Arquivo mensal: outubro 2012

Mercúrio em quadratura com Netuno

Grave crise entre esses dois planetas, que pode desencadear sérios problemas de comunicação.

Muitas coisas diferenciam o ser humano dos outros animais. Victor Hugo diz que o homem é o único animal que ri. Kant diz que o homem é o único ser do universo que sabe que está morrendo, enquanto o restante da criação o ignora completamente. Nietzche diz que o homem foi o único ser capaz de criar uma divindade à sua imagem e semelhança.

Porém, a mais significativa diferença entre nós e os outros animais é o fato de que só o homem é capaz de se comunicar lingüisticamente.

O homem foi capaz de inventar um código – a palavra – para designar parcelas da realidade, idéias, intenções, sentimentos.

E desde que se estabeleceram os primeiros itens desse código, acabou-se o sossego (se é que já houve algum!) entre os homens.

Sim, pois, apesar de ser uma grande invenção, a palavra é absolutamente pobre para expressar nossos pensamentos e sentimentos. E como até agora não conseguimos ainda inventar outro jeito melhor, temos mesmo que nos valer da linguagem para comunicar-nos.

O problema é que, ao elaborar lingüisticamente os nossos pensamentos, fatal e inexoravelmente cometemos três pecados básicos: omitimos, distorcemos e/ou generalizamos informações.

Essas três categorias (omissão, distorção e generalização), apontadas pelos estudiosos da Lingüística Transformacional, acabam fazendo dos processos comunicativos verdadeiros campos de batalha, onde se digladiam as nossas idéias e intenções, por um lado e a nossa (pouca) habilidade em transformá-las em palavras, por outro.

Resultado: pensamos em algo, mas dizemos outra coisa; e o que é pior, o interlocutor, ao decodificar a mensagem, vai fazê-la passar por seus próprios filtros perceptivos da realidade, já naturalmente eivados de suas próprias idéias, princípios e critérios de julgamento. Ou seja, entre o que queremos expressar e o que o nosso interlocutor entende há uma larga (às vezes abismal!) distância.

Diante disso tudo, somos instados a buscar a mais importante habilidade comunicativa: a precisão.

A quadratura entre Mercúrio e Netuno é um alerta dos céus de que podemos e devemos ser precisos em nossos processos comunicativos, pelo bem de nossa eficácia, de nossa saúde emocional e de nossos relacionamentos.

Mercúrio nos diz que nenhum homem é uma ilha. Mas Netuno nos determina que a maior parte dos problemas de nossa civilização (desde uma discussão entre marido e mulher até um conflito armado entre dois povos) provêm de confusões na comunicação.

Portanto, durante toda esta semana fique atento: a quadratura (ângulo de 90º) é um aspecto altamente tenso e desarmonioso e, ao estabelecer um conflito entre Mercúrio e Netuno, poderá desencadear sérias confusões e desentendimentos entre todas as pessoas, em quaisquer níveis de comunicação (Precisão, Adeus!!!). Você precisará ser muito sábio e habilidoso para evitar graves conflitos e bate-bocas, que fatalmente redundam em prejuízos, sejam materiais, sejam emocionais, sejam relacionais.

Alguma dicas úteis:

  1. Nós não temos que falar sempre. Às vezes, o silêncio é tão útil ou mesmo tão eloqüente quanto um discurso inteiro.
  2. Toda informação de boa qualidade é válida (espelha a realidade), útil (traduz-se em importância prática) e acionável (pode ser usada). Se a informação que você pretende repassar não tiver esses três atributos, esqueça-a.
  3. A responsabilidade da comunicação é sempre do emissor da mensagem, nunca do receptor.

E lembre-se: sua palavra cria, constrói ou destrói universos. Cuidado com ela.

Análise Cíclica

Independentemente da qualidade própria desse momento, sinalizada pela quadratura Mercúrio-Netuno, do ponto de vista ciclológico cabe também uma observação.

O ciclo sinódico entre dois planetas se dá da seguinte maneira: na conjunção (quando os dois planetas se encontram no mesmo grau do Zodíaco), inicia-se um ciclo, novas sementes são lançadas, algo novo começa. O planeta mais rápido continua avançando e, na oposição (quando os planetas estão a 180º), esse ciclo atinge o seu máximo. Nesse ponto, as sementes lançadas no momento da conjunção frutificam (para bem ou para mal) e rendem resultados. Mas, entre a conjunção e a oposição e vice-versa existem dois momentos em que os planetas se colocam em quadratura (a 90º um do outro). Os pontos de quadratura representam momentos de crise, de oportunidade. A quadratura crescente (entre a conjunção e a oposição) está relacionada a crescimento. Às vezes, nesta fase, faz-se necessário um ajuste ou reordenamento de metas, para que os projetos ou vivências iniciadas na conjunção continuem ou até mesmo se extingam de vez. Já a quadratura minguante (entre a oposição e a conjunção) está relacionada a uma crise que solicita novos ajustes, porém com vistas ao encerramento do processo.

E, na nova conjunção, o ciclo é definitivamente encerrado e um novo se inicia.

Alguns desses ciclos duram um mês, como é o caso dos ciclos envolvendo a Lua (em Astrologia, Sol e Lua são considerados planetas, pois são, igualmente, “planos” da alma). Outros duram vinte anos, como é o caso do ciclo Júpiter-Saturno. E outros ainda duram aproximadamente um ano, como é o caso deste ciclo Mercúrio-Netuno.

Quando observamos esse tipo de ciclo, percebemos que o tempo e seu desenrolar em nossa vida fica impregnado de significados. E vivemos em meio a uma infinidade desses ciclos, que se mesclam e se interpenetram entre si.

A vez mais recente em que Mercúrio e Netuno fizeram uma conjunção foi entre 10 e e 19 de Fevereiro de 2012. Avalie com cuidado: que sementes você lançou, nos entornos desse momento? Que projetos ou vivências você iniciou aí?

Mercúrio e Netuno fizeram uma quadratura crescente entre 25 e 30 de Maio de 2012. Pergunte-se: que tipo de crise de ajustamento seu projeto ou vivência passou, durante esse momento?

A oposição Mercúrio-Netuno ocorreu entre 1 e 7 de Setembro de 2012. Aí aconteceu o apogeu do ciclo. Que frutos você colheu?

A quadratura minguante ocorre agora, dia 29 de Outubro e, por conta da retrogradação dos planetas Mercúrio e Netuno, irá repetir-se no período que vai de 6 a 17 de Novembro. E mais uma vez no período que vai de 11 a 15 de Dezembro.  Eis aí o momento da crise final, o princípio do fim do ciclo.

E a conjunção Mercúrio-Netuno ocorrerá no período que vai de 09 de Fevereiro a 16 de Março de 2013, encerrará o ciclo iniciado em 08 de Fevereiro de 2012 e começará outro, que deverá desenrolar-se da mesma maneira.

Fique atento. E aproveite para usar os momentos cíclicos a seu favor, em vez de nadar contra a correnteza cósmica.

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O Sol entra em Escorpião

Continuando seu eterno caminhar pela roda zodiacal, o astro-rei adentra o signo de Escorpião, no próximo dia 22 de Outubro, às 21h13, dando início a um ciclo de resgate do mistério e da transformação.

 

Escorpião está associado ao mito de Orion, o gigantesco caçador, filho de Netuno, que, de tão hábil, gabava-se de matar qualquer animal que na terra vivesse. A Mãe Terra (Gea ou Gaea) não se conforma em ouvir tal desaforo e envia-lhe um enorme escorpião, desafiando o caçador a matá-lo. Orion faz pouco do bicho e, com o pé, esmaga-lhe a cabeça; esquece, porém, que é na cauda que se situa o ferrão do perigoso animal; e é exatamente esse ferrão que o escorpião, apesar de ter a cabeça arrebentada, crava na perna de Orion, inoculando-lhe o seu letal veneno. O soberbo caçador morre, padecendo de terríveis dores e será catasterizado (= transformado em constelação) no agrupamento de estrelas que leva o seu nome, a pedido da deusa Diana (= a Lua).

Um detalhe interessante do mito é que também o Escorpião foi catasterizado. E os dois contendores, mesmo depois de se transformarem em constelação, continuam inimigos: quando uma das constelações nasce, nos céus, a outra se põe. E assim, o Escorpião e Órion nunca estão visíveis no firmamento, ao mesmo tempo.

Simbolicamente, o signo de Escorpião representa esse veneno, capaz de matar (= transformar, transmutar), para fazer transcender para algo que está “mais além”. No livro O Pequeno Príncipe, de Exupèry, é o veneno de uma serpente do deserto que faz o jovem principezinho viajar de volta ao seu pequeno planeta; do mesmo modo, a borboleta “mata” a lagarta, ao transformar-se de uma para outra. Assim também o feto, dentro do útero, “morre” para renascer um ser vivo independente; assim também o adulto “mata” o jovem, quando atinge a maturidade.Viver, portanto, é sinônimo de nascer, evoluir, morrer e renascer, numa interminável seqüência, consoante os ciclos cósmicos.

Compreender Escorpião é compreender o Mistério da evolução, da regeneração e da morte; é compreender a liberação das energias necessárias à transformação. E é, sobretudo, compreender o erro sobre o qual se construiu a nossa civilização: a ilusão de que o eu é a última realidade; de que o progresso contemporâneo e finito é mais importante do que os ciclos infinitos e sutis, muito mais sutis, que se mesclam com a realidade; de que podemos acender as luzes do inconsciente sem venerar o Incognoscível; e de que a realidade superficial das coisas é mais significativa do que a ordem oculta em que ela se baseia.

E lembre-se: já que o Universo e dinâmico e eternamente em estado de metamorfose, a mudança invariavelmente acontece, quer você goste disso ou não. É melhor que as transformações aconteçam sob seu controle e sua opção. Aproveite, portanto, a estada do Sol em Escorpião para detonar as mudanças de que você necessita e que, às vezes, fica adiando, por acomodação ou mesmo por (desculpe a franqueza!) covardia.

Duas dicas.

Primeira dica:

Pode valer a pena contemplar o Escorpião e Orion, nos céus. São duas das mais belas constelações e facilmente identificáveis.

Logo após o pôr do Sol, você poderá avistar Escorpião, na direção do poente. Lá perto, estarão o planeta Marte e a Lua.

Posição do Escorpião, logo após o por do Sol.

 

 

 

 

 

 

 

A partir das 22h, mais ou menos, você avistará Orion, na direção do nascente e poderá acompanhar a trajetória do caçador pelos céus, até o amanhecer. Perto do Caçador, você poderá ver o brilhante planeta Júpiter.

Posição de Orion por volta das 22h

 

 

 

 

 

 

 

Posição de Orion por volta das duas da manhã.

 

 

 

 

 

 

 

Posição de Orion pouco antes do amanhecer

 

 

 

 

 

 

 

Observe que os horários indicados não estão considerando o Horário de Verão.

Se você não conseguir ver esses belos espetáculos celestes hoje, não se preocupe: durante os próximos dias, você poderá acompanhar essa mesma movimentação, em horários muito parecidos aos que estão sendo indicados.

Vale a pena! Contemplar os céus e perseguir as constelações é um exercício de infinitude e eternidade. Abastece a nossa alma e faz um contraponto à finitude terrena onde estamos aprisionados.

Segunda dica:

O eterno livro “O Pequeno Príncipe”e, de onde extraímos o conceito do veneno da transmutação, acima indicado e de onde podemos colher a pérola abaixo, grande e imorredoura lição de senso de mistério:

“O essencial é invisível aos olhos!”

Saturno entra em Escorpião

Depois de ter passado dois anos em Libra, o planeta Saturno acaba de ingressar em Escorpião, inaugurando uma fase de transformação e dissolução das estruturas.

Regente do signo de Capricórnio, o planeta Saturno está astrologicamente associado aos conceitos de estruturação e realização. Não é à-toa que muitos o chamam de “Mestre da Luz” ou ainda de “Construtor de Universos”.

O próprio símbolo astrológico de Saturno ( uma cruz acima de um semi-círculo)  indica a supremacia da matéria sobre a alma, traduzindo-se em nossa capacidade interna de edificar e cristalizar o que antes se imaginou e se idealizou.

Como um bom mestre de obras, Saturno faz questão de testar tudo o que vê. Por onde ele passa, testa as nossas fundações e a estabilidade do que construímos.

Nem sempre isso se dá de maneira fácil.

E aí entra o caráter restritivo de Saturno: o que não estiver solidamente edificado, o que não estiver estruturado de maneira firme, terá seus alicerces abalados. E daí vem o outro título de Saturno: o “Senhor do Karma”.

Mitologicamente, Saturno está associado a Cronos, o deus grego do tempo, que castrou o próprio pai (Urano) com um golpe de foice e, temendo um destino semelhante, passou a devorar os próprios filhos, assim que nasciam.

Chronos, de Goya

O único a escapar desse destino foi Júpiter (Zeus) que, depois de crescido, dá ao pai uma poção que o faz vomitar todos os filhos que haviam sido engolidos.

E assim é o Tempo: limita-nos, castra, devora. Mas a Memória (a poção de Júpiter) o faz vomitar tudo.

Essa é a função e a ação de Saturno: limitar e restringir, para nos disciplinar; testar e criticar, para nos edificar; dificultar e obstaculizar, para nos elevar.

O ciclo de Saturno é de aproximadamente trinta anos, ou seja, nesse período, o planeta dá uma volta completa ao redor do Zodíaco, visitando cada um dos doze signos por dois anos ou dois anos e meio.

Esse é o ciclo da estruturação das coisas e das pessoas.

Por exemplo, é fácil notar que, por volta dos vinte e nove ou trinta anos de idade, quando Saturno retorna ao ponto original do nascimento, o ser humano passa por sua primeira grande crise existencial: a inexorável percepção de que o tempo passou, de que não é mais um adolescente. Faz-se sentir aí, pela primeira vez, o peso do tempo, da responsabilidade. E a necessidade de realização pessoal. Alguns fatos marcantes podem ser característicos dessa fase, muitas vezes desencadeando perdas ou fracassos. É a ação de Saturno, o Senhor do Karma, que nos força ao amadurecimento, para nos ajudar a construir universos… A mesma crise, em um outro nível de percepção e efeitos, repete-se por volta dos cinqüenta e nove ou sessenta anos. E dessa vez, a cobrança saturnina pode ser maior.

Ao entrar em Escorpião, signo da morte, Saturno inicia uma fase em que todos os processos que nos levam ao amadurecimento, à disciplina e à edificação serão levados ao extremo. Escorpião tem o poder de dissolver, de destruir, para que algo novo possa ser erguido.

Isso nos faz lembrar o mito de Sísifo, um intrigante personagem da Mitologia Grega, um rei inteligente e esperto que foi capaz de, por duas vezes, enganar a

Sísifo

Morte, chegando a aprisionar Tânatos, a divindade que personificava o anjo ceifador da vida.

O deus Plutão, senhor dos infernos, mas também mestre das vinganças, deixou que Sísifo vivesse até avançadíssima idade. E quando chegou finalmente ao reino dos mortos, Sísifo teve como castigo um terrível destino: foi condenado a passar a eternidade empurrando uma imensa pedra ladeira acima, na tentativa de fazê-la rolar para o outro lado de uma montanha. Mas sempre que está quase conseguindo, a pedra rola de volta para baixo e ele tem que recomeçar todo o trabalho.

Triste fim para alguém tão inteligente e esperto…

Bem, a moral da história é clara: aquele que se nega à transformação, aquele que foge às inevitáveis mudanças de rota que a vida nos oferece, estará se condenando a uma sempiterna estagnação. E, como diz a minha colega astróloga Mônica Schwarzwald, lá entre as colunas do seu Templo de Minerva, em Brasília, “toda estagnação será castigada”.

E talvez esse seja o lema que precisaremos adotar, ao longo da passagem de Saturno por Escorpião: castigar a nossa estagnação, aceitar a inexorável impermanência da condição humana, aprender a surfar na onda da mudança.

Saturno em Escorpião também pode trazer uma certa tristeza e melancolia. O que não é ruim, pois não devemos negar os aspectos tristes da vida. Vivemos uma cultura que prega a alegria a qualquer custo, sob qualquer circunstância.

Permitir-se a tristeza pode ser libertador, ainda que não precisemos nos entregar a ela, mas entender que, como diz Gibran, a alegria e a tristeza são irmãs e, enquanto você está com uma à mesa, a outra a espera em sua cama.

Fique atento.

Sobretudo fique atento para exercitar o seu livre-arbítrio, de forma a dissolver, destruir o que tem estado meio sem utilidade, prumo ou direção em sua vida, seja nas áreas pessoal, profissional e até mesmo de saúde.

Nesse particular, direcione sua atenção para as questões associadas aos intestinos, órgão sexuais e sistemas excretores. Essas partes do corpo, regidas por Escorpião, podem ressentir-se com a passagem de Saturno, sobretudo se você nasceu sobre os signos de Leão, Escorpião, Aquário ou Touro. Um check-up pode ser uma boa idéia.

E procure evitar o medo, que também pode surgir. O medo é o assassino da mente e muitas vezes é fruto mais de nossas próprias sombras do que da realidade.

Dica: O filme “O Sétimo Selo” (Det Sjunde Inseglet, Suécia, 1957), dirigido por Ingmar Bergman, onde você vai conhecer um homem que, em meio ao cenário de uma Europa medieval devastada pela Peste Negra, joga xadrez com o anjo da Morte. Será que terá bom resultado?

Marte entra em Sagitário

Continuando o seu caminho pela roda zodiacal, o planeta Marte entra no signo de Sagitário, inaugurando um ciclo de refinamento da força e do potencial combativo.

Em torno do Século VI de nossa era, os povos da antiga Bretanha foram unificados politicamente por um chefe tribal que os liderou na guerra contra os invasores saxões, que vinham do norte em numerosos barcos e aportavam nas praias da ilha.

Sir Thomas Malory

Já no século XIII, um escritor romântico, Sir Thomas Mallory, escreveu o clássico “A Morte de Arthur”, onde narra a épica história de um jovem rei, alçado ao trono de maneira inesperada e que, por seu carisma, coragem e justiça, consegue reunir ao seu redor um grupo de valorosos combatentes, que lutavam pelos ideais de justiça e honra.

Provavelmente você conhece a história do Rei Arthur e dos Cavaleiros da Távola Redonda, a mesa sem cabeceira, onde todos são iguais. Já deve ter visto ou lido uma das muitas versões cinematográficas ou literárias dessa que é considerada a última mitologia do Ocidente.

Há uma hipótese histórica que liga o personagem mítico Arthur a esse chefe tribal da velha Bretanha.

Mas isso, francamente, não nos importa, neste momento.

Queremos chamar atenção para outros aspectos desse sensacional mito.

Arthur e Excalibur

Há muita riqueza em seus magníficos personagens: o justo Arthur e sua espada Excalibur, forjada com metal vindo do céu; a bela rainha Guinewere; o impetuoso Gawaine; o invencível Lancelotte; a misteriosa Morgana; o poderoso Merlin, o Mago… E claro, o Santo Graal.

O Cálice de Cristo, dotado de miraculosos poderes de cura, que teria sido levado à Bretanha por José de Arimatéia, e que desaparece misteriosamente da corte de Arthur, em Camelot.

E então todos os cavaleiros da Távola Redonda se põem em busca do Santo Cálice. Essa busca ficou conhecida como a Demanda do Graal. E a maioria dos cavaleiros da Távola Redonda pereceu nessa busca ou retornou a Camelot ferido ou louco. Muitos eram os desafios e as armadilhas do caminho. Um,

O Graal

porém, um único cavaleiro, dentre tantos nobres guerreiros, é capaz de reencontrar e resgatar o Graal: Sir Percival, que se destaca não por sua coragem e força, capacidades inerentes a qualquer um dos cavaleiros da Távola Redonda, mas por sua capacidade de compreender o que há de mais além, de refinar a coragem e a força, transcendo-as a um discernimento místico-filosófico que o capacitou a, vencendo primeiro os inimigos interiores, ultrapassar os obstáculos à conquista do Grande Prêmio.

Esse era o segredo do Graal: somente quem vencesse seus piores medos e pudesse dominar as próprias fraquezas seria capaz e merecedor de resgatar o Cálice. E apenas um cavaleiro de muita fé seria capaz disso. Percival, o bondoso e religioso Percival, foi o escolhido.

Com a entrada de Marte em Sagitário, somos convidados pelo Cosmos a ativar o Percival dentro de nós. O nosso guerreiro interno, aquele que nos impulsiona, nos ativa, nos ajuda a decidir e a travar as batalhas pela vida, não deixa de ser corajoso, combativo e forte, mas compreende que a cada luta, há um sentido maior e mais elevado. Se não há um sentido na luta não há porquê em lutar.

Durante a estada de Marte em Sagitário, que deverá durar até meados de Novembro de 2012, fique atento aos combates para os quais você está sendo chamado. E perceba que cada um deles pode ser um motivo e uma oportunidade de crescimento. E não se furte a travar os bons combates, aqueles que merecem ser travados.

Vencer a bestialidade e a própria humanidade e buscar a transcendência, eis a maior das batalhas. E lembre-se do que ensinava o Gáutama: embora um homem vença mil vezes mil homens em combate o maior guerreiro é aquele que conquista a si mesmo.

Dicas:

Dada a amplitude e multiplicidade do tema deste artigo, vamos nos permitir oferecer várias dicas:

Literárias:

As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley. A história de Arthur e da Távola Redonda sob o ponto de vista das mulheres (Imperdível!)

As Crônicas de Arthur, de Bernard Cornwell

Cinematográficas:

Excalibur, de John Boorman

Indiana Jones e a Última Cruzada, de Steven Spielberg

E, se você preferir uma linguagem cinematográfica menos simbólica,

Nascido Para Matar, de Martin Scorcese