Arquivo mensal: janeiro 2018

Marte em conjunção com Júpiter

Nesse dia 06 de Janeiro, encontram-se Marte e Júpiter aos dezoito graus de Escorpião,
inaugurando um ciclo de força e energia de realização.

Do ponto de vista mitológico grego, Marte representa um verdadeiro estranho no ninho: completamente diferente, em suas características, dos demais deuses do Olimpo, que representavam grandes modelos de harmonia e perfeição, Marte (Ares, em grego) era o deus da guerra bruta, da selvageria e da pancadaria. Seu único prazer eram as guerras e lutas e ele não perdia chance de fazer jorrar sangue, não se importando com a justiça ou injustiça da luta.

Os gregos o retratavam sempre acompanhado de um séquito temível: eram seus escudeiros Phobos e Deimos, seus filhos, representando o Pavor e o Medo; era acompanhado de Éris (a Discórdia) e por um bando de divindades guerreiras sempre sedentas de sangue, chamadas Queres.

Já em Roma, Marte foi cultuado como um dos maiores e mais importantes deuses. Diferentemente dos gregos, os romanos o retratavam sempre acompanhado de dois escudeiros chamados Honor (a Honra) e Virtus (a Força). Era considerado uma divindade heróica e nobre e era um dos patronos da cidade e do Império.

Essa diferença de significação é bem representativa do que pode acontecer com o Planeta Marte, dentro de nós: a depender da escolha que fizermos, o nosso Marte interior nos conduzirá no caminho da valorosa virtude que nos fará heroicos e combativos defensores da justiça. Ou nos tornará violentos e agressivos brutamontes…

Em sua essência, Marte está associado, astrologicamente, ao conceito de força. Representa o nosso lado guerreiro, aquele que vai à luta, marchando a passos largos para nos conduzir ao nosso objetivo.

Quando nos lançamos em direção de algo que desejamos, é Marte dentro de nós que nos propicia isso. Quando, revoltados diante de algo, erguemos a clava forte da Justiça, na defesa de alguém, é Marte dentro de nós que nos faz despertar o herói interior.

Mitologicamente, o planeta Júpiter, por sua vez, está associado ao mito de Zeus, o pai de todos os deuses e de todos os homens, o mais poderoso dos imortais, senhor absoluto do Olimpo, do Céu e da Terra. Era onipotente. Tinha como armas o raio, o relâmpago e o trovão. Um único movimento de sua cabeça sacudia todo o Universo.

Astrologicamente representa a fortuna e sabedoria. Traduz expansão e sorte. Amplifica tudo o que toca.

O encontro desses dois planetas, no signo de Escorpião, traduz um importante recado do Cosmos: a somatória da força marcial com a sabedoria jupiteriana pode nos conduzir a qualquer lugar que desejarmos, desde que estejamos dispostos a pagar o preço do sucesso e que tenhamos a iniciativa da ação. A nossa força será multiplicada! A nossa capacidade de ação, também!

Um excelente momento, portanto, para estabelecer uma estratégia, um plano de ação, com objetivos claramente definidos.

Trace metas a curto, médio e longo prazo; estabeleça metas intermediárias; e aja, ponha o seu plano em ação! Isso será inteligente e produtivo e irá motivá-lo a ir sempre em busca do que você quer.

Falando em motivar, é importante que você perceba, ao estabelecer as suas estratégias, qual a direção habitual de sua motivação. Existem pessoas que se motivam para buscar alguma coisa, para aproximar-se de um objetivo (em Programação Neurolingüística, chamamos a esse padrão de motivação de meta-programa de motivação por aproximação). Já outras motivam-se para afastar-se de algo, para fugir de algo desagradável (meta-programa de motivação por afastamento). Por exemplo, às pessoas que se motivam por aproximação, pode ser útil pensar nos resultados positivos que o empreendimento irá trazer, os prêmios e benefícios que podem advir de uma ação. Já às pessoas que se motivam por afastamento, pode ser útil reconhecer os problemas que serão evitados com a ação.

Você pôde perceber a diferença?

As pessoas que obedecem ao meta-programa de motivação por aproximação visam aproximar-se de algo agradável ou valioso.

As pessoas que obedecem ao meta-programa de motivação por afastamento visam afastar-se de algo desagradável ou penoso.

Ambos meta-programas são úteis e ajudam a atingir os objetivos a que as pessoas se propõem. No entanto, parece claro que as pessoas que se motivam por aproximação terão mais chances de se sentirem motivadas e, consequentemente, mais possibilidades de atingir as suas metas.

Descubra o seu meta-programa, observe a direção de sua atenção e, ao estabelecer as suas estratégias de ação, obedeça a essa direção. Se for o caso, mude o seu meta-programa, experimente outra forma de se motivar, até que você encontre aquela que lhe for mais útil. Com certeza, o triunfo pessoal será mais fácil e rápido, porque você foi capaz de transformar, com isso, as suas energias guerreiras em um magnífico potencial combativo.

Análise Cíclica

Independentemente da qualidade própria desse momento, sinalizada pela conjunção Marte-Júpiter, do ponto de vista ciclológico cabe também uma observação.

Como já comentamos em outros artigos, nesta coluna, o ciclo sinódico entre dois planetas se dá da seguinte maneira: na conjunção (quando os dois astros se encontram no mesmo grau do Zodíaco), inicia-se um ciclo, novas sementes são lançadas, algo novo começa. O astro mais rápido continua avançando e, na oposição (quando os astros estão a 180º), esse ciclo atinge o seu máximo. Nesse ponto, as sementes lançadas no momento da conjunção frutificam (para bem ou para mal) e rendem resultados. Mas, entre a conjunção e a oposição e vice-versa existem dois momentos em que os astros se colocam em quadratura (a 90º um do outro). Os pontos de quadratura representam momentos de crise, de oportunidade. A quadratura crescente (entre a conjunção e a oposição) está relacionada a crescimento. Às vezes, nesta fase, faz-se necessário um ajuste ou reordenamento de metas, para que os projetos ou vivências iniciadas na conjunção continuem ou até mesmo se extingam de vez. Já a quadratura minguante (entre a oposição e a conjunção) está relacionada a uma crise que solicita novos ajustes, porém com vistas ao encerramento do processo.

E, na nova conjunção, o ciclo é definitivamente encerrado e um novo se inicia.

Alguns desses ciclos duram um mês, como é o caso dos ciclos envolvendo a Lua. Outros duram vinte anos, como é o caso do ciclo Júpiter-Saturno. E outros ainda duram aproximadamente dois anos ou dois anos e meio como é o caso deste ciclo Marte-Júpiter.

Quando observamos esse tipo de ciclo, percebemos que o tempo e seu desenrolar em nossa vida fica impregnado de significados. E vivemos em meio a uma infinidade desses ciclos, que se mesclam e se interpenetram entre si. O ciclo entre Marte e saturno é um dos mais importantes para nós, pois associa esses dois elementos de vital significação emocional e prática.

A vez mais recente em que Marte e Júpiter fizeram uma conjunção foi em Outubro de 2015. Avalie com cuidado: que sementes você lançou, nos entornos desse momento? Que projetos ou vivências você iniciou aí?

Marte e Júpiter fizeram uma quadratura crescente em Abril a Outubro de 2016. Pergunte-se: que tipo de crise de ajustamento seu projeto ou vivência passou, durante esse momento?

A oposição Marte-Júpiter ocorreu em Fevereiro e Março de 2017. Aí aconteceu o apogeu do ciclo. Que frutos você colheu?

A quadratura minguante entre Marte e Júpiter ocorreu em Junho e Julho de 2017. Eis aí o momento da crise final, o princípio do fim do ciclo.

E a conjunção ocorre agora, em Dezembro de 2017 e Janeiro de 2018, embora o ponto exato aconteça no dia 06 de Janeiro de 2018, o que encerra o ciclo iniciado em Outubro de 2015 e começa outro, que deverá desenrolar-se da seguinte maneira:

Quadratura Crescente: Julho a Novembro de 2018;

Oposição: Maio de 2019;

Quadratura Minguante: Setembro de 2019;

Nova conjunção: Março de 2020.

Fique atento. E aproveite para usar os momentos cíclicos a seu favor, em vez de nadar contra a correnteza cósmica.

A propósito: a conjunção Marte-Júpiter ocorre aos dezoito graus de Escorpião. Se você já tem o seu mapa astrológico, observe em que casa astrológica ocorrerá esse fenômeno e você terá uma ideia de que área da vida poderá ser mais ativada pela força conjugada esses dois astros.

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Os Magos Astrólogos e a Estrela de Belém

6 de Janeiro, dia dos Reis Magos, dia do Astrólogo

Muitos pesquisadores, ao longo dos séculos, se fizeram a pergunta que, ainda hoje, incomoda a muita gente:

 “Os Reis Magos que foram a Belém saudar o nascimento de Jesus seriam astrólogos ?”

E alguns dos leitores desta coluna também nos questionam sobre a possibilidade, uma vez que um astro foi o anunciador da boa nova.

Bem, vejamos…

O Santo Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus nos conta (Cap. 2) que, havendo nascido Jesus “em Belém de Judá, em tempos do rei Herodes, eis que vieram do Oriente uns magos a Jerusalém, dizendo: ‘Onde está o rei dos judeus, que é nascido? Porque vimos no Oriente a sua estrela e viemos adorá-lo.’ (…) e logo a estrela que tinham visto no Oriente lhes apareceu, indo adiante deles, até que, chegando, parou sobre onde estava o menino. E quando eles viram a estrela foi sobremaneira grande o júbilo que sentiram. E entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe, e prostrando-se, o adoraram. E abrindo os seus cofres, lhe fizeram suas ofertas de ouro, incenso e mirra.”

Segundo essa tradição, uma estrela teria guiado os três “Reis Magos” até o presépio de Belém. Mas, na realidade, estes nobres personagens seriam não apenas soberanos, mas sem dúvida Magos, no sentido antigo e preciso do termo, isto é, sábios, filósofos e astrólogos do Irã ou da Babilônia. Até mesmo por que naquela época, era comum o soberano ser também um sacerdote, um sábio e, conseqüentemente, um astrólogo.

Teorias existem acerca da “Estrela de Belém”. Há quem diga que era um cometa; Johannes Kepler, astrônomo e astrólogo alemão, considerado um dos maiores gênios da Humanidade, desenvolveu a teoria de que a estrela seria, na realidade uma excepcional conjunção entre Marte, Júpiter e Saturno, que, sobrepondo-se no céu, teriam apresentado o aspecto de uma única estrela gigante.

Preferimos deixar esse enigma sem solução, mais um dos muitos e fascinantes mistérios da Tradição Cristã. O que importa, de qualquer modo, é o inegável patrocínio celeste, estes sinais do Céu, associados ao nascimento d’Aquele que seria o Salvador da Humanidade.

Diz o historiador Bouché-Leclerq, citado por Serge Hutin, em seu História da Astrologia:

“Dizer que Deus se servira de um astro para avisar aos magos, simplesmente porque eram astrólogos, não enfraquece a conclusão: haviam sido avisados, e, portanto, compreendiam os sinais celestes.”

Ou seja, eram astrólogos os magos que adoraram Jesus. Conheciam a linguagem dos astros e, por isso, puderam compreender a sua mensagem e chegar em tempo de adorar a Criança.

No dia 06 de Janeiro, inclusive, dia consagrado aos Reis Magos, é comemorado o Dia Mundial do Astrólogo.

Esta bela passagem, um dos pontos altos da História da Humanidade, traz em seu bojo e seu significado uma importante mensagem: a de que, através dos sinais dos céus podemos chegar mais perto da Criança Crística, não só aquela que está nos templos e nas igrejas, mas sobretudo aquela que trazemos em nosso coração.

Como reflexão, o poema de Rudolph Steiner, codificador da Antroposofia, com o qual saudamos todos os homens e mulheres que, ao longo da História, em tempos passados ou contemporâneos, ousaram praticar a nobre arte de ler os sinais celestes e transformá-los em informações significativas para a Humanidade.

 

“Se quisermos festejar o Natal

De modo cristão, deverá existir

Em nós próprios um Pastor e um Rei.

 

Um Pastor que ouve o que outras

Pessoas não ouvem, e que

Com todas as formas de dedicação

More logo abaixo do céu estrelado;

A esse Pastor, anjos anseiam por

Revelar-se.

E um Rei que distribua dádivas;

Que não se deixa guiar por nada mais

A não ser pela estrela das alturas.

E que se põe a caminho,

Para ofertar todas as suas dádivas

Ao pé de uma manjedoura.

 

Mas além do Pastor e do Rei

Deverá existir também em nós, uma

Criança

Que quer nascer agora!”

Feliz dia dos Reis Magos!!! Feliz dia do Astrólogo!!!

Superlua ao anoitecer desta segunda-feira, dia 1 de Janeiro de 2018!!!

A Lua Cheia acontece às 23h24 desta segunda-feira, dia 1 de Janeiro de 2018. Algumas horas antes, às 18h54, acontece o Perigeu, ou seja, o momento em que a Lua se coloca na posição de máxima aproximação da Terra.

(Hora de Brasília, desconsiderado o Horário de Verão.)

Quando esses dois fenômenos (a Lua Cheia e o Perigeu) acontecem tão próximos um do outro, temos um singular aumento do disco lunar, que se tornará algo em torno de 14% maior e mais brilhante.  O melhor momento para a observação é o nascer da Lua neste dia 1 de Janeiro. Quando o Sol se puser, no horizonte oeste, você verá a Lua nascer, no horizonte leste, maior e mais brilhante do que o habitual.

Um belo espetáculo!!!

E obviamente esse fenômeno traz significados simbólicos ricos e dignos de atenção.

SuperluaRegente do sino de Câncer,  astro mais próximo da Terra, a sedutora Lua, também chamada de “o luminar das noites”, sempre esteve associada à magia , aos encantamentos e à poesia.

Diana, a deusa caçadora (chamada Ártemis pelos gregos), é irmã gêmea de Apolo (o Sol) e associada à Lua. O templo erigido em seu culto, em Éfeso, era considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo.

Ainda criança, recebeu do pai, o poderoso Júpiter (Zeus), a graça de permanecer sempre virgem, intocável e intocada por qualquer deus ou mortal. Diana representa, portanto, o papel da fêmea indevassável, a donzela arisca, inconquistável, formando, juntamente com Palas Athena e Héstia, o grupo das chamadas “virgens brancas” do Olimpo. E aquele que ousasse ir de encontro a essa castidade era severamente punido. Assim foi com Actéon, o caçador (=buscador; simbolicamente, caçador é sempre representativo do homem, em busca do autoconhecimento, da iluminação, do Sagrado, etc.) que, escondido, pôs-se a contemplar encantado a bela Diana, enquanto esta se banhava nas frescas águas de um regato. O olhar da deusa, treinado pelas caçadas, pode perceber a presença do intruso, que sofreu terrível destino: com um gesto, Diana o transforma em cervo e Actéon é despedaçado e devorado pelos seus próprios cães de caça, que não mais o reconheciam.

Com o arco e as flechas recebidos de presente dos temíveis Ciclopes (gigantes de um só olho), Diana corria pelos

Diana (Ártemis)

Diana (Ártemis)

campos, entretendo-se em movimentadas caçadas, sempre acompanhada de sua matilha de cães de caça e de oitenta ninfas, que lhe faziam as vezes de damas de companhia, todas absolutamente castas como sua senhora.

Regente da arte da caça, impunha normas rígidas aos caçadores. Por exemplo, a fêmea prenhe não poderia ser abatida. Quem quer que descumprisse tal lei seria rigorosamente punido.

Tendo nascido antes de seu irmão gêmeo Apolo, Diana ajudou sua mãe quando do parto dele. Por isso, era sempre invocada pelas parturientes  gregas quando do nascimento de uma criança. Além disso, Diana era chamada de Paidotróphos, que quer dizer aquela que alimenta a criança. Por tais motivos, as crianças eram suas protegidas, sobretudo as meninas, que, até os oito anos, lhes eram consagradas, sendo chamadas arktoi (= ursinhas; o urso era um animal consagrado a Diana).

Astrologicamente, a Lua representa a parcela mágica da nossa psiquê, que é capaz de se encantar com as imagens internas e externas, capazes de alimentar e educar a nossa criança interior. Com suas quatro fases distintas, dividindo o seu ciclo zodiacal (de vinte e sete a vinte e oito dias, o mais rápido dentre todos os astros), a Lua nos convida a refletir acerca da ciclologia da nossa própria vida e de nossas emoções: ora estamos em pleno processo de inspiração e desenvolvimento, como se fôssemos a Lua Crescente; e então ficamos plenos e inflados, como a própria Lua Cheia; depois, tendemos a minguar e murchar, como a Lua Minguante; e em seguida nos sentimos renovados e prontos a iniciar um novo ciclo, como a Lua Nova.

poesia3Retratando a Poesia e, mais até do que isso, a poética dentro de nossas vidas, a Lua, considerada o astro dos namorados, nos fala, por meio da sua luz suave, de sutileza e encantamento. Enquanto o Sol, com sua luz forte, é símbolo da consciência, da razão, da objetividade, do masculino, a Lua é símbolo do subconsciente, da magia, da subjetividade, do feminino.

Com a ocorrência dessa Superlua, que testemunhamos neste alvorecer do ano de 2018, estamos sendo convidados pelo Cosmos a sentir a mágica e a poética dentro de nós, que nos animam a mirar o alvo dos sonhos que buscamos realizar, retesando o arco da Poesia para disparar a flecha encantada da Magia, em direção ao Infinito, recuperando nossa capacidade de transformar abóboras em carruagens, sapos em príncipes, pererecas em princesas, resgatando o nosso dom de voar, buscar, sonhar e de se encantar com a realidade, que sempre pode ser bela.

Uma poça d’água no meio da rua pode ser motivo de queixa para os desanimados e insensíveis. Mas, para quem quer lançar o pó de pirlimpimpim, a mesma poça pode ser o espelho encantado que reflete, no chão, o brilho iridiscente das estrelas, no céu.

Detalhe importante. A Superlua acontece aos onze graus do signo de Câncer, seu signo de regência, e com o Sol a onze graus do signo de Capricórnio, ou seja, bem no eixo da realização. Se você já tem o seu mapa astrológico, poderá avaliar que área da vida (que Casa astrológica) será a mais afetada pelo fenômeno. Assim como qualquer astro próximo a este ponto.

 Lembramos que a palavra realizar significa, no étimo, tornar real. Portanto, essa Superlua, além de tudo é um convite a uma reflexão acerca daquilo a que precisamos tornar real, concreto em nossa vida; assim como acerca da nossa capacidade de sonhar e imaginar,, para poder realizar. Toda grande construção se iniciou, antes de tudo, pelo sonho de alguém.

E, principalmente, daquilo que precisamos tornar mais poético!

E se é assim, com poesia terminemos! Afinal de contas, a Poesia é mais verdadeira do que a História. Portanto, quanto mais poético, mais verdadeiro.

E, em se tratando de Lua e consequentemente de Memória (atributo também ligado à Lua), nada melhor do que  o poema abaixo, de autoria do poeta e pensador pernambucano (e canceriano) João Luiz Martins, para estimular, nessa Superlua, o resgate da memória imagética dentro de nós.

Um poema que nos ensina, de forma bela e sensível, como tornar real o que sonhamos.

 

O Baú de Mim

I

Abro silenciosamente meu baú,

Retiro de lá a fantasia do meu desejo,

E sua fragrância contida faz com que eu comungue

Aquele saudosismo espelhado em mim,

Nos velhos arlequins passados.

II

Do Arlequim tomo-lhe a audácia,

De mim refaço a alquimia do sonho:

Nesta fusão-de-calores, os amores perfazem,

Com (a) exatidão absurda de um sonho,

Todo o seu desabrochar de ilusões…

III

Com meu baú ainda aberto

Absorvo-me no devaneio de existir

Àqueles que sonham em primeiro serem reais

Para os seus eus,  mas que, por pura

Delinqüência consciente e boa,

Deixam-se levar nas águas das quimeras

Que tanto edificam os momentos felizes;

IV

E por mim tomo-me real,

Visto a máscara alegre a denunciar-me

Faço-me de odores de pierrots:

Lanço o meu brilho a vagar

Inda que seja no simples quarto onde,

Estando,

Escuta calado essa magia dos desejos…

V

Entro então no meu baú,

E caibo dentro dessa imensidão de mim que lá está,

E fico e sinto, por longo tempo,

Todo um romper daquilo que me fazia tímido

Para abrir um baú-de-sonho:

A suave impressão de que me perderia para

Poder-me achar,

Como fiz,

Pois estava dentro do baú de mim mesmo.

João Luiz Martins

Fevereiro de 1990

P.S.

Esta é a segunda de três Superluas seguidas. A primeira ocorreu no dia 03 de Dezembro, aos onze graus do signo de Gêmeos. E a terceira acontecerá no dia 31 deste Janeiro, aos onze do signo de Leão. Observados de maneira sistêmica, esses fenômenos podem trazer significados complexos e de alto impacto em nossas vidas.

Falaremos mais sobre isso daqui a alguns dias

Haroldo Barros