombras, e Mercúrio, Senhor de Todos

os Caminhos, convidando-nos a uma reflexão sobre os

nossos mergulhos interiores.

Entre as muitas lições que nos são dadas por meio das imortais páginas da Mitologia universal, um raro tesouro se destaca: as narrativas das lutas e gestas dos heróis. Assim, ao longo dos séculos, a nossa imaginação vem sendo abastecida e alimentada com mitos que contam as façanhas de grandes personagens heróicos, como Perseu, Teseu, Hércules, Sigfried, Gilgamesh e muitos outros.

Jung

Jung

Sabemos da relação direta entre a mitologia dos heróis e a nossa própria história: a aventura do herói em busca de seus prêmios é o retrato da busca humana pelo crescimento emocional, desenvolvimento espiritual e felicidade. Carl Jung, o criador da psicologia do inconsciente coletivo, chegou a atestar que a história do herói se confunde com o processo humano de individuação.

É fácil, até, compreender as causas disso: o herói é sempre filho de um deus e uma mortal (ou vice-versa), o que traduz a dicotomia entre o seu lado divino e seu lado humano. É ou não é um fiel retrato simbólico dos dilemas humanos, crucificado que está o homem entre a verticalidade de suas buscas transcendentais e a horizontalidade de sua condição terrena?

Eis aí porque a mitologia dos heróis, dentre todas as formas de narrativa mitológica, tanto nos fascina. Mais próximos de nós do que os intocáveis deuses, os heróis representam a nossa maior possibilidade de redenção.

É um ponto comum na Mitologia heróica universal que, em algum momento de suas aventuras, o herói é obrigado a realizar um mergulho no inferno ou em uma região de trevas ou numa caverna profunda ou até mesmo a barriga de um gigantesco peixe ou qualquer coisa parecida. Essa é a kathábasys, o mergulho no infra, o que simboliza o mergulho no inconsciente, a fim de enfrentar os próprios demônios interiores. Somente após passar por essa etapa, o herói estará pronto para atingir os seus objetivos e alcançar a glória.

Hercules enfrenta Cérbero

Hercules enfrenta Cérbero

Quando Hércules, o maior de todos os heróis míticos, teve que mergulhar no Hades (os infernos, segundo a mitologia grega), o reino do deus Plutão, para capturar o temível Cérbero, o monstruoso cão tricéfalo, foi acompanhado pela deusa Palas Athena, deusa da sabedoria e da justiça e pelo deus Mercúrio, aquele que conhece todos os caminhos.

Assim tão bem acompanhado, até eu realizo façanhas!

A quadratura entre Mercúrio e Plutão é um indicativo da necessidade de mais um mergulho interior, para iluminar os nossos inferninhos emocionais. Aproveite esse momento para fazer o seu mergulho. Além de conhecer melhor a si próprio, você terá a chance de dominar, em si mesmo, forças nem sempre fáceis de conhecer e

Plutão

Plutão

compreender.

Se as sombras em nossos corações e mentes se tornam grandes demais, tornamo-nos vulneráveis às forças do infra, ou seja, às monstruosidades internas que nós mesmos geramos e alimentamos. É preciso, portanto, expulsar os piores demônios que temos que enfrentar: os ranços, as mágoas e os temores de dentro de nós. Manter o coração e a mente limpos, agir com justeza, perdoar sempre, eis a melhor profilaxia para tais males.

Mercúrio

Nunca é demais lembrar que o planeta Mercúrio é aquele que rege, simbolicamente, a Alquimia. E para transformar o chumbo de nossa alma impregnada de ranços no ouro de uma espiritualidade elevada e nobre, precisamos realizar a kathábasys, ou seja, mergulhar para transformar.

Durante esta semana, a quadratura entre Mercúrio e Plutão irá mostrar o caminho. Talvez nem sempre de maneira fácil. Talvez você se veja diante de situações, pessoas ou fatos que façam aflorar à superfície muito do que sempre se manteve oculto em você, padrões emocionais e comportamentais muito antigos. E a boa notícia é que esse afloramento pode propiciar descobertas e transformações profundas e significativas.

Fique atento.

A propósito: durante essa semana, cuidado com o que você disser. A palavra terá um indizível poder de impacto e transformação. Tanto a palavra dita internamente, em seus diálogos internos, quanto aquela dita interpessoalmente. Use-a com sabedoria.

O Rei Leão, Studios Disney

Dica cinematográfica: “O Rei Leão”, magnífico desenho animado dos Studios Disney, onde você vai aprender como as sombras do passado podem destruir o seu futuro, quando não conhecidas e dominadas.

O Sol entra em Touro

Nesta quinta-feira, dia 19 de Abril, às 13h12, o  astro-rei adentra o signo de Touro, inaugurando um ciclo em que a consciência nos convida a perceber a forma das coisas.

 

Associado ao animal que, nos primórdios da civilização, ajudou o homem a arar a terra, o signo de Touro nos fala das fôrmas e formas que os seres tomam em sua manifestação no plano material, a fim de bem cumprir sua missão. Observe-se que essa forma externa pode variar, permanecendo imutável, porém, a substância interior.

Do ponto de vista filosófico, substância (do latim substantia) é o que há de permanente nas coisas que mudam, o suporte sempre idêntico das sucessivas qualidades resultantes das transformações. Uma substância pode apresentar-se sob diversas características, que são os elementos individualizadores de um determinado ser.

Podemos resumir dizendo que a substância é essencial e a característica é acidental.

Existe na Química um conceito análogo, talvez até diretamente relacionado, referente a um fenômeno denominado alotropia, que se define como sendo a possibilidade de um mesmo elemento se apresentar sob diversos formatos, designados estados alotrópicos. Os átomos do elemento Carbono, por exemplo, podem assumir várias estruturas cristalinas, ao agrupar-se, gerando diferentes manifestações físico-químicas.

Resultado: dependendo da forma como os átomos se agruparam, o Carbono pode se apresentar tanto como carvão ou grafite quanto como diamante!!!

Parece incrível que o material mais duro que a ciência conhece até hoje (o diamante) e um outro, tão maleável (o grafite) que, em contato com uma folha de papel, deixa rastros, fragmentos de si mesmo, são compostos, em essência, da mesma substância (embora com características individuais marcadamente diferentes)!!!

Utilizando esses conceitos da Filosofia e da Química como ilustração e trazendo-os para a nossa vida prática, podemos perguntar: que formas características você está escolhendo para a manifestação de sua essência neste mundo? Tem sido uma forma adequada, eficiente e agradável ou fora de foco, ineficiente e maçante? Você tem optado por vestir a fôrma do bom guerreiro, heróico e combativo, que sabe o que quer e aprende com as lições da vida ou encarnar o pobre-coitado, sempre vítima das circunstâncias e que anseia que alguém ou algo o salve do mundo?

Durante a estada do Sol em Touro, que irá estender-se até o dia 21 de Maio (quando o Sol adentra o signo de Gêmeos), o Cosmos nos convida a repensar a forma que estamos imprimindo à nossa substância. Muitos aspectos desafiadores no céu, nos próximos dias desse ciclo taurino, estarão forçando você a uma reflexão, aparentemente simplista, porém muito eficiente, em termos de mudança de atitude: você tem sido parte do problema ou parte da solução, ao longo de sua vida? Essa escolha pode ser o determinante da diferença entre felicidade e infelicidade, saúde ou doença, prosperidade ou miséria. E sempre com o aval de nosso supremo livre-arbítrio.

Como reflexão, a paulada filosófica de George Bernard Shaw, escritor, critico, teatrólogo irlandês:

A vida é uma pedra de amolar. Ela vos desgasta ou vos afia, dependendo do material de que sois feitos.